Busca ativa  Abordagem Social
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Busca ativa Abordagem Social


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TRABALHO DE ABORDAGEM SOCIAL E BUSCA ATIVA NO ÂMBITO DO SUAS 
 
Rogério Araújo da Silva1 
 
 
No âmbito das políticas públicas no Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) 
antecede ao Sistema Único da Assistência Social (SUAS) no que se refere ao emprego 
da busca ativa, que é utilizada pela saúde, quando se trata de monitoramento das 
endemias e das doenças crônicas (dengue, hanseníase, hipertensão, hepatite, entre 
outros). É um procedimento de suma importância no conjunto de ações em vigilância 
epidemiológica de investigação de campo, e tem como objetivo a identificação precoce 
de casos suspeitos e uma rápida confirmação a fim de orientar adequadamente a 
aplicação de medidas de controle (LEMKE, 2010). 
Com o fortalecimento das ONGs na década de 1980 a presença de educadores 
nas ruas torna-se uma constante. Surge nesse período o Projeto Alternativo de 
Atendimento aos meninos e meninas de rua. Os monitores, como eram então chamados 
os profissionais que trabalhavam com eles, buscavam estabelecer um vínculo pessoal 
com o menino(a) de rua. Surge a categoria \u201ceducador de rua\u201d e a chamada \u201cpedagogia 
da rua\u201d (RAMOS, 1999). 
 
Mas o que é a busca ativa? 
A busca ativa insere-se na política do SUAS e constitui-se numa atividade 
realizada no âmbito dos serviços socioassistenciais com dois propósitos: 1º: Identificar 
potenciais usuários para inseri-los na rede de atendimento; 2º: Buscar retorno de um 
usuário desistente de um serviço sócio assistencial. A busca ativa pode se dar por 
diversos meios, que viabilizem o contato com o usuário (BELO HORIZONTE, 2007, p. 
13). 
O termo busca ativa passou a ser usado para denotar uma postura política de 
trabalho sobre a bandeira da integralidade do cuidado, que pressupõe atender às 
necessidades do indivíduo para além da demanda espontânea; 
A busca ativa é uma ferramenta de proteção social essencial para o planejamento 
local e para a ação preventiva da Proteção Social Básica, disponibiliza informações 
 
1 Sociólogo, analista de políticas da assistência social da Secretaria da Mulher, do Desenvolvimento 
Social, da Igualdade Racial, dos Direitos Humanos e do Trabalho. 
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sobre o território, permitindo assim compreender melhor a realidade social, para nela 
atuar. 
De acordo com a Tipi\ufb01cação Nacional de Serviços Socioassistenciais (2009), o 
Serviço especializado em Abordagem Social é ofertado de forma continuada e 
programada com a \ufb01nalidade de assegurar trabalho social de abordagem e busca ativa 
que identi\ufb01que, nos territórios, a incidência de situações de risco pessoal e social, por 
violação de direitos, como: trabalho infantil, exploração sexual de crianças e 
adolescentes, situação de rua, uso abusivo de crack e outras drogas, dentre outras. O 
serviço configura-se como um importante canal de identificação de situação de risco 
pessoal e social que podem, em determinadas situações, associar-se ao uso abusivo ou 
dependência de drogas. Ofertado no âmbito da Proteção Social especial de média 
complexidade, o Serviço de Abordagem Social deve garantir atenção às necessidades 
mais imediatas das famílias e dos indivíduos atendidos, buscando promover o acesso à 
rede de serviços socioassistenciais e das demais políticas públicas na perspectiva da 
garantia de direitos. O serviço deve atuar com a perspectiva de elaboração de novos 
projetos de vida. Para tanto, a equipe deve buscar a construção gradativa de vínculos 
de confiança que favoreça o desenvolvimento do trabalho social continuado com as 
pessoas atendidas. (BRASIL, 2013, p.6-7) 
 
O serviço pode ser ofertado pelo CREAS ou unidade específica referenciada ao 
CREAS, nos territórios onde se identificar demanda. Cabe destacar que o Serviço 
Especializado em Abordagem Social também poderá ser ofertado pelos Centros de 
Referência Especializada para População em Situação de Rua (Centro POP), conforme 
avaliação e planejamento da gestão local, observada a relevância, pertinência e 
possibilidades de oferta deste Serviço pelo Centro POP no território em questão. 
 
