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Redação Jornalistica Aula 05

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REDAÇÃO JORNALÍSTICA 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.a Nívea Bona 
 
 
 
 
2 
 
 
CONVERSA INICIAL 
Olá! Estamos caminhando juntos há algumas semanas e isso quer dizer 
que você já cumpriu mais da metade da nossa disciplina de Redação 
Jornalística. 
Isso significa que já é possível falarmos de técnicas mais específicas para 
a produção textual no Jornalismo. Lembre-se de que, mesmo que você faça rádio 
ou televisão, duas mídias essencialmente sonoras, você precisará construir os 
textos desse material que será veiculado. 
Técnicas especiais também precisam ser dominadas para trabalhar o 
texto que vai ser publicado na web já que ali contamos com a convergência das 
linguagens dos outros meios. 
Por fim, o texto de revista e de jornal acaba sendo remodelado por 
influência das novas mídias. Mas, mesmo com toda essa complexidade nas 
diferentes linguagens utilizadas no Jornalismo, algumas estruturas são 
consideradas tradicionais, ou ainda parâmetros para o Jornalismo em qualquer 
plataforma. 
Na rota “Produção e Checagem”, você terá condições de compor um texto 
jornalístico para os diferentes meios de comunicação, tanto impressos como 
eletrônicos. Esse é o objetivo geral desta aula. 
Os objetivos específicos de aprendizagem são: 
 articular o conhecimento já conquistado para desenvolver o texto 
noticioso para o jornal diário; 
 compor textos adequados para a notícia no rádio; 
 formular reportagens focadas na linguagem televisiva; 
 esquematizar e redigir a reportagem de revista; 
 
 
3 
 planejar a junção das linguagens de diferentes plataformas 
convergentes no jornalismo de web. 
 
É possível que esta aula seja um pouco mais instrumental, mas ainda 
vamos trazer casos e exemplos que ilustram essa prática que agora é mais do 
que necessária. 
Ah! E você continua lendo notícias, não é? Convido a ouvir mais rádio e 
televisão enquanto estiver estudando este tema especificamente. Assim, você 
terá condições de trazer para seu estudo algumas das experiências atuais e, por 
que não, avaliar os textos dos materiais que tem acessado. 
CONTEXTUALIZANDO 
As linguagens jornalísticas nos diferentes veículos guardam uma origem 
comum, mas acabam se adaptando ao meio em que são veiculadas. Essa 
adaptação é necessária, já que cada um dos meios possui especificidades de 
tempo, espaço e de acesso a leitores, ouvintes e telespectadores e devem ser 
mais bem assimiladas. 
Depois de entender como uma notícia é construída a partir de um fato, é 
hora de saber como publicá-la nos diversos meios e perceber que outros 
complementos são necessários para melhor comunicar. 
Nesta rota, você saberá como uma notícia de jornal diário deve ser 
produzida, como uma reportagem para revista deve ser construída, como uma 
matéria para rádio ou televisão deve ser elaborada e, ainda, como publicar na 
web. Você me acompanha? 
Dê uma olhada na reportagem especial e premiada, publicada no site do 
jornal Estado de São Paulo, e analise a construção textual com as referências 
de imagem, som e vídeo. 
Como foi feita a estrutura do conteúdo? Quais as referências que você 
consegue localizar que acabam vindo do impresso (jornal e revista), da televisão 
 
 
4 
e do rádio? Por que pode-se dizer que a web promoveu a convergência das 
linguagens? 
http://infograficos.estadao.com.br/public/especiais/crack/ 
TEMA 1 – PRODUÇÃO DE TEXTO PARA IMPRESSO DIÁRIO 
Os jornais impressos, arautos dos acontecimentos instantâneos desde 
que existem, estão sendo desafiados de maneira muito agressiva pelos outros 
veículos de comunicação, em especial pela internet. O uso cada vez menor do 
papel como suporte para as informações cotidianas e a democratização dos 
computadores, tablets e smartphones está forçando o jornal a se reinventar e a 
se reposicionar. 
Há poucas pesquisas confiáveis que publicam os resultados desse 
movimento e, talvez por ser um tabu entre os próprios veículos de comunicação, 
estes não assumem claramente que estão migrando com mais agressividade 
para o meio digital. Mas é o que se tem visto. A própria Folha de São Paulo 
apresentou, em um seminário de Jornalismo, os dados de que seu leitor médio 
estava com 45 anos em 2007 e, em 2012, passou a ter 47 anos. Isto é, o leitor 
de impresso está envelhecendo. 
Há pesquisas nos Estados Unidos que também tratam do envelhecimento 
do leitor de jornal impresso: 
Os leitores norte-americanos de mídia impressa estão envelhecendo. 
É o que mostra um estudo realizado pela Mediamark Research, com 
base no comparativo entre os anos de 2004 e 2009. A média de leitores 
adultos saltou para 44 anos, alta de 1,6% em relação ao período 
anterior. Em veículos específicos, como U.S News & World 
Report e Chicago Tribune, por exemplo, o aumento sobe para mais de 
4%. (Disponível em: 
http://portalimprensa.com.br/portal/ultimas_noticias/2009/05/28/impre
nsa28456.shtml). 
Por outro lado, pesquisas no Brasil mostram que esse movimento se 
mostrou inalterado em 2014, como a Pesquisa Brasileira de Mídia, realizada pelo 
governo federal em 2013 e 2014, que apontou: 
 
 
5 
Apesar do crescimento da internet como meio de comunicação ter 
fomentado especulações sobre a substituição das edições impressas 
de jornais por edições digitais ou outros meios de informação, os 
hábitos do leitor de jornal continuam inalterados em relação à edição 
anterior da Pesquisa Brasileira de Mídia. O percentual de 
brasileiros que leem jornais ao menos uma vez por semana 
permaneceu em 21% entre as duas rodadas da PBM. 
A maioria dos brasileiros continua consumindo esse meio de 
comunicação da maneira tradicional: 79% dos leitores o fazem no 
formato impresso e apenas uma parcela de 10% migrou para o formato 
digital. (Disponível em: 
http://www.brasil.gov.br/governo/2014/12/percentual-de-leitores-de-
jornal-impresso-permanece-estavel-aponta-pesquisa-brasileira-de-
midia). 
 
Mesmo com uma resistência para assumir que o jornal impresso está, aos 
poucos, sendo substituído pela plataforma virtual, os sinais concretos estão por 
aí: 
 cancelamento de edições impressas, mantendo o conteúdo só no 
virtual 
(http://portalimprensa.com.br/noticias/ultimas_noticias/69064/diario+d
o+comercio+anuncia+fim+da+edicao+impressa+e+mudancas+na+eq
uipe); 
 diminuição de publicidade 
(http://portalimprensa.com.br/cdm/caderno+de+midia/69496/projeto+
da+associacao+nacional+de+jornais+visa+frear+queda+de+publicida
de+nos+impressos); 
 compactação da edição de final de semana 
(http://portalimprensa.com.br/noticias/brasil/75335/gazeta+do+povo+
muda+formato+do+jornal+e+unifica+edicoes+do+fim+de+semana); 
 reposicionamento mercadológico. Mas o momento ainda é de 
complexidade 
 
 
6 
(http://portalimprensa.com.br/noticias/ultimas_noticias/74940/aos+30
+anos+diario+catarinense+anuncia+reposicionamento+geral). 
 
Tanto que a pesquisa do Instituto Verificador de Comunicação (IVC) 
apontou um crescimento na circulação dos principais jornais do país. 
Segundo a Meio & Mensagem, líder entre os jornais do país, 
a Folha teve um acréscimo de 6,4% em relação ao ano passado, com 
uma circulação média de 361.231 exemplares. O segundo colocado no 
ranking, O Globo, teve crescimento de 3,7%, com 320.374 edições. O 
Super Notícia e o Estadão – terceiro e quarto no país, respectivamente 
– atingiram acréscimos de 1,7%, com 314.766 exemplares e 5,5%, com 
250.045. A Zero Hora foi o que mais cresceu, com 13% em relação ao 
ano anterior e 201.178 edições disponibilizadas. 
A pesquisa ainda aponta que a migraçãodos veículos para o meio 
digital tem forte influência na queda da comercialização do jornal 
impresso. (Disponível em: 
http://portalimprensa.com.br/noticias/brasil/72461/ivc+aponta+que+cir
culacao+dos+cinco+maiores+jornais+do+pais+cresceu+em+relacao+
a+2014). 
Enfim, no meio desse ambiente complexo para os jornais impressos, é 
possível afirmar que a sua maneira de fazer notícias diárias está se alterando os 
poucos, já que outros veículos estão responsáveis pela instantaneidade do 
relato, como a web. Mas esse “jeito” de construir o texto noticioso ainda é base 
para muito do fazer do Jornalismo, inclusive para o próprio meio virtual. 
Vejamos as características desse texto, muitas já conhecidas das nossas 
aulas: 
1 – A grande maioria dos textos tem formato de pirâmide invertida. Isto é, 
dentre todos os dados do fato a serem relatados, começamos com o que é mais 
importante, com o que é central. 
2 – No primeiro parágrafo, concentram-se as respostas às 6 perguntas do 
lide: o quê?, onde?, quando?, quem?, como?, por quê?. Em no máximo duas 
frases, essas perguntas são respondidas de maneira direta e objetiva, sem 
firulas. 
 
