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Direito Processual Penal - Intensivo I

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de  função  pública,  observado  o  disposto  no  §  1º. 
(Acrescentado pela L‐010.628‐2002) 
4ª Infração Penal praticada após o exercício funcional: Súmula 451 do STF. 
Súmula 451 ‐ A COMPETÊNCIA ESPECIAL POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO NÃO SE ESTENDE AO CRIME 
COMETIDO  APÓS  A  CESSAÇÃO  DEFINITIVA  DO  EXERCÍCIO  FUNCIONAL.  Fonte  de  Publicação  DJ  de 
8/10/1964. 
5ª Crime doloso contra a vida: a competência do Tribunal do Júri está prevista na Constituição Federal e 
logicamente está acima da Constituição Estadual. Portanto o vereador que tenha foro por prerrogativa 
de função no TJ, prevalece a competência do Tribunal do Júri já que tem previsão constitucional. Se o 
foro  por  prerrogativa  de  função  estiver  previsto  na  Constituição  Federal,  prevalece  sobre  a 
competência do júri (Princípio da Especialidade). Se a competência por prerrogativa de função estiver 
prevista exclusivamente em Constituições Estaduais, prevalece a competência do Tribunal do Júri. Ex.: 
delegado geral da polícia civil do TJ de SP tem foro por prerrogativa de função – Súmula 721 do STF. 
Súmula 721 
A  COMPETÊNCIA  CONSTITUCIONAL  DO  TRIBUNAL  DO  JÚRI  PREVALECE  SOBRE  O  FORO  POR 
PRERROGATIVA DE  FUNÇÃO  ESTABELECIDO  EXCLUSIVAMENTE PELA CONSTITUIÇÃO  ESTADUAL.  Fonte 
de Publicação DJ de 9/10/2003. 
6ª Hipóteses  de  coautoria:  desembargador  do  TJ/MG  pratica  um  crime  com  um  cidadão  qualquer  o 
crime de peculato (art. 312 CP). Ambos serão julgados pelo STJ? Ou irá a separação dos processos? Se 
fosse um crime de homicídio? Se o desembargador e o cidadão praticarem o crime de peculato, ambos 
serão  julgados no STJ. Se, no entanto, o crime praticado é doloso contra a vida o processo terá uma 
 
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JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA > Competência Territorial 
separação obrigatória, atendendo as competências da Constituição. CONCLUSÃO: praticado um crime 
em  coautoria  ambos  acusados  deverão  ser  julgados  pelo  Tribunal  de maior  graduação,  salvo  se  o 
delito praticado for crime doloso contra a vida, hipótese em que deve ser respeitada a competência do 
júri em relação àquele que não tem  foro previsto na Constituição Federal. Os dois obrigatoriamente 
deverão ser julgados no STJ? Não necessariamente, pois essa reunião dos processos pode ocorrer, mas 
não é obrigatória. Ex.: desembargador do TJ/MG pratica, em coautoria com promotor de  justiça de 
MG.  O  promotor  será  julgado  no  STJ? Mesmo  que  os  acusados  tenham  foro  por  prerrogativa  de 
função  em  tribunais  distintos,  prevalece  a  competência  do  tribunal  de maior  graduação  (STF  – HC 
91437). 
Súmula 704 do STF  ‐ NÃO VIOLA AS GARANTIAS DO  JUIZ NATURAL, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO 
PROCESSO  LEGAL A ATRAÇÃO POR CONTINÊNCIA OU CONEXÃO DO PROCESSO DO CO‐RÉU AO  FORO 
POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO DE UM DOS DENUNCIADOS. Fonte de Publicação DJ de 9/10/2003. 
7ª Constituições  Estaduais  e  Princípio  da  Simetria:  considerando  que  os  Estados  não  podem  legislar 
sobre matéria penal ou mesmo processual penal,  as Constituições Estaduais  só podem atribuir  aos 
seus  agentes políticos  as mesmas prerrogativas que  a Constituição  Federal  concede  às  autoridades 
que lhe sejam correspondentes. 
 
Atenção  para  ADI  2587  Æ  Em  Goiás  criaram  foro  privilegiado  para  Defensores  Públicos,  Delegados, 
Procuradores  do  Estado.  Segundo  o  STF  entendeu  válida  a  concessão  de  foro  para Defensores  Públicos  e 
Procuradores  exercem  funções  essenciais  ao  Estado  de  Direito,  razão  pela  qual  podem  ter  foro  por 
prerrogativa de  função. Quanto aos delegados o STF  reconheceu a  inconstitucionalidade da Constituição do 
Estado de Goiás. 
 
