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Apoìstila   Cirurgia Vascular

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a veia femoral ou trom-
bose concomitantemente em outras veias profundas, 
podendo provocar embolia pulmonar.
O tratamento é feito, na maioria dos casos, ape-
nas com medidas locais, como aplicação de calor e de 
pomadas à base de heparinoides, que parecem dimi-
nuir os sintomas. Nos casos de dor muito intensa, 
pode-se associar um anti-inflamatório não esteroide 
por via oral. O uso de anticoagulantes fica, em geral, 
restrito para os casos em que existe trombose profun-
da associada. Em casos de tromboflebites muito ex-
tensas e atingindo múltiplas veias, temos colocado os 
pacientes em repouso em posição de Trendelenburg, 
com períodos alternados de deambulação e utilizando 
a heparina em doses terapêuticas por cinco a sete dias, 
com melhora muito grande da sintomatologia, talvez 
por um efeito anti-inflamatório da própria heparina. 
A anticoagulação é mantida, após esse período, ape-
nas quando há comprometimento de veias profundas.
Em casos de tromboflebite de veia safena magna 
atingindo o joelho é indicada a realização de mapea-
mento dúplex, para verificar a extensão do trombo, pois 
muitas vezes ele atinge o terço proximal da coxa ou mes-
mo penetra a veia femoral profunda, sem causar sinto-
mas locais. Nesses casos a ligadura da veia na junção 
safenofemoral é indicada para evitar a propagação do 
trombo e a embolização de sua cauda para o pulmão. 
Outra opção cirúrgica, nos casos em que a veia safena 
está dilatada, é a extração da veia ainda na fase aguda, 
com bons resultados em relação à diminuição dos sin-
tomas e à evolução tardia.
Tromboflebite traumática
A TVS pode ocorrer após traumatismo direto, 
geralmente em um dos membros. O sinal de sua 
presença é um cordão doloroso acompanhando o 
trajeto de uma veia em justaposição à área do trau-
matismo. Com frequência há equimose indican-
do extravasamento de sangue associado à lesão. A 
tromboflebite no local de uma infusão endovenosa 
é resultado da ação de fármacos irritantes, soluções 
hipertônicas e, mais raramente, de lesão da íntima 
causada pelo cateter, particularmente quando o dis-
positivo para acesso é mantido em uma veia peri-
férica por um período longo. Esse quadro de TVS é 
visto em pacientes hospitalizados ou naqueles am-
bulatoriais que estejam utilizando drogas ou sendo 
submetidos à terapia com fármacos. Hiperemia, dor 
e sensibilidade ao tato geralmente indicam seu de-
senvolvimento enquanto está sendo feita a infusão. 
O segmento venoso trombótico mantém-se como 
um cordão ou uma massa por dias ou semanas após 
ter sido interrompida a terapia endovenosa.
Tromboflebite em veias 
varicosas
A tromboflebite superficial ocorre com frequên-
cia nas veias varicosas, fato que pode ser um antece-
dente comum na evolução para a TVP. O processo se 
estende por toda a veia safena ou, mais comumente, 
mantém-se confinado a um segmento. Algumas ve-
zes a TVS envolve um conjunto de varicosidades bem 
distantes do tronco principal da safena. Apesar de ser 
possível a ocorrência de trombose após traumatismo 
local, o processo ocorre com maior frequência em va-
ricosidades sem qualquer causa desencadeante, prova-
velmente como resultado de estase. A tromboflebite se 
manifesta como um nódulo doloroso e duro circunda-
do por uma zona de eritema em uma veia varicosa pre-
viamente observada. O sangramento é raro e ocorre 
nos casos em que há reação inflamatória estendendo-
-se pela parede da veia e pele no tornozelo. Trombose 
Clínica cirúrgica | Vascular
SJT Residência Médica - 201588
localizada e enduração lenhosa, algumas vezes com 
veias superficiais trombosadas, circundam as úlceras 
de estase, em razão de inflamação com células redon-
das e da produção de citocina.
Tromboflebite e infecção
Em 1932, DeTakats especulou que a infecção la-
tente seria um fator para o desenvolvimento de trom-
boflebite, e que poderia ser exacerbada após cirurgias, 
tratamentos injetáveis, traumatismos ou exposição à 
radioterapia. Altemeier e colaboradores sugeriram que 
as presenças de formas L e de outras formas atípicas 
de bactérias no sangue teriam um papel etiológico 
na tromboflebite e recomendaram a administração 
de tetraciclinas, que agiriam diminuindo a resposta 
inflamatória mais do que atuando como antibiótico. 
