Capitulo do Livro-Fontes de Luz e Clareamento
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Capitulo do Livro-Fontes de Luz e Clareamento


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AS FONTES DE ENERGIA LUMINOSA SÃO NECESSÁRIAS NA TERAPIA DE CLAREAMENTO DENTAL? 
Riehl, H; Nunes, MF 
 
 
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AS FONTES DE ENERGIA LUMINOSA SÃO NECESSÁRIAS NA TERAPIA 
DE CLAREAMENTO DENTAL? 
 
 
 
 
 
 
Heraldo Riehl 
 
\u21d2 Especialista em Dentística, Mestre e Doutor em Dentística opção Materiais Dentários 
pela FOB-USP, Professor Convidado do Curso de Pós-Graduação do Hospital de 
Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da USP e Coordenador do Curso de 
Especialização em Dentística e Odontologia Estética da APCD Regional Bauru. 
 
 
 
 
 
Mauro F. Nunes 
 
\u21d2 Mestre em Materiais Dentários pela F.O. USP, Especialista e Mestre em Dentística 
pela UNC-EUA, Professor do curso de especialização em Dentística da UFRGS. 
 
 
 
 
 
 
Este capítulo é parte integrante do eBook lançado durante o 25º Congresso Internacional 
de Odontologia de São Paulo \u2013 25º CIOSP (janeiro de 2007) e distribuído gratuitamente 
pelo site www.ciosp.com.br, pertencente 
à Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas \u2013 APCD. 
AS FONTES DE ENERGIA LUMINOSA SÃO NECESSÁRIAS NA TERAPIA DE CLAREAMENTO DENTAL? 
Riehl, H; Nunes, MF 
 
 
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RESUMO 
 
O objetivo deste texto é esclarecer melhor o papel das fontes de energia luminosa, indicadas e empregadas 
em diversas técnicas de clareamento dental. A necessidade de evidências científicas robustas 1 sobre o 
assunto, a grande divergência de opiniões na literatura, o excessivo marketing feito pela mídia, e o grande 
interesse que o assunto desperta na comunidade odontológica e nos pacientes são fatores relevantes. Assim, 
é fundamental identificar qual(is) o(s) efeito(s) que essas fontes de luz causariam sobre o agente clareador e 
a estrutura dental. 
A eficácia e a segurança de agentes clareadores de baixa concentração para o clareamento doméstico estão 
muito bem documentadas na literaturaa , 2 (Figuras 1, 2 e 3). Entretanto, uma nova categoria de agentes 
clareadores com maior concentração foi desenvolvida com o intuito principal de acelerar a velocidade da 
terapia clareadora. Recentemente, foi agregado à esses últimos, a opção de ativação por uma fonte luminosa 
(exemplo, laser), cujo objetivo primordial é potencializar e acelerar sua ação 3 (Figuras 4, 5 e 6). Porém, 
fenômenos como o significativo aumento da sensibilidade dental pós-operatória tornou-se um dos efeitos 
colaterais mais encontrados nesse tipo de abordagem, ocorrendo muitas vezes durante e também depois do 
fim da terapia. Tal fato tem sido discutido cientificamente e alternativas foram sugeridas para amenizar a 
ocorrência da hipersensibilidade, como a laserterapia, a diminuição da concentração dos agentes oxidantes 
empregados, o emprego de analgésicos, antinflamatórios e a diminuição ou a completa eliminação do calor. 
O calor infelizmente acompanha a maioria das fontes luminosas empregadas na técnica de clareamento de 
consultório, popularizada como power bleaching 4, constituindo hoje em dia em fator de preocupação. 
 
 
Figura 1 Figura 2 Figura 3 
Figuras 1, 2 e 3: A foto do pré-operatório (figura 1) evidencia um sorriso adulto, saudável, compatível com a escala Vita Classic A3 / A3,5. 
A opção neste caso foi a do clareamento doméstico, executado com peróxido de carbamida a 10% (Whiteness Perfect- FGM), na 
posologia de 2 horas por dia, durante 2 semanas. Observamos na foto intermediária (figura 2), a moldeira individual confeccionada com 
polímero específico e que era carregada com o gel clareador. A última foto (figura 3) mostra o resultado obtido após 60 dias de finalizado 
o tratamento. Como resultado final, a foto do pós-operatório tardio (60 dias) os dentes apresentam-se mais claros do que no início, com 
um aspecto natural, esmalte brilhante, terço cervical ligeiramente mais saturado do que os médio e incisal, sem o conhecido aspecto de 
desidratação \u2013 comumente observado no pós-operatório imediato \u2013 e esteticamente dentro do que foi previsto no plano de tratamento, o 
termo de consentimento esclarecido e satisfazendo o desejo do paciente. 
 