O que é o serviço especializado em abordagem Social? (situação de rua) 
O serviço con\ufb01gura-se como um importante canal de identi\ufb01cação de situação de 
risco pessoal e social que podem, em determinadas situações, associar-se ao uso abusivo 
ou dependência de drogas. O Serviço de Abordagem Social deve garantir atenção às 
necessidades mais imediatas das famílias e dos indivíduos atendidos, buscando 
promover o acesso à rede de serviços socioassistenciais e das demais políticas públicas 
na perspectiva da garantia de direitos. O serviço deve atuar com a perspectiva de 
elaboração de novos projetos de vida. Para tanto, a equipe deve buscar a construção 
gradativa de vínculos de con\ufb01ança que favoreça o desenvolvimento do trabalho social 
continuado com as pessoas atendidas. 
 
Em quais espaços o serviço atuará? 
Podem constituir espaços de intervenção e trabalho social do serviço: ruas, 
praças, entroncamento de estradas, fronteiras, espaços públicos onde se realizam 
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atividades laborais (por exemplo: feiras e mercados), locais de intensa circulação de 
pessoas e existência de comércio, terminais de ônibus e rodoviárias, trens, metrô, 
prédios abandonados, lixões, praias, semáforos, entre outros locais a depender das 
características de cada região e localidade. 
As informações de diagnósticos socioterritoriais são fundamentais para a 
de\ufb01nição dos locais de trabalho em que o serviço deverá atuar. Esses diagnósticos 
devem ser realizados em conjunto com a área da vigilância socioassistencial. 
 
Quem são os usuários do serviço? 
Crianças, adolescentes, jovens, adultos, idosos e famílias em situação de risco 
pessoal e social que utilizam os espaços públicos como forma de moradia e/ou 
sobrevivência. 
 
Quais são os eixos norteadores do serviço 
Proteção social proativa - Caracteriza-se a partir da presença, continuada e ativa 
de pro\ufb01ssionais nos espaços públicos, para identi\ufb01car e conhecer as reais demandas e 
necessidades das pessoas e famílias em situação de risco pessoal e social nos espaços 
públicos. 
Considerando que os usuários do serviço de abordagem social, por vezes, 
encontram-se fragilizados física, mental e moralmente pelas condições de vida a que 
estão submetidos, cabe ao serviço ir ao encontro dessas pessoas, antecipando-se à 
procura espontânea ou às costumeiras comunicações/chamadas ou até denúncias de 
moradores ou pessoas da comunidade. 
O serviço deve buscar, continuamente, a superação de estigmas discriminatórios 
de raça, cor, expressão estética e diversidade de gênero, na a\ufb01rmação permanente dos 
direitos às expressões sociais e o respeito às diferentes formas de ser e estar no mundo. 
 
Acesso a direitos socioassistenciais e construção de autonomia 
Direito a um atendimento digno, atencioso e respeitoso, ausente de 
procedimentos vexatórios e coercitivos; - direito ao tempo, ou seja, reduzida espera ao 
acessar a Rede de Serviços, de acordo com as necessidades; direito à informação, 
sobretudo às pessoas com vivência de barreiras culturais, de leitura e comunicação de 
limitações físicas e mobilidade reduzida; direito ao protagonismo e manifestação dos 
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seus interesses; direito à oferta quali\ufb01cada do serviço; direito de convivência familiar e 
comunitária. 
 
Construção gradativa de vínculo de con\ufb01ança com os sujeitos, a rede e o território 
Os pro\ufb01ssionais da abordagem social podem representar pessoas de referência no 
processo de (re)construção de projetos de vida dos indivíduos que são acompanhados. 
 
A abordagem social constitui-se em processo de trabalho planejado de 
aproximação, escuta qualificada