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Reabilitação 
 
 
 Identificação e tratamento de patologias 
 em edifícios 
 
 
 
 
 
 
série REABILITAÇÃO 
carlos da cruz jâcome 
joão guerra martins 1ª edição / 2005 
 
Apresentação 
 
Este texto resulta, genericamente, o repositório da Monografia do Eng.º Carlos da Cruz Jâcome. 
Pretende, contudo, o seu teor evoluir permanentemente, no sentido de responder quer à 
especificidade dos cursos da UFP, como contrair-se ainda mais ao que se julga pertinente e alargar-
se ao que se pensa omitido. 
Embora o texto tenha sido revisto, esta versão não é considerada definitiva, sendo de supor a 
existência de erros e imprecisões. Conta-se não só com uma crítica atenta, como com todos os 
contributos técnicos que possam ser endereçados. Ambos se aceitam e agradecem. 
 
João Guerra Martins 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
I 
ÍNDÍCE GERAL 
Apresentação 
ÍNDÍCE GERAL .........................................................................................................................I 
ÍNDICE DE FIGURAS .......................................................................................................... VII 
ÍNDICE DE QUADROS........................................................................................................ XII 
INTRODUÇÃO..........................................................................................................................1 
CAP I – GENERALIDADES.....................................................................................................4 
I.1 – Porque se repetem os insucessos....................................................................................4 
I.2 – Consequências técnicas da não qualidade – patologias .................................................5 
I.3 – Causas das patologias.....................................................................................................6 
CAPÍTULO II – CORROSÃO DE ARMADURAS EM BETÃO ARMADO..........................7 
II.1 – Introdução .....................................................................................................................7 
II.2 – Origem e formas de manifestação ................................................................................8 
II.3 – O papel do recobrimento no betão..............................................................................12 
II.3.1 – Protecção física ....................................................................................................12 
II.3.2 – Protecção química................................................................................................12 
II.4 – Causas da corrosão......................................................................................................13 
II.4.1 – Carbonatação do betão.........................................................................................13 
II.4.2 - Características do meio ambiente .........................................................................13 
II.4.3 – Agentes agressivos presentes na atmosfera .........................................................13 
II.4.4 – Agentes agressivos incorporados ao betão ..........................................................14 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
II 
II.4.5 – Qualidade do betão de recobrimento ...................................................................15 
II.5 – Medidas preventivas ...................................................................................................15 
II.5.1 – Na etapa de projecto.............................................................................................15 
II.5.2 – Na etapa de recepção dos materiais .....................................................................15 
II.5.3 – Na etapa de execução...........................................................................................16 
II.6 – Medidas correctivas ....................................................................................................17 
CAP III - ALVENARIAS ........................................................................................................19 
III.1 – Introdução..................................................................................................................19 
III.2 – Execução de alvenaria em zona corrente...................................................................19 
III.3 – Execução de paredes duplas ......................................................................................20 
III.4 - Isolamento térmico em paredes duplas ......................................................................21 
III.4.1 -Isolamento térmico pelo interior ..........................................................................21 
III.4.2 - Isolamento térmico pelo exterior.........................................................................22 
III.4.3 - Isolamento térmico na caixa de ar.......................................................................23 
III.4.3.1 - Materiais rígidos...........................................................................................23 
III.4.3.2 - Materiais flexíveis ........................................................................................24 
III.4.3.3 - Materiais projectados ...................................................................................24 
III.4.3.4 - Materiais a granel .........................................................................................25 
III.4.3.5 - Materiais injectados......................................................................................25 
III.5 – Correcção das pontes térmicas ..............................................................................26 
III.6 – Patologias das alvenarias ...........................................................................................27 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
III 
III.6.1 – Origem e formas de manifestação ......................................................................27 
III.6.2 - Fissuras provocadas por deformabilidade das estruturas de betão armado.........30 
III.6.3-Fissuras provocadas por recalques diferenciados das fundações ..........................34 
III.6.4 - Medidas correctivas ............................................................................................37 
CAPÍTULO IV – ARGAMASSA DE REVESTIMENTO ......................................................38 
IV.1 – Introdução..................................................................................................................38 
IV.2 - Origem e formas de manifestação..............................................................................39 
IV.2.1 - Causas decorrentes da qualidade dos materiais utilizados..................................39 
IV.2.1.1 - Agregados ....................................................................................................39 
IV.2.1.2 - Ligantes........................................................................................................39 
IV.2.1.3 - Adições ........................................................................................................40 
IV.2.1.4 - Adjuvantes ...................................................................................................40 
IV.2.2 - Causas decorrentes do traço da argamassa .....................................................40 
IV.2.3 - Causas decorrentes do modo de aplicação do revestimento ...............................41 
IV.2.4 - Medidas preventivas ...........................................................................................45 
IV.2.4 - Medidas Correctivas ...........................................................................................46CAPÌTULO V – FISSURAÇÃO EM EDIFICAÇÕES............................................................47 
V.1 - Introdução........................................................................................................................47 
V.2 - Fissuração provocada por variação de temperatura dos materiais ou elementos de 
construção.............................................................................................................................47 
V.3 – Fissuras Provocadas por Variações do Teor de Humidade dos Materiais de 
Construção............................................................................................................................52 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
IV 
V.4 – Fissuras provocadas pela actuação da sobrecarga ......................................................54 
CAP VI - HUMIDADES..........................................................................................................58 
VI.1 - Introdução ..................................................................................................................58 
VI.2 - Formas de manifestação da humidade .......................................................................58 
VI.2.1 - Humidade de construção.....................................................................................58 
VI.2.1.1 - Origem e formas de manifestação................................................................58 
VI.2.1.2 - Medidas preventivas ....................................................................................59 
VI.2.1.3 – Medidas correctivas.....................................................................................60 
VI.2.2 – Humidade do solo...............................................................................................62 
VI.2.2.2 - Medidas preventivas ....................................................................................65 
VI.2.2.3 – Medidas correctivas.....................................................................................66 
VI.2.3 - Humidade devida a fenómenos de higroscopicidade..........................................69 
VI.2.3.1 - Origem e formas de manifestação................................................................69 
VI.2.3.2 - Medidas preventivas ....................................................................................70 
VI.2.3.3 – Medidas correctivas.....................................................................................71 
