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Direito Processual Penal - Intensivo I

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do processo em que foi proferida. 
b. Coisa Julgada Material: a coisa julgada material pressupõe a coisa julgada formal. Significa a 
imutabilidade da decisão fora do processo em que foi proferida. 
 
‐ A decisão que determina o arquivamento faz coisa julgada? 
A decisão que determina o arquivamento é uma decisão judicial, porque irá repercutir em direitos e 
garantias relacionadas ao interessado. Não é um mero despacho. 
Geralmente,  sempre que  houver uma  efetiva  análise do mérito produzirá  coisa  julgada  formal  e 
material.  Por  outro  lado,  quando  a  análise  se  detém  apenas  a  critérios  processuais,  produz  coisa  julgada 
formal. 
A depender do  fundamento que  levou  ao  arquivamento, pode‐se  concluir  se houve  coisa  julgada 
formal ou coisa julgada formal e material. 
 
‐ Se o juiz reconheceu a atipicidade da conduta? A coisa julgada será formal e material (análise de mérito). 
‐ Se o juiz reconheceu uma excludente de ilicitude? Coisa julgada formal e material (análise do mérito). 
 
Æ Julgamento do HC 95.211 no STF14 (sem decisão definitiva, cabe acompanhamento – informativo 
597). O Min. Lewandowski voto no sentido de negar o habeas corpus em  razão do que há  jurisprudência é 
farta no sentido de efeito de coisa julgada material quando presente atipicidade – no caso seria excludente de 
ilicitude. Os Ministros Meneses Direito e Marco Aurélio entenderam pela concessão do habeas por ofensa à 
segurança jurídica. 
Causa  extintivas  da  punibilidade  e  excludentes  da  culpabilidade  irão  fazer  coisa  julgada  formal  e 
material. Porém, no caso de certidão de óbito falsa é possível reabrir o processo contra o acusado, pois seria 
considerada uma decisão jurídica inexistente. 
Na ausência de elementos probatórios quanto à autoria e à materialidade o  juiz não  ingressará no 
mérito, portanto  irá produzir efeitos de coisa  julgada  formal apenas – cláusula  rebus sic stantibus. Significa 
que mantidos os pressupostos  fáticos que  serviram de  fundamento para a decisão, esta deve  ser mantida; 
alterados os pressupostos fáticos a decisão pode ser alterada. 
2.13.3 Desarquivamento do Inquérito e provas novas 
Súmula 524 do STF ‐ ARQUIVADO O INQUÉRITO POLICIAL, POR DESPACHO DO JUIZ, A REQUERIMENTO 
DO PROMOTOR DE JUSTIÇA, NÃO PODE A AÇÃO PENAL SER  INICIADA, SEM NOVAS PROVAS. Fonte de 
Publicação: DJ de 10/12/1969. Legislação: Código de Processo Penal de 1941, art. 18. 
                                                            
14 HC ‐ 95211 ‐ A Turma, por maioria,  indeferiu habeas corpus no qual pleiteado o trancamento de ação penal  instaurada a partir do 
desarquivamento de  inquérito policial, em que  reconhecida excludente de  ilicitude. No  caso, o  citado  inquérito apurava homicídio 
imputado ao paciente, delegado de polícia, e a outros policiais, sendo arquivado a pedido do Ministério Público do Estado do Espírito 
Santo, que  reputara  configurado o estrito  cumprimento do dever  legal. Passados dez anos da decisão  judicial,  fora  instalado, pelo 
parquet,  o  Grupo  de  Trabalho  para  Repressão  ao  Crime  Organizado  ‐  GRCO  naquela  unidade  federativa  —  que  dera  origem, 
posteriormente, a Comissões Parlamentares de Inquérito em âmbito estadual e nacional —, cujos trabalhos indicariam que o paciente 
e os demais policiais não teriam agido em estrito cumprimento do dever legal, mas sim supostamente executado a vítima (“queima de 
arquivo”).  A  partir  disso,  novas  oitivas  das  mesmas  testemunhas  arroladas  no  inquérito  arquivado  foram  realizadas  e  o  órgão 
ministerial, concluindo pela caracterização de prova substancialmente nova, desarquivara aquele procedimento, o que fora deferido 
pelo juízo de origem e ensejara o oferecimento de denúncia. A impetração alegava que o arquivamento estaria acobertado pelo manto 
da  coisa  julgada  formal  e  material,  já  que  reconhecida  a  inexistência  de  crime,  incidindo  o  Enunciado  524  da  Súmula  do  STF 
(“Arquivado o inquérito policial, por despacho do Juiz, a requerimento do Promotor de Justiça, não pode a ação penal ser iniciada, sem 
novas provas.”). O Min. Ricardo Lewandowski suscitou questão de ordem no sentido de que os autos fossem deslocados ao Plenário, 
porquanto transpareceria que as informações as quais determinaram a reabertura do inquérito teriam se baseado em provas colhidas 
pelo próprio Ministério Público. Contudo, a Turma entendeu, em votação majoritária, que, antes, deveria apreciar matéria prejudicial 
relativa ao  fato de  se  saber  se a ausência de  ilicitude  configuraria, ou não,  coisa  julgada material,  tendo em  conta que o ato de 
arquivamento ganhara contornos absolutórios, pois o paciente fora absolvido ante a constatação da excludente de antijuridicidade 
(estrito cumprimento do dever legal). [...] 
 
