Piaget, Wallon e Vygotsky  algumas contribuições no ensino aprendizagem
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Piaget, Wallon e Vygotsky algumas contribuições no ensino aprendizagem

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ALGUMAS REFLEXÕES
 SOBRE O ENSINO MEDIADO POR COMPUTADORES

Cíntia Maria Basso

1. INTRODUÇÃO

As rápidas mudanças ocorridas na sociedade e o grande volume de informações estão refletindo-
se no ensino, exigindo, desta forma, que a escola não seja uma mera transmissora de
conhecimentos, mas que seja um ambiente estimulante, que valorize a invenção e a descoberta,
que possibilite à criança percorrer o conhecimento de maneira mais motivada, crítica e criativa,
que proporcione um movimento de parceria, de trocas de experiências, de afetividade no ato de
aprender e desenvolver o pensamento crítico reflexivo.

A integração dos computadores nas escolas, vista como uma dinâmica de interação, como um
ambiente rico para a mediação entre sujeitos, oferece condições para envolver as crianças e
estimular a investigação, além de possibilitar paradas e retornos para interpretação, análise,
atendendo o ritmo de cada criança.

Enfatiza-se, através da informática educativa, a descoberta e a invenção, possibilitando a
formação de alunos capazes de construir seu próprio conhecimento, tornando-se pesquisadores
autônomos à medida que descobrem novas áreas de seu interesse. O professor precisa
transformar-se em um guia, capaz de estimular seus alunos a navegarem pelo conhecimento,
fazerem suas próprias descobertas e desenvolverem sua capacidade de observar, pensar,
comunicar e criar.

Neste artigo, sistematizarei alguns pressupostos básicos das teorias do desenvolvimento de
Piaget, Wallon e Vygotsky. Após, farei algumas reflexões sobre a integração de computadores nas
escolas e as contribuições da teoria do desenvolvimento de Vygotsky, a qual explica a
interatividade e a construção coletiva do conhecimento em um meio sócio-histórico cultural,
propiciada pela mediação aluno/aluno; aluno/professor; aluno/computador; enfim,
aluno/conhecimento.

2. TEORIA DO DESENVOLVIMENTO DE JEAN PIAGET

Formado em Biologia, Piaget especializou-se nos estudos do conhecimento humano, concluindo
que, assim como os organismos vivos podem adaptar-se geneticamente a um novo meio, existe
também uma relação evolutiva entre o sujeito e o seu meio, ou seja, a criança reconstrói suas
ações e idéias quando se relaciona com novas experiências ambientais. Para ele, a criança
constrói sua realidade como um ser humano singular, situação em que o cognitivo está em
supremacia em relação ao social e o afetivo.

Na perspectiva construtivista de Piaget, o começo do conhecimento é a ação do sujeito sobre o
objeto, ou seja, o conhecimento humano se constrói na interação homem-meio, sujeito-objeto.
Conhecer consiste em operar sobre o real e transformá-lo a fim de compreendê-lo, é algo que se
dá a partir da ação do sujeito sobre o objeto de conhecimento. As formas de conhecer são
construídas nas trocas com os objetos, tendo uma melhor organização em momentos sucessivos
de adaptação ao objeto. A adaptação ocorre através da organização, sendo que o organismo
discrimina entre estímulos e sensações, selecionando aqueles que irá organizar em alguma forma
de estrutura. A adaptação possui dois mecanismos opostos, mas complementares, que garantem
o processo de desenvolvimento: a assimilação e a acomodação. Segundo Piaget, o conhecimento
é a equilibração/reequilibração entre assimilação e acomodação, ou seja, entre os indivíduos e os
objetos do mundo.

A assimilação é a incorporação dos dados da realidade nos esquemas disponíveis no sujeito, é o
processo pelo qual as idéias, pessoas, costumes são incorporadas à atividade do sujeito. A

criança aprende a língua e assimila tudo o que ouve, transformando isso em conhecimento seu. A
acomodação é a modificação dos esquemas para assimilar os elementos novos, ou seja, a
criança que ouve e começa a balbuciar em resposta à conversa ao seu redor gradualmente
acomoda os sons que emite àqueles que ouve, passando a falar de forma compreensível.

