Artigo SERVIÇO SOCIAL NA SAÚDE
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SEGURIDADE SOCIAL NO CONTEXTO NEOLIBERAL BRASILEIRO 
 
Maria Aparecida Garcia Moura1 
 
RESUMO 
 
A Seguridade Social brasileira, instituída com a promulgação da Constituição Federal de 
1988, traz uma nova concepção para a proteção social no país, propondo o 
distanciamento da lógica do seguro social e sua efetivação na perspectiva do direito 
social. No entanto, tal proposta é alvo da \u2018ofensiva neoliberal\u2019 que se instala no Brasil a 
partir dos anos 1990, provocando a desregulamentação de direitos sociais. Assim, o 
presente artigo explana brevemente esse contexto, discutindo sobre seus principais 
reflexos na realidade social, que representam um processo de regressão social. 
 
Palavras-Chave: Seguridade Social. Neoliberalismo e Direitos Sociais. 
 
ABSTRACT 
 
The Brazilian Social Security, established with the enactment of the Constitution of 1988, 
brings a new concept for social protection in the country, suggesting the detachment of the 
logic of social insurance and its implementation in the context of social law. However, this 
proposal is target of 'neoliberal offensive' that settles in Brazil since the 1990s, causing 
deregulation of social rights. Thus, this paper presents briefly this context, discussing its 
main effects on social reality, they represent a process of social regression. 
 
Keywords: Social Security. Neoliberalism and Social Rights. 
 
INTRODUÇÃO 
 
A seguridade social representa um conjunto de conquistas da classe trabalhadora 
na sua luta histórica por melhorias sociais. Essa luta se gesta em uma conjuntura 
marcada pelas relações de dominação e exploração, estas estabelecidas pelo sistema 
capitalista que visa à acumulação de riquezas, por meio da apropriação injusta da 
produção de riquezas realizada pelo proletariado. Esse processo de organização e 
mobilização da classe trabalhadora se desenvolve no contexto posterior a Segunda 
Guerra Mundial, momento em que o Estado passa intervir na economia, bem como há 
uma maior atenção quanto aos aspectos sociais, momento em que a sociedade se 
organiza em prol de avanços sociais. Dessa forma, Mota (2009, p. 40-41) explana que, 
 
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 Assistente Social. Mestranda em Serviço Social na Universidade Federal de Sergipe (UFS). E-mail: 
ma.aparecida3@gmail.com. 
 
 
 
 
 
 
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Originárias do reconhecimento público dos riscos sociais do trabalho 
assalariado, as políticas de seguridade ampliam-se a partir do segundo 
pós-guerra, como meio de prover proteção social a todos os trabalhadores, 
inscrevendo-se na pauta dos direitos sociais. Em geral, os sistemas de 
proteção social são implementadas através de ações assistenciais para 
aqueles impossibilitados de prover o seu sustento por meio do trabalho, 
para cobertura de riscos de trabalho, [...] e para manutenção da renda do 
trabalho, [...]. (grifos da autora). 
 
No caso brasileiro, a Seguridade Social ocorre em um período diferenciado do 
âmbito internacional, em virtude do seu contexto particular econômico, político e social. 
Sendo assim, somente com a promulgação da Constituição Federal de 1988, é instituída 
a Seguridade Social brasileira, que dá uma nova direção para a proteção social no Brasil, 
ao instituir como políticas públicas integrantes a saúde, a previdência e assistência social. 
Essas políticas são voltadas para a concepção do direito social, aspectos que são 
garantidos legalmente, sendo que suas determinações são norteadas pelos princípios da 
universalidade e da igualdade. Nesse sentido, Boschetti e Salvador (2009, p. 52) 
explanam que, 
 
[...] A seguridade social, na definição constitucional brasileira, é um 
conjunto integrado de ações do Estado e da sociedade voltadas a 
assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência 
social, incluindo também a proteção ao trabalhador desempregado, via 
seguro-desemprego. Pela lei, o financiamento da seguridade social 
compreende, além das contribuições previdenciárias, também recursos 
orçamentários destinados a este fim e organizados em um único 
orçamento. 
 