 
7 
3 – Evita-se qualquer vocábulo que leve à opinião ou à subjetividade, 
como o uso de adjetivos. Não existe, no texto noticioso de jornal, vocábulos 
como: o “formoso” cavalo; o “veloz” corredor etc. É mais indicado mostrar com 
dados essas “qualidades”, por exemplo: dizer que o cavalo ganhou um concurso 
pela beleza e pelo porte, ou ainda que o corredor bateu o recorde dos 100 m do 
último campeonato. 
4 – Ainda buscando a objetividade, coloque números. É o único jeito de 
você dar ao seu leitor a condição de imaginar a quantidade de droga que chegou 
a um porto ou ainda a “quantidade de lama que foi derramada por uma empresa 
de mineração que não fez a checagem da qualidade de sua barragem” (viram 
como, mesmo sendo objetivo, é possível dar opinião?) 
Veja: “foram mais de 20 mil pessoas na romaria do Padre Cícero”; ou “uma 
multidão acompanhou o cortejo”. Qual dessas opções dá a melhor ideia de 
quantidade? 
5 – Policie-se para evitar ser tendencioso(a). Como já vimos antes, é 
realmente muito difícil fazer um texto imparcial. Ele praticamente não existe, mas 
isso não lhe dá o direito de simplesmente desistir dessa busca. Ser ingênuo e 
acreditar na imparcialidade a partir do uso de uma fórmula não é o mesmo que 
usar todo o seu conhecimento e esforço de trabalho para garantir pelo menos 
que os principais lados de um fato sejam igualmente representados em um relato 
jornalístico. Isso significa apurar os dados de maneira a mostrar todas as 
variáveis de maneira equilibrada. Em resumo, buscar a competência. 
6 – Entreviste fontes oficiais para dar a credibilidade da fala assinada por 
uma instituição, mas também busque as testemunhas, as vítimas, os implicados 
no fato. Não se satisfaça com o relato do comandante da operação pacificadora 
das favelas. Fale com os líderes comunitários e moradores também. 
7 – Use frases curtas e ordem direta. Nada de voz passiva ou orações 
dentro de outras: “o jogador, que detinha o prêmio de melhor zagueiro, sofreu 
uma contusão”. Prefira: Fulano possuía o prêmio de melhor zagueiro do 
campeonato. Ele sofreu uma contusão no jogo de ontem. 
8 – Seja claro. Olha o que Noblat diz: 
 
 
8 
Clareza. Não basta escrever com simplicidade. Tem de ser claro. O 
escritor francês Anatole France dava mais valor à clareza. Ele 
escreveu: “o estilo tem três virtudes: clareza, clareza, clareza.” O 
espanhol Miguel Unamuno completou: “Escreve claro quem concebe 
ou imagina claro.” Se não sei exatamente o que quero dizer, ninguém 
me entenderá. Ninguém me entenderá se eu esquecer que escrevo 
para pessoas comuns, não para iniciados ou especialistas neste ou 
naquele assunto. O jornalista reporta o que viu e torna o conhecimento 
mais complexo acessível às pessoas comuns. É da perspectiva dessas 
pessoas que ele tem que enxergar os fatos e traduzi-los depois. 
(NOBLAT, 2010, p. 81). 
9 – Não use chavões. “o golpe foi uma ducha de água fria para o 
jogador...”; “o deputado pôs mais lenha na fogueira quando sugeriu...”; “é como 
agradar gregos e troianos” etc. Não use. Você pode fazer melhor. 
10 – Fala de entrevistados. Uma das dicas interessantes para se 
descrever um fato com adjetivos e qualificá-lo é exprimir esse fato por meio da 
declaração de um entrevistado. Em resumo: o jornalista não pode usar adjetivo, 
mas o entrevistado pode. Por essa razão e para dar credibilidade ao fato, 
entrevistas são publicadas no meio de uma matéria ou um texto noticioso, mas 
há alguns cuidados a serem tomados nesse tipo de publicação. 
Texto relatados de maneira direta, isto é, exatamente como o entrevistado 
disse, devem ser exatamente iguais à fala e entre aspas. Há possibilidade de 
edição, com cortes e pequenos ajustes que não interfiram no conteúdo, como 
destacar o estritamente necessário da fala. Caso seja necessário adaptar essa 
entrevista com muitas edições, é importante usar, então, a paráfrase. Veja 
alguns exemplos: 
A entrevista: “o cara daí correu e pulou o muro da minha vizinha... lá os 
outros começaram a atirar e todo mundo se jogou no chão”. 
Se fosse para incluir na matéria, o ideal seria: 
“O morador João Albuquerque contou que o assaltante correu e pulou o 
muro da casa vizinha. ‘Lá os outros começaram a atirar e todo mundo se jogou 
no chão’, completa”. 
 
 
9 
Se a fala do entrevistado possui erros gramaticais, ou ainda vai ficar 
esquisita quando for transcrita, a regra é colocar da maneira como foi falado para 
garantir a fidelidade e, após a declaração, a sigla SIC, que quer dizer, em latim: 
“assim”, ou “como foi dito”. 
Atenção! Há uma discussão moral sobre o uso dessa sigla. Como ela 
denuncia um erro ou um mal jeito com a língua culta, o ideal é usá-la quando for 
estritamente necessário. 
Não há necessidade de expor o nível de cultura erudita de algum 
entrevistado se esse não for o foco da matéria. Hoje, o importante é o conteúdo, 
o que a pessoa tem que dizer e em ser fiel a essa fala. Atualmente, os jornais a 
usam pouco, apesar de ainda usá-la porque o uso da sigla aponta, também, uma 
posição do comunicador, que se põe no direito de apontar o engano dos outros. 
Leia o artigo de Sérgio Rodrigues, que fala mais detalhadamente sobre o 
uso do SIC. 
http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/consultorio/a-hora-e-o-lugar-
do-sic/ 
Confira a entrevista com o analista de mídia Ken Doctor, que fala um 
pouco sobre esse novo posicionamento do jornal impresso. 
http://portalimprensa.com.br/cdm/caderno+de+midia/69301/guru+da+ind
ustria+jornalistica+americana+fala+sobre+o+futuro+dos+impressos+diante+do
+digital 
TEMA 2 – PRODUÇÃO DE TEXTO PARA RÁDIO 
Aqui é tudo bem conversadinho! Sim! Estamos falando das notícias que 
veiculamos no rádio. E, se você for bem rápido e estiver se informando sempre 
por diferentes meios, verá que o texto escrito, quando lido, é bem diferente do 
que normalmente é falado. Por isso, neste tema, vamos entender um pouco dos 
meandros do trabalho no rádio. 
Eduardo Meditsch aponta que o rádio, no decorrer da história, ocupou 
uma posição “subalterna” quando se tratava de vê-lo como meio de 
 
