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Apostila Bases Psicomotoras

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nas atividades psicomotoras que também favorece o 
desenvolvimento afetivo entre as pessoas, o contato físico, as emoções e as 
ações. O objetivo da Psicomotricidade é desenvolver as possibilidades motoras 
e criativas do ser humano em sua globalidade, partindo do seu corpo, levando a 
centralizar sua atividade e a procura do movimento e do ato. 
A Psicomotricidade age de forma atuante e com uma visão de ciência e 
técnica, tendo como foco a Educação Física, a partir de uma visão mais ampla 
em que o homem deixa de ser percebido como um ser essencialmente biológico, 
para ser concebido por visão abrangente, na qual se considera os processos 
sociais históricos e culturais. 
Com a educação psicomotora a Educação Física passa a ter como 
objetivo principal incentivar a prática do movimento em todas as etapas da vida 
de uma criança. 
É importante ressaltar que na psicologia do desenvolvimento e da 
aprendizagem, toda obra de Henri Wallon e de Jean Piaget colocam em 
evidência o papel da atividade corporal no desenvolvimento de funções 
cognitivas. Wallon (1968) afirma que o pensamento nasce para retornar a ele. 
Piaget (1987, apud OLIVEIRA, 2000) diz que, mediante a atividade corporal a 
criança pensa, aprende, cria e enfrenta os problemas. 
Assim a atividade motora e a mental passaram a ser vistas como 
atividades que estão intimamente em inter-relação, influenciando uma com a 
outra, através de seus dois componentes essenciais, o sócio afetivo e o 
cognitivo. A Psicomotricidade contribui de maneira expressiva para formação do 
esquema corporal, o que facilitará a orientação espacial. Ela deve ser entendida 
e compreendida em sua integridade, pois o nosso corpo está presente em todas 
as situações, e é através do movimento, que o ser humano participa do mundo 
manifestando suas intenções. 
A Psicomotricidade, como toda a ciência tem um objetivo de estudo 
próprio e assim retira sua unidade e especificação, isso quer dizer que o corpo 
e a sua expressão dinâmica são fundamentadas, de acordo com Kyrillos e 
Sanches, em três conhecimentos básicos: 
O movimento, que segundo os conhecimentos atuais ultrapassa o ato 
mecânico e o próprio indivíduo, sendo à base das posturas e 
posicionamentos diante da vida; o intelectivo, que encerra a gênese e 
todas as qualidades da inteligência do pensamento humano, seu 
desenvolvimento depende do movimento para estabelecer, 
desenvolver e operar; o afeto, que é a própria pulsão interna do 
indivíduo, que matiza a motivação e envolve todas as relações do 
sujeito com os outros, com o meio e consigo mesmo (2004, p.167). 
 
Sendo assim, a aprendizagem da criança está ligada diretamente ao 
desenvolvimento psicomotor. Este fator é importante para unir a 
Psicomotricidade com a Educação Física, desenvolvendo a criança como um 
todo. Pois a educação psicomotora é baseada em uma ação educativa baseada 
e fundamentada no movimento natural consciente e espontâneo com a finalidade 
de normalizar, completar ou aperfeiçoar a conduta global da criança. 
O mundo psicomotor surge na escola, tanto nas aulas de Educação Física 
como na sala de aula e assim cria-se um espaço para o corpo: os movimentos, 
o dinamismo e a liberdade são vividos pelas crianças. E alguns fatores 
influenciam para que crianças com a mesma idade tenham comportamentos 
diferentes, como: o meio, o ambiente familiar e as possibilidades físicas. Por isso 
percebe-se a necessidades que os Educadores conheçam e compreendam as 
capacidades de seus alunos, proporcionando o bem-estar, a felicidade e o 
crescimento, dentro dos limites de cada um, pois cada criança é única. 
Piaget (1987 apud OLIVEIRA, 2000), estudando as estruturas cognitivas, 
descreve a importância do período sensório motor e da motricidade, 
principalmente antes da aquisição da linguagem, no desenvolvimento da 
inteligência. 
