Artigo SERVIÇO SOCIAL NA SAÚDE
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em 1998, 2002 e 2003, que representam a desregulamentação 
dos direitos e o reforço da lógica do seguro. No tocante à saúde, os seus princípios são 
desconfigurados pelas ações cotidianas limitadas que se realizam em meio à 
precarização do serviço de saúde pública. No âmbito da assistência social, esta não 
supera as características de focalização e seleção, que por meio de programas como, por 
exemplo, o programa bolsa família, demonstra a sua tendência para a política de 
transferência de renda. 
Entende-se que há uma regressão social no que concerne às conquistas da 
década de 1980 expressas na Constituição Federal de 1988, que não se efetivaram, 
como já se discutiu, em virtude da ofensiva neoliberal que se instaura no Brasil, nos anos 
de 1990. Diante disso, compreende-se que o propósito da Seguridade Social que se 
instituiu tardiamente e nunca se efetivou no Brasil, uma vez que foi e continua sendo alvo 
de medidas que colocam a Seguridade Social, em uma posição de submissão aos 
interesses econômicos. Portanto, essa condição bloqueia os preceitos legais da 
Seguridade Social, resultando em uma contraposição entre o que é proposto pela Carta 
Magna para garantia de direitos com a realidade social, pois não possui condições 
favoráveis para sua implementação. Esse fato ocorre por conta dos governos brasileiros 
do período pós-constitucional terem como objetivo central, adequar o país ao ajuste 
neoliberal, característico do capitalismo contemporâneo. 
 
CONCLUSÃO 
 
Considerando os aspectos explanados, esclareço que não se cessam nessa 
discussão as possibilidades de ampliação do debate referente à desregulamentação da 
 
 
 
 
 
 
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Seguridade Social brasileira no contexto neoliberal. Assim, essa temática é dotada de 
ampla complexidade, ponderando os seus reflexos para a sociedade brasileira. 
 Compreende-se que a Seguridade Social brasileira, representou um grande 
avanço no que diz respeito à proteção social, sendo constituída pela saúde, previdência e 
assistência social, com a sua direção voltada para o direito social e se afastando da lógica 
do seguro. Essas inovações ocorreram tardiamente e enfrentam um contexto posterior 
desfavorável, que impede a sua implementação e descaracteriza sua perspectiva do 
direito social, uma vez que se depara com a subordinação da política social à política 
econômica. 
Isso ocorre, em virtude do ajuste neoliberal implantado no Brasil pelos governos 
que se gestam a partir da década de 1990, que se empenham na execução de medidas 
que provocam o desmonte da Seguridade Social. Consequentemente, esses governos 
negam as conquistas da sociedade brasileira dos anos 1980, camuflando seus reais 
interesses direcionados pelo neoliberalismo, por meio da ideologia de \u201creformas\u201d 
atreladas a concepção de avanços sociais e econômicos. 
Tal conjuntura resulta na privatização da saúde e previdência social em 
contraposição a precarização na realização dos seus serviços. Diante disso, há uma 
centralização da assistência social na Seguridade Social, na qual a mesma passa a ter a 
\u201cincumbência\u201d de solucionar o pauperismo, que é percebido pelos governos neoliberais 
como se fosse a única problemática social que requer a intervenção estatal, restringindo a 
proteção social a esse aspecto. 
Dessa forma, nota-se que a forma como tem sido gerida a Seguridade Social no 
Brasil difere do que proposto na Carta Magna de 1988, uma vez que não condições 
favoráveis para sua efetivação. Portanto, percebe-se uma contradição entre o instrumento 
constitucional e a realidade social, sendo que os preceitos da Seguridade Social nunca se 
concretizaram no Brasil, fato resultante da busca dos governos brasileiros, a partir da 
década de 1990, em adequar o país aos ditames neoliberais. 
 
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