ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE – ARTIGOS 21  22  23 E 24
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ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE – ARTIGOS 21 22 23 E 24

Disciplina:Psiclogia Jurídica4 materiais
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ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE – ARTIGOS 21- 22- 23 E 24

Art. 21. O poder familiar [67] será exercido, em igualdade de condições, pelo pai e pela mãe [68], na forma do que dispuser a legislação civil, assegurado a qualquer deles o direito de, em caso de discordância, recorrer à autoridade judiciária competente para a solução da divergência [69].
67- Vide arts. 1630 a 1638 do CC.
68- Vide arts. 5º, caput e inciso I e 226, §5º, da CF e art. 18, nº 1, da Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança, de 1989. Importante destacar que um dos requisitos necessários ao exercício do poder familiar é a plena capacidade civil, pelo que os pais, enquanto adolescentes (e não emancipados), que estiverem ainda sob o poder familiar de seus pais ou tutela de outrem, não têm capacidade jurídica para tanto. Por via de consequência, não é juridicamente exigível o cumprimento, por parte de pais adolescentes, dos deveres relacionados nos arts. 1634, do CC e 22, do ECA, cujo exercício demanda uma enorme responsabilidade, que a própria lei PRESUME que adolescentes - em especial os absolutamente incapazes - NÃO POSSUEM, tanto que, de maneira expressa, o art. 1633, do CC prevê que, quando a mãe de uma criança que não tem a paternidade reconhecida é INCAPAZ de exercer o poder familiar, “dar-se á (obrigatoriamente) TUTOR ao menor” (sic. nota explicativa e destaque dos autores). E caberá ao TUTOR do filho da adolescente (e não a ela própria), o papel de responsável e representante legal da criança, com todos os deveres inerentes a esta condição, nos moldes do previsto no art. 1740 e seguintes do CC.
69- Vide arts. 5º, caput e inciso I e 226, §5º, da CF; art. 1631 caput e par. único do CC e Lei nº 12.318/2010, de 26/08/2010, que dispõe sobre a alienação parental. Sobre a competência para conhecer de tais pedidos, quando a criança ou adolescente se encontrar numa das hipóteses do art. 98, do ECA, vide art. 148, par. único, alínea “d”, deste Diploma Legal. Vale observar que, quando da solução do litígio, a autoridade judiciária deverá não apenas ouvir os pais, mas também a criança ou adolescente, respeitado, logicamente, seu grau de desenvolvimento e maturidade (cf. art. 100, par. único, incisos XI e XII, do ECA).