VI.2.4 - Humidade de condensação..................................................................................72 
VI.2.4.1 - Origem e formas de manifestação................................................................72 
VI.4.2.2 - Medidas preventivas ....................................................................................74 
VI.2.4.3 – Medidas correctivas.....................................................................................76 
VI.2.5 – Humidade de precipitação ..................................................................................77 
VI.2.5.1 - Origem e formas de manifestação................................................................77 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
V 
VI.2.5.3 - Medidas preventivas ....................................................................................80 
VI.2.5.3 – Medidas correctivas.....................................................................................80 
VI.2.6 – Humidade devida a causas fortuitas ...................................................................81 
VI.2.6.1 - Origem e formas de manifestação................................................................81 
VI.2.6.2 – Medidas preventivas....................................................................................82 
VI.2.6.3 – Medidas correctivas.....................................................................................83 
CAP VII - EFLORESCÊNCIAS ..............................................................................................84 
VII.1 - Introdução.................................................................................................................84 
VII.2 - Factores que contribuem para a formação de eflorescências....................................86 
VII.3 - Tipos e características das eflorescências.................................................................87 
VII.3.1 - Tipo 1.................................................................................................................87 
VII.3.1.1 - Soluções de reparação.................................................................................88 
VII.3.2 - Tipo.2.................................................................................................................88 
VII.3.2.1 - Soluções de reparação.................................................................................90 
VII.3.3 - Tipo 3.................................................................................................................90 
VII.3.3.1 - Soluções de reparação.................................................................................90 
VII.4 - Medidas preventivas .................................................................................................91 
VII.5 - Medidas correctivas ..................................................................................................92 
CAPÍTULO VIII - PINTURAS................................................................................................93 
VIII.1 – Origem e Formas de manifestação .........................................................................93 
VIII.1.1 – Defeitos na película de pintura ........................................................................94 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
VI 
VIII.1.2 - Problemas com a natureza da tinta. ..................................................................94 
VIII.1.3 - Problema com a natureza do substrato .............................................................96 
VIII.1.4 - Aplicação em condições inadequadas ..............................................................96 
VIII.2 – Medidas preventivas ...............................................................................................97 
VIII.2.1 - Preparo inadequado do substrato ou ausência de preparação...........................97 
VIII.2.2 - Aplicação em substrato instável .......................................................................97 
VIII.2.3 - Aplicação em base húmida...............................................................................98 
VIII.5 – Medidas correctivas ................................................................................................99 
CAP IX – PRINCÍPIOS DE DIAGNÓSTICO.......................................................................100 
CONCLUSÃO........................................................................................................................102 
BIBLIOGRAFIA....................................................................................................................104 
 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
VII 
ÍNDICE DE FIGURAS 
Fig. 1 - Célula de corrosão em betão armado [10] ...................................................................10 
Fig. 2 - Fissuração do betão devido às forças de expansão dos produtos da corrosão [10] .....11 
Fig. 3 - Deterioração progressiva devida à corrosão das armaduras [10].................................11 
Fig. 4 - Recobrimento precário – pilar apresenta “ninhos” e armadura principal sem 
recobrimento.............................................................................................................................12Fig. 5 - Fraca qualidade do betão e respectiva vibração (ninhos e materiais estranhos 
incorporados) ............................................................................................................................16 
Fig. 6 – Aspectos de juntas de argamassa irregulares ou mal preenchidas [14].......................19 
Fig. 7 - Cunhal mal executado e esquema para correcta execução [14]...................................20 
Fig. 8 – Aspecto do tubo de drenagem da caixas de ar (solução correcta, esquerda, e 
incorrecta, direita) [14]. ............................................................................................................21 
Fig. 8 – Exemplos de colocação incorrecta de isolamento térmico na caixa de ar ..................23 
Fig. 9 – Exemplos de correcção de pontes térmicas [14]. ........................................................26 
Fig. 10 - Fissuração típica de alvenaria devida a excessiva sobrecarga [10] ...........................28 
Fig.11 - Padieira para porta maior que a necessária, resultando futuramente na fissuração ao 
longo da padieira inicial ...........................................................................................................29 
Fig. 12 - Fissuração de alvenaria no contorno de vão de janela devido à concentração de 
tensões [10]...............................................................................................................................29 
Fig. 13 - Solução para o caso da fig. 12 [10]............................................................................29 
Fig. 14 - Fissuração de paredes de alvenaria devida a apoio transversal de uma viga [10] .....30 
Fig, 15 - Fissuração de paredes de alvenaria devido a carga excêntrica [10]...........................30 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
VIII 
Fig.16 - Fissuração característica de divisórias de alvenaria devida a deformação excessiva do 
pavimento inferior [10].............................................................................................................32 
Fig. 17 - Fissuração característica devida a deformação do pavimento superior [10] .............32 
Fig.18 - Fissuração característica devido a deformação semelhante dos pavimentos superior e 
inferior [10] ..............................................................................................................................32 
Fig.19 - Fissuração característica em vãos de alvenaria devida a deformação excessiva do 
pavimento inferior [10].............................................................................................................33 
Fig.20-Fissuras na alvenaria e destacamentos no encontro com a estrutura em decorrência da 
deflexão das vigas em consola [10]..........................................................................................33 
Fig.21- Fissura provocada pela deformação da viga lintel de sustentação da parede ..............33 
Fig. 22 - Fissuras provocadas por assentamentos diferenciados de fundação assente sobre 
secção mista [10] ......................................................................................................................35 
Fig. 23 - Fissuras devidas a assentamentos diferenciais em edificação assente sobre aterro mal 
compactado...............................................................................................................................35 
Fig. 24 - Fissura provocada pelo abatimento da base -aterro mal compactado........................35 
Fig. 25 - Fundações contínuas, fissuras de flexão sobre as aberturas [10]...............................36 
Fig, 26 - Assentamento diferencial entre pilares provocando o aparecimento de fissuras 
inclinadas nas paredes [10].......................................................................................................37 
Fig.28 – Deslocamento do revestimento por eventual argamassa bastante rica em cimento...41 
Fig. 29 – Destacamento por má qualidade das argamassas [4] ................................................42 
Fig. 30 - Empolamento resultante de dilatações térmicas por ausência de juntas [12] ............48 
Fig.31 - Fissura em parede causada pela movimentação térmica de laje de cobertura [10] ....49 
Fig.32 - Fissuração entre a estrutura e a alvenaria, por questões térmicas, devido à má 
concepção e pormenorização da cobertura [4] .........................................................................50 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
IX 
Fig, 33 - Fissuração de paredes inseridas em estrutura reticulada de betão armado, devido a 
variações térmicas da estrutura [10] .........................................................................................50 
Fig. 34 - Fissuração de paredes divisórias devida ao movimento da laje de cobertura em 
terraço por efeito da variação de temperatura [10]...................................................................50 
Fig. 35- Juntas móveis de apoio das lajes de cobertura na sua estrutura de suporte. 
