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Direito Processual Penal - Intensivo I

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não  depende  de  aceitação,  independentemente  da  aceitação  do  acusado,  irá  gerar  a 
extinção da punibilidade. 
A renúncia se dá antes do início do processo. 
 
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Por conta do Princípio da  Indivisibilidade,  renúncia concedida a um dos coautores, estende‐se aos 
demais. 
A renúncia expressa é feita através de uma declaração  inequívoca do ofendido, o que, na prática, é 
muito difícil. 
A renúncia tácita estará presente com a prática de um ato incompatível com a vontade de processar. 
Ex.: convite para ser padrinho de casamento. 
 
# Recebimento de dinheiro é prova de renúncia? 
Recebimento de indenização não significa renúncia tácita, salvo na hipótese de composição civil dos 
danos nos juizados. 
Art. 104 do Código Penal65 e art. 74 da Lei 9.099/9566 
 
# Renúncia admite retratação? 
A renúncia não admite retratação. 
 
# A renúncia feita por uma das vítimas afeta o direito da outra? 
A renúncia feita por uma das vítimas não prejudica o direito das demais. Cada vítima é dona do seu 
direito autônomo da ação penal privada. 
3.26.2  Perdão do ofendido 
É o ato pelo qual o querelante desiste de prosseguir com o processo, perdoando o autor do delito, 
com a consequente extinção da punibilidade caso o perdão seja aceito (ato bilateral). 
Está relacionado ao Princípio da Disponibilidade da ação penal privada. 
O perdão é dado durante o processo e poderá ser concedido até  trânsito em  julgado da sentença 
penal condentória. 
Por conta do Princípio da Indivisibilidade é estendido aos demais, mas desde que haja aceitação. 
O perdão poderá ser concedido de maneira expressa ou tácita. 
A aceitação do perdão também poderá ser uma aceitação expressa como também tácita. 
O silencia significa aceitação tácita, ou seja, está aceitando o perdão. 
O perdão de modo algum se confunde com o chamado perdão judicial. Ambos são causas extintivas 
da punibilidade, mas o perdão judicial é concedido pelo juiz (art. 121, §5º do CP). 
 
CÓDIGO PENAL  CÓDIGO DE PROCESSO PENAL 
 
Art. 105 ‐ O perdão do ofendido, nos crimes em que somente se 
procede  mediante  queixa,  obsta  ao  prosseguimento  da 
ação. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Art. 106 ‐ O perdão, no processo ou fora dele, expresso ou tácito: 
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
I  ‐  se  concedido  a qualquer dos querelados,  a  todos  aproveita; 
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
II  ‐  se concedido por um dos ofendidos, não prejudica o direito 
dos outros; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
III  ‐  se o querelado o  recusa, não produz efeito. (Redação dada 
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
§ 1º ‐ Perdão tácito é o que resulta da prática de ato incompatível 
com a vontade de prosseguir na ação.  (Redação dada pela Lei nº 
7.209, de 11.7.1984) 
§ 2º ‐ Não é admissível o perdão depois que passa em  julgado a 
sentença  condenatória.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  7.209,  de 
11.7.1984) 
Art. 58. Concedido o perdão, mediante declaração expressa nos 
autos, o querelado será intimado a dizer, dentro de três dias, se o 
aceita, devendo, ao mesmo tempo, ser cientificado de que o seu 
silêncio importará aceitação. 
Parágrafo  único.  Aceito  o  perdão,  o  juiz  julgará  extinta  a 
punibilidade. 
Art.  59.  A  aceitação  do  perdão  fora  do  processo  constará  de 
declaração assinada pelo querelado, por seu representante  legal 
ou procurador com poderes especiais.  
Art. 60.  Nos casos em que somente se procede mediante queixa, 
considerar‐se‐á perempta a ação penal: 
I ‐ quando,  iniciada  esta,  o  querelante  deixar  de  promover  o 
andamento do processo durante 30 dias seguidos; 
II ‐ quando,  falecendo  o  querelante,  ou  sobrevindo  sua 
incapacidade,  não  comparecer  em  juízo,  para  prosseguir  no 
processo,  dentro  do  prazo  de  60  (sessenta)  dias,  qualquer  das 
pessoas a quem couber fazê‐lo, ressalvado o disposto no art. 36; 
III ‐ quando  o  querelante  deixar  de  comparecer,  sem  motivo 
                                                            
