A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
41 pág.
MOBILIZAÇÃO DO SISTEMA NERVOSO

Pré-visualização | Página 1 de 8

1 
MOBILIZAÇÃO DO SISTEMA NERVOSO 
 
 
A Mobilização do Sistema Nervoso é um dos conceitos que mais vem crescendo no mundo, através de 
pesquisas científicas, proporcionando ao terapeuta uma maior eficiência e eficácia no tratamento manual. 
Vários tratamentos que até pouco tempo atrás teriam pouca eficácia, hoje através desta mobilização, 
conseguimos proporcionar ao paciente a cura de todos os seus sintomas. Ex: tendinite e bursite no ombro, 
hérnias de disco, ciáticas, etc. 
 O Sistema nervoso é um dos principais sistemas do nosso organismo, sendo vital na captação, 
transmissão e organização de impulsos elétricos. É através deste sistema que uma célula de um órgão 
interrelaciona-se com o Sistema Nervoso Central. 
 Didaticamente o Sistema Nervoso é dividido em Sistema Nervoso Central (SNC) e Sistema Nervoso 
Periférico (SNP), mas sabemos que não existe uma divisão real entre esses sistemas, sendo este continuo. Esta 
continuidade ocorre de 3 formas: quimicamente (neurotransmissores), eletricamente (sinapses) e através dos 
tecidos conjuntivos (duramáter e epineuro). Qualquer alteração em uma região do Sistema Nervoso, geralmente 
levará a complicações por todo o sistema. Por exemplo, uma compressão no tronco nervoso do plexo braquial, 
pode levar a formigamentos a um ou mais dos nervos do membro superior. 
 É sabido também, que o Sistema Nervoso possui movimentos. Isto ocorre tanto entre o tecido nervoso e 
as estruturas adjacentes, quanto internamente a este tecido. Quando se impõe uma tensão no SNP durante um 
movimento, esta tensão automaticamente é transmitida ao SNC, o que também pode ocorre do SNC para o SNP. 
 Outra propriedade do SN é a capacidade de adaptação, onde dependendo da estrutura ou do tipo de 
movimento que o SN é submetido ele se adapta não perdendo a capacidade de execução de suas funções. Um 
exemplo é o canal vertebral, que é de 5 a 9 cm mais longo na flexão do que na extensão. Outro exemplo é o 
alongamento que as bailarinas possuem com o treinamento, o que é praticamente impossível para qualquer 
pessoa normal se torna fácil para elas. 
 O movimento que o SN realiza durante os movimentos globais é denominado Neurobiomecânica. Este 
conceito, juntamente com o de transmissão de impulsos (Neurofisiologia) forma o que chamamos de 
Neurodinâmica. 
Como o próprio nome diz, a Mobilização do Sistema Nervoso nada mais é do que a mobilização das 
estruturas nervosas, e não um alongamento ou estiramento deste tecido. Quanto mais alongamos o sistema 
nervoso, maior é o estresse imposto a este tecido e conseqüentemente maior serão os sintomas deste paciente. 
Esse conceito é aparentemente fácil de ser praticado, mas depende exclusivamente de um bom 
conhecimento teórico e posteriormente uma eficiência em sua prática, pois como dito anteriormente, podemos 
agravar ainda mais os sintomas relatados pelo paciente. 
 
 
NEUROANATOMIA 
 
 Como já foi dito o SN é dividido didaticamente em SNC e SNP, sendo diferenciado de acordo com sua 
localização e funções. 
 
 Sistema Nervoso Central (SNC) 
 
