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Teorias da Comunicação Livro (1)

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Etapas da evolução da 
comunicação humana: 
uma teoria das transições
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 „ Identificar o processo evolutivo da comunicação humana. 
 „ Descrever as etapas da evolução da comunicação humana. 
 „ Explicar o que é a linguagem.
Introdução
A comunicação é parte fundamental da sua vida. Você consegue imaginar 
uma vida sem e-mails, redes sociais ou telefone? Ora, o ato de se comu-
nicar é social e responde a necessidades e práticas diárias. Um rápido 
lance de olhar sobre a atualidade poderia levar você a pensar que, hoje, 
o uso da comunicação é marcado por um excesso, que não só responde 
a necessidades, mas as cria. Contudo, será que a comunicação sempre 
foi assim? Como era a comunicação dos primeiros homens? Quando 
surgiram a fala e a escrita?
Neste texto, você vai refletir sobre o processo evolutivo da comuni-
cação humana. Além disso, vai identificar as etapas da evolução dessa 
comunicação e, por fim, compreender o que é a linguagem e a sua 
natureza essencialmente social.
A evolução da comunicação humana
A história do início da comunicação humana é muito antiga e não teve início com 
o surgimento da imprensa de Gutenberg ou do telégrafo de Morse, como você 
poderia pensar. A capacidade de se comunicar é um fenômeno fundamental da 
existência do homem, fenômeno este que o acompanha desde o começo da sua 
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jornada na Terra. Mesmo o homem das cavernas possuía a necessidade de se 
comunicar. Sabe-se, contudo, que ela se dava de forma bem intuitiva e por meio 
de gritos, grunhidos e gestos. Além disso, as últimas descobertas informam que 
ele se reunia ao redor do fogo para falar das suas atividades cotidianas.
É, portanto, necessário discutir sobre a comunicação humana desde o seu 
início para compreender as mudanças atuais nas formas de comunicação. Desse 
modo, é preciso um retorno à anterioridade, ao início da humanidade. Afinal, 
mudanças na maneira de compartilhar significados ocorreram ao longo do 
processo evolutivo. Ora, compreender como o homem tem se comunicado com 
o passar dos milênios é importante para você entender como os seres humanos 
têm modificado seu comportamento conforme o tempo e o espaço. Contudo, 
você deve estudar a comunicação social tendo em vista o comportamento 
e o estilo de vida do homem em cada contexto. Portanto, precisa pensar, 
acima de tudo, que a história não caminha numa necessária linha progressiva 
e evolutiva no sentido de uma suposta superioridade. 
Ter acesso a esse desenvolvimento não é uma tarefa simples. Se não é nada 
fácil inferir as condições culturais humanas por meio de fósseis e antigos 
artefatos, o que dizer de reconstruir, ao longo do tempo e espaço, como os 
homens se comunicavam? E, além disso, o que dizer, a partir das várias formas 
de comunicação, quais implicações estas trouxeram para o estilo de vida que 
os homens adotavam? Logo, não seria equivocado afirmar que há uma relação 
íntima entre a evolução da comunicação humana e o comportamento social 
(DEFLEUR; BALL-ROKEACH, 1993). Você precisa, portanto, conhecer um 
pouco dessas histórias para que possa adotar uma postura mais crítica diante 
dos avanços tecnológicos da comunicação atual. O desafio está lançado. Agora, 
você vai começar a conhecer melhor as etapas da comunicação humana.
Figura 1. A evolução do homem.
Fonte: Panco/Shutterstock.com.
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Etapas da evolução da comunicação humana
O desenvolvimento da comunicação não se deu de forma tranquila e contínua. 
É um processo que foi se aperfeiçoando a partir das necessidades sociais e de 
sobrevivência. Essas várias etapas são chamadas por DeFleur e Ball-Rokeach 
(1993) de eras. Como você vai ver a seguir, a caracterização das eras não tem 
por objetivo uma cronologia da comunicação humana, como bem dizem esses 
autores. Ela objetiva oferecer uma “síntese ampla” de como foram ocorrendo 
as transições nas maneiras de o homem se comunicar.
