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Apoìstila   Cirurgia Vascular

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(25-57%), enquanto a causada pelo 
reparo eletivo é < 5%. Atualmente, a maioria dos cirur-
giões recomenda reparo eletivo dos aneurismas ilíacos 
isolados a partir do diâmetro limítrofe de cerca de 3-4 
cm, desde que o risco cirúrgico seja apropriado. Todas 
as questões relativas ao processo de decisão frente aos 
pacientes com AAA também se aplicam aqui, principal-
mente quando se comparam os riscos de ruptura versus 
reparo eletivo.
Tratamento
O tratamento aberto de aneurismas da arté-
ria ilíaca é feito por colocação de enxerto através de 
uma incisão cirúrgica aberta. Uma vez que a artéria 
ilíaca externa raramente apresenta essa lesão, essa 
cirurgia pode ser geralmente confinada ao abdome. 
Aneurismas bilaterais da artéria ilíaca comum exi-
gem reconstrução com um enxerto aortoilíaco bi-
furcado. Aneurismas da artéria hipogástrica podem 
ser tratados com endoaneurismorrafia. Essas lesões 
não são tratadas com uma simples ligadura do colo, 
pois permanecerão pressurizadas por meio de vasos 
colaterais, causando maior dilatação aneurismática. 
O advento das técnicas endovasculares expandiu as 
opções de tratamento para aneurismas ilíacos. Os 
aneurismas da artéria ilíaca comum são tratados 
percutaneamente com um stent revestido (endopró-
tese), excluindo assim a lesão, como ocorre no tra-
tamento endovascular de AAA. 
Os aneurismas das ilíacas internas também são 
tratados comumente por oclusão com espirais endo-
vasculares. Nesses casos, é importante colocar espirais 
nos ramos eferentes da artéria hipogástrica (semelhan-
te à ligadura endoaneurismática) para evitar expansão 
progressiva e ruptura, que podem ocorrer se forem sim-
plesmente colocados na artéria aneurismática. 
Aneurismas da artéria poplítea
O diâmetro normal da artéria poplítea é de 
0,90 ± 0,20 cm. Outros autores relataram um di-
âmetro médio menor (0,52 ± 0,11 cm). Podemos 
considerar que estamos diante de um aneurisma po-
plíteo se o diâmetro for > 1,5 cm, ainda que o limite 
de 2 cm seja usado com frequência na clínica diária 
para essa localização.
Incidência
Os aneurismas da artéria poplítea são raros. No 
entanto, são os mais comuns dentre aqueles que ocor-
rem em artérias periféricas, representando mais de 
70% de todos os aneurismas periféricos. Predomi-
nância no sexo masculino (>90%), acometimento 
bilateral é documentado em metade dos casos, e 
a associação com aneurisma de aorta abdomi-
nal é de 60% dos casos.
Figura 1.18 Angiografia de um aneurisma da artéria poplítea.
Figura 1.19 Angiografia de um pseudoaneurisma da artéria poplítea 
causado por um tumor ósseo benigno. Observar o deslocamento e o 
encarceramento da artéria poplítea.
1 Doenças da aorta
31
Patogenia
A maioria dos aneurismas poplíteos é de nature-
za degenerativa. A causa é provavelmente uma combi-
nação de defeito genético e inflamação com aumento 
na produção local de enzimas que degradam a elastina 
e o colágeno. Isso foi confirmado por Jacob e colabo-
radores, que encontraram um infiltrado inflamatório, 
incluindo linfócitos T, na parede de aneurismas da ar-
téria poplítea, associado a aumento na apoptose e na 
degradação da matriz extracelular.
Os aneurismas poplíteos verdadeiros tam-
bém podem ser resultado da síndrome de encar-
ceramento da artéria poplítea. O mecanismo parece 
ser a ocorrência de traumatismos crônicos repetitivos, 
de forma semelhante ao que ocorre na dilatação da arté-
ria subclávia no segmento distal a uma costela cervical.
Falsos aneurismas da artéria poplítea podem ser 
causados por traumatismos crônicos provocados por 
tumores ósseos benignos, como os osteocondromas, 
na metáfise distal do fêmur.
Traumatismos penetrantes também podem cau-
sar pseudoaneurismas da artéria poplítea.
