FATORES COMPORTAMENTAIS E CULTURAIS QUE IMPLICAM NA OCORRÊNCIA DE ACIDENTES DO TRABALHO
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FATORES COMPORTAMENTAIS E CULTURAIS QUE IMPLICAM NA OCORRÊNCIA DE ACIDENTES DO TRABALHO


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FATORES COMPORTAMENTAIS E CULTURAIS QUE IMPLICAM NA 
OCORRÊNCIA DE ACIDENTES DO TRABALHO 
 
 
BEHAVIORAL AND CULTURAL FACTORS INVOLVING THE OCCURRENCE OF 
WORK ACCIDENTS 
Nilton Pinheiro Marciano 
Alexandre C. Santos** 
 
Resumo: O comportamento de um empregado pode ser estabelecido pelas suas interfaces e 
relações que se estabelecem, tais como: máquinas, ferramentas, relação com colegas e seus líderes 
diretos, normas e procedimentos. O amadurecimento de uma cultura de segurança é percebido 
quando o trabalhador age de forma consciente e não por obediência. Essa mudança começa pelas 
atitudes, passando pelo comportamento e por fim na mudança da cultura. O maior propósito para o 
desenvolvimento de uma cultura de excelência do ponto de vista pessoal é fundamentado por várias 
razões, a principal é o respeito à vida. Neste sentido, este artigo tem como objetivo apresentar os 
principais conceitos, metodologias e teorias que relacionam os fatores comportamentais e culturais 
com a ocorrência de acidentes do trabalho. A metodologia do artigo está estruturada na pesquisa 
bibliográfica onde se observa os principais conceitos relacionados ao tema, sua evolução, modelos 
para análise do ambiente de trabalho e tendências. Através do conteúdo abordado pode-se verificar a 
evolução na avaliação das questões relacionadas ao tema com destaque para o fator humano como 
elemento central para garantir uma cultura sustentável de saúde e segurança. 
 
Palavras-chave: Comportamento Seguro. Ativadores. Cultura. Estímulos. Acidentes. 
 
Abstract: An employee's behavior can be established by their established interfaces and 
relationships, such as: machines, tools, peer relationships and their direct leaders, standards, and 
procedures. The maturation of a culture of security is perceived when the worker acts consciously and 
not by obedience. This change begins with attitudes, behavior, and ultimately, change of culture. The 
main purpose for the development of a culture of excellence from the personal point of view is based 
on several reasons, the main one being respect for life. In this sense, this article aims to present the 
main concepts, methodologies and theories that relate behavioral and cultural factors to the 
occurrence of occupational accidents. The methodology of the article is structured in the bibliographic 
research where the main concepts related to the theme, its evolution, models for analysis of the work 
environment and trends are observed. Through the content discussed, it is possible to verify the 
evolution in the evaluation of the issues related to the theme, highlighting the human factor as central 
element to guarantee a sustainable culture of health and safety. 
 
Keywords: Safe Behavior. Activators. Culture. Stimuli. Accidents. 
 
 
Nilton Pinheiro Marciano, nilton.pinheiro.marciano@gmail.com 
Alexandre C Santos, alexandrecsantos@yahoo.com.br. 
 