Pormenores construtivos [10]...................................................................................................51 
Fig. 36 – Fissuração entre a alvenaria e estrutura, provocado pela contracção da alvenaria 
devido à variação da humidade dos materiais ..........................................................................52 
Fig, 37-Fissuraçâo de paredes de alvenaria devido a variação de humidade [10]....................54 
Fig. 38 - Fissuração típica de viga isostática sub-armada, solicitada à flexão [10]..................55 
Fig. 39 - Fissura de esforço de corte em viga alta de betão armado, com provável entrada de 
água de chuva para o interior da edificação [1]........................................................................56 
Fig, 40-Fissuração típica em viga de betão armado devido a esforços de torção [10].............56 
Fig. 41 - Fissuras típicas em pilares de betão armado [10] ......................................................57 
Fig.42 - Descolamento da pintura do pavimento em armazém – pintura executada antes da 
secagem total do betão (higróscopicidade do betão). ...............................................................61 
Fig.43 - Efeito da humidade da floreira sobre a pintura -tanto a película como a argamassa 
acham-se pulverulentas e em desagregação. ............................................................................62 
Fig.44 – Camadas de impermeabilização [10] .........................................................................63 
Fig. 45 - Mecanismo de formação de eflorescências e criptoflorescências [5]. .......................64 
Fig. 46 - Humidade ascendente de águas freáticas em paredes interiores [4] ..........................64 
Fig. 47 - Humidade ascendente de águas superficiais numa parede exterior. A “linha” é aqui 
perfeitamente visível [4]...........................................................................................................64 
Fig. 48 - Sistema de drenagem com seixo rolado ou brita [10]................................................66 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
X 
Fig. 49 – Princípio de funcionamento dos drenos atmosféricos (ou de Knapen) e dreno em 
material plástico utilizado actualmente (dreno Speedy) [5]. ....................................................67 
Fig. 50 – Esquema geral do funcionamento do processo electro – osmótico [5] .....................67 
Fig. 51 - Causas do bolor em forro de casa de banho: excesso de vapor de água, material 
empregado no revestimento, ventilação precária [10]..............................................................72 
Fig. 52 - Formação de bolor, devido à condensação da humidade resultante da utilização de 
compartimento. Provavelmente por razõesde ventilação precária [4].....................................73 
Fig. 53 -Algumas soluções de projectos dificultam a remoção imediata do vapor para o 
exterior, fazendo com que as superfícies das paredes e tecto fiquem humedecidas, 
particularmente nos períodos de chuva, quando as janelas são mantidas totalmente fechadas 
[10] ...........................................................................................................................................76 
Fig. 54 - 0 alinhamento de portas e janelas pode dificultar circulação de ar pêlos ambientes 
facilitando o aparecimento e proliferação de bolor [10]...........................................................76 
Fig. 55 - A geometria e dimensões das saliências introduzidas sobre as superfícies das 
fachadas vão determinar o maior ou menor grau da dissipação dos fluxos de água da chuva 
que se forma na superfície [10] ................................................................................................79 
Fig. 56 - Desenvolvimento de bolor na região do contorno da janela devido a infiltração de 
água pela junção caixilho/parede [4] ........................................................................................79 
Fig.57 - Formação de bolor, película de pintura destruída - parede com infiltração de água da 
chuva pela ausência de impermeabilização pelo lado exterior [4] ...........................................79 
Fig. 58 - Infiltração de água da chuva devido a problemas na cobertura, danificando o 
revestimento e pondo risco à instalação eléctrica.....................................................................81 
Fig. 59 - A drenagem de um tubo de queda feita directamente no solo é um dos motivos mais 
frequentes da patologia [10]. ....................................................................................................82 
Fig. 60 - Escorrimentos de ao longo da parede [4]...................................................................84 
Fig. 61– Manifestação de eflorescências na base de uma parede [5] .......................................87 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
XI 
Fig. 62 – Eflorescências do “ tipo 2” [4] ..................................................................................89 
Fig. 63 - Eflorescências “tipo 2”-por falta de tomada da junta entre as pedras, a água atinge o 
cimento cola, reagindo com a cal criando um depósito de sal .................................................89 
Fig. 66 - Fissuração e descolamento da película de pintura, provocada pela variação 
dimensional da madeira ............................................................................................................95 
Fig. 67 - Efeito da humidade do substrato em pintura com baixa resistência ao ataque por 
agentes biológicos [4]...............................................................................................................95 
Fig.68 - Enrugamento da película de pintura, devido a incompatibilidade das varias camadas 
do sistema de pintura, secagem muito rápida ou espessura muito elevada [4]. .......................96 
Fig. 64 - Efeito dos sais solubilizados do substrato sobre a pintura por efeito de humidade de 
infiltração [10] ..........................................................................................................................98 
Fig.65 - Efeito da humidade do solo sobre a pintura. Tanto a película como a argamassa 
acham-se pulverulentas e em desagregação [5]........................................................................98 
Fig. 66 - Diagnóstico de intervenção diagrama de fluxo [10] ................................................101 
 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
XII 
ÍNDICE DE QUADROS 
Quadro 1 – Danos do revestimento – manifestações, aspectos, causas prováveis e reparações 
[10] ...........................................................................................................................................42 
Quadro 2 – Características da humidade nas paredes devida à água superficial e à água 
freática ......................................................................................................................................65 
Quadro 3 – Soluções para correcção de anomalias [4].............................................................68 
Quadro 4 – Variação da resistência térmica de parede em alvenaria de tijolo maciço em 
função da humidade existente na parede [10] ..........................................................................75 
Quadro 5 – Tipos e Caratcerísticas das Eflurescências [10] ....................................................85 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
1 
INTRODUÇÃO 
O tema “ Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios” é suficientemente vasto para 
não poder ser tratado com plenitude numa única monografia. Contudo, dissertar sobre este 
tema torna-se um desafio na intenção de fazer o melhor, não procurando o óptimo, mas 
apenas contribuir com a esperança que a leitura do texto, que se procura dar uma estrutura 
clara, simples e acessível, possa conquistar novos entusiasmos para a causa das patologias. 