 
10 
comunicação. Ele comprova isso pela escassez de bibliografia relacionada ao 
estudo do rádio. 
Assim como o jornalismo foi considerado até por volta da década de 
60 como um gênero literário, o surgimento do rádio foi saudado como 
o de uma “oitava arte”. Em consequência, a preocupação estética foi 
dominante nos primeiros estudos do meio. (MEDITSCH, 2001, p. 45). 
Depois disso, vieram estudossobre o papel político, sociológicos e, ainda, 
semióticos e de informação do rádio. Aqui, vamos nos ater ao texto do meio, mas 
é importante uma contextualização. O que precisamos perceber dessa 
caminhada do rádio no mundo é que ele traduz o escrito para uma oralidade 
cotidiana. Esse movimento em direção à cultura oral provoca produções e 
acessos de públicos específicos que, no retorno, influenciam essa produção 
radiofônica. Meditsch explica que, em países semiperiféricos como o Brasil, 
parcelas significativas da população têm passado da pré-modernidade 
à pós-modernidade sem que tenha transitado pela Modernidade tal 
como foi vivida nos centros hegemônicos europeus ou anglo-saxões. 
Milhares de camponeses analfabetos, que há uma década não 
conheciam a eletricidade, hoje consomem rádio, TV e vídeo-filmes e 
inscrevem seus filhos em cursos de computação. (2001, p. 68). 
Vamos refletir um pouco sobre o que foi dito: camponeses analfabetos 
estão consumindo rádio e TV. O que quero que você reflita é que a linguagem 
do rádio, que é estritamente oral, chega a parcelas da população que não 
estudaram, isto é, que não tiveram o acesso ao conteúdo escrito de jornais, 
revistas e livros. Logo, boa parte dessa população não conhece as estruturas 
que utilizamos no texto escrito, mas conhece – e muito bem, porque usam 
diariamente – a oralidade. 
Então, aqui, deparamo-nos com uma lógica que deu ao rádio o título de 
meio de comunicação mais democrático que existe – e isso se mantém até hoje. 
Isso acontece por dois motivos essenciais: a linguagem oral e o acesso. 
Como vimos, o rádio “fala” com o ouvinte – isso significa que, a menos 
que a pessoa tenha problemas auditivos, o rádio tem condições de informar 
integrantes de todos os níveis econômicos, sociais e do conhecimento. Não 
 
 
11 
importa se você é agricultor ou gerente de uma multinacional, todos podem ser 
atingidos pelo conteúdo do rádio. 
Outra vantagem que sempre fez o rádio ser muito democrático é o preço 
dos aparelhos e o alcance das ondas do espectro eletromagnético. Você já deve 
ter visto muitas pessoas indo a jogos de futebol com o radinho de pilha. Mas há, 
também, o agricultor que se embrenha no meio do mato com um pequeno rádio. 
Ele foi o início da portabilidade das informações. Muito barato, todo mundo 
sempre teve pelo menos um rádio em casa. 
Outra vantagem que sempre colocou o rádio em uma posição de 
preferência de um grande número de ouvintes é que ele inaugurou a 
interatividade entre a audiência e o produtor da mensagem. Não foram poucas 
as pessoas que acabaram trocando informações, ou ainda pedindo ajuda por 
meio deste. Era tudo muito simples: você ligava na redação e podia entrar no ar 
naquele mesmo instante, partilhando sua descoberta e informando os outros, ou 
fazendo a sua pergunta ser jogada nas ondas do ar. 
Por fim, outra vantagem que faz com que o rádio seja uma grande 
preferência – e isso se mantém até hoje – é a simultaneidade do seu uso. Você 
tem condições de dirigir ouvindo rádio, trabalhar ouvindo rádio, caminhar ouvindo 
rádio, limpar a casa ouvindo rádio e assim vai. Nenhum outro meio de 
comunicação oferece essa possibilidade (se você estiver pensando em internet, 
digo-lhe que são também rádios, as rádios-web que você ouve conectado). 
Pois bem, é pensando em todas essas maravilhas do rádio que gostaria 
de apresentar o texto de rádio. A competência na redação desse tipo de texto 
deve levar em conta tudo isso que acabei de contar. 
O texto de rádio não pode ser um texto lido de outro meio impresso. 
Apesar de ter existido o tal do gilete-press (em que as notícias eram recortadas 
do jornal com uma gilete e lidas no rádio) e, mais recentemente, o tal do “Ctrl-c, 
Ctrl-v” específico da era do computador, o texto do rádio deve ser feito como se 
fala (JUNG, 2004, p. 117). Além disso, deve-se levar em conta a nossa sofrível 
memória auditiva – já está comprovado que o que ouvimos é, em geral, do que 
primeiro esquecemos. Dessa forma, uma das dicas no texto de rádio é a 
repetição. 
 
 
12 
Importante! É importante ambientar o ouvinte que acabou de ligar o rádio 
sobre o que está acontecendo e lembrar aquele que estava ouvindo sobre o que 
é o programa. 
Assim, um dos modelos comuns é a programação ser dividida em blocos, 
e cada saída ou entrada de bloco se relembra o que está sendo veiculado. Algo 
como: 
...voltamos agora para o terceiro bloco do programa / Agora é que são 
elas/. 
 A entrevista de hoje é com a médica nutricionista, Aliana Almeida, da 
clínica de Nutrição Juan Sousa. 
Aliana contava em nosso último bloco sobre o uso de farinhas integrais 
nas refeições e agora o ouvinte José Francisco enviou outra pergunta... 
Outra percepção que se deve ter no texto do rádio é que ele faz uso de 
algo que o escrito nunca terá: a entonação. Dependendo da forma com uma 
notícia é falada, há infinitas possibilidades tanto de pausas quanto de entonação. 
E aí entra a competência do locutor. 
Mas afinal qual é a estrutura de uma notícia do rádio? 
Em geral, a notícia do rádio possui uma informação introdutória, que 
chamamos de “cabeça”, para ser lida pelo locutor no estúdio, que chama o 
repórter que fez a matéria. Ele ou ela, em geral não está no estúdio, e o restante 
do texto é gravado e editado antes do radiojornal começar. Nesse relato do 
repórter, pode ser colocada a sonora também, que seria entrevista feita com a 
fonte. Por escrito, o roteiro de uma minimatéria ficaria mais ou menos assim: 
PROGRAMA: AGORA É QUE SÃO ELAS 
LOCUTORAS: Adelia Silva e Emengarda Ruiz 
Dia/Hora: terças, das 14h às 15h 
 
 
 
 
13 
Loc 1 Na última quinta, várias caixas de cerveja 
foram encontradas do lado de fora do convento 
São Matias. 
Som 
BG 
Loc 2 A repórter Joana Rocha traz mais 
informações. 
Som 
BG 
Repórter Um carregamento de 230 garrafas de 
cervejas foi deixado do lado de fora dos muros do 
Convento São Matias na última quinta-feira. As 
freiras só foram notar que havia algo diferente no 
último domingo depois de um retiro. Segundo o 
porteiro do convento, Joacir Reis, um caminhão 
derrapou na estrada que liga Chopin a Santa Cruz 
e acabou capotando. As garrafas de cerveja que 
não quebraram no acidente foram trazidas para 
perto do convento. 
 
Sonora com 
o porteiro 
Quando tem acidente, é sempre assim. Os 
caras que roubam os carregamentos trazem 
caminhando da estrada até aqui para virem de 
noite buscar o que roubam. O problema é que, 
dessa vez, um deles disse que teve uma visão de 
Jesus, que mandou ele devolver tudo. E daí eles 
acabaram deixando tudo aí. 
 
Repórter A madre superiora falou que vai rifar o 
carregamento para arrecadar dinheiro para as 
obras sociais do convento. Joana Rocha para 
“Agora é que são elas”. 
Som 
BG 
Comentarista Até Jesus agora decide quem vai beber as 
cervejas. Ou, em uma visão ainda melhor, a moral 
tem voltado ao costume desse povo tão 
acostumado à corrupção, ao roubo. Pelo menos o 
sentimento de culpa aparece. 
 
 
É claro que o exemplo colocado aqui é fictício, mas serve para mostrar 
como se organiza a informação no rádio. Precisamos lembrar que há um 
operador na mesa de som, que coloca o som de background (BG ou de fundo, 
 
 
14 
em português) quando é necessário, e cada um no estúdio sabe quando entra a 
fala de cada um. 
O texto está ali para mostrar como fica a cabeça lida no estúdio, o lide 
feito pelo próprio repórter e a sonora, que nada mais é do que a fala do ou dos 
entrevistados pela repórter. Em geral, esse “pacote temático” vem pronto e no 
roteiro do estúdio, só há as falas realmentede quem está ali, apresentando o 
jornal. No roteiro, cada matéria só é apontada pelo tempo total que ela ocupa. 
Algo como: 
PROGRAMA: Manhã informativa 
LOCUTOR: Ronaldo Aleixo 
Segunda, 04/02, 6h 
Ronaldo Três tipos de vacinas serão 
testados no Distrito Federal na 
próxima semana. A repórter 
Fabiana Nunes tem mais 
informações. 
Som BG 
Tape 1´05´... e daí fica melhor para todo 
mundo. 
 
