Artigo SERVIÇO SOCIAL NA SAÚDE
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suas necessidades de sobrevivência, bem como remunerações mais justas e melhores 
condições de trabalho. Diante dessa pressão social, o Estado passa a intervir nas 
problemáticas sociais, com o objetivo de preservar o sistema capitalista, buscando suprir 
suas necessidades de reprodução. 
Conforme Mota (2009), as políticas de Seguridade Social se ampliam no período 
posterior a Segunda Guerra Mundial, no qual se aproxima do caráter de direito social. Isso 
ocorre com o intuito de proporcionar proteção social aos trabalhadores, sobretudo para 
aqueles que não se encontram mais em condições para o trabalho e para prover o seu 
sustento, sejam elas temporárias ou permanentes. 
Diante disso, percebe-se que a Seguridade Social representa um marco na luta 
histórica da classe trabalhadora, uma vez que se configura como um grande avanço no 
que diz respeito à garantia de direitos. Ponderando a ocorrência de medidas protetivas, 
ainda que tímidas, as mesmas representam o produto da mobilização dos trabalhadores e 
incentivam outras reivindicações para ampliação do acesso a direitos sociais e 
trabalhistas. 
Considerando o contexto pós-segunda Guerra Mundial, ressalta-se que nesse 
período iniciou-se uma ampliação das iniciativas de proteção social, com influência do 
Plano Beveridge, publicado na Inglaterra em 1942. Esse plano indicava uma nova direção 
para as políticas sociais, sob o ponto de vista do direito social em contraposição aos 
seguros sociais bismarckianos que eram alvos de sua crítica. Além disso, é nessa época 
que se adentra na fase madura do capitalismo (BEHRING; BOSCHETTI, 2008). 
Nesse sentido, observa-se que a sociedade se depara com dois modelos que 
podem nortear a organização da Seguridade Social: o modelo bismarkiano, restritivo e 
voltado para a lógica do seguro; e o modelo beveridgiano que propõe a instituição de 
direitos universais. Por conseguinte, a Seguridade Social possui uma tendência de 
dualidade em sua constituição, sendo que os diferentes países adotam um ou outro 
modelo, conforme suas particularidades históricas, políticas e econômicas. 
 
 
 
 
 
 
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Deste modo, a Seguridade Social possui como direção a organização social do 
trabalho, tendo como referência os direitos relacionados ao trabalho, sendo constituída 
em cada país com caráter diferenciado, em razão do seu contexto interno, logo o trabalho 
assume papel central na gênese da Seguridade Social. Neste caso, sob a influência seja 
do modelo alemão bismarckiano, seja sob influência do inglês beveridgiano, mas com a 
incumbência de garantir benefícios para aqueles, sobretudo, que já não possuem a 
capacidade laborativa para prover a sua subsistência. (BOSCHETTI, 2009). 
Entretanto, as medidas de proteção social são percebidas pelo capital como uma 
forma de manipular os sujeitos, provocando alienação social para ocultar os efeitos 
devastadores inerentes ao seu sistema. Dessa forma, a função do Estado é reconfigurada 
para atender os interesses da classe burguesa, contexto que se acentua no estágio 
monopolista do capital, sobretudo no período posterior a Segunda Guerra Mundial. Assim, 
a ideologia neoliberal é uma forte aliada para alcance desses objetivos. Deste modo, 
Netto (2012, p.89) afirma que, 
 
A grande burguesia monopolista tem absoluta clareza da funcionalidade do 
pensamento neoliberal e, por isto mesmo, patrocina a sua ofensiva: ela e 
seus associados compreendem que a proposta do \u201cEstado Mínimo\u201d pode 
viabilizar o que foi bloqueado pelo desenvolvimento da democracia política 
\u2013 o Estado máximo para o capital (grifos do autor). 
 