 
Figura 4 Figura 5 Figura 6 
Figuras 4, 5 e 6: seqüência clássica de clareamento assistido por fonte de luz, onde um paciente adulto, compatível com a escala Vita 
Classic A4/B4, recebeu a aplicação de peróxido de hidrogênio a 35%. Foram realizadas duas sessões clínicas, com intervalos de sete dias 
entre as mesmas, onde em cada sessão tal peróxido ficou em contato com o esmalte dental por 45 minutos, subdividido em três 
aplicações parciais de 15 minutos por sessão clínica. Durante todo o tempo em que o peróxido ficou em contato com o esmalte (90 
minutos ao todo), o mesmo foi irradiado com uma fonte híbrida de luz, de acordo com a literatura 3 . Nota-se, após 30 dias de pós-
operatório, sensível redução do croma (A2) e percebe-se também um aspecto \u201cmarmoreado\u201d, manchado com pequenas áreas 
 
a Joiner, A. The bleaching of tooth: a review of the literature. Journal of Dentistry, 2006. IN PRESS 
 
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esbranquiçadas, interpretadas por nossa equipe como áreas de intensa desidratação. Acreditamos que mais tempo seja necessário para 
que tenhamos a completa reidratação do esmalte e a real cor final obtida pela terapia clareadora 
possa ser contemplada com fidelidade. 
 
Ainda, a literatura revela que a suposta 
ativação de agentes clareadores por calor, 
luz ou laser pode causar efeitos colaterais 
sobre o tecido pulpar, através do possível 
aumento da temperatura intrapulpar, que 
normalmente não deveria exceder 5,5oC 
acima da temperatura fisiológica 5. Os 
géis clareadores tendem a \u201cisolar\u201d a 
superfície dental, prevenindo o 
aquecimento excessivo, muito embora 
existam evidências 6 de que sem o gel, 
empregando-se um laser de diodo (3W, 
830nm por 30 segundos), a temperatura 
se aproxime a 16oC, e com gel, por volta 
de 8,7oC, ambos os valores acima do 
limiar \u201ccrítico\u201d. Estas informações devem 
ser de domínio público na classe 
odontológica. 
Este artigo analisa as evidências 
científicas consistentes que contém 
informações que sustentem ou não uma 
real vantagem clínica do uso dessas 
fontes de luz, devido ao custo elevado dos 
equipamentos. Também discute como as 
fontes de luz realmente funcionam, e se 
proporcionam vantagens significativas do 
ponto de vista clínico e biológico para 
nossos pacientes, quando comparadas a 
outras técnicas de clareamento já bem 
conhecidas. Não discute o notório \u201cvalor 
agregado\u201d que tais fontes luminosas 
proporcionariam em consultório, pois se 
faz necessário separar \u201co clareamento de 
fato\u201d do \u201cclareamento de ficção\u201db. 
 
1. Introdução 
 
Muito se tem discutido sobre o uso de 
fontes de energia luminosa com o intuito 
de facilitar, acelerar e aumentar e 
eficiência do peróxido de hidrogênio ou de 
 
b Robert W. Gerlach in Physical, biological and social aspects of 
whitening: an evidence-based approach, 
Academy of Dental Materials 2006 Annual Meeting. 
 
carbamida durante os procedimentos de 
clareamento dental 
3,5,6,7,9,10,11,12,13,14,17,18,19. 
De maneira geral, todo tratamento 
clareador envolve procedimentos 
químicos com substâncias oxidantes que 
retiram elétrons do substrato onde 
entram em contato. Dentre todas as 
substâncias já pesquisadas, os peróxidos 
são considerados os oxidantes mais 
efetivos e com menor potencial de efeitos 
colaterais indesejáveis. 
Genericamente, os peróxidos são óxidos 
que contém mais oxigênio do que um 
óxido normal. Tais substâncias são 
encontradas em várias partes do corpo 
humano, como por exemplo: na lágrima, 
na saliva, nas sinapses neurais e nos 
tecidos inflamados. Sabe-se também que 
existe um sistema enzimático que regula 
o aporte dos