Ronaldo Esperamos mesmo que as vacinas 
consigam resolver o problema 
desses novos vírus. 
Som BG 
 
Falando especificamente do texto de rádio, como fazê-lo? Bem, a dica 
macro é: fale. Mas fale de maneira séria, para dar credibilidade. Outra vantagem 
fascinante do rádio é que o uso da entonação pode resolver muita coisa. Mas o 
ideal mesmo é a respiração e as pausas. Nada que uma boa prática de leitura 
em alto e bom som não resolva. 
Como escrever para ser falado? 
Pois bem, há algumas dicas que farão tudo ficar mais fácil: 
 
 
15 
 encurte as frases. Sim, encurte ainda mais. Lembre-se da tal 
memória auditiva bem falha que temos e vá fechando as orações com 
pontuação. Se precisar, vá dividindo os conteúdos; 
 escreva em caixa alta. Lembre-se de que, quando se está lendo, é 
importante ter total domínio do material e, às vezes, maiúsculas e 
minúsculas podem confundir. Ponha tudo em alta e resolva isso; 
 use barras para quebrar o ritmo, ajudar na entonação e nas 
paradas, que nem sempre estão com vírgula; 
 numerais sempre devem ser por extenso. Mesmo que sejam vinte 
e cinco milhões, quatrocentos e noventa e dois mil e trinta e oito centavos. 
Bem assim, tudo por extenso para não dar confusão; 
 palavras estrangeiras devem ser facilitadas, com as entonações 
grafadas da maneira correta. Por essa razão, Kennedy vai virar KÊNEDI 
ou merci beacoup vai virar MERCÍ BOCÚ. Mas há quem deixa do jeito que 
é – quando tem tempo para dar uma ensaiada antes, o que não é comum; 
 siglas, em geral, são sempre faladas por extenso. 
 
 
 
 
 
Há muito para se falar sobre o texto do rádio, mas o mais importante é 
você entender que ele deve falar com o ouvinte e ser lembrado. 
Dê uma olhada neste exemplo de roteiro de um programa de rádio 
utilizado na área educativa. 
http://radioeduc.zip.net/ 
Os livros técnicos sobre o rádio podem, ainda, ser mais escassos, mas há 
muitos filmes que tratam da atividade. Aqui vão algumas indicações: 
O MINISTRO DAS MINAS E ENERGIA / RESOLVEU APLICAR OS FUNDOS DO IMPOSTO DE 
RENDA DOS EMPREGADOS QUE POSSUEM DEDICAÇÃO EXCLUSIVA / EM UMA 
PREVIDÊNCIA PRIVADA. SEGUNDO O PORTA-VOZ DO PALÁCIO DO PLANALTO /O GOVERNO 
NÃO GOSTOU DA IDEIA. /JÁ A SECRETARIA DA ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS 
MANDOU OFÍCIO COMUNICANDO QUE APROVA O PROJETO DO MINISTRO. 
 
 
16 
 “Bom dia Vietnã” (um DJ é mandado para animar as tropas que estão 
na Guerra do Vietnã) 
 “A era do rádio” (ambientado nos anos 1940, quando o rádio reinava 
como novidade) 
 “Uma onda no ar” (conta a história de uma rádio comunitária lançada 
em Belo Horizonte) 
 “Os piratas do Rock” (sátira sobre o surgimento das rádios-pirata nos 
anos 1960 na Inglaterra) 
TEMA 3 – PRODUÇÃO DE TEXTO PARA TV 
Chegamos, agora, para falar da famosa caixa mágica. Assim que a TV foi 
criada e rapidamente se popularizou, muita gente começou a refletir sobre o 
papel dela nas residências. Era como se as pessoas tivessem construído um 
“altar” para aquela caixa que trazia o mundo todo para dentro de casa. Era pai e 
mãe disputando pelos programas e muita gente ouvindo “shhhhh” na hora do 
jornal. Desde então, a TV tem exercido um fascínio em muita gente. 
Mas de onde vem esse fascínio? 
Oras, a TV é o veículo que começou a entregar tudo pronto, tudo 
planejado e mastigado de um jeito que era só desfrutar. Não era necessário mais 
ler. Não era necessário mais imaginar a partir do som o que estava acontecendo. 
E, o mais importante: depois de ter a caixa, era só apertar um botão e todo esse 
conteúdo estava no conforto de casa. 
Com um alcance impressionante – hoje mais de 95% dos lares brasileiros 
possuem algum tipo de TV – quem trabalhava e, ainda, hoje, trabalha em TV tem 
sua imagem espalhada aos quatro ventos, um reconhecimento massivo 
instantâneo. 
Lembro de uma vez, quando auxiliava na construção de um curso de 
Jornalismo, que selecionei uma professora para as disciplinas de televisão. Ela 
apresentava o jornal do meio-dia no Estado. Enquanto a treinava em uma sala 
na universidade, todo mundo que passava a cumprimentava, como se ela 
 
 
17 
conhecesse todo mundo. Ela não conhecia esse pessoal, mas eles a conheciam. 
Afinal, como uma das zeladoras verbalizou, aquela professora estava todos os 
dias na casa da zeladora quando ela assistia ao jornal. 
Assim, a televisão “aproxima” e dá a cara, o rosto para as pessoas que 
normalmente falam com o público todos os dias. Por conta disso, a televisão 
exige algo que nenhuma outra mídia pede: alto cuidado com a estética. Porque 
ali as coisas não são só contadas, elas são mostradas, escancaradas. E vem 
daí outra “mágica” da televisão: por apresentar imagens de tudo, ela traz a prova 
real de que tudo aquilo que está sendo relatado realmente está acontecendo. As 
pessoas só não sabem que muito do que é coletado pode ser editado, 
construindo-se um roteiro de sequência de imagens que pode ser bem diferente 
do fato em si. Enfim, o texto de televisão é, na verdade, escrever com imagens. 
Outro fato que faz, mesmo com o advento da internet, as pessoas se 
identificarem com a televisão é o relato ao vivo. Na programação que está sendo 
veiculada ao vivo, a mágica fornecida é que a pessoa que está sentada na sua 
sala está efetivamente inserida e testemunhando o que está acontecendo na 
mesma hora, muitas vezes a milhares de quilômetros dali. Guerras, copas de 
futebol e outros grandes eventos mundiais contam com esse tratamento porque 
as pessoas querem “ver” o que está acontecendo, querem acompanhar. Um 
exemplo foi a cobertura realizada na retirada dos mineiros soterrados em um 
acidente no Chile, em 2010. Veja no site a seguir: 
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2010/10/cobertura-completa-o-
resgate-dos-33-mineiros-no-chile.html 
Mas você deve estar se perguntando: Como o repórter consegue criar os 
textos e ir falando ao mesmo tempo? Como são feitos os textos de televisão? 
Bem, antes de mais nada, é importante que saibamos: a televisão precisa de 
planejamento para acontecer e de uma estrutura, muitas vezes, complexa para 
garantir a qualidade estética, o que inclui iluminação, foco, cuidado com o fundo 
(quem nunca viu aquele pessoal atrás do repórter dando tchau?), com o tempo, 
vento no microfone e no cabelo da pessoa que está aparecendo. 
 
 
18 
No entanto, o mais importante a se saber sobre a produção de notícias 
para a televisão é que não vai dar tempo de contar tudo. Não tem jeito, os VTs, 
ou vídeo-tapes em geral são de, no máximo, um minuto e meio. 
Agora imagina você resumir um evento de um dia inteiro em um minuto? 
Incluir um pedaço da entrevista que você fez com uma ou duas pessoas e dar 
uma noção geral para os telespectadores sobre o que foi esse evento? Pois bem, 
como já deve estar imaginando, você vai escolher. Vai escolher um 
enquadramento (framing, lembra?) e as principais informações que você deve 
relatar. Por essa razão, muita gente diz que o telejornal é necessariamente 
superficial. Não há tempo para contar tudo que aconteceu, não há tempo para 
deslocar uma equipe (que, na verdade, reúne o câmera, o repórter, dois 
auxiliares e o motorista, no mínimo) para se deslocar para um local e planejar 
algo que deve entrar no ar daquia alguns minutos. Sim, é caro fazer TV, é 
trabalhoso e é muito dinâmico, tudo acontece muito rápido mesmo. 
Enfim, então como deve ser o texto de televisão? Como um repórter 
faz uma entrada ao vivo sem ter planejado o texto? 
Há sempre um forte planejamento mesmo em entradas ao vivo e, junto 
com esse plano, muitas regrinhas seguem o texto televisivo. Mas não regras que 
impediriam um estilo livre, ou ainda o uso da criatividade. Aliás, é dominando o 
texto de TV que é possível criar dentro dele. 
Os jornalistas Alexandre Carvalho, Thiago Bruniera, Sergio Utsch e Fabio 
Diamante apontam os conselhos básicos: usar o texto na ordem direta (sujeito, 
verbo e predicado); ler alto para ver se o texto criado fica bem quando falado (se 
não há cacofonias, se há sonoridade, se não há rimas que ficam esquisitas); 
simplifique sempre, torne o entendimento uma coisa tranquila. 
Os autores ainda dão exemplo de simplificação para o telespectador: em 
vez de usar 61% das pessoas, diga 6 em cada 10 pacientes. 
Já Bistane e Bacellar dizem para cuidar com as palavras “metidas a 
besta”: 
Em televisão não se deve usar palavras ‘metidas a besta’. Estas devem 
ser substituídas por termos que empregamos no dia a dia, para 
 