26 Parte Geral

Art. 22. Aos pais incumbe o dever de sustento [70], guarda [71] e educação [72] dos filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais [73].
70- , Vide art. 5º, inciso LXVII, da CF; arts. 1694 a 1710, do CC e Súmula nº 309, do STJ: “O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que vencerem no curso do processo” (Redação alterada por decisão da Segunda Seção do STJ, na sessão ordinária de 22/03/2006, julgando o HC nº 53.068/MS). Interessante observar que a obrigação alimentar não cessa com a eventual emancipação do adolescente (podendo mesmo, com fulcro na Lei Civil, se estender para além da adolescência), e o quantum devido deve atender às necessidades básicas de alimentação, educação, saúde, habitação, segurança etc., do filho, atendendo às possibilidades dos pais, para cuja aferição devem ser considerados, inclusive, sinais exteriores de riqueza por estes apresentados. Neste sentido: ALIMENTOS. SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA. ‘DISREGARD’. ‘QUANTUM’. LITIGÂNCIA DE MÁ FÉ. 1. A verdadeira possibilidade do alimentante não decorre do que ela alega, mas do que evidenciam os sinais exteriores de riqueza. Bens registrados como fachada em nome de amigos, mas que saíram de fato do controle do alimentante caracterizam a ‘disregard’. 2. Evidenciada a intenção procrastinatória do alimentante através de reiterados recursos decorrentes dos alimentos, é de ser mantida a condenação à pena de litigância de má fé. Ambas apelações desprovidas (TJRS. 7ª C. Cív. Ap. Cív. nº 70000235325. Rel. Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves. J. em 17/11/1999). É também admissível, para apuração das reais possibilidades do alimentante, ser determinada sua quebra de sigilo bancário. Neste sentido: ALIMENTOS. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Para descobrir-se os ganhos do devedor visando a fixação dos alimentos de forma a atender ao critério da proporcionalidade, justifica-se a quebra do seu sigilo bancário, não configurando afronta ao seu direito à privacidade. Por maioria, deram provimento, vencido o relator. (TJRS. 7ª C. Cív. A.I. nº 70012864310. Rel. Maria Berenice Dias. J. em 16/11/2005). Sobre os alimentos devidos pelos pais, após os filhos atingirem a maioridade civil, vide o disposto na Súmula nº 358, do STJ: “O cancelamento de pensão alimentícia de filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão judicial, mediante contraditório, ainda que nos próprios autos”, não sendo assim o advento da maioridade causa de extinção automática do dever de prestar alimentos, fazendo apenas desaparecer a presunção de que são eles indispensáveis. Por fim, vale mencionar que mesmo quando da colocação da criança ou adolescente sob guarda ou, inclusive, quando de eventual suspensão ou destituição do poder familiar, o dever alimentar dos pais em relação a seus filhos persiste (como deixa claro o art. 33, §4º, do ECA), posto que decorre da relação de parentesco (cf. art. 1694, do CC), que em tais casos não é rompida (isto somente ocorre quando da consumação da adoção). Vide também comentários ao art. 155 e sgts., do ECA.
71- Vide art. 1634, inciso II, do CC. A “guarda” a que se refere este dispositivo (direito dos pais terem seus filhos em sua companhia, como atributo natural do poder familiar), não se confunde com a guarda prevista no art. 33, do ECA, que se constitui numa das modalidades de colocação de criança ou adolescente em família substituta.
72- Não apenas a obrigação de matrícula na escola (cf. art. 55, do ECA), mas também a de transmitir-lhes noções sobre os valores éticos e morais, preparando-os para o exercício da cidadania, nos exatos termos do previsto no art. 53, caput, do ECA e art. 205, da CF.
73- Vide art. 229, primeira parte, da CF e arts. 1566, inciso IV e 1634, do CC. Para o exercício responsável das obrigações inerentes ao pode familiar, o ECA previu a 27 Parte Geral possibilidade de inserção da família em cursos e programas de apoio e orientação específicos, que o Poder Público tem o dever de oferecer (cf. arts. 90, incisos I e II, 101, inciso IV c/c 129, incisos I e IV e 208, inciso IX, do ECA), sendo o eventual descumprimento dos deveres respectivos, passível de sanções, como as previstas nos arts. 129, incisos VIII e X e 249, do ECA.

Art. 23. A falta ou a carência de recursos materiais não constitui motivo suficiente para a perda ou a suspensão do poder familiar [74].
Parágrafo único. Não existindo outro motivo que por si só autorize a decretação da medida, a criança ou o adolescente será mantido em sua família de origem [75], a qual deverá obrigatoriamente ser incluída em programas oficiais de auxílio [76].
74- Vide art. 9º, da Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança, de 1989. O presente dispositivo visa erradicar a odiosa prática, consagrada à época do revogado “Código de Menores”, do afastamento da criança/adolescente de sua família natural em razão da condição socioeconômica desfavorável em que esta se encontrava, penalizando os pais como se tivessem eles “optado”, voluntariamente, pela miséria. De acordo com a sistemática atual, a penúria dos pais (com todas as mazelas daí resultantes, assim como a eventual desnutrição e problemas de higiene, que devem ser combatidos com a orientação, apoio e promoção social da família, como previsto no próprio ECA e na LOAS), não pode ser invocada como pretexto para afastar a criança ou adolescente do convívio familiar, cabendo ao Estado (lato sensu - inclusive ao Estado-Juiz), em cumprimento de seu dever legal e constitucional, decorrente do disposto nos arts. 3º, incisos I, III e IV, 226, caput e §8º c/c 227, caput, da CF e arts. 4º, caput, 19, 23, par. único,