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Teorias da Comunicação Livro (1)

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quando se deu exatamente o nascimento da linguagem. 
Alguns arriscam que ela surgiu há 200 mil anos. Para os autores abordados 
aqui, citados anteriormente, a fala e a linguagem parecem ter surgido entre 
35 e 40 mil anos atrás com os Cro-Magnons. Eles tinham uma estrutura 
craniana, assim como eram dotados de língua e laringe, exatamente como a 
do homem atual. 
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O surgimento da fala levou inevitavelmente ao desenvolvimento da cultura oral. 
Igualmente, por meio do raciocínio com a linguagem, os Cro-Magnons puderam 
planejar e caçar de forma mais ordenada, se defender e explorar melhor as regiões 
para a caça que os homens de Neanderthal, uma vez que estes últimos permaneceram 
na Era dos Símbolos e dos Sinais (DEFLEUR; BALL-ROKEACH, 1993).
Nesse momento, os Cro-Magnons aprenderam a lidar com as várias mu-
danças climáticas que se sucederam e os impulsionaram ao nomadismo. Ao 
longo dos séculos, se fixaram no Crescente Fértil, desenvolveram o trabalho 
com a terra, aprenderam a criar animais e passaram a adorar deuses. Além 
disso, é marca dessa época o uso de metais, a tecelagem, a roda e a cerâmica. 
No entanto, ainda não sabiam escrever. De toda forma, símbolos diversos, 
palavras e números permitiram que os seres humanos passassem a classificar, 
sintetizar e especular, lembrando e comunicando mensagens mais extensas 
(DEFLEUR; BALL-ROKEACH, 1993).
Figura 2. Os Cro-Magnons (Homo sapiens sapiens).
Fonte: Cimmerian/Shutterstock.com.
A transição da etapa anterior para a Era da Escrita se deu de forma bem mais 
rápida, por volta de 5 mil anos depois: “[...] a história da escrita é a passagem 
da representação pictórica para sistemas fonéticos, da representação de ideias 
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complexas com imagens ou desenhos estilizados para a utilização de simples 
letras dando a entender determinados sons.” (DEFLEUR; BALL-ROKEACH, 
1993, p. 30). As formas mais antigas de registrar informações recuperadas até 
os dias de hoje foram representações de animais e cenas de caças em pedras, 
isto é, representações pictóricas que passaram a ter significados de imagens 
padronizados. Ou seja, o primeiro passo para criar a escrita se deu com a padro-
nização de significados de imagens. Afinal, se não houvesse uma compreensão 
comum e partilhada entre as representações, como as pessoas entenderiam o 
seu sentido? Isso se deu, contudo, durante a consolidação da agricultura, o que 
levou inevitavelmente à necessidade de se estabelecer limites e direitos nas 
propriedades de terra e nas atividades comerciais. Portanto, você não deve se 
surpreender com o fato de que a escrita tenha começado em regiões como a 
da Suméria – o atual Iraque – e a do Egito, locais em que se praticava a agri-
cultura. São deles as famosas escritas pictográfica, por meio dos hieróglifos, e 
cuneiforme, respectivamente. Igualmente, após variações entre diversos povos, 
os gregos padronizaram e simplificaram o sistema de escrita, o qual foi ainda 
aperfeiçoado pelos romanos.
É importante que você saiba que a escrita se desenvolveu de forma independente e 
simultânea em várias partes do mundo, como entre os chineses e os maias, os quais 
elaboraram uma escrita independente. Ademais, os livros passaram a ser comuns na 
Idade Média, porém eram elaborados pelos monges e escribas, além de mais restritos 
ao seu domínio, antes do surgimento da imprensa. Nesse momento, os escribas se 
tornaram uma classe privilegiada sob o controle da elite, bibliotecas foram abertas 
e as artes e ciências começaram a se desenvolver (DEFLEUR; BALL-ROKEACH, 1993).
