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Apostila de Inorgânica

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com o cloreto de cromo (III) também 
produziu interessantes resultados. Este composto apresenta duas cores: verde-escuro e 
azul violáceo. Werner conseguiu demonstrar que o cloreto de cromo (III) azul era um 
composto com formula [Cr(H2O)6]Cl3 (seis moléculas de água estavam ligadas 
diretamente ao cromo). Já no verde, a fórmula poderia ser escrita como 
[Cr(H2O)4Cl2]Cl.2H2O (dois cloretos estão ligados diretamente ao metal). 
Além de propor que os metais possuíam uma “valência secundária”, Werner 
também deduziu, a partir de simples argumentos, que a geometria de complexos com seis 
ligantes coordenados ao metal deveria ser octaédrica. Werner postulou que os seis 
ligantes iriam se distribuir de maneira simétrica ao redor do metal. Desta forma, ele 
chegou a três estruturas básicas: um hexágono planar, uma forma prismática e de um 
octaedro (Figura 62). Em um complexo com todos os seis ligantes iguais, não haveria 
como diferenciar as estruturas, visto que todas as posições seriam equivalentes. No 
entanto, com ligantes diferentes, em proporções diferentes, isto poderia ser feito. Um 
complexo formado por um metal (M) e dois ligantes diferentes (A e B), de fórmula MA4B2 
tem um número diferente de isômeros para cada uma das estruturas. Um hexágono 
planar apresentaria três os isômeros. O mesmo número de isômeros seria encontrado 
para a forma prismática. Já na estrutura octaédrica, um complexo de fórmula MA4B2 teria 
apenas dois isômeros. Em um complexo de fórmula MA3B3 se observaria exatamente o 
mesmo número de isômeros para cada uma das diferentes estruturas. Bastaria Werner 
investigar quantos isômeros eram formados em complexos do tipo MA4B2 e MA3B3. O 
resultado observado foi que o número de isômeros era sempre dois, independente de 
metais e ligantes. Desta forma, Werner mostrou que os complexos formados por seis 
ligantes tinham geometria octaédrica. 
Em 1917, Werner ganhou o prêmio Nobel de química “pelo seu trabalho na ligação 
de átomos em moléculas, o qual trouxe uma nova luz nas recentes investigações e abriu 
um novo campo de pesquisa especialmente em química inorgânica”. Embora brilhante, o 
trabalho de Werner ainda deixava perguntas, como sobre a origem das cores dos 
complexos ou da estabilidade dos mesmos. 
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A
A
AA
A
A
A
A
A
A
A
A
A
A
A
A
A
A
(i) (ii) (iii) 
Figura 62. As estruturas propostas por Werner para um complexo MA6. (i) Um hexágono plano, (ii) 
em forma de prisma e (iii) o octaedro. O metal (omitido nas figuras) se posiciona no centro das 
estruturas. 
 
9.2 – Classificação dos ligantes e nomenclatura de complexos 
 Os ligantes são classificados, principalmente, de acordo com o número de ligações 
que podem fazer com o metal. Existem ligantes monodentados, que são aqueles que 
fazem somente uma ligação e ligantes ditos quelantes, onde há mais de um ponto de 
coordenação com o metal. Os ligantes quelantes também são chamados de ligantes 
polidentados. Existem diversos tipos, como os bidentados (dois pontos de coordenação), 
tridentados (três pontos de coordenação) ou tetradentados (quatro pontos de 
coordenação) e assim por diante. Existem também ligantes do tipo ambidentados. São 
ligantes que possuem dois pontos de coordenação, mas não é possível usá-los juntos 
com o mesmo metal. Isto é, ou se ligam por um dos pontos ou pelo outro. São, portanto, 
ligantes monodentados, mas com mais de uma opção de coordenação. São clássicos 
ligantes ambidentados o SCN–, que pode se ligar pelo enxofre ou pelo nitrogênio e, 
também, o NO2– que pode se ligar tanto pelo nitrogênio como pelo oxigênio. A Figura 63 
mostra a estrutura de alguns ligantes comuns em compostos de coordenação. 
A nomenclatura de complexos segue uma sistemática própria definida pela IUPAC. 
As regras básicas são: 
a) O nome do ânion antecede ao do cátion. 
b) Quando há vários ligantes iguais são usados os prefixos di, tri, tetra, penta, etc para 
indicar a quantidade de cada ligante. A exceção desta regra se dá quando o nome do 
ligante já contém a indicação de um número, como por exemplo, etilenodiamina ou 
bipiridina. Nestes casos usam-se outros prefixos para indicar o número de ligantes: bis, 
tris e tetraquis, como nome do ligante sendo colocado entre parênteses. O uso destes 
prefixos está resumido na tabela abaixo. 
 
