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Fundamentos Sócio Históricos da Educação

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a vocação do sábio e do 
político, ele defenderá uma cisão clara entre estes dois tipos de atividades e busca oferecer 
argumentos que justifiquem a separação entre ciência e opinião. A Sociologia não teria como 
objetivo reformar a sociedade ou propor teorias revolucionárias. O sábio deveria demonstrar uma 
neutralidade axiológica, evitando analisar a realidade através de seus valores pessoais e evitando 
também de emitir juízos de valores. Quer dizer, o cientista deve deixar de lado suas convicções 
pessoais ao fazer análises críticas sobre a realidade. O julgamento do cientista deve ser marcado 
pela análise da realidade e não por julgamentos de valor (crenças pessoais). Para Weber, a 
Sociologia é então uma ciência das realidades. E como ciência das realidades, nem é uma 
atividade puramente especulativa nem uma análise estreitamente ligada à prática política. A 
Sociologia seria então uma ciência que se propõe a compreender pela interpretação a atividade 
social e por conseguinte, explicá-la por suas relações de causa e efeito. 
Esta definição vai separar claramente as visões de Durkheim e de Weber. Para ele, não é 
tanto o fato social que importa, mas a ação social, a atividade social. A ação social é o produto 
das decisões tomadas pelos indivíduos e que dão sentido próprio às suas ações. Na Sociologia de 
Weber, o complemento lógico e necessário dos procedimentos compreensivos é a análise causal. 
Apesar de contemporâneos, Weber e Durkheim não se conheceram e nem se 
preocuparam em discutir as ideias um do outro, embora Durkheim tenha convivido com Marianne 
Weber no seu período de permanência na Alemanha. 
Weber explorou de forma sistemática os fatos religiosos, preocupando-se em observar as 
práticas e atitudes globais dos homens em face do mundo, práticas essas induzidas pelas 
concepções religiosas. Ele mostrou que a maior parte das atitudes não são específicas de uma 
religião, mas que cada uma das grandes religiões divulga, com mais ou menos força, as diferentes 
formas de salvação e que estas crenças influenciam consideravelmente as relações econômicas. 
Em relação à educação, suas reflexões são compreendidas no âmbito da sua Sociologia 
Política e da Sociologia das Religiões. Nestes estudos, ele descreveu os tipos de dominação que 
possuem correspondência com os tipos de educação e das mudanças sociais ocasionadas pelos 
diferentes tipos de racionalização que interferem na vida prática dos indivíduos. Ele não dedicou 
nem um artigo ou capítulo de livro à educação (sua coletânea de textos denominada Sobre a 
Universidade é uma denúncia acerca do trabalho docente). 
Max Weber propôs trabalhar a análise social a partir de uma ferramenta conceitual por ele 
denominada ideal-tipo. Segundo esta proposta, o sociólogo, para trabalhar, pode criar categorias, 
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quadros de análise, que não são representações exatas da realidade mas que, para as 
necessidades da pesquisa, acentuam as características de um tipo. O ideal-tipo não reflete o real, 
mas facilita a análise de seus componentes. Esta imagem mental é um meio de elaborar 
hipóteses, de tornar mais clara a linguagem; é uma ferramenta de pesquisa lógica, não uma 
finalidade em si. 
No livro Economia e Sociedade, ele apresentou os quatro tipos ideais, que servirão até os 
dias atuais para a análise das ações humanas (tradicional, afetiva, racional e racional-legal). 
Esses tipos ideais descritos neste livro serão bastante utilizados em análises administrativas. Da 
análise destes tipos ideais, ele chega à análise dos tipos de dominação, que ele atribui a cada tipo 
de atividade (tradicional, afetiva e racional): 
• A dominação tradicional, fundada sobre caráter sagrado da tradição. 
• A dominação carismática – derivada de uma personalidade dotada de uma aura 
excepcional, de um forte carisma fundado sobre a força da convicção do chefe, sua 
capacidade à reunir e à mobilizar as multidões e sobre a propaganda. 
