2. Lei de drogas (1)
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2. Lei de drogas (1)


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LEI DE DROGAS
Lei 11.343/06
Droga: nova terminologia, utilizada pela Organização Mundial de Saúde, em substituição de \u201csubstâncias entorpecentes\u201d da Lei 6.368/76. 
Conceito de drogas
Art. 1º, parágrafo único: \u201cPara fins desta Lei, consideram-se como drogas as substâncias ou os produtos capazes de causar dependência, assim especificados em lei ou relacionados em listas atualizadas periodicamente pelo Poder Executivo da União\u201d.
Art. 66. \u201cPara fins do disposto no parágrafo único do art. 1o desta Lei, até que seja atualizada a terminologia da lista mencionada no preceito, denominam-se drogas substâncias entorpecentes, psicotrópicas, precursoras e outras sob controle especial, da Portaria SVS/MS no 344, de 12 de maio de 1998\u201d.
LISTA - F
LISTA DAS SUBSTÂNCIAS DE USO PROSCRITO NO BRASIL
LISTA F1 - SUBSTÂNCIAS ENTORPECENTES
Cocaína
Heroína
Cloreto de etila (lança perfume)
Lisergida \u2013 LSD
THC (tetraidrocanabinol) \u2013 Maconha
PORTE DE DROGAS PARA CONSUMO PESSOAL
Art. 28.  Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas:
Norma penal em branco \u2013 Portaria ANVISA
Tipo misto alternativo: cinco verbos-núcleos.
O uso é atípico: não há o verbo \u201cusar\u201d. Não se pune o uso pretérito.
Sujeito ativo: qualquer pessoa
Sujeito passivo: a coletividade 
Elemento subjetivo: dolo específico \u201cpara consumo próprio\u201d.
Elemento normativo: expressão \u201csem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar\u201d.
Objeto material: droga
Objeto jurídico: saúde pública
Crime permanente nas modalidades guardar, ter em depósito, transportar e trazer consigo.
Crime de ínfimo potencial ofensivo (sem pena privativa de liberdade) \u2013 Guilherme de Souza Nucci.
Das penas
Penas restritivas de direitos
Podem se aplicadas isolada ou cumulativamente (art. 27)
I - advertência sobre os efeitos das drogas;
Designado audiência para a advertência
II - prestação de serviços à comunidade;
Serviços em programas comunitários, entidades educacionais, assistenciais, hospitais etc., preferencialmente, da prevenção do consumo ou da recuperação de usuários e dependentes de drogas (§ 5º).
Prazo máximo de 5 meses (§ 3º)
Reincidência: prazo máximo de 10 meses (§ 4º)
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.
Prazo máximo de 5 meses (§ 3º)
Reincidência: prazo máximo de 10 meses (§ 4º)
Medidas de garantia das penas
Quando o agente se recusar injustificadamente ao cumprimento das medidas educativas o juiz poderá submetê-lo, sucessivamente a:
I \u2013 admoestação verbal;
Censura oral em audiência admonitória
II \u2013 multa.
Multa de característica extrapenal \u2013 multa coercitiva \u2013 não substitui a pena imposta
Fixada em quantidade não inferior a 40 e nem superior a 100 dias multa (art. 29)
Cada dia multa: 1/30 a 3 vezes o salário mínimo
Creditadas ao Fundo Nacional Antidrogas
CULTIVO PARA CONSUMO PESSOAL
§ 1o  Às mesmas medidas submete-se quem, para seu consumo pessoal, semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas à preparação de pequena quantidade de substância ou produto capaz de causar dependência física ou psíquica.
Prescrição
Prescrevem em 2 anos a imposição e a execução das penas (art. 30).
Questões relevantes:
Distinção entre porte para consumo próprio e tráfico
§ 2o  Para determinar se a droga destinava-se a consumo pessoal, o juiz atenderá à natureza e à quantidade da substância apreendida, ao local e às condições em que se desenvolveu a ação, às circunstâncias sociais e pessoais, bem como à conduta e aos antecedentes do agente.