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INQUÉRITO POLICIAL > Arquivamento do Inquérito Policial 
Não confundir possibilidade para o desarquivamento do inquérito com a propositura da ação. 
Para que ocorra o desarquivamento do inquérito policial basta a notícia de provas novas (art. 18 do 
CPP15). A autoridade policial solicita o desarquivamento do inquérito policial. 
Surgindo provas novas será possível o oferecimento de denúncia. 
Prova  nova  é  aquela  substancialmente  inovadora,  ou  seja,  capaz  de  produzir  uma  alteração  do 
contexto probatório. Não significa, por exemplo, que uma nova testemunha seja prova nova necessariamente, 
pois se não trouxer elementos novos não será reaberto o inquérito. 
STF HC 94.869 
 
O surgimento de uma prova nova poderá proporcionar reabertura de mais de um inquérito? 
2.13.4  Procedimento do arquivamento do inquérito (Justiça Estadual) 
Na JE e na JF o procedimento é um pouco diferenciado. 
O arquivamento tem origem na peça de Promoção de Arquivamento feita pelo Promotor de Justiça. 
A promoção de arquivamento será remetida para apreciação judicial – exercício da função anômala 
de fiscal baseado no Princípio da Obrigatoriedade. Alguns doutrinadores dizem que a análise deveria ser feita 
somente dentro do Ministério Público. 
‐ Se o juiz concorda com a promoção de arquivamento estaria homologado o arquivamento. 
‐ Se o juiz não concordar com a promoção de arquivamento  irá determinar a remessa dos autos ao 
Procurador Geral de Justiça (art. 28 do CPP16). 
 
‐ Nome do Princípio que consagra o art. 28? É o Princípio da Devolução o qual diz que se o juiz não concorda 
com o arquivamento remete a decisão final ao Procurador Geral de Justiça. 
As possibilidades do Procurador Geral de Justiça são: 
1. Oferecer denúncia; 
2. Requisição de diligências; 
3. Designar outro órgão do MP para oferecer denúncia; 
4. Insistir no arquivamento, estando o juiz obrigado a arquivar o inquérito. 
Alguns doutrinadores entendem que outro promotor estaria obrigado a oferecer a denúncia porque 
age por delegação  (longa manus) do procurador de  justiça. Há outros, porém, que entendem que poderia 
invocar a Independência Funcional e assim mesmo não ajuizar a denúncia. 
2.13.5 Procedimento do arquivamento na Justiça Federal 
Na Justiça Federal o procedimento do arquivamento é diferente do art. 28 do CPP. 
O Procurador da República pede o arquivamento ao juiz federal. Não concordando com a promoção 
de  arquivamento  remete  para  Câmara  de  Coordenação  e  Revisão  do  MPF,  ainda  que  tenha  caráter 
meramente opinativo. Na verdade quem irá decidir tudo será o Procurador Geral da República. 
2.13.6 Procedimento de arquivamento na Justiça Eleitoral 
Irá  partir  do  promotor  de  justiça  atuando  como  promotor  eleitoral  destinado  ao  juiz  estadual 
atuando como  juiz eleitoral. Não concordando com a promoção arquivamento será remetido ao Procurador 
Regional Eleitoral (exercido por um Procurador Regional da República). 
2.13.7 Arquivamento nos casos de atribuição do PGJ ou PGR 
Quando se tratar de insistência