SEMIOLOGIA EM OTORRINOLARINGOLOGIA 1
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SEMIOLOGIA EM OTORRINOLARINGOLOGIA 1


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as fossas nasais. Nessa região 
podem-se observar as caudas das conchas nasais, principalmente inferior e média, e a 
porção posterior do septo nasal. Deve-se observar a presença ou não secreções e 
degenerações da mucosa. 
A parede superior do cavum é ocupada, nas crianças, pelas vegetações 
adenoideanas as quais sofrem involução na puberdade. A adenóide corresponde à amídala 
faríngea e faz parte do conjunto de órgãos linfóides do anel linfático de Waldeyer. Quando 
muito volumosa, compromete, consideravelmente a respiração (Figura 17). Pelo RX de 
cavum pode-se observar estreitamento da coluna aérea na região da rinofaringe (Figura 18) 
A criança portadora de hipertrofia adenoideana apresenta respiração bucal de suplência, 
formato da face alongado, olheiras, lábios ressecados e hipotônicos, selo labial 
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incompetente e sialorréia durante o sono. Freqüentemente, apresentam ainda secreções 
nasais catarrais constantes, as quais recebem, comumente, contaminação bacteriana. 
 
Na parede lateral da rinofaringe situam-se os orifícios faríngeos das trompas 
de Eustáquio ou tubas auditivas, as quais interligam a região da nasofaringe com a orelha 
média. Através da elaborado conjunto de músculos que se inserem ao redor do tórus 
tubário, o ósteo faríngeo da tuba auditiva se abre durante a deglutição, permitindo o 
equilíbrio pressório no interior do ouvido médio. Quando a pressão atmosférica aumenta, 
como ocorre quando descemos a serra ou estamos ao nível do mar, as tubas auditivas 
tendem a se colabar, dando-nos a sensação de \u201couvidos tampados\u201d, que melhora com as 
manobras de Valsava ou com deglutições repetidas. 
 Os sintomas auditivos são igualmente freqüentes nas crianças com 
hipertrofia de adenóide. O crescimento de tecido adenoideano na rinoafaringe pode 
comprometer a ventilação do ouvido médio que se dá através dos ósteos faríngeos das tubas 
auditivas. A oclusão destes, faz com que se forme um ambiente pouco ventilado na orelha 
média, o ar não é renovado, e as secreções, normalmente produzidas pelas glândulas 
Figura 17. Visão endoscópica 
de tecido adenoideano 
obstruindo coana. 
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mucosas do epitélio respiratório que reveste a orelha média, não são drenadas, acumulando-
se na orelha média. 
 
Figura 18. Em a, RX de cavum normal. Em b, seta indicando região de hipertrofia 
adenoideana. 
 
Com o tempo, tornam-se mais espessas dificultando ainda mais sua remoção 
(essa secreção é denominada de glue ear pela sua consistência semelhante à de cola). 
Instala-se assim a chamada otite média serosa. Neste caso a membrana timpânica é íntegra, 
porém é retraída e há muco espesso represado na orelha média, prejudicando 
consideravelmente a audição e o desempenho escolar. A criança torna-se desatenta na 
escola, ouve televisão em volume muito elevado e apresenta piora do quadro auditivo em 
quadros gripais, muitas vezes acompanhado de otalgia. O tratamento deve envolver a 
remoção do tecido adenoideano, aspiração das secreções da caixa timpânica e, em alguns 
casos, também a introdução de tubo de ventilação na membrana do tímpano. 
A disfunção tubária pode ser observada também em pacientes portadores de 
fissura labiopalatal nos quais o comprometimento na fusão mediana dos músculos do palato 
mole impede a abertura tubária durante a deglutição, o que faz com que a mesma 
a
b
a 
b
a
b
a 
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permaneça, na maior parte do tempo, fechada (por vezes colabada), trazendo repercussões 
graves para a ventilação da orelha média e, conseqüentemente, desencadeamento do quadro 
de otites médias serosas. 
A região da rinofaringe pode ser sede, em adultos, de tumores malignos 
(carcinomas, linfomas) ou mesmo benignos (cistos). 
 