Para a concretização desta monografia foram tido em conta conhecimentos adquiridos ao 
longo da vida profissional do seu autor, assim como a consulta de bibliografia relacionada 
com o tema, pretendendo descrever de uma forma sumária as patologias mais correntes em 
edifícios, sem qualquer intenção de se exaustiva, face às condicionantes temporais definidas 
para a sua realização, deixando desta forma um pequeno contributo. 
Assim, numa primeira fase procede-se à caracterização e classificação das várias patologias, 
sua formas de manifestação e causas associadas, passando finalmente à análise das medidas 
preventivas e correctivas, de forma dar cumprimento às exigências funcionais que lhes estão 
associadas. 
A monografia está estruturada em nove capítulos: 
• No primeiro é feita uma abordagem genérica ao problema em análise, designadamente 
o apontar de razões para o sistemático repetir de erros na Construção Civil, 
conducente ao aparecimento de múltiplas avarias, muito relacionado com o problema 
da não qualidade. São, ainda, identificados os casos basilares e mais exemplares 
resultantes desta situação. 
• No segundo capítulo, o primeiro do corpo do texto, propriamente dito, são abordados 
os problemas decorrentes da corrosão das armaduras em estruturas de betão armado, 
procurando-se definir a origem das causas e propondo-se medidas preventivas e 
correctivas para esta matéria. 
• O terceiro capítulo faz referência às alvenarias, abordando de uma forma não 
exaustiva a execução de paredes duplas (sistemas de isolamento térmico e correcção 
das pontes térmicas), passando a enumerar o tipo de patologias associadas a estes 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
2 
elementos da construção, nomeadamente a fissuração e formas de minimizar o 
problema. 
• O quarto capítulo faz referência ao tipo de patologias que mais vulgarmente ocorrem 
nos revestimentos, no caso (argamassa), sua origem e formas de actuação preventivas 
e correctivas. 
• O quinto capítulo faz referência ao tipo de patologias que ocorrem com bastante 
frequência nas edificações (fissuração), procurando-se analisar a sua origem e 
manifestações. 
• O sexto capítulo vai dirigido para os problemas derivados das humidades, que tanto 
afectam os edifícios criando condições de insalubridade, procedendo-se à apresentação 
das principais formas de humidade em paredes, suas causas e respectivas acções 
preventivas e correctivas, na tentativa de minimizar ou reparar o problema. 
• O sétimo capítulo faz referência aos mecanismos associadosà formação de sais na 
superfície ou no interior das alvenarias, formando depósitos que originam 
eflorescências, suas causas e diferentes formas de ocorrência, procurando arranjar um 
conjunto de medidas preventivas quer correctivas que façam face a esta patologia. Por 
vezes, devido à natureza desses sais e à sua distribuição espacial nas alvenarias, 
verificamos a impossibilidade física de se proceder à sua remoção total, consistindo 
muitas das vezes na mera ocultação. 
• No oitavo capítulo é feita uma abordagem aos problemas relacionados com os 
sistemas de pintura, as patologias que lhes estão associadas, medidas preventivas e 
correctivas para a obtenção de resultados satisfatórios. 
• Por fim, no nono capítulo, é feita uma breve referência à forma de diagnóstico das 
causas patológicas e proposta de sistematização da mesma. 
Acredita-se que o presente trabalho poderá ser um documento útil para pequenas e médias 
empresas que, pela sua dimensão, não possuam uma estrutura e quadro técnico abrangente e 
sólido. Complementarmente, julga-se que poderá ainda mostrar-se válido e aproveitável para 
técnicos e alunos de engenharia e arquitectura, construtores, fiscalizações, proprietários e 
investidores, enumerando um conjunto de técnicas e alertando igualmente para os problemas 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
3 
que mais se verificam no nosso parque habitacional, tendo por objectivo não cometer os 
mesmos erros efectuados anteriormente. 
 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
4 
CAP I – GENERALIDADES 
I.1 – Porque se repetem os insucessos 
A patologia de edifícios pode hoje ser considerada um ramo da ciência da construção, em 
grande parte derivada da modernização tecnológica induzida no pós-guerra (1939/45) e de 
alguns insucessos decorrentes de novas soluções tecnológicas. Não deixa, porém, de ser 
surpreendente que continuem correntemente a fazer parte do cardápio muitos dos insucessos 
cujo diagnóstico de causas e formas de prevenção são conhecidos há quase cinquenta anos 
[8]. 
Limitando-nos aos aspectos referentes a exigências de habitabilidade, onde avultam 
normalmente as questões relativas a manifestação de humidades, condensações, infiltrações, 
problemas térmicos, deficiências de ventilação, ruído, degradação de aspecto geral da 
construção, etc., são inúmeras as situações deste tipo que se vêem repetindo ao longo dos 
anos, que na maior parte dos casos seriam previsíveis (e passíveis de serem facilmente 
evitadas) desde as fases de projecto e/ou construção. O que está então a falhar neste processo? 
A exposição de algumas das razões possíveis constitui, deste modo, o objecto da presente 
monografia [1]. 
Em Portugal, muito embora haja uma preocupação crescente com a qualidade da Construção, 
principalmente por parte dos construtores, com um incremento nos seus métodos de controlo 
e com a certificação das empresas, continua a verifica-se que os edifícios construídos nos 
últimos anos não apresentam a qualidade esperada. Pode mesmo afirmar-se que há milhares 
de fogos, construídos recentemente, com patologias muito graves que condicionam a sua 
utilização. Esta situação traduz-se em inúmeras reclamações por parte dos utentes e no 
descrédito de alguns construtores (é usual a responsabilização única dos construtores pelos 
defeitos de uma construção, quando em inúmeros casos essas anomalias resultam de má 
concepção dos edifícios por parte dos projectistas) [8]. 
A resolução definitiva de algumas dessas anomalias revela-se por vezes impossível de realizar 
e noutras situações com custos elevados de reparação. Todo este processo provoca nos utentes 
dos edifícios um desgaste psicológico e custos associados, bem como reclamações e perda de 
confiança para as empresas construtoras. Neste sentido a adopção, no decorrer de todo o 
processo construtivo, de medidas e disposições construtivas que minimizem a ocorrência de 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
5 
anomalias será sempre uma boa opção, além do que se traduzirá, por um lado, num aumento 
da qualidade e, por outro, por uma diminuição de custos. 