 
19 
conversar com os amigos, com o zelador do prédio, com o professor. 
Palavras que soam naturais; nem de difícil compreensão, nem 
pomposas demais. Ninguém diz para a namorada: ‘hoje eu presenciei 
uma colisão entre dois veículos’; a gente diz que viu um acidente. É 
assim que devemos falar com os telespectadores, de maneira 
coloquial, direta, com frases curtas para facilitar o entendimento. Um 
texto de jornal pode ser relido, o de televisão, não. A comunicação deve 
ser instantânea. (BISTANE, BACELLAR, 2005, p. 15). 
Assim como falamos no texto de rádio, evite os chavões usados em quase 
todas as matérias: ”o bom velhinho”, “a festa não tem hora para acabar”, “um 
desafio e tanto”, “resgate dramático”. 
Uma diferença grande do texto de televisão para o de rádio é que este 
último, além de contar com a repetição, precisa descrever os acontecidos, as 
cenas. Já o texto de televisão deve ser feito para acompanhar um carregamento 
de informações em forma de imagens. A imagem na TV já diz muita coisa, por 
essa razão não se repete informação. Estamos aqui contando também com a 
memória visual do telespectador. E a imagem carrega em si muitas informações. 
Imagine que uma reportagem está mostrando vários takes de cidades alagadas, 
depois de uma grande chuva. 
 O repórter não vai colocar no texto que as cidades foram alagadas. Ele 
vai dar a noção do quanto foram alagadas. Então dirá que o rio subiu 4 metros, 
que atingiu os tetos de algumas casas, que mais de 500 famílias tiveram que se 
alojar em ginásios de esporte, que os bombeiros usaram barcos para buscar as 
pessoas isoladas. Se tiver a imagem de alguém se segurando em uma árvore 
para não ser levado por uma correnteza, é possível que ele acabe ajudando na 
descrição porque as imagens em situações como essa podem ser confusas. É 
como se o repórter estivesse sentado do nosso lado, apontando para a TV a 
ação que ali estava acontecendo. 
Você deve estar se perguntando: E, nesse caso, como o jornalista faz 
para ser invisível no texto, já que todo mundo o está assistindo? 
Bem, se você perceber, o texto na televisão também é muito objetivo. O 
texto deve continuar contando a história, mas conjugado com as informações de 
imagens que se tiver. 
 
 
20 
Então veja, é importante computar as informações vindas de imagens e 
as que devem ser dadas no texto, para combinar a cobertura de ambas. Nessa 
situação, o jornalista vai funcionar como testemunha dos acontecimentos e os 
telespectadores verão que ele está no meio do fato e que poderá contá-lo com 
credibilidade. 
Se você notar, o texto de televisão é acompanhado, muitas vezes, de 
adjetivos. Nessa situação especificamente a imagem atesta o que o repórter está 
dizendo e, por isso, o adjetivo não se coloca como uma forma de convencimento 
do público. Simplesmente reforça o que está sendo já visto. Vou dar um exemplo: 
imagine que o repórter está cobrindo o carnaval de Salvador. Ele está em meio 
a um bloco de pessoas que está pulando e festejando. A câmera focaliza os 
foliões atrás do repórter que fala: “o pessoal aqui está bastante animado mesmo 
depois de 4 horas de festa”. 
O “animado” pode ser checado pelo telespectador somente olhando atrás 
do repórter. Já a quantidade de horas é a informação que está sendo passada, 
adicional. Mas há algo ainda a se dizer em relação ao repórter e à sua 
“invisibilidade”. 
Há um limiar muito tênue entre um repórter que está presenciando uma 
certa experiência e uma pessoa que está atuando. É muito importante manter 
em mente um mantra sempre muito útil para a reportagem de TV: o fato é o 
destaque. O repórter vai ser sempre coadjuvante. Por essa razão, o repórter só 
faz a passagem1 quando não houver imagens para cobrir o que ele vai dizer ou 
ainda para mostrar ao telespectador que ele estava no local e poderá falar sobre 
ele, a tal da questão da credibilidade. 
No mais, o interessante e indicado é deixar tanto as imagens falarem 
enquanto se traz mais informações com o off2 ou ainda com os entrevistados, 
por meio da sonora3. 
 
1 Momento da matéria jornalística de televisão em que o repórter aparece em frente a 
câmera para contar parte do fato. 
2 Fala do repórter sem que esse apareça. Somente as imagens relativas ao que ele está 
dizendo aparecem. 
3 Fala do entrevistado. O vocábulo é usado para rádio e para TV. 
 
 
21 
Pois bem, você já deve ter notado que concisão é a dica primordial para 
esse veículo. Então o texto precisa ser simples, falado e conciso. Mas o que é 
fascinante na televisão é que há uma infinidade de formas de se organizar a 
informação que precisa ser dada. Você tem condições de falar, mostrar, 
organizar infográficos e inverter a ordem de tudo isso sempre que quiser. 
Daí conclui-se que, enquanto a notícia impressa tem uma forma que 
se desenvolveu ao longo do tempo e reflete determinado tipo de 
organização da sociedade, a notícia em televisão é algo ainda em 
processo e sujeita a variações estilísticas. Nela se articulam estruturas 
de difícil compatibilidade, como a exposição por ordem decrescente de 
importância, a narração em sequências temporais e a interpretação 
conceitual que fecha o discurso, eventualmente suprimindo a 
estimulante ambiguidade da imagem. (LAGE, 2006, p. 48). 
Por fim, como fica o script na TV? Muito parecido com o que é usado no 
rádio, só contando que as falas dos apresentadores estão sempre em caixa alta, 
tamanho 14, porque o apresentador de TV precisa olhar para a câmera. Logo, 
ele tem que bater o olho no script e já saber o que vem depois sem precisar 
perder o contato com a câmera. 
Observação! É claro que você deve saber que os estúdios em geral já 
possuem o teleprompter, aquela tela que vai na frente da câmera e “passa” o 
texto para o apresentador. Mas é possível que aquele texto trave e que haja 
algum problema técnico. Ter o script à mão é sempre bom, porque seguro 
morreu de velho (eu posso usar chavões, porque não estou na TV, o.k.?) 
Dê uma olhada nessa reportagem do Ernesto Paglia sobre o trem azul da 
África do Sul e eu te desafio, como exercício, a transcrevê-la. Você terá o 
exemplo de um texto de reportagem para TV de alguém já experiente: 
https://www.youtube.com/watch?v=3y19BYpU_vM 
Confira aqui um resumão da entrada da TV no Brasil que explica o fascínio 
que existe até hoje. O texto é da professora Marialva Barbosa. 
http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/especial-tv-telemania-ha-60-anos 
 