Ex.: forma de embalagem, local ponto de distribuição, valores em dinheiro etc.
Inconstitucionalidade x constitucionalidade
Inconstitucionalidade
Violação ao direito à intimidade (art. 5º X, CF): autodeterminação - sem perigo a terceiros.
Não pode ser punida a autolesão \u2013 princípio da alteridade
Constitucionalidade
O bem jurídico protegido é a saúde pública (coletividade) e não a saúde individual do usuário.
STF, RE 635660 SP, Relator Min. Ayres Britto, julgamento em 22/03/2011
Princípio da insignificância ou crime de bagatela
Fundamento a favor: quantidade ínfima da droga.
Fundamento contrário: a pequena quantidade é da essência do tipo penal e a sanção (sem PPL) é proporcional.
No STF há decisão a favor (0,6g de maconha) e contra (0,5g de cocaína).
TRÁFICO DE DROGAS
Art. 33.  Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: 
Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa.
Tipo misto alternativo: dezoito verbos-núcleos.
Princípio da alternatividade: praticada mais de uma conduta no mesmo contexto fático, responde por um só crime. Ex.: trazer consigo e vender.
Observações sobre algumas condutas nucleares:
Remeter: enviar \u2013 consumação ainda que não chegue ao destino.
Ter em depósito: retenção provisória e possibilidade de deslocamento de um lugar para outro.
Guardar: ocultar a droga.
Transportar: meio de locomoção não pessoal. Se for pessoal configura o verbo trazer consigo.
Prescrever: receitar.
Ministrar: inocular, introduzir no corpo de alguém.
Entregar e fornecer: entrega traz a ideia de tradição única e fornecimento de continuidade no tempo.
Sujeito ativo: qualquer pessoa. Exceção: prescrever é crime próprio a profissionais que podem receitar drogas, como médicos e dentistas.
Sujeito passivo: a coletividade. 
Elemento subjetivo: dolo genérico.
Tentativa: é possível (crime plurissubsistente), mas difícil de configurar.
Elemento normativo: expressão \u201csem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar\u201d.
Objeto material: droga
Objeto jurídico: saúde pública
Crime permanente nas modalidades guardar, ter em depósito, transportar e trazer consigo, expor a venda, entre outras.
CONDUTAS EQUIPARADAS
Conduta de comercialização de matéria-prima, insumo ou produto químico destinado à preparação de drogas.
§ 1o  Nas mesmas penas incorre quem:
I - importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, expõe à venda, oferece, fornece, tem em depósito, transporta, traz consigo ou guarda, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, matéria-prima, insumo ou produto químico destinado à preparação de drogas;
Matéria-prima: substância principal da qual se extrai a droga.
Insumo: utilizado na produção da droga ao ser agregado à matéria-prima. Ex.: bicarbonato de sódio somado aos restos da cocaína dá origem ao crack. Outros insumos: ácido clorídrico, ácido sulfúrico, cloreto de etila, éter etílico etc. (Lista D2 do Anexo I da Portaria SVS/MS 344/98).
Produto químico: destinado à produção da droga, sem se agregar à matéria-prima. Ex.: acetona para o refino da cocaína.
Ponto relevante: guarda de semente de Cannabis sativa.
Constatação da presença do THC (tetrahidrocanabinol): art. 33, caput.
Sem a presença do THC: art. 33, § 1º, I (STJ, HC 100437/SP, j. 18.12.2008).
Não configura crime, pois a planta é a matéria-prima (TJRS, Embargos infringentes 70019927193, j 03.08.2007).
Cultivo
II - semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, de plantas que se constituam em matéria-prima para a preparação de drogas;
Utilização de local e bem para o tráfico
III - utiliza local ou bem de qualquer natureza de que tem a propriedade, posse, administração, guarda ou vigilância, ou consente que outrem dele se utilize, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo