Direito Processual Civil III
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Direito Processual Civil III


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Direito Processual Civil III
1º Unidade

Recursos

Conceito de Recurso:

Segundo José Carlos Barbosa Moreira: \u201co remédio voluntário idôneo a ensejar, dentro do mesmo processo, a reforma, a invalidação, o esclarecimento ou a integração de decisão judicial que se impugna\u201d.

Recursos são os remédios processuais de que se podem valer as partes, o Ministério Público e eventuais terceiros prejudicados para submeter uma decisão judicial a nova apreciação, em regra por um órgão diferente daquele que a proferiu, e que têm por finalidade modificar, invalidar, esclarecer ou complementar a decisão.

Recursos e outros meios impugnativos utilizáveis contra decisões judiciais
Não é o recurso o único instrumento utilizável para atacar a decisão judicial. Além do recurso existem ações autônomas de impugnação.

Recurso: o que caracteriza o recurso é a sua inserção na própria relação jurídica processual onde o direito de ação está sendo exercido.
EX: A hipótese mais frequente é a do recurso que busca a reforma da decisão impugnada, tentando obter em novo pronunciamento, do mesmo órgão judicial, ou de um tribunal superior, uma solução concreta diversa daquela contida no julgado primitivo.

Ações de impugnação: enquanto as ações de impugnação, como a rescisória, o mandado de segurança, os embargos de terceiro etc., representam a instauração de uma nova relação jurídica processual.

Obs: Os recursos não têm natureza jurídica de ação, nem criam um novo processo. Eles são interpostos na mesma relação processual e têm o condão de prolongá-la. Essa característica pode servir para distingui-los de outros remédios, que têm natureza de ação e implicam a formação de um novo processo, como a ação rescisória, a reclamação, o mandado de segurança e o habeas corpus.
Obs: Entre os recursos e as ações de impugnação, costuma-se reconhecer a existência de alguns sucedâneos recursais, que não se enquadrando na categoria de recursos nem na de ação autônoma, permitem, assim mesmo, alguma forma de impugnação a decisões judiciais. Exemplos dessa categoria processual seriam encontrados no pedido de reconsideração, no pedido de suspensão da segurança (Lei nº 12.016/2009, art. 15), na remessa necessária (NCPC, art. 496) e na correição parcial (regimentos internos dos tribunais)

Os recursos podem ter como objetivos:
1) A reforma, quando se busca uma modificação na solução contida no decisório impugnado, de maneira a alcançar, no julgamento recursal, um pronunciamento mais favorável ao recorrente.
2) A invalidação, quando não se busca um novo julgamento, dentro do recurso, para a matéria decidida no ato impugnado, mas, sim, a sua cassação pura e simples, ensejando, posteriormente, volte a mesma matéria a ser julgada em novo decisório que não contenha os vícios que provocaram a anulação do primeiro julgamento. Ocorre esse tipo de recurso, geralmente, nas hipóteses de inobservância de requisitos de validade do julgamento, como a incompetência, o cerceamento de defesa, as decisões citra, extra e ultra petita, e, enfim, a ausência de qualquer pressuposto processual ou condição da ação;
3) O esclarecimento ou a integração: são os embargos de declaração, onde o objetivo recursal específico não é o rejulgamento da matéria decidida nem tampouco a invalidação do ato impugnado, mas, sim e tão somente, o seu aperfeiçoamento, o que se alcança eliminando a falta de clareza ou a contradição nele verificada, ou suprindo-lhe alguma omissão no tratamento das questões suscitadas no processo.

A aptidão para retardar ou impedir a preclusão ou a coisa julgada
Enquanto há recurso pendente, a decisão impugnada não se terá tornado definitiva. Quando se tratar de decisão interlocutória, não haverá preclusão; quando se tratar de sentença, inexistirá a coisa julgada. As decisões judiciais não se tornam definitivas, enquanto houver a possibilidade de interposição de recurso, ou enquanto os recursos pendentes não tiverem sido examinados.
Isso não significa que a decisão impugnada não possa desde logo produzir efeitos: há recursos que são dotados de efeito suspensivo, e outros que não são. Somente no primeiro caso, a interposição do recurso implicará suspensão da eficácia da decisão.
Não havendo recurso com efeito suspensivo, a decisão produzirá efeitos desde logo, mas eles não serão definitivos, porque ela ainda pode ser modificada.