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Tabela 12. Prefixos para indicar o número de ligantes. 
Prefixos Número de ligantes Prefixos Número de ligantes 
Mono (opicional) 1 Hepta 7 
Di, bis 2 Octa 8 
Tri, tris 3 Nona 9 
Tetra, tetraquis 4 Deca 10 
Penta, pentaquis 5 Undeca 11 
Hexa 6 Dodeca 12 
 
OO
Acetilacetonato (acac)
N N
Bipiridina (bipy)
H2N
O
O
Glicinato (gly)
H2N NH2
Etilenodiamina (en)
O
O
O
O
(CH3COCHCOCH3) (NC5H4)2
Oxalato (ox)
NH2CH2CO2
NH2CH2CH2NH2 C2O4
2
N
Piridina (py)
NC5H5
N
O O
N
O O
ou
Nitrito ou Nitro
NO2
N N
O
O
O
OO
O
O
O
Etilenodiaminotetraacetato (edta ou Y)
S C N
S C N
ou
Tiocianato SCN
 ou 
Isotiocianato NCS
Figura 63. Alguns ligantes importantes para os compostos de coordenação. Em vermelho os 
átomos que se coordenam ao metal e entre parênteses as abreviações para alguns dos ligantes. 
 
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c) Ao escrever o nome do complexo, os ligantes são citados em ordem alfabética, 
qualquer que seja a sua carga e não levando o prefixo em consideração. O nome do 
metal deve seguir os dos ligantes, com a indicação de seu estado de oxidação entre 
parênteses, utilizando algarismos romanos. Não há espaço entre nenhum dos nomes, 
prefixos ou parênteses. 
 Os ligantes e seus nomes para o uso em nomenclatura de compostos de 
coordenação, bem como abreviações, estão listados na Tabela 13. 
d) Ao escrever a fórmula química de um composto de coordenação, deve-se agrupar o 
metal e ligantes com colchetes. O metal é escrito primeiro, seguido dos ligantes em ordem 
de carga. Primeiro os negativos, seguido dos neutros e, então, os positivos. No caso de 
dois ou mais ligantes de cada tipo, considera-se a ordem alfabética de acordo com o 
símbolo do elemento coordenado ao metal. 
e) O nome de íons complexos positivos ou de complexos neutros não sofre qualquer 
alteração. 
f) Ao nome de íons complexos negativos deve ser adicionado o sufixo “ato”. 
Existem outras regras, para complexos com mais de um centro metálico ou para 
ligantes em ponte, mas estas regras ou complexos deste tipo não serão abordados. 
 Por exemplo, os complexos [Co(NO2)3(NH3)3] e K4[Fe(CN)6] são nomeados, 
segundo as regras citadas, como triaminotrinitrocobalto(III) e hexacianoferrato(II) de 
potássio, respectivamente. Analisando cada caso separadamente, começando pela 
fórmula química do [Co(NO2)3(NH3)3], como o NO2– é um ânion e a amônia é uma 
molécula neutra, o primeiro aparece antes na fórmula química. O NO2– é um ligante 
ambidentado e, portanto, tem duas opções de coordenação. Da maneira que a fórmula 
está escrita, nota-se que é o nitrogênio que está ligado ao metal – o que leva ao nome 
nitro. A amônia, NH3, quando coordenada recebe o nome de amino e, portanto, vem antes 
no nome do complexo. Como são três espécies NO2– e NH3, usa-se o prefixo “tri”. Por fim, 
o estado de oxidação do cobalto é descoberto pelo somatório das cargas. O complexo 
como um todo é neutro e cada íon nitrito possui carga –1, dando um total de três cargas 
negativas. Portanto, o cobalto no complexo citado acima deverá ser +3. O outro 
composto, normalmente chamado de ferrocianeto de potássio, possui um cátion (K+) que 
não faz parte do íon complexo, que é a parte abrigada entre

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