A falta de sistematização do conhecimento, a ausência de informação técnica, a inexistência 
de um sistema efectivo de garantias e de seguros, a velocidade exigida ao processo de 
construção, as novas preocupações arquitectónicas, a aplicação de novos materiais, a 
inexistência na equipa de projecto de especialistas em física das construções são algumas das 
causas fundamentais da não qualidade dos edifícios [8]. 
I.2 – Consequências técnicas da não qualidade – patologias 
No sector da construção, as formas mais comuns da não qualidade são os sinistros que 
aparecem aquando da sua utilização. 
A não-qualidade não se limita a esses sinistros, os erros comerciais, projectos incompletos, 
acidentes, mau planeamento orçamentário, calendarização etc. 
Cabe ressaltar que a identificação da origem do problema permite identificar, também para 
fins judiciais, quem cometeu a falta. 
Assim: 
• Se o problema teve origem na fase do projecto, o projectista falhou; 
• Quando a origem está na qualidade do material, o fabricante errou; 
• Se na etapa de execução, trata-se de falha de mão-de-obra/empreiteiro ou da 
fiscalização; 
• Se na etapa de uso, a falha é da operação e manutenção. 
Uma elevada percentagem das manifestações patológicas tem origem nas etapas de 
planeamento e projecto, sendo estas, em geral, mais graves que as falhas de qualidade dos 
materiais ou má execução. 
Segundo Messeguer: “ O êxito e a qualidade do produto final, bem como o custo do mesmo, 
dependem grandemente da qualidade do projecto que se tem” [2]. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
6 
I.3 – Causas das patologias 
Quase sempre as anomalias decorrem da conjugação de vários factores adversos, confluência 
essa que se pode dar simultaneamente no tempo, ou suceder em sequência com acumulação 
de efeitos, até ao limiar de desencadeamento do processo. Tal concentração de factores é 
normalmente tanto mais necessária quanto mais improváveis são as anomalias em jogo. 
A tipificação das causas de anomalias em edifícios é tarefa extremamente difícil e, 
possivelmente, não alcançável numa forma única e coerente. Esta dificuldade resulta, entre 
outros, dos seguintes aspectos [12]: 
• A grande variedade de elementos e materiais que constituem um edifício; 
• A multiplicidade de funções a desempenhar pelos vários componentes de um edifício 
e a diferenciação existente entre os critérios de aceitabilidade de ocorrências 
prejudicando diferentes funções; 
• A grande complexidade do meio ambiente envolvente de um edifício e a larga margem 
de actuação que os seus utentes podem ter; 
• As várias fases por que passa um edifício, incluindo a concepção, projecto, 
construção, utilização, manutenção e demolição; 
• A grande ligação entre causas e efeitos dos vários fenómenos que se podem 
desenvolver simultaneamente, o que gera situações em que um mesmo acontecimento 
é consequência dum fenómeno a montante e ao mesmo tempo é causa de um outro 
fenómeno a jusante. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
7 
CAPÍTULO II – CORROSÃO DE ARMADURAS EM BETÃO ARMADO 
II.1 – Introdução 
Várias são as vezes em que o profissional de engenharia civil se vê diante de um problema de 
corrosão de armaduras nas estruturas de betão armado. 
Como as variáveis que intervêm no processo tem origem em diferentes fontes, em muitas 
situações não é fácil, nem rápido, explicar o porquê de uma estrutura corroída, quando tantas 
outras em tudo semelhantes e similares não apresentamo problema. A justificativa mais 
cómoda, em geral, é atribuir o facto à falta de recobrimento adequado de betão. 
O recobrimento de betão tem a finalidade de proteger fisicamente a armadura e propiciar um 
meio alcalino elevado que evite a corrosão passiva do aço. Essa protecção depende, portanto e 
essencialmente, das características e propriedades intrínsecas do betão. Aos diferentes tipos de 
betões deverão corresponder diferentes recobrimentos, mantendo o mesmo nível de protecção. 
Por outro lado, o meio ambiente no qual se insere a estrutura e que, em última instância, é o 
agente promotor de eventual corrosão, também deve ser considerado. É de se esperar que 
regiões com atmosfera seca e "pura" não agridam tanto a estrutura quantas atmosferas 
húmidas e fortemente contaminadas por gases ácidos. 
Como manter uma mesma exigência de recobrimento sem considerar esses factores regionais? 
Aumentar o recobrimento, em geral, significa aumentar as dimensões das peças ou manter as 
dimensões e aumentar as secções de aço, ou seja, aumentar o custo da estrutura. 
Também a região onde se encontra o componente estrutural, laje, vigas, pilares ou paredes e a 
própria natureza, devem ser levados em conta. Lajes em ambientes húmidos podem sofrer 
muito mais o fenómeno da condensação do que elementos verticais. Da mesma forma, pilares 
semi-enterrados poderão ter problemas de corrosão mais rapidamente que pilares em 
ambientes interiores e secos. 
Neste capítulo, pretende-se ressalvar a importância da consideração desses factores no 
problema da protecção das armaduras de betão armado, chegando a sugerir alguns aspectos 
principais de engenharia preventiva e de engenharia correctiva. Para tal, inicia-se analisando 
simplificadamente o mecanismo da corrosão e algumas propriedades básicas dos betões, 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
8 
conhecimentos necessários à interpretação dos fenómenos e ao entendimento da patologia das 
estruturas de betão armado [3, 8, 10, 12]. 
II.2 – Origem e formas de manifestação 
O processo de produção e uso de uma estrutura compreende, normalmente, várias etapas: 
• Planeamento e concepção; 
• Projecto e especificações; 
• Selecção e recepção dos materiais e componentes elaborados fora do estaleiro da obra; 
• Execução, propriamente dita; 
• Utilização de construção após conclusão. 
Tem-se observado, por experiência, que a maior incidência de problemas de corrosão são 
originados por deficiências no projecto, especificações e falhas de execução. A maioria dos 
projectos não prevê diferentes betões ou diferentes recobrimentos de um mesmo betão, 
segundo a posição que o componente estrutural ocupa na obra ou segundo a agressividade do 
meio ambiente onde a estrutura será inserida. Da mesma forma, durante a execução não são 
tomados os cuidados necessários com a colocação dos dispositivos que asseguram o 
recobrimento do betão, tais como pastilhas e espaçadores. A composição do betão, sua 
porosidade, descarga e cura adequada são, em alguns casos, parâmetros e técnicas 
construtivas desconhecidas do engenheiro ou encarregados das obras. 