 
22 
Veja aqui mais alguns jargões tanto para TV quanto para uso no rádio: 
http://osfilhosdapauta.tumblr.com/post/64952275830/jarg%C3%B5es-do-
r%C3%A1dio-e-televis%C3%A3o 
E veja também uma maneira de se explicar uma informação com gráficos 
que era usada em 1991. Hoje temos computação gráfica para nos ajudar. 
http://globotv.globo.com/rede-globo/memoria-globo/v/jornal-nacional-
ernesto-paglia-comenta-a-guerra-do-golfo-1991/2434408/ 
TEMA 4 – PRODUÇÃO DE TEXTO PARA REVISTA 
Chegamos ao veículo que existe desde que o jornal existe e que acabou 
resistindo também à entrada do rádio, da televisão e da internet (apesar de 
muitas terem migrado para o mundo virtual também). Marília Scalzo diria que: 
Uma revista é um veículo de comunicação, um produto, um negócio, 
uma marca, um objeto, um conjunto de serviços, uma mistura de 
jornalismo e entretenimento. Nenhuma dessas definições está errada, 
mas também nenhuma delas abrange completamente o universo que 
envolve uma revista e seus leitores. A propósito, o editor espanhol, 
Juan Caño define ‘revista’ como uma história de amor com o leitor. 
(SCALZO, 2011, p. 12). 
Você vai notar no meu texto aqui que sou suspeita para falar de revista. 
Mesmo sendo apaixonada por todas as formas e veículos de comunicação, acho 
que a revista tem lá seu “savoir faire” (em francês, quer dizer um charme, um 
tato, um jeito só dela) que a torna o meu preferido, se eu tiver que escolher, é 
claro. 
Uma das primeiras sacadas que se deve ter com o meio revista é que ele 
não é instantâneo. Ele foi criado para não ser instantâneo, rápido, dinâmico. 
Mas, você deve estar se perguntando: se não é aqui e agora, o que a revista tem 
de tão interessante que a faz sobreviver como veículo de informação por tanto 
tempo? 
Aqui, um link sobre a história da revista: 
http://www.revistas.com.br/historia-da-revista.html 
 
 
23 
A gente poderia dizer que é a profundidade com que os temas são 
tratados. Scalzo traz uma explicação ainda mais detalhada, convidando o 
escritor colombiano Gabriel Garcia Marques, que afirma que “a melhor notícia 
não é a que se dá primeiro, mas a que se dá melhor.” 
Hoje, até os meios eletrônicos começam a prestar maior atenção nisso. 
Enquanto editores de sites e portais da Internet disputam segundos, e, 
na pressa, correm o risco de veicular notícias imprecisas ou mesmo 
erradas, os consumidores parecem cada vez mais interessados na 
informação correta e não no ineditismo. Em uma pesquisa realizada 
nos Estados Unidos, no final de 2001, pela Online News Association, 
os internautas deixaram a novidade – ou a ‘quentura’ – da notícia em 
quinto lugar, atrás de exatidão, completude, honestidade e fontes 
confiáveis, em uma lista composta de onze características 
relacionadas à credibilidade da informação. (SCALZO, 2011, p. 13). 
Os autores que falam sobre o veículo revista ressaltam que ele continua 
o queridinho da galera pela paixão pelo papel que muita gente ainda tem. Uma 
notícia pode ser conhecida na TV ou no rádio, mas é no jornal e nas revistas, 
principalmente, que se buscam os detalhes. Mas há também o refinamento 
estético: revistas são bonitas. Dá dó de jogar fora. E tenho prova disso. 
Um dia fui fazer uma matéria no museu da reciclagem que existe na região 
metropolitana de Curitiba. Saiba mais no site a seguir: 
http://www.parana-
online.com.br/editoria/cidades/news/672085/?noticia=MUSEU+TEM+ACERVO
+COM+PECAS+ENCONTRADAS+NO+LIXO 
E aqui também: 
http://www.curitiba.pr.gov.br/noticias/lixo-vira-peca-de-museu-e-acervo-
de-biblioteca/17274 
O museu é todo feito com coisas que foram jogadas no lixo de alguma 
forma – fotos, álbuns, máquinas, telefones, livros –, mas a coordenadora do 
museu na época me disse uma coisa muito interessante: “não se vê muita revista 
por aqui. É mais livro. As pessoas têm pena de jogar revista fora...” 
 
 
24 
Pois bem, a revista está no meio do livro e do jornal, mas possui um 
refinamento estético e fotográfico que nenhum outro veículo possui. Além disso, 
há uma liberdade de informar e também de entreter. Assim, quebrando um pouco 
os padrões da informação estrita a revista também analisa, investiga, interpreta 
e enriquece o conhecimento sobre um fato. Esse estilo de informação vai refletir 
no texto, que acaba sendo muito mais elaborado e criativo, fugindo dos padrões 
que já conversamos para os outros veículos. 
Outra grande diferença da revista é a grande segmentação. Tem revista 
para todos os tipos de tribos, gostos e públicos. E aí ocorre outro fato: as revistas 
falam diretamente ao seu público. Nem sempre os assuntos dos quais tratam, 
principalmente as mensais, são assuntos factuais, os tais “quentes”. Em geral, 
as pautas trabalhadas pelas revistas temáticas são “frias”, isto é, se forem 
colocadas hoje ou amanhã não vai fazer diferença, não vão ficar velhas. Logo o 
texto não é curto e bem objetivo como deve ser o de jornal, rádio ou TV. O texto 
de revista acaba sendo mais costurado, como já falamos. 
Por terem uma periodicidade mais longa, mais distante, as revistas trazem 
também assuntos e textos que acabam durando mais, que se tornam, muitas 
vezes, referência para pesquisa (herança do livro). 
Em geral, as revistas temáticas, direcionadas a públicos específicos como 
mulheres, homens, saúde, de moda, de carro, de moto, de pesca, de cabelo, de 
maquiagem, de madeira, de artesanato, de viagens etc. são mensais. As que se 
autonomeiam de variedades e econômicas e políticas possuem a periodicidade 
semanal. Não ouvi ainda falar de revistas diárias. Talvez, exatamente, porque 
isso trairia toda essa diferenciação do veículo em relação aos outros. Por isso, 
continuando a falar de texto para revista, a primeira coisa que não se pode usar 
em uma reportagem aqui é o “ontem” ou ainda, “amanhã”, “depois de amanhã”, 
na próxima terça-feira (se a revista for mensal). As datas precisam ser colocadas, 
inclusive com o mês. Assim o leitor não se perde. 
No geral, a revista tem os tipos textuais que o jornal impresso traz, como 
o perfil, o artigo, o editorial e a reportagem. Mas a revista é obrigada a trazer 
novas versões, mais entrevistados, mais histórias, mais fontes, e junto disso 
tudo, imagens, infográficos, desenhos para explicar a história ou o fenômeno. 
 
 
25 
A redação de uma revista não tem tanto problema com o tempo, que fica 
martelando sempre em quem trabalha nos outros veículos. Aqui é a elaboração 
e o refinamento que pesam. O detalhe checado várias vezes. Não se perdoa fácil 
um erro em revista, porque vai demorar, entre uma semana e um mês, para se 
publicar uma errata. 
A revista tem um tempo de vida mais longo, é colecionada, está nas salas 
de espera de consultórios, enfim, é vista e lida por, em média, 6 pessoas. Com 
esse tempo, é possível dar mais detalhes, mais informações, mais personagens, 
mais entrevistas e, até, ignorar o lide e a impessoalidade e começar a matéria 
de maneira cronológica em primeira pessoa. Veja o exemplo: 
 
Fonte: http://www.agriculturasustentavel.org.br/noticias?dt=02 
Por ser altamente segmentada a revista usa a linguagem e os vocábulos 
de cada tribo para a qual é produzida. É possível identificar desde linguagem 
técnica, gírias, e um texto mais solto, daquele que fala com o público, como nas 
revistas para adolescentes e jovens: 
Dicas para parar de roer unhas 
Quem tem o hábito de roer as unhas sabe o quanto é chato estar com as unhas sempre curtinhas 
e sem esmalte enquanto as unhas das suas BFFs estão sempre impecáveis! Mas basta um 
 
 
26 
pouquinho de paciência e força de vontade que você consegue parar comesse hábito tão 
chato… 
Para entender: por que eu roo as unhas? 
Roer as unhas pode estar relacionado a algum problema emocional, como angústia e ansiedade. 
“Normalmente quem roe as unhas é motivado por um comprometimento emocional ou mesmo 
pela fase do desenvolvimento”, explica a psicóloga Silvana Martani. 
Parar de roer as unhas: 
Como o hábito tem fundo psicológico, o problema deverá ser resolvido de duas maneiras: 
primeiro cuidando do emocional e depois cuidando das unhas. 
1) Emocional: 
Reflita sobre o que te levou a essa situação. “O importante é perceber em quais situações esse 
comportamento é detonado e tentar refletir sobre o que está incomodando. Daí para frente, pode 
ser possível acabar com essa mania”. 
Cada vez que sentir vontade de roer as unhas, tente passar essa vontade para outra coisa. 
Exemplo: masque um chiclete. 
2) Unhas: 
Use esmaltes específicos para parar de roer as unhas (sim, eles existem). “O ideal para quem 
deseja parar de roer as unhas é usar um esmalte específico para isso, cujo gosto costuma ser 
muito ruim. Assim quando a garota colocar a unha na boca, vai sentir um gosto amargo e vai 
querer parar na hora”, diz a manicure Renata Lorosa. 
Procure fazer as unhas semanalmente, assim, com as unhas bem-feitas, será mais difícil roê-
las. 
Invista nas unhas postiças! Toda vez que você for roer, será mais difícil e suas unhas verdadeiras 
vão crescer mais bonitas e mais fortes. 
(Disponível em: http://todateen.uol.com.br/toda-diva-unhas/dicas-parar-roer-unhas/). 
 
