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ao mercado de construção, é também uma avaliação parcial, posto que não 
necessariamente o atendimento completo ao checklist garanta o melhor 
desempenho global de um edifício. Silva, Silva e Agopyan (2003, p.12) 
afirmam: “os checklists embutem o risco de favorecer a qualificação de edifícios 
que contenham equipamentos em detrimento do seu desempenho ambiental 
global.” Por este motivo, as novas gerações de sistemas de avaliação de 
edifícios sustentáveis têm procurado se afastar desta metodologia. 
Edwards (2008) afirma ainda que um dos principais problemas do método 
BREEAM e de ferramentas semelhantes – como o BEPAC e o LEED – é que 
sua aplicação só é realizada quando o projeto arquitetônico já foi definido. Para 
Entre o Discurso e a Prática: o mi(n)to da arquitetura sustentável 
Capítulo 2 – Revisão de Literatura 
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o autor, os métodos de avaliação devem privilegiar critérios que ajudem nas 
formulações para o Estudo Preliminar, durante o qual a maioria das decisões 
ambientais é tomada. 
A grande crítica sobre métodos de avaliação da sustentabilidade de 
edifícios é, portanto, qual deverá ser sua abordagem: voltados ao desempenho 
ou a dispositivos? Para Silva, Silva e Agopyan (2003): 
Esta é uma das discussões mais efervescentes no campo das 
avaliações ambientais de edifícios. No estado atual de 
desenvolvimento da metodologia, as diferenças fundamentais 
na essência dos itens avaliados ainda resultam em métodos 
híbridos, que tentam combinar o maior número possível de 
critérios orientados ao desempenho com um número inevitável 
de itens orientados a dispositivos. 
A condição ideal é obter-se um método completamente 
orientado à avaliação de desempenho que seja viável 
praticamente. (SILVA; SILVA; AGOPYAN, 2003, p.16) 
Outro desafio eminente é o fato de que a maioria dos sistemas de 
avaliação disponíveis contempla apenas os aspectos ambientais dos edifícios. 
Isto se deve ao fato de esta ser a principal demanda dos países desenvolvidos 
– em especial, países europeus e os EUA –, local do desenvolvimento inicial 
destes sistemas de avaliação. Este, entretanto, não é o caso de países em 
desenvolvimento como o Brasil, nos quais as dimensões sociais e econômicas 
são primordiais (SILVA; SILVA; AGOPYAN, 2003). 
Esta diferença em prioridades é explicada da seguinte forma por Silva, 
Silva e Agopyan (2003): a questão do consumo de energia e de suas emissões 
associadas é fortemente pontuada nestes sistemas de avaliação; isto se deve 
ao fato da matriz energética dos países desenvolvidos supracitados ser 
baseada basicamente em combustíveis fósseis, diferentemente do caso 
brasileiro, no qual a matriz energética é primordialmente hidrelétrica. A fonte 
energética brasileira eleva naturalmente a pontuação deste quesito, sem, 
entretanto, indicar resultados significativos de economia de energia. 
Outra questão valorizada nestas avaliações é o uso do solo, que privilegia 
o adensamento populacional, em decorrência da escassez de terrenos em 
centros urbanos europeus; no Brasil, esta preocupação tão pouco é prioritária, 
exceto em algumas poucas regiões metropolitanas (SILVA; SILVA; AGOPYAN, 
2003). 
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Já a questão previamente mencionada do controle do desperdício, que se 
apresenta como princípio fundamental ao desenvolvimento sustentável da 
construção civil brasileira (JOHN; SILVA; AGOPYAN, 2001; AGOPYAN; JOHN; 
GOLDEMBERG, 2011), não é encarado como item importante nas avaliações 
internacionais, afinal, nos países desenvolvidos as técnicas construtivas já 
possuem baixos índices de perdas e desperdícios. 
