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UNIP Apostila Metodos Alternativos de Solução de Conflitos 2018 2

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E o consenso das partes envolvendo direitos indisponíveis, mas transigíveis, deve ser homologado em
juízo, exigida a oitiva do Ministério Público. 
Estágios do processo:
• Reunião de apresentação (estipulação das regras) - 
Rapport significa apresentar-se às partes e identificar o problema, 
Quem fala primeiro: decisão das partes; 
Enquanto um fala o outro escuta; 
Objetivo: organizar o procedimento; 
Ações: informar, falar, ouvir
 • Coleta de Informações - recolher informações de qualidade das partes envolvidas 
Conseguir realmente conhecer o problema 
Ouvir as versões
Identificar e esclarecer pontos obscuros ou ausentes
Fazer a inversão de papéis
Diálogo socrático
Clarificar, confirmar, resumir os pontos
• Sessões conjuntas
• Sessões em separado
• Fechamento do acordo: 
Critérios objetivos para a escolha das soluções propostas
Obrigações escolhidas pelas partes 
Qualidade do procedimento: o acordo deve refletir a vontade das partes
O cumprimento depende da qualidade do procedimento
Registro formal do acordo
Ações:
- redigir o acordo
- verificar os elementos essenciais
- conferir o entendimento
- conferir a voluntariedade
Requisitos:
• Subjetivos (capacidade e disponibilidade)
• Objetivos (objeto material juridicamente possível)
• Formal (por escrito – preferencialmente)
Natureza jurídica: 
 Equivalente jurisdicional
Vantagens:
• Tendência de mitigar e eliminar as tensões - É que ela pode evitar um longo e desgastante
processo judicial, pois a mesma se dá antes que as partes se definam por uma briga nos
tribunais, resolvendo suas diferenças de forma extrajudicial
• Grande aceitação, pois a decisão é das partes e não imposta por terceiros
• Formação de base amigável para futuras discussões sem tantos problemas
• Grande eficácia pela transação ser dada em equilíbrio
• Confidencialidade e voluntariedade
• Leva-se ao Judiciário/Arbitragem as questões que não podem ser resolvidas de outra forma.
Desvantagens:
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• Não tem força executiva judicial (as vezes extrajudicial)
• Consome muito tempo
• Depende da boa vontade das partes, boa-fé
• Nem sempre resulta em acordo, não põem fim a disputa
MEDIADOR
É um especialista imparcial, competente, diligente, com credibilidade e comprometido com o sigilo.
Sua principal qualificação deve ser a habilidade de reunir as partes sob regras específicas de
comunicação e resolução de conflito, bastando que tenha conhecimento superficial das questões
substantivas que irão ser discutidas.
 
Estimula, viabiliza, facilita a comunicação e auxilia na busca da identificação dos reais interesses
envolvidos.
Facilitar, neste contexto, significa:
1. Melhorar a comunicação entre as partes;
2. Abrir espaço para novas soluções;
3. Capacitar as partes para utilizarem suas habilidades, de forma construtiva, interagindo
positivamente.
O Mediador, através de uma série de procedimentos e de técnicas próprias, identifica os interesses das
partes e constrói, com elas, sem caráter vinculativo, opções de solução, visando o consenso e/ou a
realização do acordo.
Características: 
1. É bom ouvinte;
2. É objetivo (neutro);
3. Conhece seus próprios preconceitos;
4. Tem familiaridade com os fortes sentimentos das partes;
5. Sabe avaliar de forma realista as suas próprias habilidades, bem como as suas
6. limitações, para ajudar as partes a chegarem a um acordo;
7. Comunica-se bem;
8. É assertivo.
Observação: A Lei 13.140/2015, em seu art. 4º, determina que o mediador será designado pelo tribunal
ou escolhido pelas partes, conduzirá o procedimento de comunicação entre as partes, buscando o
entendimento e o consenso e facilitando a resolução do conflito. Aos necessitados será assegurada a
gratuidade da mediação. 
A Lei 13.140/2015, em seu art. 5º, define que se aplicam ao mediador as mesmas hipóteses legais de
impedimento e suspeição do juiz. A pessoa designada para atuar como mediador tem o dever de revelar
às partes, antes da aceitação da função, qualquer fato ou circunstância que possa suscitar dúvida
justificada em relação à sua imparcialidade para mediar o conflito, oportunidade em que poderá ser
recusado por qualquer delas. 
No art. 6º, fica criada uma quarentena ao mediador, ficando impedido, pelo prazo de um ano, contado
do término da última audiência em que atuou, de assessorar, representar ou patrocinar qualquer das
partes. E no art. 7º, o mediador não poderá atuar como árbitro nem funcionar como testemunha em
processos judiciais ou arbitrais pertinentes a conflito em que tenha atuado como mediador. 
Ademais, conforme art. 8º. o mediador e todos aqueles que o assessoram no procedimento de
mediação, quando no exercício de suas funções ou em razão delas, são equiparados a servidor público,
para os efeitos da legislação penal. 
Estes dois últimos artigos são aplicados também ao árbitro no procedimento de arbitragem estipulado
na Lei 9.307/96, como veremos a seguir. 
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Da NOVA LEI DA MEDIAÇÃO 
O Plenário do Senado aprovou dia 02/06/2015, proposta que regulamenta a mediação judicial e
extrajudicial para solução de conflitos no país. O texto já havia passado na Câmara dos Deputados em
abril e foi sancionado da presidente Dilma Rousseff em 26/06/2015, passando a ser a Lei 13.140/2015.
 
A Lei, baseada no Projeto de Lei 517/2011, tem 48 artigos, e define a mediação como a atividade
técnica exercida por terceiro imparcial sem poder decisório, que, escolhido ou aceito pelas partes, as
auxilia e estimula a identificar ou desenvolver soluções consensuais para a controvérsia, e entrará em
vigor somente 180 dias da sua publicação, em 25/12/2015, antes do NOVO CPC.
O texto estabelece que qualquer conflito pode ser mediado, de forma judicial ou extrajudicial, inclusive
na esfera da Administração Pública. Ficam de fora casos que tratarem de filiação, adoção, poder
familiar, invalidade de matrimônio, interdição, recuperação judicial ou falência. As partes têm direito de
ser acompanhadas por advogado ou defensor público.
A proposta permite que a mediação se torne a primeira fase de um processo judicial, antes de qualquer
decisão. Quando processos forem protocolados no Judiciário, o juiz poderá enviar cada caso ao
mediador judicial, e a negociação poderá durar 60 dias (art. 28). O processo fica suspenso, mas não
impede que o juiz ou árbitro conceda medidas de urgência. E ninguém deve ser obrigado a adotar o
procedimento.
Na esfera extrajudicial, qualquer pessoa com confiança das partes poderá ser mediador, sem precisar
se inscrever em algum tipo de conselho ou associação. Também não há prazo para que o diálogo seja
concluído. 
Segue o texto na novel lei:
LEI Nº 13.140, DE 26 DE JUNHO DE 2015.
Dispõe sobre a mediação entre particulares como meio de solução de controvérsias e sobre a autocomposição de conflitos no
âmbito da administração pública; altera a Lei no 9.469, de 10 de julho de 1997, e o Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972; e
revoga o § 2o do art. 6o da Lei no 9.469, de 10 de julho de 1997.
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: 
Art. 1o Esta Lei dispõe sobre a mediação como meio de solução de controvérsias entre particulares e sobre a autocomposição de
conflitos no âmbito da administração pública. 
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Parágrafo único. Considera-se mediação a atividade técnica exercida por terceiro imparcial