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ANESTESIA A VITÓRIA SOBRE A DOR

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de cirurgia e o último a sair. Antes mesmo
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Etapas da anestesia
30 ANESTESIA
de o paciente entrar na sala de cirurgia, o anestesiologis-
ta é responsável pelo preparo de todos os equipamentos
e materiais que serão utilizados na anes-
tesia. Esse preparo exige tempo.
Os equipamentos hoje utilizados
para a realização da anestesia são com-
plexos e sofisticados. Durante a cirur-
gia vários monitores e aparelhos eletrô-
nicos são utilizados: o aparelho de anestesia, máquina de
uso específico pelo anestesiologista; monitores como o
aparelho de pressão (mede a pressão arterial); o estetos-
cópio (serve para auscultar as batidas do coração e os
sons dos pulmões); eletrocardiógrafo (faz eletrocardio-
grama de forma contínua); oxímetro de pulso (mede a
oxigenação do sangue); capnógrafo (mede a eliminação
de gás carbônico pelos pulmões), termômetros (para ve-
rificar a temperatura corporal); analisadores de gases (para
medir a concentração de anestésicos inalados).
Para elevar o padrão de segurança do ato anestési-
co-cirúrgico, hoje, em praticamente todos os ambientes
cirúrgicos esses monitores estão presentes. Uma das gran-
des vantagens resultantes da utilização desses monitores
resulta do caráter não-invasivo, isto é, para serem utilizados
não há necessidade de cortar a pele, ou de introduzir qual-
quer aparelho no organismo. Mais do que isso, eles forne-
cem medidas contínuas, e o anestesiologista vigia as fun-
ções do organismo pela clínica e através dos monitores.
O aparelho de anestesia, sempre presente, mesmo
quando a anestesia for local, é usado para administrar
oxigênio e/ou para administrar misturas de vapores anes-
tésicos.
Fazem parte do aparelho de anestesia uma série
de componentes essenciais e válvulas de segurança. Um
O anestesiologista é o
primeiro médico da equipe
a chegar na sala de
cirurgia e o último a sair.
 ANESTESIA 31
componente importante é o ventilador que substitui-
rá, total ou parcialmente, a respiração durante uma
anestesia geral.
Outros materiais que estão sempre prontos para uso,
mesmo que a anestesia não seja geral, são aqueles usados
para garantir que as vias aéreas não fiquem obstruídas,
facilitando assim a respiração. Aqui estão incluídos o la-
ringoscópio, que permite visualizar as cordas vocais e,
através delas, passar um tubo de borracha especial, o tubo
endotraqueal, que garantirá uma via de acesso para ven-
tilar os pulmões, entregar oxigênio e agentes anestésicos
inalatórios para manter a anestesia e evitar a aspiração de
vômito.
Além dos equipamentos, vários medicamentos de-
vem estar preparados e diluídos, em seringas identifica-
das, para utilização durante a anestesia. Tudo isso deve
ser preparado e checado antes de o paciente entrar na
sala para a realização da cirurgia.
Após o preparo de todo o material necessário, é
chegado o momento de o paciente entrar na sala de
cirurgia. Inicia-se a monitorização, punciona-se uma
ou mais veias, para permitir a administração de dro-
gas e para repor as perdas decorrentes do jejum, bem
como daquelas que advirão da própria cirurgia. Daí
por diante, de acordo com o tipo de anestesia mais
adequado para o caso, inicia-se o processo de aneste-
sia.
Indução, manutenção e recuperação
No caso da anestesia geral, podemos subdividi-la
em três fases: indução, manutenção e recuperação.
32 ANESTESIA
A indução da anestesia visa a levar o indivíduo
do seu estado normal de consciência ao de anestesia.
Ao se obter o estado de anestesia adequado, é au-
torizado o início do procedimento cirúrgico, e a anes-
tesia entra no estado denominado de manutenção.
Durante todo o ato cirúrgico, o anestesiologista
permanece junto ao paciente, pois sem a sua presença
a segurança de todo o processo fica ameaçada. A vigi-
lância total é obrigação básica do exercício da aneste-
siologia. Mesmo que tudo esteja tranqüilo, o aneste-
siologista deve estar presente para identificar qualquer
necessidade que possa surgir. Além disso, para manter
o estado de anestesia, a administração de fármacos é con-
tínua. A administração controlada dos fármacos é uma
premissa para se manter a anestesia adequada.