Finalmente, o quesito de iluminação natural, pertencente à categoria 
“qualidade do ambiente interno”, justifica-se nos países europeus e nos EUA 
devido às latitudes pouco favoráveis do hemisfério norte. No Brasil, as 
exigências das avaliações internacionais são facilmente obtidas obedecendo-
se apenas aos códigos de obras municipais. Novamente, como no caso da 
economia de energia, os resultados alcançados são altíssimos, sem, no 
entanto, indicar uma qualidade consistente dos ambientes internos 
(AGOPYAN; JOHN; GOLDEMBERG, 2011). O grande problema brasileiro seria 
obter a quantidade ideal de iluminação natural por ambiente, sem causar 
ofuscamento. 
Para Amodeo, Bedendo e Fretin (2006, n.p.), a inviabilidade da 
importação de métodos internacionais deve-se à nossa diversidade “(...) com 
variações que vão das regiões litorâneas às montanhas, dos planaltos e semi-
áridos às regiões pantaneiras, campos subtropicais e florestas equatoriais”, 
sem contar as variações culturais e econômicas. 
Esta discussão comprova a impossibilidade de se importar um método 
internacional para o Brasil, embora não seja absolutamente necessário 
desenvolver um método próprio completamente alheio aos demais: 
A análise dos métodos existentes demonstra que eles são 
naturalmente diferentes, porque as agendas ambientais variam 
de um país a outro; assim como as práticas construtivas e de 
projeto, o clima e a receptividade dos mercados à introdução 
dos métodos. Apesar do detalhamento das agendas variar de 
um país a outro, isto ocorre dentro de blocos de discussão 
relativamente comuns, que estão presentes em qualquer 
contexto. (SILVA; SILVA; AGOPYAN, 2003, p.17) 
Assim, o Brasil pode utilizar as experiências já consolidadas de outros 
países, adaptando-as à nossa realidade, passando de uma avaliação ambiental 
para uma avaliação sustentável (SILVA; SILVA; AGOPYAN, 2003). 
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Uma das metodologias desenvolvidas em busca de uma avaliação plena 
da sustentabilidade, considerando todas as suas dimensões, é a avaliação por 
indicadores de sustentabilidade. Silva (2007) afirma que “Um indicador é um 
parâmetro (propriedade medida ou observada) ou valor derivado de parâmetros 
que fornece informações sobre determinado fenômeno” (SILVA, 2007, p.48)3. 
A autora afirma ainda que dentre as principais vantagens no uso de 
indicadores estão a redução do número de parâmetros e medições que 
descreveriam uma dada situação e a simplificação dos dados obtidos numa 
análise. No caso da construção civil, os indicadores de sustentabilidade seriam 
então utilizáveis para descrever ou medir os impactos ambientais, econômicos 
e sociais provocados pelos edifícios aos seus usuários – proprietários, 
construtores, moradores, etc. – assim como ao local de sua implantação 
(SILVA, 2007, p.48). Para Marcelo, Vizioli e Angineli, 
A utilização de indicadores de sustentabilidade é um 
instrumento importante na identificação dos níveis de qualidade 
de vida das concentrações populacionais. Também é uma 
ferramenta essencial na elaboração e monitoramento de metas 
em desenvolvimento sustentável, e um de seus produtos é a 
construção de diagnósticos e possibilitam a proposição de 
soluções específicas para cada comunidade. (MARCELO; 
VIZIOLI; ANGINELI, 200-?, n.p.) 
Para Edwards (2008), os indicadores facilitam o trabalho dos arquitetos, 
pois evitam uma análise extremamente minuciosa, servindo como guias para a 
boa prática arquitetônica. 
Outra vantagem do uso de indicadores sustentáveis é sua visão global: 
Os métodos de avaliação ambiental de edifícios disponíveis 
tipicamente não abordam os aspectos sociais e econômicos da 
sustentabilidade e são dirigidos a edifícios individuais. Já a 
discussão de indicadores de sustentabilidade (particularmente 
indicadores sociais e econômicos) relaciona-se a medidas mais 
gerais da sociedade, como redução de pobreza, analfabetismo, 
PIB, etc., que não são facilmente relacionadas à escala 
organizacional ou de um edifício. (COLE, 2002; TODD; JOHN, 
2001 apud SILVA,

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