8ª Exceção  da  verdade:  (art.  85  do  CPP  –  de  difícil  intelecção)  –  quando  o  querelante  tiver  foro  por 
prerrogativa de  função  ao  respectivo  tribunal  caberá o  julgamento oposta  em  relação  ao  crime de 
calúnia, cabendo ao juiz de primeira instância admitir e instruí‐la. Esse procedimento se aplica apenas 
quando a exceção da verdade envolve o crime de calúnia. 
4.12.2 Casuística 
# Quem julga o membro do CNJ e CNMP por crime de responsabilidade? (art. 52, II CF) Senado Federal. 
# Quem julga o membro do CNJ e CNMP por crime comum? (Art. 103‐B CF) como a CF não fala nada sobre os 
membros do Conselho do MP ou da  Justiça, deve‐se prestar atenção para ver qual a  função que o membro 
exerce se: se juiz estadual, juiz de TRF, advogado, membro do STF, membro do STJ ou cidadão. O advogado e o 
cidadão não têm foro por prerrogativa de função previsto na Constituição, portanto serão julgados pelo juízo 
comum. 
# Quem  julga crime cometido por prefeito? (art. 29, X CF) competência do TJ. Se o crime for doloso contra a 
vida? Em razão da previsão constitucional do crime funcional, será  julgado pelo TJ da mesma forma. Súmula 
702 do STF. 
Súmula 702 do STF ‐ A COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA PARA JULGAR PREFEITOS RESTRINGE‐SE 
AOS CRIMES DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA COMUM ESTADUAL; NOS DEMAIS CASOS, A COMPETÊNCIA 
ORIGINÁRIA  CABERÁ  AO  RESPECTIVO  TRIBUNAL  DE  SEGUNDO  GRAU.  Fonte  de  Publicação  DJ  de 
9/10/2003. 
• Crime comum Æ TJ 
• Crime federal Æ TRF 
• Crime eleitoral Æ TRE 
• Crime militar Estadual Æ Tribunal de Justiça (TJM não julga civil) 
• Crime militar Federal Æ STM 
 
(VIDE tabela de competência no material de apoio) 
4.13 Competência Territorial 
 
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JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA > Competência Territorial 
Em regra: competência territorial é determinada pelo local da consumação. Nos crimes tentados será 
considerado onde foi praticado o último ato de execução. 
Art. 70 ‐ A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração, ou, no 
caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução. 
§ 1º  ‐ Se,  iniciada a execução no  território nacional, a  infração se consumar  fora dele, a competência 
será determinada pelo lugar em que tiver sido praticado, no Brasil, o último ato de execução. 
§ 2º ‐ Quando o último ato de execução for praticado fora do território nacional, será competente o juiz 
do lugar em que o crime, embora parcialmente, tenha produzido ou devia produzir seu resultado. 
§ 3º ‐ Quando incerto o limite territorial entre duas ou mais jurisdições, ou quando incerta a jurisdição 
por  ter sido a  infração consumada ou  tentada nas divisas de duas ou mais  jurisdições, a competência 
firmar‐se‐á pela prevenção. 
4.13.1.1 Crimes Formais 
Ex.:  ligações  feitas de um presídio em Fortaleza para pessoa que estava em Santos que ameaçada 
atende à solicitação na cidade de São Paulo. A competência territorial não determinada pelo local da execução 
(Fortaleza) e nem pelo local do exaurimento (São Paulo), mas sim pelo local da consumação que é a cidade de 
Santos. 
4.13.1.2 Crimes Plurilocais 
São aqueles em que a ação e o resultado em Comarcas distintas, dentro do território nacional. Ex.: 
homicídio praticado em uma cidade onde não há pronto‐socorro. A vítima é  levada na cidade próxima para 
socorrer‐se,  onde  acaba  morrendo.  Nesses  casos  de  crimes  plurilocais  de  homicídio  prevalece  o  local  da 
conduta, posição adotada pela jurisprudência ignorando frontalmente a regra do art. 70. Isso se deve em razão 
de política criminal, porque o julgamento deve‐se dar na Comarca onde ocorreu a conduta, além disso, para a 
melhor colheita de provas 
4.13.1.3 Crimes à distância 
São aqueles em que a ação e omissão ocorrem no território nacional, e o resultado no estrangeiro, 
ou vice‐versa. 
Nessa  hipótese  a  competência  será  determinada  pelo  local  onde  foi  praticado  o  último  ato  de 
execução no Brasil ou resultado (art. 70, §1º). 
4.13.1.4 Crimes cometidos no estrangeiro 
Atenção para as hipóteses de extraterritorialidade. 
Crimes praticados  fora do  território nacional