Consiste de encéfalo e medula espinhal, e está completamente envolvido por estruturas ósseas – 
o encéfalo na cavidade craniana e a medula espinhal no canal vertebral. O SNC é o centro integrador e 
controlador do sistema nervoso. Ele recebe impulsos sensitivos do sistema nervoso periférico e formula 
respostas para esses impulsos. 
O SNC está totalmente recoberto por três camadas de tecido conjuntivo denominadas meninges. 
A camada mais externa é a dura-máter, sendo uma membrana resistente e espessa, composta por tecido 
conjuntivo fibroso. A aracnóide é a meninge média, localizada logo abaixo da dura-máter, sendo 
separada desta por um espaço muito estreito, espaço subdural. Entre a aracnóide e a meninge mais 
interna, a pia-mater, está o espaço subaracnóideo, que contém o liquido cefalorraquidiano (LCR). Já a 
2 
pia-máter é uma delicada membrana vascular, composta de tecido conjuntivo frouxo, estando 
diretamente ligada ao encéfalo e à medula. 
O LCR é um fluido aquoso com composição similar à do plasma sanguíneo e do liquido 
intersticial. Possui uma função primariamente nutritiva, mas também auxilia na proteção ao SNC contra 
choques mecânicos. 
Para a formação dos nervos periféricos a medula espinhal emite ramificações bilaterais, sendo 
estas denominadas raízes nervosas. As raízes são consideradas mais uma estrutura do SNC do que do 
SNP, pois são envolvidas pelas meninges, não possuem células de Schwann (células que sintetizam a 
mielina) e recebe pelo menos a metade de sua nutrição do LCR. 
Essas raízes, assim como toda a medula, possuem ligamentos que promovem estabilidade e 
proteção, proporcionando aos tecidos neurais um menor risco a lesões. O ligamento denticulado 
(ligamento entre o nervo e a medula espinhal) promove estabilidade às raízes nervosas, contra 
estiramentos transversais. Já o septo dorsomediano (liga a dura posterior ao canal vertebral), as 
trabéculas subaracnóideas (liga a dura à medula espinhal) e os ligamentos durais (liga a dura anterior à 
porção anterior e antero-lateral do canal vertebral) estabilizam a medula contra movimentos antero-
posteriores. 
 
 
O SNC também recebe inervação, e isto ocorre através de seus tecidos conjuntivos. A dura-
máter é inervada por pequenos nervos segmentares bilaterais, denominados nervos sinuvertebrais de 
Luschka. Estes nervos são formados a partir de uma ramificação da raiz dorsal de um nervo espinhal e 
de uma raiz autônoma do tronco simpático, denominado ramo comunicante cinzento. Cada nervo 
sinuvertebral segue um curso inverso e adentra em direção ao forame intervertebral, inervando toda a 
região antero-lateral da dura, ligamento longitudinal posterior, periósteo, vasos sanguineos e disco 
intervertebral. Os ramos do nervo sinuvertebral difundem para o lado oposto, para cima e para baixo, ao 
longo de até oito segmentos (quatro cefálicos e quatro caudais). 
 
3 
 
 
A vascularização do SNC é feita basicamente pelas artérias vertebral, profunda cervical, 
posterior intercostal e lombar. Estas artérias se subdividem em vasos nutridores, que adentram ao SNC 
e irrigam toda a medula e canal vertebral. 
 
 Sistema Nervoso Periférico (SNP) 
 
É formado por todas as estruturas localizadas fora do sistema nervoso central, sendo 
especificamente: nervos espinhais que conectam as partes do corpo e seus receptores, ao sistema 
nervoso central e gânglios (grupos de corpos de células nervosas) associados aos nervos. 
Esse sistema é constituído de 12 pares de nervos cranianos, que se originam do cérebro e do 
tronco do encéfalo, deixando a cavidade do crânio através dos forames cranianos, e de 31 pares de 
nervos espinhais, que se originam da medula espinhal e deixam o canal vertebral através dos forames 
intervertebrais. Os pares de nervos espinhais incluem 8 cervicais, 12 torácicos, 5 lombares, 5 sacrais e 1 
coccígeo. 
O SNP pode ser funcionalmente dividido em um componente aferente (sensitivo) que levam 
impulsos ao SNC a partir de receptores localizados na pele, fáscia e ao redor das articulações, e um 
componente eferente (motor) que levam impulsos do SNC para os músculos estriados esqueléticos, 
músculos liso e glândulas. 
Os nervos periféricos são envolvidos por quatro tipos de membranas: endoneuro, perineuro, 
epineuro e mesoneuro. O endoneuro é uma estrutura elástica feita de tecido colagenoso compacto, 
sendo uma continuidade da pia-máter, desempenhando um grande papel na constância do meio que 
envolve as fibras nervosas. Não possui sistema linfático, sendo que qualquer alteração na pressão, como 
ocorre em um edema, pode interferir na condução e movimento do fluxo axoplasmatico. O perineuro é

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.