5. EXAME DA HIPOFARINGE E DA LARINGE 
O exame deve iniciar com a inspeção e palpação da região da faringe e da 
laringe. Para o exame da hipofaringe utiliza-se um espelho de Garcia de número 4, voltado 
para a região a ser examinada. O espelho é aquecido em lamparina à álcool, a temperatura 
do espelho é testada no dorso da mão do examinador. O examinador deverá segurar a 
língua do paciente com o auxílio de uma gaze para expor a região da orofaringe, local onde 
será posicionado, cautelosamente o espelho contra a úvula, voltado para a região da faringe 
(figura 19, exame de laringoscopia indireta). 
O exame inicia-se com a avaliação da base da língua, onde estão 
posicionadas as amídalas linguais, as quais fazem parte do anel linfático de Waldeyer. As 
amídalas linguais podem estar aumentadas em pacientes portadores de doença do refluxo 
gastroesofágico, predispondo-os a roncos noturnos e até mesmo apnéia noturna. 
Em seguida, prossegue-se o exame com a avaliação da região das valéculas, 
limitadas pelas pregas glossoepiglóticas laterais e mediana. Nessa região podem-se 
observar cistos (Figura 20). 
 
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Fig. 19. Técnica do exame de laringoscopia indireta 
 
 
 Figura 20. Cisto epidérmico em valécula (seta). 
 
A porção mais inferior da hipofaringe corresponde aos seios piriformes 
(recesso piriforme). Essa região pode ser sede de lesões neoplásicas em pacientes fumantes 
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crônicos e etilistas, acarretando sintomas de disfagia e de sensação de corpo estranho na 
garganta. Em pacientes com distúrbios neurológicos, com envolvimento de pares cranianos 
baixos, pode-se observar estase de saliva na região da hipofaringe, mais especificamente na 
região dos seios piriformes, achados estes que auxiliam no diagnóstico da disfagia. 
Para o exame da laringe utiliza-se a mesma técnica do exame da hipofaringe, 
agora, com a atenção voltada para a região da laringe. Deve-se examinar a borda livre da 
epiglote (faces faríngea e laríngea), pregas ventriculares, pregas vocais, ventrículos de 
Morgani, cartilagens aritenóideas e comissura interaritenoídea. O exame da laringe das 
crianças tem algumas particularidades, como a posição mais elevada da laringe, o formato 
em ômega da epiglote, a posição posterior da epiglote e maior volume das cartilagens 
aritenóideas. Sendo assim, durante o exame ORL é comum observarmos a borda livre da 
epliglote logo que posicionamos as espátulas para o exame das amídalas. 
O exame da laringe deve ser realizado durante a respiração e durante a 
fonação de fonemas /e/ e /i/. Essas manobras permitem-nos avaliar mobilidade, simetria, 
fechamento glótico, coloração, lesões orgânicas e distúrbios funcionais da fonação. Não 
devemos esquecer que muitos diagnósticos de distúrbios da voz podem ser antecipados já 
na entrevista do paciente durante a anamnese, quando o paciente começa a falar com o 
médico. Algumas alterações nas qualidades vocais são típicas de determinadas doenças, 
como a voz grave e áspera do paciente com edema de Reinke e a voz baixa, fraca e soprosa 
do paciente portador paralisia unilateral de pregas vocais. A laringe pode também ser 
examinada por meio do nasofibroscópio flexível e do telescópio rígido (Figuras 21 e 22). 
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Figura 21. Nasofibroscópio flexível (a) e telescópio rígido (b). 
 
 
 
 
a
b
a 
b
a
b
a 
a
b
a 
b
a
b
a 
Figura 22. Em a, sistema de videolaringoscopia 
com captura de imagem; em b, técnica do exame de 
telelaringoscopia. 
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A utilização de endoscópios flexíveis de pequeno diâmetro auxiliam-nos no 
diagnóstico das lesões laríngeas, pois permitem a fonação espontânea do paciente, uma vez 
que são introduzidos pelas fossas nasais deixando livre a língua para a fonação. Já os 
endoscópios rígidos (telescópios), por apresentarem maior diâmetro, permitem imagens 
maiores, com melhor definição e exame minucioso da estrutura da mucosa de revestimento 
das pregas vocais, entretanto,