ECG - apostila
29 pág.

ECG - apostila


DisciplinaFisiologia I22.878 materiais190.138 seguidores
Pré-visualização5 páginas
o nodo sinusal). Produz uma onda P antes do tempo previsto. Este impulso ectópico despolariza os átrios do mesmo modo que o impulso normal. Assim, o nodo AV capta e transmite o impulso exatamente como se fosse uma onda P normal (figura 12). As contrações prematuras atriais ocorrem, com frequência, em pessoas saudáveis, atletas e em condições patológicas leves, decorrentes do tabagismo, falta de sono, alcoolismo e ingestão excessiva de café. Quando o coração se contrai antes do tempo previsto o débito sistólico é diminuído e ocorre um déficit no número de pulsações radiais, em relação com o número real de contrações do coração.
 
 Figura 12- Extra-sístole atrial \u2013 DI
A2- Extra-sístole nodal (juncional): estimulação prematura, que se origina de uma descarga ectópica no nodo AV ou feixe AV, de modo que o impulso caminha normalmente para o sistema de purkinje. A onda P está faltando no registro eletrocardiográfico e o QRS-T é idêntico aos demais na contração prematura. Em vez disso, a onda P pode aparecer sobreposta ao complexo QRS-T, porque o impulso cardíaco seguiu percurso retrógrado para os átrios, os mesmo tempo em que se dirigiu para os ventrículos, mas a onda P não pode ser distinguida como tal (figura 13) e as vezes pode ser até invertida. Em geral, a extra-sístole nodal tem o mesmo significado e causas que as contrações prematuras atriais.
 
 Figura 13- Extra-sistole nodal \u2013 DIII
A3- Extra-sístole ventricular (ESV): é uma contração prematura ventricular (CPV) alternando em contrações normais. Origina-se de um foco ectópico ventricular, sem onda P, e com um complexo QRS diferenciado (aberrante) (figura 14). O impulso da ESV não segue o sistema de condução intrínseco habitual. Eis porque a condução é lenta (QRS alargado). A velocidade do impulso elétrico no sistema condutor intrínseco ventricular apresenta velocidade do impulso elétrico maior do que no músculo ventricular.
 
 Figura14- Extra-sístole ventricular \u2013 DII e DIII
A presença dessas CPVs deve ser considerada com seriedade. As estatísticas mostram que pessoas com número significativo de CPVs tem maior probabilidade de desenvolver fibrilação ventricular letal quando comparado com um individuo normal.
Durante a condução ventricular normal, os ventrículos direito e esquerdo se despolarizam simultaneamente e resulta em um complexo QRS pequeno (normal). Mas em uma ESV o impulso elétrico se origina em um ventrículo, e, portanto, se despolariza antes do outro. Desse modo, as deflexões de uma ESV são muito altas (maior amplitude) e muito profundas (figura 14 DIII), pois não há despolarização simultânea, antagônica, de ambos os ventrículos como ocorre no ECG de um coração normal. Seis ESV por minuto traduzem um estado patológico.
As ESV podem coincidir com um ou mais batimentos normais, causando bigeminismo, trigeminismo etc. Em casos em que o fluxo sanguíneo coronariano é adequado, mas com sangue deficitário em oxigênio (afogamento, doenças pulmonares, obstrução traqueal), o coração percebe a baixa de oxigênio (e a elevação de CO2) e os focos ventriculares ectópicos disparam estímulos frequentemente.
B \u2013 Parada sinusal: ocorre quando o marca passo não envia os estímulos de comando e, após uma pausa, um outro centro de comando assume a atividade com ritmo regular, mas em sua própria frequencia, geralmente diferente da anterior.
5.2.2.3 - Ritmos rápidos: 
A - Taquicardia paroxística: significa frequência cardíaca aumentada, de início súbito, originando-se, geralmente, de focos ectópicos. A FC pode variar de 150 a 200 bpm. Ocasionalmente, algumas anormalidades em diferentes partes do coração, incluindo os átrios, o sistema de purkinje e os ventrículos. A taquicardia paroxística pode ser interrompida quando se desencadeia um reflexo vagal, ou com o uso de fármacos, como a quinidina e a lidocaína que diminuem a permeabilidade da membrana dos cardiomiócitos para os íons sódio, bloqueando assim a descarga rítmica do potencial de ação do foco que está causando a crise paroxística. A taquicardia paroxística pode ser atrial, nodal e ventricular.
A1 - Taquicardia paroxística atrial: seqüência normal de ondas. A onda P está parcialmente sobreposta a onda T normal do batimento precedente. Isso significa que a origem dessa taquicardia paroxística é no átrio, mas como a onda P tem forma anormal, a origem não fica perto do nodo sinusal.
 