• A dominação legal – apoiada sobre o poder do direito abstrato e impessoal, ligado à 
função e não à pessoa. Este poder se justifica pela competência, a racionalidade das 
escolhas e se encarna melhor na forma de uma administração burocrática. 
Decorrentes destes tipos de dominação, surgem as finalidades da educação. Para ela, 
historicamente, há duas finalidades no campo da educação: uma é a de despertar o carisma, isto 
é as qualidades heróicas e os dons mágicos (correspondendo à estrutura carismática de domínio). 
A outra, é a de transmitir o conhecimento especializado (correspondendo à moderna estrutura de 
domínio, racional e burocrática). Há também uma terceira finalidade, que é o preparo da conduta 
do homem culto, das classes superiores (correspondendo à dominação tradicional). Estes são os 
principais tipos de educação que teriam existido no decorrer da história. 
O patriarcalismo e o patrimonialismo são os mais importantes tipos de domínio de 
legitimidade baseados na tradição. Eles se pautam num sistema de regras invioláveis, cujas 
infrações acarretam consequências graves para toda a comunidade. 
Segundo Weber, o questionamento sobre as finalidades da educação é relevante, visto 
que a questão da formação do homem culto ou do especialista é vital para a existência da 
sociedade capitalista. Devido à especialização tanto dos setores públicos como privados, 
necessita-se cada vez mais do saber especializado, ficando a formação do homem culto em 
segundo plano. A educação é justamente uma dos recursos que possibilitam o acesso das 
pessoas de menor prestígio às posições de destaque e que permite às pessoas que ocupam 
funções de destaque e de poder, para manterem e/ou melhorarem sua posição social. 
Nas burocracias, os diplomas são símbolos de prestígio social e utilizados, muitas vezes, 
como vantagem econômica. 
Na análise da sociedade capitalista, Weber não privilegiou a ocorrência de uma relação 
harmoniosa entre os indivíduos. Pelo contrário, assinalou a ocorrência de uma luta latente pela 
existência entre os indivíduos. A esta luta, ele denominou seleção social. 
Ele diferenciou as noções de seleção social e de seleção biológica. Seleção é a luta não-
intencional pela existência entre os indivíduos. Seleção Social é quando esta seleção se relaciona 
com as chances que o indivíduo tem na vida. A seleção biológica é aquela ligada às chances de 
sobrevivência do indivíduo, decorrentes do seu patrimônio genético. A longo prazo, toda luta 
acarreta a seleção; ela é permanente nas sociedades e não existe forma de eliminá-la 
globalmente a não ser de forma utópica ou teórica. A educação é, então, um importante elemento 
para favorecer os indivíduos na seleção social. 
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A educação, por ser uma relação associativa, tal como qualquer relação social, orienta-se 
racionalmente a um fim que pode criar valores diferentes dos intencionados pelos agentes do 
processo educativo. 
Determinadas formas de educação tendem a criar profissões qualificadas. Profissões que 
requerem um mínimo de instrução e possibilidades contínuas de aquisição e que serão escolhidas 
levando-se em conta uma tradição (profissão dos pais), uma consideração racional (renda) ou 
motivos afetivos. 
No livro “Economia e Sociedade”, Weber refere-se à importância da família na educação 
dos jovens e das crianças: Mas a dominação exercida pelos pais e pela escola estende-se para 
muito além da influência sobre aqueles bens culturais (aparentemente apenas) formais até a 
formação do caráter dos jovens e com isso dos homens (WEBER, 1997 p.172). Segundo ele, o 
repúdio ao divórcio, na classe média, estava relacionado às dificuldades que a desagregação 
familiar trazia para a educação dos jovens e crianças. Com o aumento da especialização da 
sociedade, maior é a importância dada ao refinamento da cultura dos indivíduos

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