Como evitar ninhos em junta de betonarem? Como aumentar a compacidade superficial do 
betão? Como curar superfícies verticais, ou mesmo fundos de vigas e lajes? Como especificar 
o recobrimento da armadura de um pilar de garagem ou do pavimento térreo (deve ser 
diferente dos demais?). O desconhecimento ou pequena importância dada a esses aspectos 
durante as etapas de projecto e execução são, na maior parte dos casos, os factores que dão 
origem aos problemas de corrosão [10, 12]. 
Pode-se definir corrosão como a interacção destrutiva de um material por reacção química, ou 
electroquímica, com o meio ambiente. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
9 
Basicamente, são dois os principais processos de corrosão que podem sofrer as armaduras de 
aço para betão armado: a oxidação e a corrosão, propriamente dita. 
Por oxidação entende-se o ataque provocado por uma reacção gás-metal com formação de 
uma película de óxido. Este tipo de corrosão é extremamente lento à temperatura ambiente e 
não provoca deterioração substancial das superfícies metálicas, salvo se existirem gases 
extremamente agressivos na atmosfera. 
Por corrosão, propriamente dita, entende-se o ataque de natureza preponderantemente 
electroquímica que se dá em meio aquoso. Ela ocorre quando se forma uma película de 
electrólito sobre a superfície dos varões ou barras de aço. Esta película é causada pela 
presença de humidade, em geral sempre presente no betão [10]. 
O mecanismo de corrosão do aço no betão é electroquímico, tal qual a maioria das reacções 
corrosivas em presença de água ou ambiente húmido (humidade relativa > 60%). Esta 
corrosão conduz à formação de óxido/hidróxidos de ferro (produtos de corrosão, 
avermelhados, pulverulentos e porosos, denominados “ferrugem”) e só é possível nas 
seguintes condições: 
• Deve existir um electrólito; 
• Deve existir uma diferença de potencial; 
• Deve existir oxigénio. 
A formação de uma célula ou pilha de corrosão electroquímica pode ocorrer como indicado 
na fig. 1, que explícita graficamente o fenómeno. 
Como em qualquer outra célula, há um ânodo, um cátodo, um condutor metálico e um 
electrólito. Qualquer diferença de potencial entre as zonas anódicas e catódicas acarreta o 
aparecimento de corrente eléctrica. Dependendo da magnitude dessa corrente e do excesso de 
oxigénio poderá ou não haver corrosão. 
A água está sempre presente no betão e geralmente em quantidades suficientes para actuar 
como electrólito, principalmente nas regiões da obra expostas à intempérie. Qualquer 
diferença de potencial que se conduza entre dois pontos da barra, por diferença de humidade, 
aeração, concentração salina, tensão no betão e no aço, etc., é capaz de desencadear pilhas ou 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
10 
cadeias de pilhas conectadas em série. Na maioria das vezes formam-se micropilhas que 
podem, inclusive, alternar de posição os pólos. 
 
Fig. 1 - Célula de corrosão em betão armado [10] 
É necessário, também, que haja oxigénio para a formação da ferrugem cuja reacção de 
formação pode ser simplificadamente indicada por: 
4 Fe + 3O2 + 6 H 2 O 4 Fe (OH) 3 (ferrugem) 
Na realidade, as reacções são mais complexas e o produto de corrosão, denominado ferrugem, 
nem sempre é Fe (OH)3, mas sim uma gama de óxidos e hidróxidos de ferro. 
A corrosão pode ser acelerada por agentes agressivos contidos ou absorvidos pelo betão. 
Entre eles podem-se citar os iões sulfuretos, iões cloretos, o dióxido de carbono, os nitritos, o 
gás sulfídrico, etc. Os agentes agressivos permitem a formação de corrosão, ou destroem a 
película já existente de passivação do aço, acelerando a corrosão. 
Nas regiões em que o betão não é adequado, ou não recobre ou recobre deficientemente a 
armadura, há a formação de óxidos de ferro que passam a ocupar volumes três a dez vezes 
superiores ao volume original do aço da armadura, originando tensões no betão superiores a 
15 MPa. Essas tensões provocam inicialmente a fissuração do betão na direcção paralela à 
armadura corroída, o que favorece a carbonatação e a penetração do CO2 e agentes agressivos, 
podendo causar o fissuramento do betão, conforme figura 2. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
11 
 
Fig. 2 - Fissuração do betão devido às forças de expansão dos produtos da corrosão [10] 
 
Fig. 3 - Deterioração progressiva devida à corrosão das armaduras [10] 
Essa fissuração acompanha, em geral, a direcção da armadura principal e, mais raramente, a 
direcção dos estribos, a nãoser que estejam à superfície. Na maioria das vezes aparecem 
manchas castanhas avermelhadas na superfície do betão e bordos das fissuras. 
É típico da corrosão, predominantemente electroquímica em meio aquoso, a descontinuidade 
do fenómeno ao longo da extensão da armadura principal. Verifica-se, geralmente, a 
alternância de trechos não alterados com trechos fortemente corroídos [3, 10, 12]. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
12 
II.3 – O papel do recobrimento no betão 
Uma das grandes vantagens do betão armado é que ele pode, por natureza e desde que bem 
executado, proteger a armadura contra a corrosão. Essa protecção baseia-se no impedimento 
da formação de células electroquímicas, através de duas maneiras: 
• Protecção física; 
• Protecção química. 
II.3.1 – Protecção física 
Um bom recobrimento de armadura com um betão de boa compacidade, sem " ninhos”, com 
teor de cimento adequado e homogéneo, garante, por impermeabilidade, a protecção do aço 
ao ataque de agentes agressivos externos [3]. 
 
Fig. 4 - Recobrimento precário – pilar apresenta “ninhos” e armadura principal sem recobrimento 
II.3.2 – Protecção química 
Em ambiente altamente alcalino forma-se na superfície do aço uma película protectora de 
carácter passivo. O betão tem carácter alcalino porque as reacções de hidratação dos silicatos 
de cálcio libertam hidróxido de cálcio que se dissolve em água e preenche os poros e capilares 
do betão, conferindo-lhe um carácter alcalino. O hidróxido de cálcio tem um pH da ordem de 
12,6 (à temperatura ambiente) que proporciona a passivação do aço, conforme experiências 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
13 
efectuadas por Pourbaix. Pode-se adoptar, como referência, que a armadura estará 
normalmente passiva, quando em meio alcalino apresente um pH entre 10,5 a 13 [3]. 