 figura 15- taquicardia paroxística atrial
A2 - Taquicardia paroxística nodal: originada no nodo AV, logo a onda P está ausente ou obscura, e, o complexo QRS-T quase normais. 
As taquicardias atriais e nodais são também chamadas de supraventriculares. Geralmente ocorrem em pessoas jovens, depois da adolescência. Podem assustar os pacientes, pois podem apresentar fraqueza durante a crise, mas só raramente advém algum mal permanente pela crise.
A3-Taquicardia paroxística ventricular: Uma série de contrações prematuras ventriculares que ocorrem, uma após a outra, sem qualquer batimento normal intercalado (figura 16). Semelhante a uma sucessão rápida de ESV. A taquicardia paroxística ventricular, usualmente, é uma patologia grave por duas razões: 1) esse tipo de taquicardia geralmente não ocorre, a menos que esteja com lesão isquêmica considerável no ventrículo; 2) essa taquicardia com frequência inicia a patologia letal da fibrilação ventricular. 
 
 Figura 16 - Taquicardia paroxística ventricular 
B - Flutter (Tremular): Taquicardia cuja frequência cardíaca encontra-se entre 200 a 350 bpm. Há perda da sincronização entre os átrios e os ventrículos, podendo ser atrial e ventricular.
B1 - Flutter atrial: é uma patologia causada pelo movimento em circulo do impulso elétrico no átrio (figura17). Assim, como um lado dos átrios está contraindo enquanto o outro está relaxando, a quantidade de sangue bombeada pelos átrios é pequena. Além disso, os sinais chegam no nodo AV rápido demais e como o período refratário do nodo AV e feixe AV é longo, apenas pequena fração dos sinais atriais passam para os ventrículos, ocorrendo dois ou três batimentos atriais para cada batimento ventricular (figura 17).
 
Figura 17 - Flutter atrial: vias de propagação dos impulsos no flutter atrial e ECG de ritmo átrio ventricular 2:1 e 3:1 no flutter atrial
B2 - Flutter ventricular: é produzido por um único foco ventricular ectópico, com aspecto sinusóide regular (uniforme) (figura 18A). O flutter ventricular quase invariavelmente evolui para fibrilação ventricular (figura 18B), necessitando de uma desfibrilação e ressuscitação cardiopulmonar.
 
Figura 18- A) flutter ventricular; B- Flutter ventricular evoluindo para fibrilação
C - Fibrilação: Taquicardia acima de 300bpm. 
C1 - Fibrilação atrial: numerosas deflexões atriais ectópicas fracas dando uma linha de base irregular (figura19), podendo não ver as ondas P, ou apenas ver um registro ondulado fino de voltagem baixa e alta frequência. Não há impulso que despolarize os átrios de maneira completa, e somente por acaso um impulso atravessa o nódulo AV e de forma arrítmica. Os complexos QRS-T são normais, mas seu ritmo é irregular. O ritmo irregular dos ventrículos é devido o nodo AV não transmitirá um segundo impulso por cerca de 0,35 segundo depois do anterior. o intervalo entre sucessivas contrações ventriculares varia entre o mínimo de cerca de 0,35 segundo e o máximo de 0,95 segundos devido ao alto período refratário no nodo AV e no músculo ventricular, resultando em batimento cardíaco muito irregular . Em virtude da alta frequência dos impulsos fibrilatórios atriais, associado com alto período refratário do nodo AV e do músculo ventricular, o ventrículo é estimulado para uma frequência cardíaca acelerada, em geral entre 125 a 150 batimentos