Ou ainda, mesmo em um veículo que se pretende sério, usar um texto 
com mais abertura para metáforas ou analogias. Confira a expressão “bufando 
como um cachorro louco no cangote...” em uma matéria que traz uma análise 
 
 
27 
sobre construção de reputação dos presidenciáveis estadunidenses na revista 
semanal. Veja, campeã de vendas no seu segmento: 
 
 
Essa “liberdade” textual acaba vindo da literatura também, tendo algumas 
revistas nascido com foco literário. Ainda hoje existem diversas que trazem 
textos de diversos escritores, focadas em crítica literária ou mesmo 
apresentando novos talentos da literatura. 
Há também uma característica do meio que envereda pela busca da 
estética perfeita na editoração. Em algumas revistas, fotos muitas vezes são 
mais importantes que textos, note pela National Geographics. Diria que esse 
veículo exige de você um foco grande na apuração dos dados e no relato 
cuidadoso, que nem sempre vai seguir fórmulas textuais. 
Leia o texto do professor Alexander Goulart que comenta, em 2006, a 
posição da revista nos dias atuais. E as coisas não mudaram muito desde então. 
http://observatoriodaimprensa.com.br/diretorio-academico/uma-lupa-
sobre-o-jornalismo-de-revista/ 
 
 
28 
Este link traz a história da revista no Brasil, mas também um perfil das 
mais importantes. Vale a pena dar uma boa olhada. 
http://www.revistas.com.br/ 
Aqui vai a sugestão de um artigo científico que analisa as revistas por 
diversos ângulos, bom para ir treinando o cérebro e entender um pouco mais 
sobre o veículo revista: 
 http://www.revistas.usp.br/Rumores/article/view/58942/64212 
TEMA 5 – PRODUÇÃO DE TEXTOS PARA WEB 
Chegamos ao veículo em que tudo converge. As linguagens convergem, 
as plataformas convergem, os tipos textuais vão convergir também. A internet 
chegou para reunir em somente um ambiente a fotografia, o texto escrito, o som, 
a animação, o infográfico e a imagem em movimento. É possível, na cobertura 
de um assunto específico que mereça atenção, o uso de todas as possibilidades 
informativas. 
E, neste ambiente, convivem ainda jornalismo factual, com muita opinião, 
com jornalismo de profundidade (similar ao da revista) e o mais interessante: 
sem problema de espaço físico para colocar as informações como acontece com 
a limitação dos impressos, sem limite de tempo no ar, como acontece com rádio 
e tv. Esse espaço é como coração de mãe (sim, clichê), sempre vai caber mais 
algum detalhe, mais uma foto, mais alguma entrevista. 
A internet ainda propõe ao leitor, ouvinte, telespectador uma possibilidade 
única: escolher o que quer consumir, que tipo de informação ou assunto receber, 
ler ou ouvir. O receptor não está mais à mercê das escolhas editoriais das 
equipes dos outros veículos. Ele navega, ele vai dali para cá, e ele é quem 
acessa o conteúdo que pretende consumir. 
A interatividade, então, encontra nesse meio algo que vai muito além das 
cartas dos leitores ou ainda da ligação telefônica do ouvinte ou da participação 
especial das pessoas no estúdio: todo mundo pode opinar, deixar seu recado, 
seu comentário. A interatividade proporcionada pelo meio faz celebridades, 
construídas principalmente pela televisão poderem ser lidas, vistas e ouvidas 
 
 
29 
além, de ler, ver e ouvir tanto opiniões favoráveis quanto impropérios por meio 
das redes sociais. Todo mundo ficou próximo, vizinho. A interatividade é utilizada 
na sua totalidade e instantaneidade. 
Por fim, hoje não se abre o jornal para se informar. Se abrem as redes 
sociais. Ali corre-se o risco de se ficar sabendo somente o que se quer saber, 
selecionando a partir das sugestões de “amigos” virtuais os conteúdos que se 
pretende consumir. A internet é a nova prensa de Gutenberg revolucionando a 
democratização dos conteúdos. Assista ao vídeo e também, leia sobre a 
revolução que ela causou. 
https://www.youtube.com/watch?v=eMz3gxU8FTg 
http://www2.uol.com.br/historiaviva/artigos/gutenberg_nao_inventou_a_i
mprensa.html 
Há quem diga que todo mundo virou jornalista agora porque pode produzir 
um vídeo de um acidente presenciado, contar uma experiência no blog, relatar 
um fato, publicá-lo e espalhar para todo mundo. 
Mas, então, por que a internet ainda não substituiu todas as outras 
plataformas? 
Talvez porque ainda não consiga ter suas páginas dobradas e colocadas 
embaixo do braço em um ônibus ou trem. Ou porque ainda não haja acesso de 
qualidade para todo mundo, indefinidamente. A questão é que, mesmo sendo 
muito revolucionária essa chegada da internet, ela tem convivido com os outros 
meios da mesma forma que o jornal conviveu com o rádio, que conviveu com a 
TV e que conviveu com a revista. É claro que o advento da convergência e as 
possibilidades imensas que a internet propicia na troca de dados pode fazer as 
coisas irem mudando aos poucos. 
Mas e agora? Há jornalismo na internet? 
Precisamos lembrar que todos os veículos aqui citados vão ter seus web 
sites. Todos. As rádios possuem seus sites com informação e também com a 
versão web da sua programação para ser ouvida. As emissoras de TV possuem 
seus sites. Ainda não é possível assistir à TV de maneira livre pela internet, mas 
 
 
30 
isso, pelo andar da carruagem, é só uma questão de tempo. As revistas possuem 
também seus sites com conteúdos complementares aos que a versão impressa 
está trazendo e algumas já disponibilizam o conteúdo impresso, em formato de 
revista. E, por fim, os jornais impressos também possuem, conveniados com 
portais de notícias on-line seus sites. Bem, nesse cenário, a entrega do que é 
factual, do que acontece aqui e agora, acaba ficando à cargo dos veículos mais 
instantâneos, mas principalmente para os jornais. 
Isso significa que, com total certeza, há jornalismo on-line. Produtores de 
conteúdos para sites, para redes sociais, para marcas, estão entre as vagas mais 
oferecidas para quem sabe manejar bem esse meio. E quais são os segredos 
para trabalhar um texto na internet? Bem, para começo de conversa, você 
precisa saber que o texto vira hiper: hipertexto. 
Mas o que é um hipertexto? 
Umbloco de diferentes informações interconectadas é um hipertexto 
que, ao utilizar nós ou elos associativos (os chamados links) consegue 
moldar a rede hipertextual, permitindo que o leitor decida e avance sua 
leitura do modo que quiser, sem ser obrigado a seguir uma ordem 
linear. Na internet não nos comportamos como se estivéssemos lendo 
um livro, com começo, meio e fim. Saltamos de um lugar para o outro 
– seja na mesma página, seja em páginas diferentes, línguas distintas, 
países distantes etc. (FERRARI, 2010, p. 44) 
Pois bem, o desafio agora não é só escrever, é escrever utilizando-se de 
todas as linguagens, isto é, imagem, vídeo, texto e som. Isso acaba também 
mudando um pouco o papel do jornalista no momento de cobrir os fatos. 
Atualmente, ele não vai mais com uma equipe. Está sozinho, equipado com um 
notebook, uma câmera digital e um roteador wireless para enviar o material. Ele 
produz a informação em todas as linguagens e plataformas. 
O mercado de trabalho também muda. Hoje esse jornalista que está no 
fato, presencialmente está sendo pago por uma agência de notícias. Os veículos 
não possuem grandes equipes mais. São as agências de notícias que acabam 
enviando o material e o que os editores de on-line fazem é “empacotar” esse 
material, ou seja prepará-lo para o ambiente on-line. O trabalho não se resume 
em organizar o texto, o título, a chamada. 
 
