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Manual de Inventário Hidroelétrico de Bacias Hidrográficas edição Ministério de Minas e Energia 2007

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do barramento são as avaliações feitas 
sobre as condições da fundação. A investigação das fundações deve ser feita, inicialmente, a partir de 
visitas de reconhecimento e da análise da geologia superfi cial. Com base nas conclusões dessa análise 
e nas idéias preliminares de disposição das estruturas do aproveitamento, podem ser executados le-
vantamentos expeditos que visem a confi rmação das hipóteses formuladas. Dentre outros, podem ser 
executados programas como sondagens a trado ou poços de inspeção. Os resultados são apresentados 
na forma de seções geológico-geotécnicas para cada sítio de barramento. 
As estimativas de disponibilidade dos materiais naturais de construção – jazidas de areia e cascalho, 
solo e rocha – são associadas a indicações sobre sua localização, qualidade e volume. 
Para os locais selecionados, deverão ser programadas investigações complementares para as fases 
 subseqüentes dos estudos.
4.1.4 Meio Ambiente
O levantamento de dados e informações socioambientais deve ser complementar ao realizado na etapa 
de Planejamento dos Estudos (Capítulo 3), de forma a atender aos conteúdos dos componentes-síntese 
selecionados para representar o sistema socioambiental, subsidiando a análise dos impactos negativos e 
positivos e as necessidades dos estudos de Avaliação Ambiental Integrada.
Os dados básicos requeridos encontram-se indicados por componente-síntese no item 4.3. Essas infor-
mações são tanto de natureza quantitativa quanto qualitativa. Na sua grande maioria, os dados neces-
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sários encontram-se disponíveis em fontes secundárias (bancos de dados ofi ciais, universidades, centros 
de pesquisas, entre outros). Destaca-se, entretanto, que, para alguns elementos e/ou componentes e em 
algumas regiões, os dados secundários deverão ser objeto de aferição de campo ou por meio de imagens 
de satélite, fotos aéreas existentes ou outros métodos disponíveis, quando não forem sufi cientes para a 
composição do quadro regional requerido pelas análises e se referirem aos aspectos indispensáveis para 
o desenvolvimento dos estudos.
Para os casos em que o levantamento de campo é requerido com o objetivo de se obter uma visão 
qualitativa e quantitativa de determinado aspecto considerado, este só deve ser realizado após pesquisa 
com base em dados secundários, de modo que se possa constituir um quadro situacional sufi ciente para 
as análises e orientador do trabalho de campo necessário. Neste sentido, esse trabalho deverá priorizar 
questões anteriormente identifi cadas como relevantes para a produção do conhecimento desejado.
Observa-se ainda que, para a composição do quadro regional relativo a cada componente envolvendo 
aspectos quantitativos e qualitativos, torna-se necessário um trabalho analítico e de natureza interpre-
tativa, que implica necessariamente na inclusão de profi ssionais de nível sênior na equipe.
Considera-se fundamental que, desde esta fase de levantamentos, a equipe contratada desenvolva o 
trabalho de modo integrado e dentro de uma perspectiva interdisciplinar, tendo em vista favorecer 
a construção dos componentes-síntese pelo estabelecimento de inter-relações entre os elementos do 
sistema socioambiental.
As variáveis e parâmetros que permitem a caracterização socioambiental variam no tempo e no espaço 
em uma bacia hidrográfi ca. Para a identifi cação dos aspectos socioambientais e sua visão integrada 
é necessário estabelecer uma escala apropriada para uma representação que englobe a maioria dos 
indicadores. 
A escala de estudo deverá permitir uma visão de conjunto dos aproveitamentos objeto da análise. 
Poderão ser utilizadas escalas diferentes destas para a análise temática e aspectos relevantes, a partir das 
cartas ofi ciais disponíveis, que subsidiarão uma visão de conjunto. Os dados e informações deverão ser 
compatíveis com a escala do estudo, devendo ser elaborados mapas temáticos, na escala adequada, para 
os aspectos socioambientais relevantes e de avaliação local (subdivisão de bacia, por exemplo). 