Ao terminar o procedimento cirúrgico o aneste-
siologista inicia a reversão da anestesia, buscando o
mais rápido possível que a consciên-
cia volte ao normal. Livre da admi-
nistração dos fármacos que mantinham
a anestesia, tudo começa a voltar ao esta-
do anterior. As funções vitais do organis-
mo, como a respiração e a circulação re-
tornam aos poucos aos valores prévios.
Em alguns minutos, o paciente estará acordando, de prefe-
rência sem dor, sem agitação, sem náuseas e sem vômito.
Esta é a fase de recuperação.
Como o vôo de um avião...
Freqüentemente a anestesia é comparada ao vôo de
um avião. Embora esta seja uma forma simplória de vi-
Durante todo o
ato cirúrgico, o
anestesiologista permanece
junto ao paciente.
 ANESTESIA 33
sualizar o processo como um todo, contém vários fato-
res em comum. A indução seria a decolagem, a manu-
tenção seria a permanência do avião no ar, o equilíbrio e
a segurança, e a recuperação, a aterrissagem. O aneste-
siologista seria o comandante do vôo, que os passagei-
ros, muitas vezes, nem sequer conhecem mas nele confi-
am, colocando suas vidas aos cuidados desse profissional
que, acreditam, tenha formação e responsabilidade suficien-
tes para conduzi-los, de forma segura e suave, ao destino
planejado.
RECUPERAÇÃO PÓS-ANESTÉSICA
A terceira e última etapa de qualquer anestesia aconte-
ce fora da sala de cirurgia, mas ainda dentro do bloco cirúr-
gico. Denomina-se recuperação pós-anestésica. Logo após
a anestesia, é necessário um período de tempo de vigilância.
O organismo precisa voltar ao estado normal. Eli-
minar os fármacos e seus efeitos, leva um tempo maior, e
é num local especial, a Sala de Recuperação, onde isso
acontece.
Os cuidados são mantidos pela enfermagem com a
supervisão de um médico anestesiologista e visam a obter
uma recuperação confortável e sem efeitos indesejáveis.
A permanência nessa sala varia muito. O paciente
aí ficará até estar completamente desperto ou recupera-
do. Só aí é que o anestesiologista dará autorização para
que ele seja levado de volta para o quarto.
A alta da Sala de Recuperação dependerá de uma
soma de fatores, como: duração, tipo e porte da cirurgia;
a estabilidade das funções do organismo; o tipo de anes-
tesia utilizada; o caráter ambulatorial ou internado do
procedimento; as doenças concomitantes...
34 ANESTESIA
Se o caso exigir, a recuperação pode se realizar ou
continuar na Unidade de Cuidados Intensivos (UTI).
Embora possa parecer complicado, o resultado de
todo esse processo é seguro, sendo raras as complicações
e os acidentes. Estima-se, em várias estatísticas nacionais
e internacionais, que a mortalidade em anestesia seja da
ordem de uma morte para cada 20 mil procedimentos,
ou até menos. Destaque-se que o principal fator de risco
é o estado de saúde prévio do paciente.
 ANESTESIA 35
O paciente deve ficar em jejum antes da cirurgia.
O tempo mínimo de jejum será informado pelo anes-
tesiologista ou pelo cirurgião. Deve informar a verda-
de sobre todas as perguntas realizadas. Ainda que al-
gumas possam parecer constrangedo-
ras, nada deve ser omitido. O uso de
cigarros, bebidas alcoólicas ou outras
drogas de uso lícito ou ilícito deve ser
informado. Se o anestesiologista não
tiver conhecimento disso, não pode-
rá evitar ou entender interações com
as medicações que ele utiliza. Nenhum julgamento
sobre a pessoa ou seus atos será realizado e a informa-
ção prestada será mantida em sigilo médico.
Deve o paciente informar também sobre os produ-
tos ou remédios que provocam qualquer tipo de alergia.
Se já realizou alguma cirurgia antes, é fundamental rela-
tar as experiências anteriores