2.1. Fases do Desenvolvimento Motor Segundo Piaget 
Estágio Sensório-Motor – zero a 2 anos 
☛ A partir dos reflexos neurológicos básicos, o bebê começa a construir 
esquemas de ação para assimilar o meio. 
☛ A inteligência é prática. 
☛ O contato com o meio é direto e imediato, sem representação ou 
pensamento. 
Estágio Pré-Operatório – 2 a 7 anos 
☛ Já pode agir por simulação, “como se”. 
☛ Sua percepção é global, sem discriminar detalhes. 
☛ A criança passa a atingir domínio do simbolismo, associando sempre um 
objetivo a alguém ou a alguma coisa. 
☛ É este simbolismo que capacita a criança a desenvolver a linguagem 
matemática e a linguagem verbal. 
☛ Estágio em que a criança está muito voltada para si mesma. 
☛ Corresponde ao período pré-escolar. 
☛ Apresenta dois estágios diferentes: estágio egocêntrico (2 a 4) e estágio 
intuitivo (5 a 7 anos) – aparece a função simbólica. 
Estágio Das Operações Concretas – 7 a 12 anos 
☛ Nesta fase a criança é capaz de relacionar diferentes aspectos e abstrair 
dados da realidade. 
☛ Ainda depende do mundo concreto para chegar a abstração. 
☛ Desenvolve também a capacidade de refazer um trajeto mental, voltando 
ao ponto inicial de uma determinada situação. 
☛ A criança é capaz de usar a lógica para chegar às soluções da maior parte 
dos problemas concretos. 
☛ Mantém a dificuldade em lidar com problemas não concretos. 
☛ O desenvolvimento ocorre a partir do pensamento pré-lógico para as 
soluções lógicas de problemas concretos. 
Estágio Das Operações Formais - de 12 à fase adulta 
☛ A representação agora permite abstração total. 
☛ A criança não se limita mais a representação imediata. 
☛ A operação formal realiza-se através da linguagem, sem relação 
necessária com o dado concreto, apenas através do raciocínio. 
☛ O pensamento lógico já consegue ser aplicado a todos os problemas que 
surgem. 
A criança se desenvolve desde os primeiros dias de vida. Por isso, a vida 
emotiva e a vida motora não são isoladas, elas se complementam orientadas 
pelos elementos psicomotores. Onde destacamos alguns deles: 
Esquema Corporal: é básico e indispensável para a formação da 
personalidade da criança. É a representação relativamente global, científica que 
a criança tem de seu próprio corpo. A criança irá se sentir bem na medida em 
que conhecer seu corpo e poder utilizá-lo não somente para movimentar-se, mas 
também para agir. 
Lateralidade: se define naturalmente durante o crescimento onde 
acontece uma dominância lateral na criança onde será mais forte, mais ágil do 
lado direito ou do lado esquerdo. A lateralidade corresponde a dados 
neurológicos e também é influenciada por certos hábitos sociais. É importante 
ressaltar que não se confunda lateralidade com dominância de um lado em 
relação ao outro, em nível de força e precisão. 
O conhecimento “esquerdo-direito” decorre da noção de dominância 
lateral. É a generalização, da percepção do eixo corporal, da percepção do eixo 
corporal, a tudo que cerca a criança. Com efeito, se a criança percebe que 
trabalha naturalmente com “aquela mão”, guardará sem dificuldade que “aquela 
mão” é à esquerda ou à direita. 
Estruturação Espacial: é a orientação e estruturação do mundo exterior, 
referindo-se primeiro ao eu (como referência), depois a outros objetos ou 
pessoas em posição estática ou em movimento. É tomada de consciência da 
situação de seu próprio corpo em um meio ambiente, isto é, do lugar e da 
orientação que pode ter em relação às pessoas. A tomada de consciência da 
situação das coisas entre si. A possibilidade, para o sujeito, de organizar-se 
perante o mundo que o cerca, de organizar as coisas entre si, de colocá-las em 
um lugar, de movimentá-las, refere-se à possibilidade de estabelecer relações 
entre elementos para formar um todo. A estruturação espacial