II.4 – Causas da corrosão 
II.4.1 – Carbonatação do betão 
A corrosão de superfícies metálicas expostas a gases ácidos de atmosferas urbanas e 
industriais e a salinidade presente na atmosfera marinha, contribuem para a rápida redução da 
alcalinidade do betão, aumentando a velocidade e profundidade de carbonatação e, 
consequentemente, a perda de passividade da armadura. Nas superfícies dos componentes 
estruturais a alta alcalinidade inicial do betão vai sendo reduzida com o tempo. Essa redução 
ocorre essencialmente pela acção do C02 presente na atmosfera e outros gases ácidos, tais 
como gás sulfídrico e dióxido de enxofre, que penetram no betão por difusão. Esse processo, 
denominado carbonatação do betão dá-se lentamente [3, 8, 12]. 
II.4.2 - Características do meio ambiente 
As atmosferas, nas quais poderão estar inseridas as estruturas de betão, podem ser 
classificadas em atmosferas rurais, urbanas industriais, marinhas e viciadas. Como a 
atmosfera viciada, entende-se aquela resultante de ambientes fechados e específicos, tais 
como galerias de águas pluviais, interceptores e colectores de esgoto, cozinhas industriais e 
outros ambientes. 
A característica principal de atmosferas urbanas e industriais é que elas possuem elevados 
teores de óxidos de enxofre e fuligem ácida que se depositam por impacto sobre as superfícies 
dos componentes estruturais, penetrando no seu interior por difusão gasosa. A acção danosa 
dessas atmosferas, deve ser considerada sempre em conjunto com a humidade relativa da 
região, pois se não for atingida a humidade critica não haverá risco de corrosão acentuada [3, 
8, 12]. 
II.4.3 – Agentes agressivos presentes na atmosfera 
O agente agressivo mais intenso é o cloreto, presente em atmosferas marinhas (até 
aproximadamente 5 km da costa). 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
14 
Pequenos teores de cloreto podem ser responsáveis por grande intensidade de corrosão, pois 
eles não são incorporados aos produtos de corrosão, actuando na maioria dos casos como 
catalizados das reacções electroquímicas. 
Outros aniões, tais como sulfatos e amónia, podem actuar de modo similar, porém, sempre 
com intensidades menores [3, 8, 12]. 
II.4.4 – Agentes agressivos incorporados ao betão 
É usual na maioria das vezes, por absoluto desconhecimento dos técnicos envolvidos, a 
incorporação de elementos agressivos durante a amassadura do betão. 
O agente agressivo mais comum é o cloreto, que pode ser adicionado involuntariamente ao 
betão, a partir de aditivos aceleradores de presa, agregados e águas contaminadas. A grande 
maioria dos aditivos aceleradores de presa e endurecedores tem, na sua composição, cloreto 
de cálcio. 
Concentrações de cloretos iguais ou superiores a 700 mg/1 retiram a perda de passividade ao 
aço, além de reduzirem, significativamente, a resistividade eléctrica do betão. Os agregados 
de regiões próximas ao mar e águas contaminadas ou salobras também podem conter cloretos, 
na maioria das vezes sob a forma de cloreto de sódio, elemento abundante na orla marítima 
(vulgar sal). 
Embora não muito comum, o que também pode acarretar problemas, é o emprego de 
agregados com concentrações ferruginosas, na maioria decorrentes de rochas em alteração. Os 
produtos das reacções podem ser ácidos, que irão contribuir para o aceleramento do fenómeno 
de carbonatação superficial do betão, reduzindo a protecção química do recobrimento. 
Praticamente, todos os revestimentos nos quais predominem a cal e o cimento portland como 
aglomerantes, não acarretam problemas á armadura, podendo até pelo contrário, auxiliar na 
protecção. Não é o caso põe exemplo de outros revestimentos, à base de gesso. O sulfato de 
cálcio tem carácter ácido, principalmente quando decorrente da obtenção de fertilizantes. Esse 
subproduto industrial pode originar pastas e argamassas com pH por volta de 6 que, 
consequentemente, por serem porosos e higroscópicos, podem contribuir para o aumento da 
corrosão das armaduras. Da mesma forma, há que ter cuidado no emprego indiscriminado de 
argamassas prontas [3, 8, 10, 12]. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
15 
II.4.5 – Qualidade do betão de recobrimento 
A carbonatação superficial dos betões é variável conforme a natureza de seus componentes, o 
meio ambiente e as técnicas construtivas de transporte, descarga e cura utilizada. Como 
consequência a profundidade de carbonatação é de difícil previsão e também variável dentro 
de amplos limites. 
Tendo a relação água/cimento papel preponderante na permeabilidade dos betões, é natural 
que tenha grande influência na velocidade de carbonatação. A cura da superfície dos 
componentes estruturais tem um papel importantíssimo na protecção contra a corrosão. Com 
tratamentos adequados, é possível evitar-se a retracção superficial e a consequente micro e 
macro-fissuração que poderiam permitir a penetração de agentes agressivos. 
Outro aspecto que deve ser ressalvado é o relativo à homogeneidade do betão e à 
uniformidade do recobrimento. Sendo a corrosão um fenómeno essencialmente 
electroquímico, regiões porosas ou de pequeno recobrimento, alternadas com regiões densas e 
com maior recobrimento, podem gerar pilhas de corrosão e concentração diferencial 
aumentando o risco de corrosão ou acelerando uma corrosão já iniciada [3, 10, 12]. 
II.5 – Medidas preventivas 
II.5.1 – Na etapa de projecto 
Alguns dos principais factores a considerar, na etapa de projecto, são [10, 12]: 
• Avaliar agentes agressivos da atmosfera no local de implantação da obra; 
• Avaliar as condições higrotérmicas do local de implantação da obra; 
• Especificar recobrimentos maiores ou betão de melhor qualidade para as armaduras de 
componentes semi-enterrados, garagens, casas de banho, áreas de serviço, coberturas e 
exteriores; 
•Evitar proximidade de diferentes metais e tratamentos metálicos superficiais. 
II.5.2 – Na etapa de recepção dos materiais 
Alguns dos principais factores a considerar, na etapa de recepção de materiais, são [10, 12]: 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
16 
• Determinar teor de agentes agressivos nos adjuvantes ou aditivos, nos agregados e na 
água de amassadura; 
• Rejeitar barras de aço excessivamente corroídas; 
• Preparar pastilhas de argamassas ou adquirir pastilhas plásticas. 
