1. Psicologia e Saúde
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1. Psicologia e Saúde


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TEORIAS E MODELOS EXPLICATIVOS EM PREVENÇÃO E PROMOÇÃO DE SAÚDE
Nas últimas décadas, pesquisas têm sido desenvolvidas no âmbito da Psicologia na tentativa de elucidar os motivos pelos quais as pessoas não adotam hábitos de vida saudáveis. Ocorre uma necessidade de modificar um padrão de crença ou comportamento prejudicial à saúde. 
Há alguns modelos e teorias que podem ser agrupados de acordo com o foco predominante orientado:
Indivíduo e Comunidade
1.TEORIAS E MODELOS VOLTADOS PARA O INDIVÍDUO 
O Padrão de comportamentos, de crenças e de relações interpessoais do indivíduo influencia seus processos de saúde e doença. Condutas de risco específicas relacionadas ao estilo de vida que se caracterizam como fluxos rotineiros, estáveis e resistentes à mudança. Utilização de álcool, tabaco, alimentação não saudável. A identificação dos múltiplos fatores que influenciam padrões de comportamentos não saudáveis são importantes, pois possibilitam: Proposição de estratégias psicoeducativas capazes de produzir mudanças. 
Por que as pessoas não aderem a programas de prevenção de saúde?
A saúde está banalizada, as condutas de risco como uso de bebida, cigarro, comer descontroladamente estão banalizados e estão em nosso cotidiano e são resistentes a mudanças. O que se espera com profissional da saúde é que as pessoas possam adotar comportamentos promotores de saúde e redução de riscos, como atividade física, exames periódicos, alimentação saudável e higiene bucal e práticas sexuais seguras. A ideia da psicologia na prevenção à saúde é identificar os múltiplos fatores que influenciam esses padrões de comportamentos e apresentar modelos do porquê as pessoas se engajam em comportamentos de risco.
Várias teorias voltadas para processos cognitivos e comportamentais DO INDIVÍDUO tem fornecido a fundamentação para a prevenção e promoção de saúde. Abordagens teóricas em saúde voltadas para o indivíduo:
Modelo de Crenças em Saúde (Health Belief Model)
Modelo	Transteórico	de	Mudança	comportamental (Transtheoretical Model of Cahange)
Teoria da Cognição Social (Social Cognitive Theory)
Modelo Transacional de Estresse e Coping (Transational Model)
MODELO DE CRENÇAS EM SAÚDE (MCS)
Foi constituído por psicólogos sociais de orientação cognitiva para explicar e predizer cuidados preventivos mediante a avaliação focando em:
\u2022Atitudes
\u2022Intenções
\u2022Crenças
\u2022Percepção de risco
Foco recai sobre os processos cognitivos da pessoa na busca por compreender os fatores que, em conjunto, determinam suas decisões e ações em relação à própria saúde. Quais crenças estão subsidiando o comportamento das pessoas em relação a própria saúde. Modelo proposto na década de 1950 com o propósito de esclarecer a pequena adesão observada em programas de prevenção e detecção precoce de doenças como tuberculose, câncer de colo uterino, poliomielite.
Modelo propõe 4 variáveis psicológicas que atuam na aquisição ou modificação de padrões comportamentais, a ideia é entender quais são as variáveis cognitivas que levam as pessoas a comportamentos de promoção de saúde:
Suscetibiidade Percebida
Severidade Percebida
Benefícios percebidos
Barreiras Percebidas
Dicas ou pistas para a ação
Fatores de modificação comportamento
Autoeficácia
Suscetibilidade Percebida
Se refere à forma como o sujeito considera a sua vulnerabilidade frente a uma ameaça à saúde. Como ele avalia o risco pessoal de contrair uma doença em decorrência da própria atitude ou comportamento. Um dos objetivos das intervenções baseadas neste modelo é aumentar a percepção de riscos reais à saúde e, ao mesmo tempo, ajudar a pessoa a avalia-se como capaz de efetivar a mudança.
Severidade (grau da doença) Percebida
Refere-se à avaliação da gravidade das consequências que uma doença ou lesão poderá acarretar.