65 Renúncia expressa ou tácita do direito de queixa ‐ art. 104 ‐ O direito de queixa não pode ser exercido quando renunciado expressa 
ou  tacitamente.     (Redação dada pela  Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Parágrafo único  ‐  Importa  renúncia  tácita ao direito de queixa a 
prática de ato  incompatível com a vontade de exercê‐lo; não a  implica, todavia, o fato de receber o ofendido a  indenização do dano 
causado pelo crime. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
AÇÃO PENAL > Causas extintivas da punibilidade ligadas à ação penal 
66 Art. 74. A composição dos danos civis será reduzida a escrito e, homologada pelo Juiz mediante sentença irrecorrível, terá eficácia de 
título a ser executado no  juízo civil competente. Parágrafo único. Tratando‐se de ação penal de  iniciativa privada ou de ação penal 
pública condicionada à representação, o acordo homologado acarreta a renúncia ao direito de queixa ou representação. 
 
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justificado,  a  qualquer  ato  do  processo  a  que  deva  estar 
presente,  ou  deixar  de  formular  o  pedido  de  condenação  nas 
alegações finais; 
IV ‐ quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir 
sem deixar sucessor. 
 
3.26.3  Perempção 
Perempção é a perda do direito de prosseguir no exercício da ação penal exclusivamente privada ou 
personalíssima em virtude da desídia do querelante. Nada mais é do que uma punição ao querelante relapso. 
A  perempção  não  se  confunde  com  a  decadência,  porque  a  perempção  é  a  perda  do  direito  de 
prosseguir,  ou  seja,  o  processo  está  em  andamento.  A  decadência  é  a  perda  do  direito  de  dar  início  ao 
processo em crimes de ação penal privada em virtude do não exercício do direito no prazo legal. 
A  perempção  não  gera  a  extinção  da  punibilidade  na  ação  penal  privada  subsidiária  da  pública, 
porque nesse caso o MP irá reassumir a ação como parte principal – chamada de ação penal indireta. 
Hipóteses de perempção (art. 60 do CPP): 
I. Querelante deixa de promover o processo durante 30 dias seguidos – prevalece que o querelante deve 
ser intimado antes da decretação da perempção. 
II. Falecimento do querelante e os sucessores não se manifestam em 60 dias – nesse caso a perempção 
será reconhecida automaticamente pelo  juiz, pois se for fazer um  levantamento dos sucessores para 
intimar irá se instalar no processo criminal um processo de sucessão. 
III. Faltar a qualquer ato do processo a que deva estar presente sem  justificar – nos procedimentos dos 
crimes  contra a honra há um audiência de  conciliação, e a ausência do querelante não é  causa de 
perempção, mas sim apenas que não deseja conciliar. 
IV. Deixar de formular o pedido de condenação nas alegações finais – os doutrinadores entendem que os 
pedidos podem estar implícitos nas alegações finais. Ausência do advogado do querelante à audiência 
una  de  instrução  e  julgamento  e  à  seção  de  julgamento  no  júri.  Ex.:  é  possível  que  se  tenha  um 
homicídio doloso praticado em conexão com um crime de ação penal privada. A ausência do advogado 
do querelante à audiência e à seção de julgamento é causa de perempção. 
V. Extinção da pessoa jurídica querelante, sem deixar sucessor – difamação e calúnia (desde que a falsa 
imputação seja sobre crimes ambientais). 
AÇÃO PENAL > Causas extintivas da punibilidade ligadas à ação penal 
   
 
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JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA > Mecanismos de solução de conflitos 
Quarta‐feira,  29  de  setembro  de  2010.  
4 JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA 
4.1 Mecanismos de solução de conflitos 
4.1.1 Autotutela 
Caracteriza‐se pelo emprego da  força bruta para a  satisfação de  interesses. Em  regra a autotutela 
não é permitida, pois o emprego