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Manual de Inventário Hidroelétrico de Bacias Hidrográficas edição Ministério de Minas e Energia 2007

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dimensão territorial da bacia hidrográfi ca em estudo, 
pode ser necessário realizar dois mapeamentos: um com características mais sistêmicas, com um grau 
maior de agregação entre as tipologias vegetais similares, objetivando avaliar o nível de degradação/
conservação da área de estudo; outro com um nível maior de desagregação fi tofi sionômica, indicando 
a diversidade de complexos fl orísticos de cada unidade de análise.
É recomendável um trabalho de campo para confi rmação dos padrões mapeados e identifi cação da 
extensão e do estado de conservação da cobertura vegetal. Em particular, deverá ser realizada a iden-
tifi cação da extensão e estado de conservação da vegetação marginal pela importância ecológica que 
lhe é imputada na manutenção de fl uxos gênicos e como habitat de muitas espécies nos Ecossistemas 
Terrestres.
O levantamento e mapeamento das informações relativas ao uso do solo na área de estudo será realiza-
do dentro do escopo do componente-síntese Base Econômica.
Fatores de Pressão sobre os Ecossistemas
Objetivando identifi car os fatores de pressão sobre os ecossistemas, deverão ser levantados dados da 
evolução da exploração de recursos naturais e expansão de áreas agrícolas. Esses levantamentos deverão 
ter como referência aqueles realizados para o componente-síntese Base Econômica e serão aqui utili-
zados para a avaliação da sustentabilidade dessas atividades e do nível de pressão antrópica sobre os 
ecossistemas naturais.
Ecossistemas de Relevante Interesse Ecológico
Deverão ser identifi cados e mapeados os ecossistemas de relevante interesse ecológico, ou seja, ecossis-
temas importantes pela função que exercem na manutenção da diversidade biológica. Enquadram-se 
nessa classifi cação os ecossistemas importantes na manutenção de fl uxos populacionais, como, por 
exemplo, as matas-galeria; ecossistemas mantenedores de espécies ameaçadas de extinção; ecótonos, 
por serem contatos entre duas regiões fi toecológicas distintas, com interpenetração de espécies em seus 
ambientes; e as áreas para conservação da biodiversidade sob algum tipo de proteção legal. Para a defi -
nição dessas áreas serão utilizadas informações obtidas da interpretação de imagens de sensoriamento 
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CAPÍTULO 4 | ESTUDOS PRELIMINARES
remoto, dos mapeamentos realizados pelo Projeto RADAM, e das informações do SIUC7 e sobre as 
Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade.
Ecologia da Paisagem 
Deverão ser reunidas informações que permitam apontar a capacidade da área de estudo para manter 
espécies da fauna e o nível geral de insularização da cobertura vegetal nativa. Esse grau de insularização 
da vegetação natural é um indicador da perda de biodiversidade pela forte relação existente entre a 
diversidade biológica e o tamanho da área. Assim sendo, sugere-se a obtenção de informações através 
da análise conjunta dos aspectos aplicados em ecologia de paisagens e dos parâmetros referentes à di-
versidade biológica.
Para a manutenção da fauna terrestre, duas condições fi tofi sionômicas mostram-se particularmente in-
teressantes: (1) fi sionomias não alteradas, mantendo elevado grau de integridade e, conseqüentemente, 
permitindo a sobrevivência de espécies da fauna primária da área, e (2) fi sionomias distribuídas em 
mosaicos que, por gerarem diferentes situações de contato entre distintos ecossistemas, viabilizam a 
coexistência de espécies com diversos graus de umbrofi lia.
A avaliação geral da paisagem em cada subárea é realizada considerando os seguintes aspectos: forma 
média dos remanescentes fl orestais (mosaicos); isolamento dos mosaicos; classifi cação fi sionômica dos 
mosaicos.
