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Fundamentos Sócio Históricos da Educação

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social. 
O ser individual é aquele constituído pelos estados mentais que dizem respeito ao próprio 
indivíduo e aos acontecimentos de sua vida pessoal. Já o ser social é aquele composto de um 
sistema de ideias, sentimentos e hábitos que exprimem em nós os diversos grupos dos quais 
participamos: são as práticas morais, as crenças religiosas, as tradições familiares, locais ou 
nacionais, as práticas profissionais, etc. 
O ser social não nasce com o homem e não resulta de um desenvolvimento espontâneo, 
mas é fruto de educação. Sendo a sociedade a grande entidade moral, é ela, através da 
educação, a responsável pela conservação e pelo acréscimo da herança cultural de cada 
geração. 
É a moral de uma sociedade que obriga as pessoas a assumirem padrões de 
comportamento que não são os seus próprios, mas os do grupo. É a sociedade que nos ensina o 
sacrifício, a privação e a subordinação dos desejos pessoais aos da sociedade. Ensina-nos a 
dominar paixões e instintos, criando leis, enfim, cria o sistema de normas de conduta que 
determinam como cada indivíduo deve agir em determinada circunstância. 
A Moral é, então, um sistema de normas de conduta que prescrevem como o sujeito deve 
conduzir-se em determinadas circunstâncias, pois naturalmente, o homem não se submeteria à 
autoridade, não respeitaria a disciplina, não se devotaria e nem se sacrificaria. Não se curvaria a 
sistemas simbólicos ou a divindades. A Moral envolve uma noção de dever, de obrigação; as 
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normas são sentidas como desejáveis e para cumprir as necessidades da sociedade, somos 
capazes de ultrapassar nossa individualidade natural. 
As normas são desejáveis e desejadas por aqueles a quem se destinam e os indivíduos 
passam a encará-las como um prazer (prazer em cumprir o dever). A noção de dever evolui para 
a noção de bem. A liberdade então, passa a ser a filha da autoridade bem compreendida. Ser livre 
passa a ser agir pela razão, buscando o bem comum. 
Esta Moral deve estar de acordo com o tempo e com cada sociedade. Ela evolui com a 
sociedade e deve ser comum e geral para toda coletividade. A sociedade é a autoridade moral e é 
ela que confere o caráter obrigatório às normas morais, mas para exercer essa autoridade moral, 
utiliza-se de entidades morais, como a escola, as igrejas, etc. 
A criança nasce como uma tábula rasa, marcada apenas pela sua característica de 
indivíduo, um ser definido por Durkheim como egoísta e associal. É uma forma capaz de vida 
social e moral, mas que deve ser trabalhada pela educação. Constituir no homem o ser social é o 
atributo peculiar da educação. A educação teria como efeito engrandecer o indivíduo e torná-lo 
criatura verdadeiramente humana e não o objetivo de comprimir o indivíduo, amesquinhá-lo, 
desnaturá-lo, como alguns críticos de sua obra acusavam. 
Dos diversos aspectos das abordagens sociológicas de educação, um dos que mais se 
destaca é esta relação estreita entre as determinações individuais e as construções sociais. Há 
uma clara ascendência dos aspectos sociais sobre os individuais e a estruturação desse processo 
se faz através da educação. 
Essa ideia era decorrente das diversas mudanças que ocorriam na sociedade do seu 
tempo e na necessidade de se formar o homem novo, o homem social, pautado por novas normas 
de convívio social, novas normas morais sociais, que regulassem a vida coletiva e conservassem 
a nova ordem estabelecida. 
Seu papel significativo para a educação foi ter atribuído à mesma este caráter essencial de 
formadora do ser social. 
 
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FIQUE LIGADO!!! 
 