Neste sentido, a escala a ser adotada para a análise dos dados deve ser adequada para uma visão de 
conjunto da bacia. Para a representação dos resultados podem ser adotadas outras escalas dependendo 
do tema a ser representado.
As informações espacializadas devem ser armazenadas em um sistema de informações geográfi cas, com-
patível com o banco de dados do poder concedente.
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 CAPÍTULO 4 | ESTUDOS PRELIMINARES
4.2 USOS MÚLTIPLOS DA ÁGUA
4.2.1 Diagnóstico dos Usos Múltiplos da Água
O diagnóstico dos usos múltiplos da água tem como objetivo a determinação da série de vazões de 
usos consuntivos para cada local de aproveitamento do inventário e, ainda, a estimativa das restrições 
futuras ao aproveitamento, decorrentes do uso dos recursos hídricos pelos demais setores usuários.
Esses estudos visam, também, identifi car as potencialidades dos usos múltiplos da água na bacia hi-
drográfi ca em estudo e verifi car essa potencialidade frente ao disposto no Plano Nacional de Recursos 
Hídricos, nos planos estaduais, nos planos de bacia, e nos planos setoriais e integrados disponíveis.
Para a elaboração do diagnóstico, deve-se levar em conta informações tanto de natureza quantitati-
va quanto qualitativa, que na sua grande maioria, encontram-se disponíveis em fontes secundárias 
(Quadro 3.1.3.01). Quando os dados secundários não estiverem atualizados ou não forem sufi cientes 
para a análise requerida para o desenvolvimento dos estudos, deverão ser realizados levantamentos de 
campo.
Visando avaliar se haverá necessidade de considerar o cenário de usos múltiplos já na fase de Estudos 
Preliminares, deve-se identifi car se na bacia em estudo os usos múltiplos da água sugerem a alteração 
signifi cativa na defi nição e/ou na avaliação das alternativas de divisão de queda. Por exemplo, bacias 
em que o cenário de usos da água indique uma disponibilidade hídrica muito inferior à vazão natural 
ou grandes restrições de níveis d’água.
A partir da coleta de dados, deverão ser identifi cados todos os usos existentes na bacia e, dentre eles, 
aqueles que causam maior interferência com a geração de energia elétrica. 
Usos Consuntivos
A série mensal de vazão de consumo em um local de aproveitamento é o resultado do somatório dos 
valores das vazões de todas as retiradas de água, abatidos os retornos, a montante do sítio em questão. 
Devem ser estimadas as vazões de consumo efetivas para cada um dos seguintes usos:
Abastecimento urbano.
Abastecimento rural.
Criação de animais.
Irrigação.
Uso industrial.
Para a determinação da série mensal das vazões de consumo, se deve considerar os diagnósticos cons-
tantes dos planos de recursos hídricos, caso existentes. Como alternativa, pode-se utilizar as metodo-
logias adotadas para estimativa das vazões para atividades de uso consuntivo da água em bacias do 
Sistema Interligado Nacional,3 ou desenvolver estudos técnicos próprios. Neste caso a metodologia 
adotada deve ser justifi cada e descrita no relatório dos Estudos do Inventário.
O resultado desse trabalho é a determinação de uma série de vazões mensais de usos consuntivos, para 
cada local de aproveitamento em estudo, que abranja o período de anos da série de vazão natural mé-
dia mensal, ou seja, de 1931 até, no mínimo, dois anos antes da conclusão dos Estudos do Inventário. 
3 ONS. Estimativa das Vazões para Atividades de Uso Consuntivo da Água nas Principais Bacias do Sistema Interligado Nacional. 
FAHMA-DREER, 2003.
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CAPÍTULO 4 | ESTUDOS PRELIMINARES
Assim, muitas vezes será necessário desenvolver estudos para estimar as vazões de retirada de água que 
ocorreram no passado