Nessa perspectiva, a Seguridade Social é alvo das investidas do capitalismo para 
estruturá-la de acordo com suas determinações, para que não interfira no alcance dos 
seus objetivos, sendo de caráter paliativo e seletivo. Assim, é utilizada como forma de 
causar um conformismo entre os trabalhadores para que não prejudiquem sua estrutura e 
a acumulação de riquezas. 
 
A INSTITUIÇÃO DA SEGURIDADE SOCIAL NO BRASIL 
 
A sociedade brasileira, após um longo período de repressão social e negação de 
direitos, tem como reação uma forte organização social na luta pela democracia e 
garantia de direitos humanos, sociais e políticos. Assim, resultando em 1988, na 
promulgação da Constituição Federal que representa um marco no que diz respeito a 
avanços sociais, expressando a intenção de uma sociedade mais justa e igualitária. 
Dessa forma, Boschetti e Salvador (2009, p. 52) afirmam que, 
 
 
 
 
 
 
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 As reivindicações e pressões organizadas pelos trabalhadores na década 
de 1980, em período de redemocratização no país, provocam a 
incorporação, pela Constituição Federal (CF), de muitas demandas sociais 
de expansão dos direitos sociais e políticos. Um dos maiores avanços 
dessa Constituição, em termos de política social, foi a adoção do conceito 
de seguridade social, englobando em um mesmo sistema as políticas de 
saúde, previdência e assistência social. [...]. 
 
Portanto, a Carta Magna de 1988, expressa ainda que tardiamente, o progresso 
social no estabelecimento, por meio de instrumento legal, de garantias sociais, entre as 
quais se destaca a seguridade social, que se distancia da perspectiva do seguro social. 
\u201c[...] A noção de seguridade social inova no padrão clássico de proteção social brasileiro, 
ao trazer os princípios de universalização dos direitos de cidadania e de responsabilidade 
pública e estatal na provisão e financiamento dos serviços sociais\u201d (SENNA; MONNERAT, 
2008, p. 193). 
Dessa forma, a instituição da Seguridade Social representa o avanço no que diz 
respeito à proteção social brasileira, que pretende efetivar uma articulação entre as 
políticas que a compõem, por meio de um conjunto integrado de ações para promover o 
acesso aos direitos sociais. A firmação dessas políticas como constituintes da Seguridade 
Social expressa \u201c[...] a noção de direitos sociais universais como parte da condição de 
cidadania, antes restrita apenas aos beneficiários da Previdência Social\u201d (MONNERAT; 
SOUZA, 2011, p. 42). 
Segundo Behring e Bochetti (2008), os princípios estabelecidos com o objetivo de 
nortear a operacionalização da Seguridade Social no Brasil são: universalidade; 
uniformidade e equivalência dos benefícios; a seletividade e a distributividade na 
prestação de serviços; a irredutibilidade do valor de benefícios; a diversidade das bases 
de financiamento; caráter democrático e descentralizado. Sendo que a finalidade desses 
princípios constitucionais genéricos seria impulsionar mudanças relativas às suas políticas 
integrantes, com a intenção de articulá-las formando um sistema de proteção ampliado, 
mas esse propósito não se consolida devido ao avanço neoliberal, que se gesta no Brasil 
a partir da década de 1990. 
Portanto, a Seguridade Social no Brasil, apresenta um novo sentido a sua proteção 
social, uma vez que assume características norteadas pelos princípios da universalidade 
e da igualdade, propondo a execução de ações articuladas entre seus elementos 
 
 
 
 
 
 
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integrantes para promover o desenvolvimento social. No entanto, tais propostas se 
deparam com governos que bloqueiam a sua implementação, efetivando a sua 
fragmentação, desviando-a do propósito da universalidade, sendo gerida conforme o 
ajuste neoliberal. 
De acordo com Soares (2002), o neoliberalismo surge como reação à crise global 
que se gesta em meados dos anos 1970. Dessa forma, abre espaço para esse novo 
modelo de acumulação, que determina a precarização do trabalho. Além disso, os direitos 
sociais perdem sua identidade, se acentua a separação entre público e privado - sendo o 
último o principal detentor de