1 INTRODUÇÃO 
Quando o trabalhador ingressa na área industrial, além da sua função, traz 
consigo as suas crenças, formas de pensar, de ser, agir e interagir. Essas 
características são partes que compõem o seu comportamento. Botomé (2013) 
conceitua o comportamento como um sistema de interações entre classes de 
aspectos de um ambiente, atividades de um organismo e aspectos de um ambiente 
subsequente às atividades desse organismo. 
O que se sabe é que cada um reage de maneira diferente quando convivem 
mutuamente. Segundo Bandura (1986 apud VENDITTI JÚNIOR 2010, p.1) o 
comportamento humano é comumente motivado e derivado de várias necessidades, 
atividades, impulsos e instintos. 
Russel (2013, p. 13) enfatiza que \u201c[\u2026] O homem é uma parte da natureza, 
não algo que contraste com ela. Os seus pensamentos e movimentos corporais 
seguem as mesmas leis que descrevem os deslocamentos de estrelas e átomos 
[\u2026]\u201d. Devido à pluralidade de relações coletivas e individuais num local composto 
por pessoas diferentes umas das outras, quando se encontra uma condição 
ambiente desfavorável e propício a adoção de práticas inseguras, atreladas às 
características e motivações pessoais, levam o trabalhador a adoção de atos abaixo 
do padrão, com potencial de gerar acidentes. 
Cabe notar que na maior parte das vezes, em que se pratica um 
comportamento inseguro o acidente não ocorre. Cotidianamente não trazem 
consequências negativas e imediatas, então após várias tentativas e consequentes 
êxitos, o indivíduo é levado a um processo mental de desprezo do risco. 
Kahneman (2011, p.41) afirma que \u201c[\u2026] estudos do cérebro revelaram que o 
padrão de atividade associado com uma ação, muda à medida que a habilidade 
aumenta, com menos regiões do cérebro envolvidas [\u2026]\u201d, denominou essa condição 
como a lei do menor esforço, \u201c[\u2026] essa lei determina que se há vários modos de 
atingir um mesmo objetivo, as pessoas acabarão por tender ao curso de ação menos 
exigente [\u2026]\u201d, aplica-se tanto ao esforço cognitivo quanto físico. 
O que o trabalhador não considera, é que ao trabalhar no modo automático e 
adotando comportamentos inseguros, poderá culminar em ocorrências de acidentes 
de baixo potencial, alta criticidade e até catastróficos. 
 
Bley; Turbay e Cunha Júnior (2005), refere-se ao termo \u201cseguro\u201d como toda a 
ação do trabalhador que pode contribuir para a não ocorrência de acidentes. Já os 
comportamentos considerados como sendo \u201cinseguros\u201d ou de risco, são aqueles que 
podem favorecer ou contribuir para ocorrência de acidentes. 
A proposta deste artigo é apresentar os principais conceitos, metodologias e 
teorias que relacionam os fatores comportamentais e culturais que implicam na 
ocorrência de acidentes do trabalho. 
 
2 CONCEITUALIZAÇÃO TEÓRICA 
2.1 PIRÂMIDES DA PREVENÇÃO DE SAÚDE E SEGURANÇA 
Ferrari et al. (2005, p.3), afirma que estatisticamente existe uma distribuição 
natural dos acidentes de acordo com a sua gravidade e o impacto geral na 
organização (danos físicos e materiais). 
A figura 1 faz menção aos pioneiros Herbert William Heinrich e Roland P. 
Blake (1931), os autores tratam da previsibilidade dos acidentes, construída na 
proporção de 1:29:300 \u2014 para cada 1 acidente grave ou fatal, ocorrem 29 acidentes 
de baixa lesão e 300 quase-acidentes. 
 
Figura 01 - Pirâmide Heinrich e Blake Figura 02 - Pirâmide Bird 
 
Fonte: Adaptado \u2013 DuPont (2016) Fonte: Adaptado \u2013 DuPont (2016) 
 
A figura 2 refere-se a pirâmide de Frank Bird (1969), ela traz o enfoque nos 
quase acidentes, construída na proporção de 1:10:30:600 \u2014 para cada 1 acidente 
grave ou fatal, ocorrem 10 acidentes de baixa lesão, 30 acidentes com danos 
materiais e 600 quase-acidentes. 
 
Figura 03 - Pirâmide DuPont 1990 
 
Fonte: Adaptado \u2013 DuPont (2016) 
 
Essa versão da pirâmide é atrelada à DuPont (1990), a figura 3 foi construída 
na proporção de 1:30:300:3.000:30.000 \u2014 para cada 1 acidente grave ou fatal, 
ocorrem 30 acidentes de baixa lesão, 300 acidentes com danos materiais, 3.000 
quase acidentes, 30.000 desvios. Os desvios apontados na base da pirâmide é todo 
resultado ou comportamento indesejável procedente de registros de condições 
inseguras e abordagens comportamentais. 
Alves e Miranda Junior (2013) utiliza como exemplo a pirâmide da figura 4 
desenvolvida pela Interface Consultoria em Segurança e Meio Ambiente, onde o 
objetivo é salientar que algo provoca o comportamento que potencialmente pode 
gerar acidentes, este algo pode estar embasado na cultura local. 
 
Figura 04 - A Pirâmide de Bird Ampliada 
 
Fonte: Adaptado \u2013 Alves e Miranda Junior (2013, p.29) 
 
Segundo Alves e Miranda Junior (2013) um estudo realizado pela 
ConocoPhilips Marine no ano de 2003, demonstrou a correlação 1:300.000,