Obs: interposição de agravo de instrumento, nas hipóteses do art. 1.015 do CPC.
Como eles não têm, ao menos em regra, efeito suspensivo, o processo prosseguirá, embora a decisão agravada não tenha se tornado definitiva. Disso resultará importante questão: o que ocorrerá com os atos processuais posteriores à decisão agravada, se o agravo for provido. Tal questão torna-se ainda mais relevante porque, se o agravo tiver demorado algum tempo para ser julgado, pode ter havido até mesmo sentença.
Provido o agravo, todos os atos processuais supervenientes, incompatíveis com a nova decisão, ficarão prejudicados, até mesmo a sentença.
Por exemplo: se o autor requereu a redistribuição do ônus da prova, nos termos do art. 373, § 1º, do CPC, e o juiz a deferiu, tendo sido interposto agravo de instrumento pelo réu, o provimento do recurso fará com que o processo retroaja à fase em que foi proferida a decisão, ficando prejudicados todos os atos supervenientes, incluindo a sentença.
Como o agravo de instrumento impede a preclusão, a eficácia dos atos processuais subsequentes à decisão agravada, e que dela dependam, fica condicionada a que ela seja mantida, porque, se vier a ser reformada, o processo retorna ao status quo ante. Isso faz com que alguns juízes, cientes da existência de agravo de instrumento pendente, suspendam o julgamento, aguardando o resultado do agravo. Mas tal conduta não é admissível, já que ele não tem efeito suspensivo, a menos que o relator o conceda.

Classificação dos recursos no processo civil

Total: quando o recurso ataca a decisão como um todo, requerendo sua reforma integral;

 Parcial: o recurso que impugna a decisão apenas em parte do conteúdo
impugnável da decisão.	

Momento da interposição

Independente: Será independente quando interposto por uma parte independente da conduta da outra parte integrante da relação processual.

Adesivo: o recurso adesivo é o recurso contraposto ao da parte adversa, por aquela que se dispunha a não impugnar a decisão, e só veio a impugná-la porque o fizera o outro litigante.
EX: Imagine um processo em que temos as partes A e B. E na decisão judicial, ocorre sucumbência recíproca. No momento legalmente previsto, a parte A interpôs apelação, por exemplo, mas a parte B, não. A parte B ainda pode interpor apelação. Contudo, não como recurso independente, mas adesivo. Ele acaba sendo, então, uma segunda oportunidade quando, por algum motivo, acontece a perda do prazo processual.

Fundamentação

Livre: são aqueles nos quais a lei deixa a parte livre para, em seu recurso, deduzir qualquer tipo de crítica em relação à decisão, sem que isto tenha qualquer influência na admissibilidade do mesmo. Como exemplo, a apelação, o agravo, o recurso ordinário.

Vinculada: Não permite que o recorrente deduza toda e qualquer matéria de defesa. Os casos de fundamentação vinculada, quem determina os limites do inconformismo, quais são as matérias que podem constar no recurso é a Lei. Ou seja, a Lei estabelece quais são os motivos do inconformismo que o recorrente pode apresentar nos recursos. Ex: embargos de declaração

Objeto tutelado

Ordinário: são aqueles interponíveis perante a Justiça ordinária, ou seja, perante os juízos de primeiro e segundo graus de jurisdição. Não são apenas interpostos perante as instâncias ordinárias, mas também são julgados por ela. Assim, são recursos ordinários a apelação, o agravo e os embargos de declaração, por exemplo.

Extraordinário: são aqueles cuja competência para o seu julgamento é atribuída a um órgão especial, diverso dos juízos de primeiro e segundo graus.

Princípios Fundamentais

Princípio