Posteriormente, surge a Era da Impressão. Em 1945, Johannes Guten-
berg inventa a prensa impressora, na Alemanha, mais especificamente na 
cidade de Mainz. Pouco antes de Colombo chegar às Américas, o primeiro 
livro foi produzido por uma prensa que usava tipos móveis fundidos em 
metal. Igualmente, houve nessa etapa uma mudança significativa no de-
senvolvimento e na “preservação” da cultura. Isso pois, antes disso, boa 
parte dos livros eram escritos em latim e a informação restrita aos padres, 
escribas, políticos e grupos de elite. Assim, a informação passou a ser mais 
acessível a todos.
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Igualmente, ocorria a produção de milhares de livros em papel. Estes se 
tornavam disponíveis para o grande público. Dessa forma, as pessoas passaram 
a ter mais interesse em aprender a ler. Uma modificação de destaque trazida 
pela prensa foi a possibilidade de reprodução de livros. Estes passaram a ser 
copiados mais rapidamente e com mais precisão. Além disso, três importantes 
pontos marcaram esse momento: a difusão da alfabetização, o surgimento 
do jornal de massa e a adoção, posteriormente, do jornal como um complexo 
cultural. No fim do século XIX, os novos veículos de massa, tais como jornais, 
livros e revistas, começaram a causar impactos na forma de o sujeito agir, 
interagir e pensar. Assim, tem início a próxima era.
O início da Era da Comunicação de Massa se dá no começo do século 
XX, quando a imprensa de massa passa a ser amplamente aceita pela popula-
ção. Nesse momento, surge o telégrafo em 1830 e, depois, o cinema, o rádio 
doméstico e a televisão; estes dois últimos em 1920 e 1940, respectivamente. 
A invenção e a adoção ampla do filme, do rádio e da televisão em diversos 
ambientes e cômodos das casas, se estendendo a populações maiores, au-
mentaram a oportunidade de as pessoas se comunicarem e empregarem a 
linguagem. Isso implicou em formas distintas de se organizarem, produzirem 
conhecimento e cultura (DEFLEUR; BALL-ROKEACH, 1993).
Você sabia que a fotografia, quando foi inventada, trouxe um impacto gigantesco ao 
desenvolvimento da comunicação de massa? Ela, contudo, muitas vezes é deixada de 
lado quando se discutem os meios de comunicação, seus desdobramentos e impactos 
na sociedade. Segundo Díaz Bordenave (1997), a foto permitiu a ilustração de livros, 
jornais e revistas, inspirou o cinema – antes, mudo, e, depois, sonoro – e se aliou à 
eletrônica, possibilitando a veiculação de imagens por meio da televisão. Tem-se 
registro de que em 1880 foi publicada pela primeira vez uma fotografia no jornal 
nova-iorquino Daily Graphic, intitulada Shantytown (FREUND, 1995). Ela trouxe impacto 
revolucionário na forma como os acontecimentos passariam a ser noticiados a partir 
de então. Assim, a introdução da fotografia modificou a visão das ditas massas, uma 
vez que ela abriu uma janela para o mundo (MARTINS, 2013). Para mais informações 
a respeito da relação entre a fotografia, a história e a sociedade, você pode ler a obra 
Fotografia e Sociedade, de Gisèle Freund.
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A Era dos Computadores e a atualidade das 
comunicações 
Começou, recentemente, a Era dos Computadores. Ninguém está seguro 
ainda quanto ao que essa era subentende para a comunicação (DEFLEUR; 
BALL-ROKEACH, 1993). Contudo, como você sabe, os computadores já 
trouxeram muitos impactos para a forma de as pessoas se comunicarem. Eles 
transformam e informatizam cada vez mais as práticas sociais diárias. É muito 
cedo para avaliar adequadamente os impactos culturais, organizacionais e 
culturais promovidos nessa etapa. Mas já se pode antecipar que os avanços 
tecnológicos atuais abrem as portas para se pensar como antigos comporta-
mentos estão sendo moldados e quais estilos de vida passam a ser criados e 
estimulados. Isso sem falar, é claro, no surgimento de novas mídias e redes 
sociais – por exemplo, o Facebook e o Twitter. 
A evolução
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