Resumo   Suporte Fático
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Resumo Suporte Fático


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Resumo
SUPORTE FÁTICO:
Conceito: A hipótese fática é condicionante do fato jurídico. Quando fala-se em suporte fático, faz-se referência a algo (evento ou conduta) que poderá ocorrer no mundo, e que, por ter sido considerado relevante no mundo dos fatos, passa a integrar o mundo do direito. Logo, o suporte fático pertence ao mundo do direito, pois, é necessário que haja a juridicização para que se possa falar em mundo jurídico e conceitos jurídicos.
Espécies: Deve-se considerar duas conotações ao se falar em suporte fático:
Suporte fático hipotético ou abstrato: É a parte do enunciado lógico da norma em que se descreve a situação de fato relevante condicionante de sua incidência, no caso, encontra-se no plano do dever ser, uma vez que existe somente como hipótese prevista pela norma sobre a qual, se vier a ocorrer, terá a sua incidência juridicizante. 
Suporte fático concreto: É o próprio fato quando materializado no mundo. Aqui, o suporte fático abstrato se concretiza no mundo.
Elementos do suporte fático:
Relevância dos fatos: A norma jurídica representa a valoração dos fatos da vida feita pela comunidade jurídica. Através de critérios axiológicos, é medida a importância que os fatos possuem no relacionamento entre humanos, por isso, para que o fato se eleve a categoria de fato jurídico, basta que eles sejam relevantes na vida humana.
Elementos nucleares: cerne e completantes: Geralmente o suporte fático é complexo, sendo raras as espécies em que apenas um fato o compõe. No estudo dos suportes fáticos complexos, existem fatos que são considerados essenciais à sua incidência e consequente criação do fato jurídico, estes fatos são aqueles que constituem-se nos elementos nucleares do suporte fático, ou no seu núcleo. Os elementos nucleares que constituem o dado fático fundamental do suporte fático, chamam-se elementos cernes, e estão sempre presentes, mesmo que implicitamente. Além do elemento cerne, tem-se o elemento completante do núcleo. Os elementos nucleares do suporte fático possuem influência direta na existência do fato jurídico, de modo que, na sua falta, não é possível que se considere que o fato jurídico foi concretizado.
Elementos complementares: Os elementos complementares são aqueles que completam o suporte fático, para além dos elementos nucleares. São elementos complementares relativos:
Ao sujeito: a capacidade de agir. A legitimação (poder ativo ou passivo de disposição); a perfeição da manifestação de vontade (ausência de erro, dolo, coação, lesão, estado de perigo, simulação e fraude contra credores); boa fé e equidade (nos negócios de consumo).
Ao objeto: a licitude, a moralidade, as possibilidade física e jurídica e a determinabilidade.
À forma de manifestação da vontade: o atendimento a forma quando prescrita ou não defesa em lei.
O elementos complementares constituem os pressupostos de validade ou eficácia dos negócios jurídicos, não interferindo pois, na existência do fato jurídico.
Elementos integrativos: Os atos integrativos não interferem na existência, validade ou eficácia própria do negócio jurídico, mas atuam no sentido de que se irradie certo efeito que se adiciona à eficácia normal do negócio jurídico. São atos jurídicos praticados por terceiros, em gral por uma autoridade pública que integram o plano da eficácia normal do negócio jurídico (exemplo: para realizar a compra de um imóvel, não basta apenas que haja o ato de compra e venda, é necessário seja provido registro no Registro de Imóveis competente).
A incidência da norma jurídica:
Noção de incidência: A incidência é o efeito da norma jurídica de transformar em fato jurídico a parte do seu suporte fático considerado relevante para ingressar no mundo jurídico. Depois de gerado o fato jurídico, por força da incidência, se poderá tratar de situações jurídicas e de todas as demais categorias de eficácia jurídica.
Características da incidência:
Incondicionalidade: A incidência das normas jurídicas constitui a diferença específica qua as distingue das demais normas de convivência social, devido ao seu caráter obrigatório. Logo, a norma jurídica incide incondicionalmente, independente do querer das pessoas. O desrespeito a norma pode ocorrer, isto porém, não implica ser afastada a incidência nem afetada a sua incondicionalidade. A relação de cumprimento ou descumprimento é posterior à incidência da norma. As normas podem se classificar entre cogentes e não cogentes.
Normas cogentes são aquelas que dispõe imperativamente, impondo ou proibindo determinada conduta (normas impositivas ou imperativas e normas proibitivas).
As normas não cogentes se destinam, ou a suprir a fata de manifestação de vontade negocial, ou a definir o sentido em que dever ser tomadas as manifestações de vontade quando duvidoso o seu conteúdo. As primeiras são chamadas de dispositivas, e as segundas, interpretativas. Onde não há cogência, rege o princípio do autorregulamento da vontade, uma vez que as normas tem como pressuposto a liberdade das pessoas de escolher, dentro de certos limites, a conduta que melhor satisfaça as suas necessidades.
Inesgotabilidade: A incidência não se esgota por haver incidido uma vez, toda vez que o suporte fático se compuser, a norma incidirá. Existem alguns raros casos onde haverá somente uma incidência (caso isolado e único).
Juridicização: O efeito fundamental da incidência é criar fatos jurídicos, e esta é a mais comum das consequências da incidência.
Preceito:
Conceito: O preceito (ou disposição) constitui a parte da norma jurídica em que são prescritos os efeitos atribuídos aos fatos jurídicos. Representa assim, a disposição normativa dobre a eficácia jurídica. Qualquer consequência jurídica que se atribua a um fato jurídico constitui eficácia jurídica, objeto portanto, de um preceito.
Classificação: Assim como no suporte fático, existem dois sentidos atribuídos ao preceito:
Abstrato, definido na norma jurídica;
Concreto, que corresponde à efetivação do preceito abstratamente previsto pela norma. 
O seja, sempre que o fato jurídico ocorre, os efeitos a ele atribuídos abstratamente pela norma, devem se realizar concretamente.
Determinação do suporte fático e do preceito: Pode-se observar, nos sistemas de direito escrito que:
O suporte fático e o preceito de certa norma não estejam descritos em um mesmo dispositivo legal, mas constem de dispositivos distintos, às vezes mais de um dispositivo, que tanto podem integrar a mesma lei, como leis diferentes.
O mesmo fato jurídico pode apresentar matizes diversos, e, em razão disto, haja vários dispositivos que, atendendo a situações fáticas particulares, definam condições que alteram a configuração do suporte fático correspondente no fato jurídico fundamental. Por isso, o preceito pode ser expressado em diferentes graus de intensidade, de modo que, consideradas as conjunturas dos fatos previstas em cada suporte fático, as consequências prescritas no preceito pode ser ampliadas, reduzidas, ou até mesmo suprimidas. Isto em um mesmo diploma legal ou não.