Manifestações	clínicas
Aproximadamente 1/3 dos pacientes com aneuris-
ma poplíteo é assintomático por ocasião do diagnóstico 
inicial. Em 43% dos casos assintomáticos, um ou am-
bos os pulsos podálicos estavam ausentes. É provável 
que esses aneurismas já tivessem produzido embolia 
distal, o que enfatiza o risco de obstrução progressiva 
das artérias poplíteas. Esses membros estão sob alto 
risco de evoluir com complicações. O risco de desen-
volver complicações, incluindo trombose aguda, trom-
boembolia crônica e dor causada por compressão, é de 
36% ao longo de 3 anos para os pacientes com pulsos 
podálicos normais, e de 86% em 3 anos para aqueles pa-
cientes com ausência de pulsos.
Diagnóstico
O exame físico isoladamente com frequência não 
é confiável e pode produzir resultados falsos-positivos 
e falsos-negativos. A ultrassonografia é um recurso 
preciso para o diagnóstico. Para o planejamento do 
tratamento, a angiografia, a TC tridimensional e a RM 
são úteis.
Tratamento
Apesar de alguns autores terem sugerido uma abor-
dagem conservadora para o tratamento de aneurismas 
poplíteos assintomáticos, a maioria concorda que os 
resultados do reparo eletivo são excelentes, com baixas 
morbidade e mortalidade, e significativamente melhores 
do que o tratamento realizado em aneurisma com trom-
bose com quadro clínico de isquemia. Os aneurismas 
pequenos, definidos como aqueles com menos de 2 
cm de diâmetro, e assintomáticos podem ser acom-
panhados sem cirurgia reconstrutora.
Pacientes assintomáticos com AAF de 2 cm ou 
mais, assintomáticos e com risco cirúrgico aceitável 
devem ser tratados cirurgicamente.
Tratamento eletivo
A opção técnica mais comum e com melhores 
resultados é a ligadura proximal e distal do aneu-
risma, combinada com ponte de veia safena mag-
na reversa, geralmente da poplítea proximal ao 
aneurisma até a poplítea distal. Alguns aneurismas 
mais extensos ou associados à doença oclusiva podem 
necessitar pontes mais longas, partindo da artéria fe-
moral superficial ou femoral comum. As outras opções 
de enxerto autógeno são a veia safena parva, as veias 
de membros superiores e a veia femoral superficial. As 
próteses vasculares sintéticas de politetrafluoroetile-
no são utilizadas apenas em casos em que não há veia 
autógena disponível. Isso porque os resultados a longo 
prazo dos enxertos sintéticos são muito inferiores aos 
dos enxertos venosos implantados nessa posição. Após 
o procedimento cirúrgico, todos os pacientes devem ser 
acompanhados clinicamente e por exames complemen-
tares periódicos, para detectar sinais precoces de falha 
do enxerto e maximizar a patência de longo prazo.
Em aneurismas particularmente grandes ou que 
estejam produzindo sintomas compressivos, pode ser 
recomendável a abordagem por via posterior, com 
abertura do saco aneurismático e sutura dos óstios 
das colaterais, o que visa evitar a manutenção de fluxo 
no saco aneurismático por colaterais.
Em caso de trombose aguda do aneurisma com 
isquemia do membro, antes da revascularização é ne-
cessária a remoção dos trombos da circulação distal 
por trombólise ou por embolectomia por cateter balão, 
para permitir o restabelecimento adequado de fluxo. A 
trombólise apresenta resultados ligeiramente superio-
res aos da embolectomia nessas circunstâncias.
A técnica endovascular com stents recobertos 
tem sido uma nova opção de tratamento dos AAP, mas 
os resultados são inferiores ao procedimento aberto 
convencional. As potenciais vantagens do procedi-
mento são a rapidez e redução do estresse cirúrgico. 
Em virtude dos resultados discutíveis, a técnica en-
dovascular tem sido considerada exceção, reservada a 
pacientes com risco operatório elevado e/ou ausência 
de enxerto autógeno disponível.
Clínica cirúrgica | Vascular
SJT Residência Médica - 201532
As taxas de morbimortalidade do tratamento 
eletivo nos pacientes sem isquemia são mais baixas do 
que os casos que se apresentam como isquemia grave. 
A chance de salvamento do membro a longo prazo fica 
ao redor de 95% para os pacientes eletivos e cai para 
70% nos pacientes operados em condições de urgên-
cia/ emergência. Os resultados a longo prazo das ope-
rações com veias autógenas são melhores do que com 
próteses sintéticas ou stents recobertos.
Tratamento

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