 
31 
É preciso pensar na enquete (pesquisa de opinião com o leitor), no 
Twitter do veículo, na grade de conteúdo atualizada diariamente nos 
links do Facebook, nos vídeos publicados no Youtube e se possível 
saber contextualizar e elencar todos os assuntos e serviços correlatos 
à reportagem. (FERRARI, 2010, p. 46). 
O mundo das notícias on-line é absurdamente mais instantâneo do que o 
mundo de qualquer outra mídia, apesar do rádio ainda apresentar certa rapidez 
local. Hoje, além do aqui e agora, o usuário quer detalhes, quer matérias 
completas, quer mais depoimentos e rápido. Isso faz com que as redações on-
line sejam os ambientes mais enlouquecedores na atualidade. E tem mais: essa 
agitação não acontece até acabar a 2ª edição do jornal na televisão, ou ainda 
logo depois da impressão do jornal ou da revista ou ainda no fim do programa 
de rádio. 
É importante dizer o óbvio: a internet não fecha. Ela está ali sempre e 
acabou dando outro significado para a palavra furo. Agora não importa se são 
duas horas da manhã ou oito horas. Alguém deve estar cobrindo, checando e 
redigindo para postar o mais rápido possível. É muito comum o jornalista 
multimídia (esse que sai para fazer tudo) digitar a matéria no notebook dentro do 
carro. Mas isso traz uma grande desvantagem: é gritante o número de veículos 
que cometem erros grosseiros na internet. Desde digitação pura e simples até 
textos mal-construídos mesmo. 
 Há, ainda, os que buscam textos em outros sites, mudam um pouco aqui 
e um pouco acolá e pronto, acham que estão ofertando informação fresquinha 
para seu público. Sem checar se é verdade. 
Nessa brincadeira já houve muita barriga4 acontecendo. E é uma 
vergonha para a profissão quando elas acontecem e são copiadas “ade eternum” 
por todos os outros veículos. A pressão por serem rápidos acaba fazendo com 
que o texto saia entortado, quando não errado. Olha o que a jornalista Rosália 
do Vale, conta: 
Certo dia, Gustavo Kuerten jogava partida decisiva do campeonato 
Master Series e grande parte da Internet estava cobrindo o jogo online. 
 
4 Barriga é o furo de reportagem falso, errado. Lembre-se de que vimos, no início da 
nossa disciplina, que a primeira coisa que uma notícia deve ser é verdadeira. 
 
 
32 
Guga estava perdendo e na ansiedade de dar a notícia primeiro, muitos 
jornalistas redigiam dois finais para o tenista. Num ele ganhava e 
logicamente, noutro ele perdia. Na época, eu estava acompanhando a 
final e confesso que fiz o mesmo. Felizmente, Guga reverteu o placar 
com sua genialidade e ganhou o campeonato. Daí, foi preciso somente 
colocar na rede o texto em que ele ganhava. Mas, um determinado 
portal, reconhecido pelo seu tamanho e qualidade, enviou o texto em 
que Kuerten perdia. Um apertar de teclas equivocado e o gigante 
balançou. Minutos depois, a notícia correta foi sobreposta. Agora, e o 
internauta que não atualizou a tela do seu computador? Até hoje acha 
que o Guga perdeu o jogo… (Disponível em: 
http://www.grito.com.br/jornalismo-online-a-distancia-entre-o-furo-e-a-
barriga/). 
É possível que você pense: sim, no online é fácil de corrigir porque 
atualiza-se a página e pronto. Tem muito veículo que pensa dessa forma e nem 
errata faz. O que é muito ruim, porque se o usuário acessa para saber de alguma 
notícia, vai confiar. E talvez não acesse de novo para ver a matéria corrigida. Ou 
pior, quando acessar de novo vai ver tudo mudado e não saber no que pode 
confiar. 
Há outra questão que acaba depondo contra os veículos que pensam ser 
muito fácil de ir corrigindo e ajustando os erros: o print screen. É impressionante 
a quantidade de usuários que tem consumido as notícias com um olhar bem 
crítico. A ponto de avaliar a busca pela imparcialidade, o jogo textual, construção 
de manchetes. São vários os print screens espalhados pelas redes sociais 
mostrando o que grandes veículos fazem quando possuem interesses por trás 
das matérias ou ainda um muito ruim refinamento e checagem de informação. 
Por isso, para fazer seu texto on-line: 
 cheque a informação. Não saia copiando ou editando dos outros 
veículos mesmo que a pressão por tempo seja enorme. 
 date as matérias. Uma das coisas mais complicadas é descobrir 
quando foi que algo aconteceu na net, e talvez por essa razão tenha tanta 
gente desenterrando notícias, artigos e falas do passado e outras pessoas 
considerando essas informações atuais. A questão temporal na net é 
muito importante porque ela tem tudo, o velho e o novo. 
 
 
33 
 use o lide, a pirâmide invertida, mas seja esperto em relação aos 
hiperlinks. Lembre-se de que tem muita informação em vídeos, fotos e 
boxes. 
 objetividade é importante. Alguns autores dizem que não se deve 
ultrapassar 20 linhas de texto. Por mais que as pessoas estejam passando 
muito tempo na frente dos computadores, tablets e smartphones ainda é 
bem desconfortável ler um texto muito grande na telinha. Há ainda a 
questão do carregamento das páginas, principalmente quando há muitas 
fotos. Assim, as notícias devem ser curtas, objetivas e se o leitor quiser 
mais detalhes ou outras informações sobre o fato, ele vai buscar nos links, 
que você também vai preparar de maneira objetiva. 
 veja que o conteúdo que está no portal não é o mesmo que está no 
Twitter ou no Facebook. Há formas de se editar de maneira que se 
complemente a notícia nos diferentes suportes. No mais, a prática vai 
ajudar. Acredite. 
Aqui vão dicas interessantes também sobre construção de textos para 
internet. Vale muito uma passada: 
http://www.usabilidoido.com.br/dicas_de_redacao_jornalistica_na_web.ht
ml 
Aqui vão sugestões de livros para serem pesquisados. 
http://tudibao.com.br/2012/04/livros-gratis-para-quem-quer-trabalhar-
com-redes-sociais-e-comunicacao.html 
Dê uma conferida no texto de opinião da Ombdsman da Folha de São 
Paulo sobre o filme “Spotlight” e sobre como ela entende que as reportagens 
estão sendo consumidas da mesma forma com o advento da internet, mas por 
outras vias, como Facebook e Google. 
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/veraguimaraesmartins/2016/01/172
7930-spotlight-e-a-lorota-da-noticia-gratis.shtml 
E aqui vai o link de um artigo sobre uma barrigano Zero Hora. Avalie a 
postura do veículo e da jornalista: 
 
 
34 
http://www.adnews.com.br/artigos/barriga-online 
TROCANDO IDEIAS 
Explique quais dos textos jornalísticos, de quais veículos, em sua opinião, 
são os mais efetivos na interpretação de fatos. Por quê? 
NA PRÁTICA 
Dê uma olhada na reportagem especial e premiada, publicada no site do 
jornal Estado de São Paulo e analise a construção textual com as referências de 
imagem, som e vídeo. Como foi feita a estrutura do conteúdo? Quais as 
referências que você consegue localizar que acabam vindo do impresso (jornal 
e revista), da televisão e do rádio? 
Por que pode-se dizer que a web promoveu a convergência das 
linguagens? 
http://infograficos.estadao.com.br/public/especiais/crack/ 
SÍNTESE 
Acabamos mais uma rota da nossa disciplina. Você tem muito conteúdo 
para estudar, mas, mais que isso, agora você está preparado para escrever. Use 
tudo o que aprendeu aqui e vá adaptando o texto jornalístico para as diferentes 
mídias. É um ótimo exercício! 
 
 
REFERÊNCIAS 
BACELLAR, L.; BISTANE, L. Jornalismo de TV. São Paulo: Contexto, 
2005. 
CARVALHO, A. et al. Reportagem na TV: como fazer, como produzir, 
como editar. São Paulo: Contexto, 2010. 
FERRARI, P. Jornalismo digital. São Paulo: Contexto, 2010. 
LAGE, N. Estrutura da Notícia. 6. ed. São Paulo: Ática, 2006. 
 
 
35 
JUNG, M. Jornalismo de rádio. Coleção Comunicação. São Paulo: 
Contexto, 2004. 
MEDITSCH, E. O rádio na era da informação – teoria e técnica do novo 
radiojornalismo. Florianópolis: Insular, UFSC, 2001. 
NOBLAT, R. A arte de fazer um jornal diário. 8. ed. São Paulo: Contexto, 
2010.

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