Forma média dos remanescentes fl orestais: Este parâmetro funciona como indicador da capacidade de 
retenção da fauna, tomando-se como base o princípio de forma e função desenvolvido por Th ompson 
(1961). Espera-se, então, que sistemas dotados de menor relação perímetro/área exibam maior capa-
cidade de retenção de atributos internos (no caso, organismos) quando comparados com sistemas em 
que esta relação é maior. A forma média dos remanescentes (FM) é dada pela seguinte relação entre 
perímetro (P) e área (Ap):
 
n
i 1
P
2 AFM
n
= π
=
∑ (4.3.3.01)
sendo:
n Número de remanescentes fl orestais
Isolamento entre os Mosaicos: Através da análise do isolamento dos mosaicos, representado pela dis-
tância entre os remanescentes fl orestais fragmentados presentes, é possível avaliar se o nível de insula-
rização que a fauna vem sofrendo em determinada subárea. O isolamento (IM) de cada subárea pode 
ser estimado pela relação:
 ij
1IM d
n
= ∑ (4.3.3.02)
onde:
n Número de fragmentos fl orestais na subárea, excluindo a vegetação marginal
dij Distância entre o fragmento i e seu vizinho j na subárea
Classifi cação Fitofi sionômica dos Mosaicos: Indica a diversifi cação fl orística da área estudada. Sugere-
se a classifi cação utilizada pelo IBGE. Devem ser destacadas as fi sionomias que se mostrem exclusivas 
de determinadas áreas.
7 Sistema de Informação de Unidades de Conservação.
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110 MME | Ministério de Minas e Energia
 CAPÍTULO 4 | ESTUDOS PRELIMINARES
Ocorrência e Distribuição Faunística
A obtenção de informações acerca da provável ocorrência de espécies da mastofauna, ornitofauna e 
herpetofauna na região em estudo pode ser realizada conjugando os dados reunidos em campanhas 
expeditas com informações disponíveis em tratados gerais sobre a fauna neotropical. Estas informações 
podem ser obtidas na literatura específi ca.
A ocorrência faunística será trabalhada tendo como base a organização das informações de acordo com 
os atributos descritos no Quadro 4.3.3.01:
Quadro 4.3.3.01
Classifi cação Distribuição Geográfi ca Distribuição Espacial Hábito Status
Espécie/Gênero Endêmica Borda Solo Ameaçada
Não endêmica Núcleo Árvores Vulnerável
Dossel Não ameaçada
Áreas paludiais
A estrutura de banco de dados apresentada compreende um número mínimo de aspectos a serem con-
siderados, englobando variáveis taxonômicas e ecológicas. Recomenda-se a adição de novas informa-
ções de modo a incluir aspectos ecológicos que se mostrem relevantes para uma caracterização melhor 
do conjunto faunístico em estudo.
Tais dados, quando relacionados às informações sobre o suporte físico, permitirão identifi car a fauna 
de provável ocorrência nos diversos ambientes em estudo. Busca-se conhecer a diversidade taxonômica 
dos grupos da fauna vertebrada, as espécies ameaçadas de extinção relacionadas em listas ofi ciais e as 
espécies que, por terem sua distribuição restrita a núcleos fl orestais, mostram-se mais vulneráveis a 
alterações antropogênicas.
Resultado do Diagnóstico
A síntese dos elementos de caracterização deverá permitir a qualifi cação dos Ecossistemas Terrestres e 
sua importância na manutenção da diversidade biológica. As análises realizadas permitirão a espacia-
lização dos elementos determinantes nessa manutenção, possibilitando a compartimentação da área 
de estudo em subáreas, de acordo com critérios que levem à representação mais fi el dos elementos e 
processos biológicos propostos. Estas subáreas poderão estar correlacionadas a uma determinada sub-
bacia, a uma paisagem, a uma unidade fi tofi sionômica, ou a uma série de outros aspectos. A unidade de 
espacialização deverá ser aquela que apresentar maior grau de correlação com os elementos e processos 
que se deseja caracterizar.
Deverá ser elaborado um mapa, indicando a delimitação das subáreas identifi cadas. Em cada uma delas 
deverão estar representadas as informações mais relevantes do ponto de vista da manutenção da diver-
sidade biológica. Este mapa deverá ser acompanhado de uma descrição, caracterizando cada subárea, 
destacando seus aspectos mais relevantes, apontando áreas de sensibilidade e situando-as com relação 
ao contexto da área de estudo,