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Metalogenese. Depositos de Carvao

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Dalton Ricardo
 Mitoxe Osseias
Depósitos de Carvão em Moçambique
9º Grupo
Licenciatura em Geologia 
Universidade Pedagógica 
Beira 
2018
1.Introdução 
A geologia de Moçambique é constituída, de forma simplificada, por rochas cristalinas do Pré-Câmbrico, que ocupam cerca de dois terços do território e rochas sedimentares e vulcânicas do Fanerozóico (Carbonífero Superior-Recente). Este último conjunto inclui as formações sedimentares continentais do Supergrupo Karoo (SGK). Nas sucessões do Karoo está patente a transição progressiva de um período glacial para um período fluvio-deltaico e pantanoso, que posteriormente se torna árido antes de terem lugar as manifestações ígneas contemporâneas da fragmentação do Gondwana.
2. Definição do carvão mineral
Carvão pode ser definido, sucintamente, como uma rocha sedimentar combustível constituída de determinado vegetais, bem como tecidos lenhosos, celulose, esporos, resinas, ceras, algas, betumes, hidrocarbonetos, e outros, ou seja, de material heterogéneo que sofreu soterramento e compactação em bacias originalmente pouco profundas. 
2.1. Constituintes do carvão 
Maceral 
É a denominação aplicada aos constituintes orgânicos do carvão, reconhecíveis microscopicamente, sem forma cristalina característica e composição química constante. 
Os principais grupos de macerais são: 
 Vitrinite,
 Liptinite e 
 Inertinite
Grupo vitrinite 
São essencialmente constituintes lignocelulósicos como tecidos, geles e detritos que evoluíram por gelificação em condições essencialmente anaeróbicas (Sousa, 2013). 
É constituído por três fases evolutivas, nomeadamente:
 Tecidos (telovitrinite), 
 Geles (gelovitrinite) e 
 Detritos (detrovitrinite).
Sub-Grupo Telovitrinite
É um subgrupo pertencente ao grupo dos macerais da vitrinite, que compreende vitrinite com estruturas botânicas celulares preservadas que podem ser observadas ou não. Este subgrupo compreende os macerais como a telinite e a colotelinite, que se distinguem pelo diferente grau de gelificação geoquímica
Sub-Grupo Gelovitrinite
É o subgrupo do grupo da vitrinite que consiste em componentes gelificados que podem preencher espaços vazios. Fazem parte deste subgrupo a gelinite e a corpogelinite (ICCP, 1998, apud, Filipe Manharage, 2014).
Sub-Grupo Detrovitrinite
É o subgrupo dos macerais da vitrinite, correspondente a fragmentos de vitrinite que podem ocorrer de forma isolados ou de forma compacta. Fazem parte deste subgrupo a vitrodetrinite e a colodetrinite (ICCP, 1998, apud, Filipe Manharage, 2014).
Grupo da Inertinite 
É o grupo de maceral que compreende macerais cuja reflectância em carvões de grau médio e inferior e em rochas sedimentares correspondentes é maior quando comparada com os macerais dos grupos da vitrinite e da liptinite
Os macerais do grupo da inertinite são derivados de várias origens
 (a) De tecidos (de fungos ou plantas superiores) mostrando detalhes de várias fases da compactação ou fracturação; 
(b) Fragmentos de detritos finos;
 (c) Material amorfo gelificado de granulometria variada, gerado predominantemente durante o processo de incarbonização; e
 (d) Secreções celulares alteradas pelos processos redox e bioquímicos durante a turbificação.
Fazem parte deste grupo de macerais:
Semifusinite,
 Fusinite, 
Macrinite,
 Secretinite
 Funginite
 Micrinite
 Inertodetrinite
Grupo liptinite 
São essencialmente constituintes botânicos, como esporos, cutículas, resinas, algas, etc.. A incarbonização crescente dá origem ao desaparecimento, por evolução, de certos macerais como a suberinite e clorofilinite, só conhecidos nos carvões de grau inferior (Sousa et al., 2012). Fazem parte deste grupo: esporinite; cutinite; resinite, alginite; liptodetrinite, suberinite clorofilinite, betuminite, fluorinite e exudatinite
2.2 Microlitótipos 
Os microlitótipos são associações típicas de macerais resultantes, fundamentalmente, das condições ambientais de génese dos carvões em estreita conexão com as fácies de deposição. Só se consideram como microlitótipos as associações de macerais que se apresentem em bandas de largura mínima de 50μm 
Assim, tendo em conta os três grupos de macerais:
Os microlitótipos podem ser monomacerites (constituídos por macerais de um só grupo);
 Bimacerites (constituídos por macerais de dois grupos) e
Trimacerites (constituídos por macerais dos três grupos).
