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UNIP Apostila Metodos Alternativos de Solução de Conflitos 2018 2

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contudo, suas
raízes encontram relatos desde a Antiguidade, mas pouco evidenciado durante o Direito romanístico,
onde predominara a escolha de árbitros.
Após a autotutela rústica, formulada como primeira forma de solução da resistência, onde o homem
dispunha sua força para alcançar seus interesses, prevalecendo aquele que detivesse maior poder ou
influência, emana a concepção de que o indivíduo com pretensões resistidas poderia recorrer a formas
diferentes de se adequar aos reclamos da outra parte, ainda independendo de intervenção de um
terceiro que aprovasse aquele concerto, elemento que apareceria posteriormente com a arbitragem
através de um ancião ou um sábio da comunidade.
Nesse diapasão, era através da vontade das partes que se estabelecia um acordo, em que um dos
indivíduos cedia parcela dos seus interesses, para auferir algo da outra parte. 
Ou até mesmo, abdicava do objeto em questão em benefício exclusivo da outra parte. Compondo as
pretensões, entre as próprias partes, conseguia-se delinear a pacificação daquele conflito que os
envolvia e, por isso, chama-se de autocomposição.
Segundo Fredie Didier Jr., pode este instituto ser caracterizado como “forma de solução do conflito pelo
consentimento espontâneo de um dos contendores em sacrificar o interesse próprio, no todo ou em
parte, em favor do interesse alheio” (2010, p. 93). 
Conceito
A negociação direta, ou a autocomposição propriamente dita, se caracteriza pela solução da
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controvérsia pelas próprias partes, sem a intervenção de pessoa estranha. Cada uma delas renuncia
aos interesses ou a parte deles, concretizando-se pela desistência, transação ou pelo reconhecimento,
por parte da parte demandada da procedência do pedido, com o que se obtêm o acordo, pondo fim ao
litígio.
Espécies
• Desistência ou renúncia
• Reconhecimento ou submissão
• Transação ou negociação per si 
a) Desistência ou renúncia
• O autor abre mão de postular sua pretensão através de ato liberal.
• Pode ser total ou parcial 
• Pode ser unilateral (sem resposta do “réu”) ou bilateral ( o “réu” concordando)
• Tem como requisitos: 
• Vontade livre para pessoa capaz, não podendo prejudicar terceiros
• Possibilidade jurídica (bens disponíveis)
• Forma extraprocessual (deixar de postular) e endoprocessual (por escrito a ser homologado)
• É diferente da remissão (perdão)
b) Reconhecimento ou submissão
• É o ato do “réu” (devedor) inverso da renúncia, pelo expresso reconhecimento do pedido feito
pelo credor, pela razão de ser mais interessante e proveitosa ou menos prejudicial ao devedor. 
• Não pode ter reservas
• Pode se dar extraprocessual (pagamento espontâneo) ou endoprocessual (revelia ou confissão
– depósito elisivo) 
• Deve ter os requisitos do negócio jurídico para ser válido pondo fim ao conflito.
c) Transação ou negociação
• É a mais comum forma de composição com as partes através de concessões recíprocas
previnem ou findam a controvérsia.
• Base obrigacional civil, mas tem aplicação penal (Juizado Especial Criminal)
• Elementos: consenso, reciprocidade, fim da controvérsia, individualidade (um todo só)
• Requisitos: capacidade, bens patrimoniais disponíveis, sempre por escrito (público ou
particular). 
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CONCILIAÇÃO
HISTÓRICO
O histórico da Conciliação no Brasil é marcado por idas e vindas. Prevista nas Ordenações Manuelinas
(1514) e Filipinas (1603; Livro III, Título XX, § 1º), a Conciliação continuou presente no art. 161 da 1 º
Constituição Imperial, ao proclamar que “Sem se fazer constar que se tem intentado o meio da
reconciliação não se começará processo algum”.
Na segunda metade do século XIX, porém, a conciliação começou a ser banida, sendo esquecida pelo
Código de Processo Civil de 1939. Só em 1974 com o Código de Processo Civil de tal ano que se
ressuscitou a Conciliação.
A Constituição Federal prevê a pacificação social como um dos objetivos fundamentais da República
(art. 3º, I), atribuindo ao juiz, como agente político, a implementação de alternativas jurisdicionais,
adequadas e céleres, para a consecução desse objetivo (art. 5º, LXXVIII).
A Conciliação voltou ao ordenamento jurídico brasileiro devido à inúmeros motivos, quais sejam:
sobrecarga dos tribunais; complexidade da estrutura da Justiça Comum, pouco ou nenhum acesso do
povo à Justiça; despesas altas com os processos; solução rápida para os litígios; decisões são mais
bem aceitas; alternativa de pacificação social.
Hoje no Brasil a conciliação está prevista nos Juizados Especiais - Lei 9099\95; Instituto da Arbitragem
– Lei 9307\96; Juízes de Paz – Lei Complementar 59, de 18/01/2001; CPC de 1973, que prega que o
Juiz deve tentar a conciliação a qualquer tempo; Juizados de Conciliação.
No dia 23/08/06 foi lançado oficialmente pela presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do CNJ,
ministra Ellen Gracie o Movimento pela Conciliação, que é uma parceria do Conselho Nacional de
Justiça (CNJ) com órgãos do Judiciário, Ordem dos Advogados de Brasil (OAB) e Conselho Nacional do
Ministério Público (CNMP), além de magistrados, entidades, universidades, escolas de magistratura e
outros setores da vida civil que buscam com tal movimento criar juízos informais de conciliação criados
pelas comarcas e distritos em que uma pessoa da própria comunidade age como conciliador no intuito
de resolver querelas que nunca chegariam aos fóruns e muitas vezes resolver processos que já estejam
lá. A implantação de tal projeto independe de aprovação de lei e de investimentos financeiros, já que ele
utiliza a estrutura administrativa do Judiciário
É devido à superlotação de processos nos Juizados Especiais, e pela facilidade de acesso para resolver
casos de menor complexidade, que a Justiça quer disseminar uma idéia trazida de outros países e uma
prática já em execução em alguns estados brasileiros.
Com o slogan “Conciliar é Legal”, o movimento pretende promover a mudança de procedimento dos
agentes de Justiça, de todos os seus usuários, dos operadores de Direito e da sociedade. Através da
cultura da conciliação, o objetivo do projeto é mudar o comportamento dos envolvidos em processos
judiciais e induzir na sociedade a ideia de que um entendimento entre as partes é sempre o melhor
caminho para o encerramento de uma disputa jurídica.
Conciliação no NOVO CPC: 
No NOVO CPC de 2015, no art. 3º o legislador erigiu os métodos alternativos de resolução de
conflitos como norma fundamental do Processo Civil de ordem Constitucional, apontando que
no § 1º é permitida a arbitragem, na forma da lei, no § 2º, o Estado promoverá, sempre que
possível, a solução consensual dos conflitos, e no § 3º, a conciliação, a mediação e outros
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métodos de solução consensual de conflitos deverão ser estimulados por juízes, advogados,
defensores públicos e membros do Ministério Público, inclusive no curso do processo judicial.
A importância é tão acentuada que o NOVO CPC, existe a Seção V - Dos Conciliadores e
Mediadores Judiciais (arts. 165 a 175), exclusivamente para tratar do profissional que realizará
tal desiderato.
Nas ações de Tutela Antecipada (antiga ação cautelar) a conciliação está prevista no art. 308. §
3º, que apresentado o pedido principal, as partes serão intimadas para a audiência de
conciliação ou de mediação, na forma do art. 334, por seus advogados ou pessoalmente, sem
necessidade de nova citação do réu.