A flebite séptica causada por canulação intravenosa é 
um caso especial evidentemente relacionado com um 
processo infeccioso. Trata-se de uma complicação gra-
ve e potencialmente fatal.
Foram observadas infecções por aeróbios, por 
anaeróbios e mistas em casos de TVS. Dentre os 
micro-organismos aeróbios estão Staphylococcus au-
reus, Pseudomonas e Klebsiella; os anaeróbios incluem 
Peptostreptococcus, Propionibacterium, Bacteroides fra-
gilis, Prevotella, Fusobacterium e, mais recentemente, 
fungos como Fusarium proliferatum. Nos casos de 
TVS em crianças e neonatos, assim como nos indiví-
duos idosos, pode haver septicemia em 1/3 dos pa-
cientes. A maioria manifesta sinais de localização, 
mas deve-se empreender uma busca com índice alto 
de suspeita de localizações intravenosas em idosos e 
lactentes com febre de origem obscura. O tratamen-
to envolve suspensão da canulação, excisão imedia-
ta de veias supuradas e administração dos antibióti-
cos sistêmicos apropriados.
Tromboflebite migratória
A tromboflebite migratória foi inicialmente 
descrita por Jadioux em 1845 como uma patolo-
gia caracterizada por tromboses repetidas em veias 
superficiais de localização variada, comumente en-
volvendo os membros inferiores. A associação ao 
carcinoma (adenocarcinoma) foi relatada inicial-
mente por Trousseau em 1856. Sproul enfatizou 
que a tromboflebite migratória era particularmen-
te Prevalente nos casos de carcinoma da cauda do 
pâncreas. A flebite migratória ocorre nas vasculites, 
como a poliarterite nodosa (periarterite nodosa) e a 
doença de Buerger. 
Doença de Mondor: 
tromboflebite das veias 
superficiais da mama
A tromboflebite superficial envolvendo as veias 
da face anterolateral da porção superior da mama 
ou da região que se estende desde a porção inferior 
da mama atravessando a dobra submamária na dire-
ção do limite costal e da região epigástrica é conhe-
cida como doença de Mondor. Caracteristicamente, 
observa-se uma estrutura em forma de cordão sen-
sível à palpação ao se esticar a pele e ao solicitar ao 
paciente que levante o braço. Como em outros casos 
de tromboflebite, deve-se investigar a existência de 
doença maligna. A doença de Mondor ocorre após ci-
rurgia mamária, com o uso de contraceptivos orais, 
na deficiência hereditária de proteína C e na presença 
de anticorpos anticardiolipina.
Formas incomuns
A tromboflebite da veia dorsal do pênis, uma do-
ença rara, também é denominada doença de Mondor 
peniana. Os principais fatores etiológicos são inter-
curso sexual excessivamente prolongado, cirurgias 
para hérnia e, como em outras formas de tromboflebi-
te superficial, pode haver envolvimento de veias pro-
fundas. É necessária a realização de ecodoppler nesses 
casos para afastar a possibilidade de TVP, como de 
resto para todos os casos de TVS. A terapia consiste 
na administração de anti-inflamatórios não esteroides 
(AINEs) e ressecção da veia dorsal do pênis nos casos 
que não estejam respondendo ao tratamento clínico.
Outra forma incomum de tromboflebite su-
perficial foi descrita nas veias digitais palmares de 5 
mulheres, com envolvimentos venosos sobre as arti-
culações interfalangianas proximais. Em todas elas, 
não havia história de traumatismo e não se descobriu 
qualquer causa subjacente. Quatro das 5 foram trata-
das com excisão e o exame histopatológico confirmou 
o diagnóstico.
Prognóstico e tratamento a 
longo prazo
O prognóstico para o paciente com trombo-
flebite superficial depende de sua etiologia, da ex-
tensão do envolvimento e se há ou não progressão 
concomitante para o sistema venoso profundo. A 
extensão profunda não é ubíqua, mas ocorre em al-
guns casos com frequências variáveis. Como enfa-
tizamos repetidas vezes, a TVS requer exame com 
ecodoppler

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