Deste modo, a Seguridade Social propõe um sistema de ações conjuntas e 
articuladas, por meio de princípios que nortearão a sua operacionalidade. No entanto, o 
cenário brasileiro da década de 1990 não é favorável para implementação dessas 
conquistas, uma vez que se instaura no país a política neoliberal, com o objetivo de 
adequar o país a economia internacional, aderindo as suas determinações. Portanto, a 
Seguridade Social se submete ao ajuste neoliberal. 
Nessa perspectiva, nos anos 1990 há um conjunto de ações que visam rebaixar as 
conquistas firmadas na Constituição Federal de 1988. Contexto em que a Seguridade 
Social é alvo dessas ações, ocasionando a sua fragmentação, focalização e acentua-se a 
exclusão social. Além disso, há uma tendência de privatização das políticas de saúde e 
 
 
 
 
 
 
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previdência, em contrapartida a expansão da assistência social, que nessas 
circunstâncias assume papel central na proteção social brasileira na atualidade. 
 
UMA DISCUSSÃO SOBRE A CONSTRUÇÃO HISTÓRICA DA SEGURIDADE SOCIAL 
 
A Seguridade Social resulta de um processo de lutas da sociedade na busca pela 
garantia de direitos sociais. Nesse processo, se destaca a classe trabalhadora, da qual se 
exige cada vez mais para atender as necessidades de reprodução do capitalismo, com 
altas jornadas de trabalho, más condições para desenvolverem as atividades laborais, 
baixas remunerações, ausência de direitos, entre outros elementos que expressam a 
exploração do proletariado. 
Essas circunstâncias provocam o pauperismo e a desigualdade social provenientes 
da relação de submissão do trabalho ao capitalismo, que desencadeiam um conjunto de 
problemáticas que impedem que uma parcela da sociedade viva com dignidade e exerça 
de forma plena a cidadania. É preciso ressaltar, que com a expansão do sistema 
capitalista intensificam-se as formas de exploração do trabalho, que refletem de maneira 
opressora sobre as diversas populações no mundo. 
No sistema capitalista o trabalhador não tem alternativa, se não vender sua força 
de trabalho, uma vez que não possui os meios de produção necessários para 
desenvolvimento do mesmo. Por conseguinte, o capital se institui como uma relação 
social, na qual o capital e o trabalho estabelecem uma relação de dependência mútua e 
necessária, de compra e venda da força de trabalho. Dessa forma, sendo elemento 
central o trabalho, capaz de valorizar o capital e gerar a acumulação de riquezas por meio 
da exploração e da alienação (MONTAÑO; DURIGUETTO, 2010). 
Nesse contexto, observam-se duas classes sociais que procuram defender seus 
interesses econômicos, sociais e políticos, sendo elas a classe burguesa (donos dos 
meios de produção) e a classe trabalhadora (donos da força de trabalho). Tais classes 
possuem objetivos antagônicos, sendo que a primeira busca preservar sua organização e 
extrair o máximo de riqueza do trabalho, principalmente por meio da mais-valia, inovando 
e intensificando as formas de exploração da força de trabalho para atender as suas 
necessidades de reprodução. No que se refere à classe trabalhadora, ponderando a 
vivência de uma conjuntura dotada de circunstâncias de exploração e injustiça - nas quais 
 
 
 
 
 
 
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é alvo principal - busca através de luta organizada, conquistar direitos e melhores 
condições de vida e de trabalho. 
Por conseguinte, a Seguridade Social pode ser considerada como resultante da 
resistência da classe trabalhadora frete ao sistema capitalista, no qual os trabalhadores 
pressionam os donos dos meios de produção para que haja benefícios que venham suprir