Essa noção é enfatizada pela perturbação emocional desencadeada na pessoa ao cogitar as possíveis complicações de uma doença:
\u2022 Físico: dor, deficiência, incapacidade ou morte
\u2022 Psicossocial: gastos, afastamento trabalho, conflitos familiares, discriminação ou interrupção de atividades.
A combinação entre as percepções de suscetibilidade e severidade é denominada:
AMEAÇA PERCEBIDA
Indica o nível de motivação do indivíduo para evitar certo resultado, embora não determine como ele agirá.
A ideia é propor a pessoa fazer um balanço entre os benefícios e empecilhos que possivelmente encontrará se colocar a ação recomendada em prática.
Benefícios Percebidos (em relação a comportamentos engajados)
Correspondem às crenças da pessoa em relação à efetividade de uma ação que reduza as ameaças a sua saúde
Parte-se do princípio que o indivíduo não estará apto a aceitar e seguir uma recomendação a menos que ele perceba sua viabilidade e eficácia. 
Barreiras Percebidas
Envolve a identificação de obstáculos a serem superados no processo de mudança comportamental.
A pessoa empreende uma análise custo-benefício, ponderando a efetividade da ação em comparação aos custos estimados (tempo, gastos financeiros, esforços envolvidos, conflitos interpessoais).
Reduzir barreiras à adoção do comportamento devem ser priorizadas, considerando as vantagens (incentivos, apoio, estratégias de resolução de problemas e revisão de crenças) 
Síntese do MCS - Presume a adoção de um padrão de comportamentos com vistas a reduzir uma ameaça à saúde e a ocorrência relacionada de 3 situações:
1. A pessoa se preocupa acerca da necessidade de mudança e reconhece que essa mudança é do seu
interesse
2. A pessoa percebe-se vulnerável à condição e avalia que o possível agravo poderá acarretar consequências sérias à saúde
1. A pessoa reconhece que o comportamento poderá reduzir sua suscetibilidade , ou a gravidade da condição.
Síntese do MCS
Modelo, portanto, defende que a probabilidade da pessoa emitir a ação preventiva:
(ex: usar preservativo nas relações sexuais)
1. É influenciada pela própria percepção de vulnerabilidade e pelas consequências nocivas associadas à doença:
(\u201cSe fizer sexo desprotegido(a), posso ser infectado pelo HIV e sofrer discriminação por isso\u201d
2. Pelo balanço entre prós e contras de praticar a ação preventiva:
(\u201cMeu parceiro não vai gostar de usar camisinha, mas se eu convencê-lo, posso evitar a AIDS\u201d.
Acréscimos à Teoria original do MCS
Novas variáveis foram acrescentadas ao esquema do MCS, auxiliando a expandir a compreensão das influencias psicológicas sobre a decisão de organizar e efetivar um plano de mudança:
Dicas ou Pistas para a ação
\u2022 Internas: identificação sintomas
\u2022 Externas: informações por meios de comunicação, familiares, educadores e profissionais de saúde
Fatores de Modificação do Comportamento
Estão relacionados à variáveis sociodemográficas, psicosssociais e estruturais com potencial para alterar a percepção do sujeito sobre os riscos à saúde: Idade; Sexo; Classe socioeconômica; Nível escolaridade; Traços de personalidade; Experiências prévias com a situação
Autoeficácia
Auto-eficácia: julgamento que a pessoa faz de quão bem (ou quão mal) ela enfrentará uma situação desafiadora, dadas as suas habilidades e as circunstâncias com que se depara. Não é sinônimo de \u201ccapacidade\u201d. O funcionamento competente requer não só a posse de habilidades (ou seja, capacidade), mas também a habilidade de traduzir essas habilidades em desempenho eficaz. Foi introduzida no sistema conceitual do MCS com a finalidade de favorecer a compreensão da mudança de comportamentos de riscos mais complexos, que demandam mais tempo para sua efetivação. O MCS reconhece também a influência das crenças do indivíduo acerca da aprovação ou desaprovação de seu comportamento (ex: ingestão de bebidas alcoólicas) por pessoas significativas \u2013 Crenças Normativas
O Controle Percebido \u2013 Lócus de controle do sujeito também é levado em consideração no MCS já que influencia a possibilidade do sujeito aderir/manter novos comportamentos.
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