Litótipos 
Os litótipos são as entidades elementares que se apresentam, nomeadamente nos carvões húmicos, sob a forma de leitos suscetíveis de serem identificados macroscopicamente. Consideram-se os seguintes: vitrino - leitos brilhantes; clarino - leitos semi-brilhantes; durino - leitos baços; fusino – leitos fibrosos (Sousa et al., 2012).
Incarbonização
Ao conjunto das alterações que a matéria vegetal sofre para dar carvão chama-se incarbonização, e ou, grau de incarbonização corresponde ao estado de evolução atingido no decurso do processo natural denominado incarbonização. Assim, segundo Sousa et al. (2012), a incarbonização crescente da matéria vegetal da turfa, na ausência mais ou menos completa de ar, transforma-se primeiro em “carvão de grau inferior” (lignites), depois em “carvão de grau médio” (carvão betuminoso) e, sucessivamente, em “carvão de grau superior” (antracites).
Formação do carvão 
O carvão é uma rocha sedimentar combustível, formada a partir do soterramento e compactação de uma massa vegetal em ambiente anaeróbico, em bacias originalmente pouco profundas (da ordem de dezenas a centenas de metro). À medida que a matéria orgânica vegetal é soterrada, inicia-se o processo de sua transformação em carvão, devido principalmente ao aumento de pressão e temperatura, aliados á tectónica. Graças ao ambiente anaeróbico, com a crescente compactação, os elementos voláteis e a água presentes na matéria orgânica original são expelidos, gerando, concomitantemente, uma concentração relativa de carbono cada vez maior. 
O carvão é denominado húmico quando formado a partir de vegetais superiores de origem continental e sapropélico ou saprotético, quando gerado a partir de algas marinhas. Os carvões húmicos só se formam na terra a partir do Devoniano, período em que os vegetais superiores surgiram e passaram a ocupar grandes áreas.
Os ambientes propícios à formação de depósitos de carvão são bacias rasas, deltas e estuários ou ambientes pantanosos, relativamente mal oxigenados. Muitos depósitos ocorrem em sucessões de repetidas transgressões e regressões marinhas que, com a variação do nível de base, possibilitaram o avanço de florestas durante o recuo do mar, seguida de soterramento quando o mar invadiu a região costeira novamente. Isto explica a ocorrência, numa mesma região, de diversas camadas de carvão intercaladas por sedimentos.
Depósitos de carvão em Moçambique
Ocorrência de carvão em Moçambique
O carvão ocorre com frequência nos sedimentos do Karoo Inferior em Moçambique, mas está geralmente depositado na Formação de Moatize (Fig. 2). A estrutura mais importante onde ocorre o carvão é o Graben do Zambeze, com uma extensão de mais de 350 km. A Bacia do Zambeze subdivide-se nas seguintes sub-Bacias: Mecúcuè, Mucanha-Vúzi, Chicôa, Mefideze, Sanangoè, Moatize-Minjova, Muarádzi-N’condezi, Chitima-Changara e Baixo Chire. Considera-se que Mucanha-Vúzi é uma sub-Bacia da Bacia de Chicôa-Mecúcoè
 Todas estas sub-Bacias correspondem, em termos tectónicos, a estruturas do tipo graben ou semi-graben. Em termos de exploração económica, as sub-Bacias de Moatize-Minjova e de Mucanha-Vúzi são as mais importantes. Em geral, cerca de 93 % do carvão que ocorre em Moçambique está concentrado na Bacia do Zambeze.
Origem de bacia carbonífera de Moatize 
Esta bacia, tal como as outras referidas, desenvolveram-se nas margens ou no interior de cratões do Proterozóico, sendo designadas de bacias intra-cratónicas (graben e semi-graben), separadas por horst constituídos por rochas do Pré-Câmbrico. As bacias intra-cratónicas são amplas regiões de