Segundo FARIA (1998), os esquemas são uma necessidade interna do indivíduo. Os esquemas
afetivos levam à construção do caráter, são modos de sentir que se adquire juntamente às ações
exercidas pelo sujeito sobre pessoas ou objetos. Os esquemas cognitivos conduzem à formação
da inteligência, tendo a necessidade de serem repetidos (a criança pega várias vezes o mesmo
objeto). Outra propriedade do esquema é a ampliação do campo de aplicação, também chamada
de assimilação generalizadora (a criança não pega apenas um objeto, pega outros que estão por
perto). Através da discriminação progressiva dos objetos, da capacidade chamada de assimilação
recognitiva ou reconhecedora, a criança identifica os objetos que pode ou não pegar, que podem
ou não dar algum prazer à ela.

FARIA (op.cit.) salienta que os fatores responsáveis pelo desenvolvimento, segundo Piaget, são:
maturação; experiência física e lógico-matemática; transmissão ou experiência social;
equilibração; motivação; interesses e valores; valores e sentimentos. A aprendizagem é sempre
provocada por situações externas ao sujeito, supondo a atuação do sujeito sobre o meio,
mediante experiências. A aprendizagem será a aquisição que ocorre em função da experiência e
que terá caráter imediato. Ela poderá ser: experiência física - comporta ações diferentes em
função dos objetos e consiste no desenvolvimento de ações sobre esses objetos para descobrir
as propriedades que são abstraídas deles próprios, é o produto das ações do sujeito sobre o
objeto; e experiência lógico-matemática – o sujeito age sobre os objetos de modo a descobrir
propriedades e relações que são abstraídas de suas próprias ações, ou seja, resulta da
coordenação das ações que o sujeito exerce sobre os objetos e da tomada de consciência dessa
coordenação. Essas duas experiências estão inter-relacionadas, uma é condição para o
surgimento da outra.

Para que ocorra uma adaptação ao seu ambiente, o indivíduo deverá equilibrar uma descoberta,
uma ação com outras ações. A base do processo de equilibração está na assimilação e na
acomodação, isto é, promove a reversibilidade do pensamento, é um processo ativo de auto-
regulação. Piaget afirma que, para a criança adquirir pensamento e linguagem, deve passar por
várias fases de desenvolvimento psicológico, partindo do individual para o social. Segundo ele, o
falante passa por pensamento autístico, fala egocêntrica para atingir o pensamento lógico, sendo
o egocentrismo o elo de ligação das operações lógicas da criança. No processo de egocentrismo,
a criança vê o mundo a partir da perspectiva pessoal, assimilando tudo para si e ao seu próprio
ponto de vista, estando o pensamento e a linguagem centrados na criança.

Para Piaget, o desenvolvimento mental dá-se espontaneamente a partir de suas potencialidades e
da sua interação com o meio. O processo de desenvolvimento mental é lento, ocorrendo por meio
de graduações sucessivas através de estágios: período da inteligência sensório-motora; período
da inteligência pré-operatória; período da inteligência operatória-concreta; e período da
inteligência operatório-formal.

3. TEORIA DO DESENVOLVIMENTO DE HENRY WALLON

A criança, para Wallon, é essencialmente emocional e gradualmente vai constituindo-se em um
ser sócio-cognitivo. O autor estudou a criança contextualizada, como uma realidade viva e total no
conjunto de seus comportamentos, suas condições de existência.

Segundo GALVÃO (2000), Wallon argumenta que as trocas relacionais da criança com os outros
são fundamentais para o desenvolvimento da pessoa. As crianças nascem imersas em um mundo
cultural e simbólico, no qual ficarão envolvidas em um "sincretismo subjetivo", por pelo menos três
anos. Durante esse período, de completa indiferenciação entre a criança e o ambiente humano,

sua compreensão das coisas dependerá dos outros, que darão às suas ações e movimentos
formato e expressão.

Antes do surgimento da linguagem falada, as crianças comunicam-se e constituem-se como
sujeitos com significado,