A Era dos Símbolos e dos Sinais foi provavelmente o primeiro momento 
significativo do desenvolvimento da capacidade do homem de se comunicar. Ela 
se deu muito antes dos primitivos que caminhavam erectus. Há dois milhões de 
anos, surgira o Homo habilis, um dos seus primitivos ancestrais. É a partir dele 
que diferenças entre técnicas de sobrevivência dos primeiros seres humanos e 
de outros primatas começaram a se acentuar. Ferramentas de pedra lascada e 
uso do fogo podem ser interpretados como os primeiros passos em direção ao 
desenvolvimento da cultura humana (DEFLEUR; BALL-ROKEACH, 1993).
Nessa etapa, a comunicação entre os homens se dava de forma bem próxima 
a de outros mamíferos. O sistema de comunicação era intuitivo. Ele se formava 
por um número limitado de sons fisicamente capazes de serem produzidos – 
como rosnados, roncos e guinchos. Também incluía movimentos corporais, 
como o uso de gestos com mãos ou braços. Além disso, é interessante notar 
que o aparelho fonador desses homens era muito semelhante ao dos macacos 
e chimpanzés. Esse fato revela a incapacidade física desses hominídeos de 
falarem. Igualmente, o tempo para compreender a mensagem construída por 
meio de sons e gestos era muito maior, o que dificultaria o entendimento de 
relatos mais extensos e complicados. Ao longo da evolução da capacidade 
de aprendizagem do homem, os sinais e os símbolos foram se tornando mais 
elaborados. No entanto, a ausência de desenvolvimento da fala para propósitos 
interpessoais foi um grande limitador para o desenvolvimento cultural, o qual 
se deu de forma bastante lenta nesse período (DEFLEUR; BALL-ROKEACH, 
1993).
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Não confunda os sinais usados pelos Cro-Magnons com as línguas de sinais. Estas, 
ao contrário do que muitos imaginam, não são formadas por mímicas e gestos soltos, 
mas apresentam regras gramaticais próprias. Elas se estruturam por unidades mínimas 
– fonemas, morfemas, palavras e frases – que formam unidades mais complexas – os 
níveis fonológico, morfológico, sintático e semântico. Além disso, as línguas de sinais 
possuem diferenças regionais, socioculturais, de faixa etária e gênero, ou seja, variam 
quanto ao uso e conforme o contexto (FELIPE; MONTEIRO, 2007). Igualmente, são 
dotadas de complexidade e expressividade da mesma forma que as línguas orais-
-auditivas. São, portanto, sistemas linguísticos legítimos (IDALGO, 2008). Logo, o que 
diferencia uma língua de sinal das outras é a sua modalidade visual-espacial.
Posteriormente, cerca de 1,6 milhão de anos depois, o Homo erectus apa-
rece. Com ele, se nota um aumento da relação entre o cérebro e o corpo. Dessa 
cadeia ancestral, descenderam as pessoas do Neanderthal (Homo sapiens 
neanderthalensis). Estas duraram por volta de 35 mil anos e desapareceram 
misteriosamente. Elas foram sendo substituídas pelos Cro-Magnon (Homo 
sapiens sapiens). Além das ferramentas, já usadas pelos seus antepassados, 
os homens de Cro-Magnon faziam roupas, conservavam alimentos e eram 
socialmente organizados. Também domesticavam animais, usavam metais – sua 
utilização tem início aqui –, adotavam a agricultura e criavam comunidades 
fixas. A partir deles, teve início uma tradição artística com entalhes e pinturas 
nas cavernas. Isso é importante porque é a partir dos Cro-Magnons (Homo 
sapiens sapiens) que a Era da Fala e da Linguagem começa (DEFLEUR; 
BALL-ROKEACH, 1993).
A origem da linguagem tem sido um assunto de grande interesse e con-
trovérsia entre os pesquisadores até os dias de hoje. Não há, a esse respeito, 
um consenso sobre
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