Educação e Sociologia. Publicado em 1922, após a morte de 
Durkheim. Este livro reúne escritos de Durkheim cuja organização 
e publicação foi feita por Paul Fauconnet. São quatro capítulos que 
reúnem textos escritos no começo do século XX, abrangendo o 
intervalo de oito anos (1901- 1911). 
O suicídio – Neste livro, publicado em 1897, Durkheim faz a 
análise sociológica do que pode parecer um ato íntimo, pessoal. 
Segundo sua análise, o suicídio é um fato social e cada sociedade 
se predispõe a oferecer um contingente de mortos voluntários. Ele 
diferencia os tipos de suicidas (o altruísta, o egoísta e o anômico e 
o fatalista). O suicida altruísta é aquele do indivíduo bem inserido 
na sociedade, mas que não suporta um golpe da vida e prefere 
não “perturbar” o grupo no qual está inserido. O suicida egoísta é 
aquele que, preocupado com si mesmo e com seus problemas, 
não encontra na sociedade, o apoio que necessita. O suicídio 
anômico é decorrente de um comportamento individual, fora das 
normas, onde há uma desproporção entre os desejos e aspirações 
do indivíduo e as suas satisfações. Em geral, atinge sociedades 
onde o valor econômico sobrepõe-se ao valor moral e social. O 
suicídio fatalista, explicado apenas em uma nota de rodapé, é 
aquele praticado por um escravo, por exemplo. É de pouca 
significação social, para Durkheim. 
1.5.2. MAX WEBER 
Max Weber nasceu na cidade de Erturt, na região da Turígia, Alemanha, em 1864. Foi 
Economista, Sociólogo e Filósofo. Em 1869 mudou-se para Berlim, onde sua formação intelectual 
foi realizada. Filho de um conhecido advogado, foi criado em uma família de classe média alta, em 
uma atmosfera intelectual estimulante e orientada no sentido das humanidades. Recebeu 
esmerada educação secundária em línguas, história e literatura clássica. Em 1882, iniciou seus 
estudos superiores na Faculdade de Direito de Heidelberg, continuando-os em Göttingen e em 
Berlim. Além do curso de Direito, dedicou-se simultaneamente aos estudos de Economia, História 
e Filosofia. Ao concluir seu curso, após um ano de serviço militar, começou a trabalhar em Berlim, 
como assessor do Governo nos tribunais ao mesmo tempo em que era professor livre-docente na 
Universidade de Berlim. Em 1889, escreveu sua tese de doutoramento e em 1893 casou-se com 
Marianne Schnitger, depois conhecida como Marianne Weber e que, além de ser socióloga, foi a 
principal divulgadora de sua obra. 
Foi professor da Universidade de Freiburg e de Heidelberg, mas com sérias perturbações 
mentais, afasta-se da carreira docente em 1899, voltando às atividades somente em 1903, como 
co-editor do Arquivo de Ciências Sociais, uma das mais destacadas publicações de ciências 
sociais da Alemanha. 
Publicou diversos ensaios sobre problemas econômicos e sobre a objetividade nas 
ciências sociais. Em 1904 publica a primeira parte daquela que será uma das suas obras mais 
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conhecidas: A ética protestante e o espírito do capitalismo. A segunda parte será publicada em 
1905, após uma viagem aos Estados Unidos, onde pronuncia conferências enquanto recolhe 
material para escrever a segunda parte desta obra. 
Mas Weber não voltou a dar aulas em universidades. Proferiu algumas conferências nas 
Universidades de Viena e Munique nos anos que precederam sua morte, além de ministrar aulas 
particulares. Faleceu em 1920 em decorrência de uma pneumonia aguda. 
Weber se distingue dos demais pioneiros das Ciências Sociais (Comte, Marx, etc.), por 
recusar a integração dos fenômenos sociais nas análises das filosofias evolucionistas ou 
deterministas. Para Weber, a história é indeterminada. Para decifrar o mundo social, basta 
compreender a ação dos homens do ponto de vista da sua subjetividade, de seus valores e não 
apenas através das causas e pressões exteriores. Ele recusa, também, as teorias de que o 
desenvolvimento econômico da humanidade ocorre em etapas sucessivas obrigatórias. 
Sobre o trabalho sociológico, ele assinala a necessidade do trabalho de campo: sem uma 
prática, a pura reflexão teórica e epistemológica torna-se estéril. 
Nas conferências que fará na Universidade de Munique, sobre

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