II.5.3 – Na etapa de execução 
Alguns dos principais factores a considerar, na etapa de execução, são [10, 12]: 
• Evitar betões com relação água/ cimento superior a 0,55; 
• Não permitir o derrame de agentes agressivos sobre as barras e fios de aço nos stocks; 
• Empregar agregados com dimensão máxima característica da mesma ordem de 
grandeza da espessura do recobrimento; 
• Aumentar o teor de argamassa dos primeiros betões lançados sobre juntas de 
betonagem; 
• Cuidar da vibração do betão para evitar ninhos; 
• Curar, pelo menos 15 dias, as superfícies do betão; 
• Evitar revestimentos neutros ou ácidos à base de gesso; 
• Promover a hidrofugação periódica (manutenção) das superfícies de betão aparente; 
• Proteger temporariamente os arranques ou esperas. 
 
Fig. 5 - Fraca qualidade do betão e respectiva vibração (ninhos e materiais estranhos incorporados) 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
17 
II.6 – Medidas correctivas 
Antes de se decidir por um certo procedimento de recuperação e protecção contra a corrosão, 
devem ser efectuadas análise e diagnósticos precisos do caso patológico ocorrido. 
As medidas correctivas devem ser tomadas em função das causas e origens específicas de 
cada problema. 
De um modo geral, a recuperação desse tipo de fenómeno patológico é delicada e requer mão-
de-obra especializada. 
Consiste basicamente em três etapas: 
• Limpeza rigorosa, de preferência com jacto de areia e apicoamento de todo o betão 
solto ou fissurado, inclusive das camadas de óxidos e hidróxidos das superfícies das 
barras; 
• Análise criteriosa da possível redução da secção transversal das armaduras atacadas. 
Se necessário, colocar novos estribos e/ou novas armaduras longitudinais. Sempre que 
for empregue solda, deve-se controlar o tempo e temperatura por forma de evitar a 
mudança das estruturas do aço; 
• Reexecução do recobrimento das armaduras de preferência com betão bem adensado. 
Este recobrimento tem a finalidade de: 
• Impedir a penetração de humidade, oxigénio e agentes agressivos até as armaduras; 
• Recompor a área da secção de betão original; 
• Propiciar um meio que garanta a manutenção da capa protectora no aço. 
Esse novo recobrimento pode ser executado através de qualquer procedimento que atenda aos 
requisitos abaixo mencionados: 
• Betão projectado com espessura mínima de 5 cm. Esse betão tem boa aderência ao 
betão velho e não requer formas, no entanto tem a desvantagem de acarretar perda de 
material e sujar o ambiente; 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
18 
• Adesivos à base de epóxi para união do betão velho com o novo, sendo este aplicado 
no local por método tradicional. Esta solução apresenta vantagens em relação a 
anterior, pois impermeabiliza a armadura definitivamente, impedindo que, mesmo 
com carbonatação superficial, haja corrosão. No entanto, ela tem a desvantagem de 
requerer formas e de dificultar a compactação e adensamento do betão novo. 
Geralmente este procedimento acarreta secções finais maiores que as iniciais com 
prejuízo estéticos; 
• Betões e argamassas poliméricas obtidas de resinas à base de epóxi ou metil-
metacrilatos. Eles possuem alta durabilidade, impermeabilidade, aderência ao betão 
velho e a armadura, porém necessitam formas e requerem mão-de-obra especializada e 
teste prévios de desempenho, pois há muita flutuação nas características destes 
produtos. Esses betões e argamassas têm a vantagem de não acarretarem problemas 
estéticos pois podem ser moldados em pequenos espaços disponíveis; 
• Betões e argamassas especiais para “grauteamento” (“graute” é uma palavra de origem 
brasileira que simboliza um betão ou argamassa que permite enchimento e 
descofragem rápida, porque proporciona uma resistência à compressão mais rápida 
num curto espaço de tempo e que ao ser aplicado se auto nivela com cura ultra-rápida. 
Pode também ser injectado ou projectado. “Grout” em inglês, cite-se o "jet-grouting" 
como a técnica de injecção de calda no terreno como reforço.). Estes produtos não 
apresentam retracção, tem boa aderência e podem ser auto adensáveis, não exigindo 
aumento de secção, além da original. Pode, algumas vezes, requerer cofragem; 
• Betões e argamassas mais comuns, bem proporcionados, com baixa relação 
água/cimento e aplicados com forma e dentro das técnicas de bem construir. Essa 
solução geralmente exige grande aumento de secção e requerem auto conhecimento de 
tecnologia de betão para segurar a aderência do betão velho ao novo; 
• Finalmente, cabe reforçar que, devem ser identificadas e sanadas as causas. Caso isso 
não seja observado, corre-se o risco de acarretar corrosão em outros locais, por se 
haver criado mais descontinuidade na estrutura, além das originalmente existentes. 
Quando a causa é devida a cloretos incorporados ao betão, a melhor solução pode não ser 
simples e em geral requer respostas específicas para cada caso [3, 10, 12]. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
19 
CAP III - ALVENARIAS 
III.1 – Introdução 
A qualidade da execução das alvenarias depende de forma significativa de aspectos que 
dificilmente se definam ou quantificam no projecto, nomeadamente da qualificação dos 
operários, sua destreza e atitude geral face às estratégias de planeamento e controlo da obra. 
Assim face à diversidade de pormenores, operações, variantes de execução, tradições 
regionais e outras variáveis envolvidas, pretende-se registar uma partilha de vivências ligadas 
à execução, validadas pela experiência e pelo conhecimento técnico [10, 14]. 
III.2 – Execução de alvenaria em zona corrente 
Os tijolos são elementos cerâmicos resultantes da cozedura da pasta de argila, e como tal, 
sendo porosos, absorvem facilmente água por contacto. Assim, antes de serem assentes devem 
ser molhados, pois sem este cuidado absorvem parte da água da amassadura da argamassa o 
que a torna desagregável. 
0 assentamento do tijolo, deve ser realizado de modo que as juntas verticais e horizontais 
fiquem desencontradas de pelo menos 1/3 do comprimento do tijolo (“matar ajunta”). As 
juntas, com espessura final de cerca de 10 mm, devem ser realizadas com argamassa pouco 
consistente preenchendo completamente o intervalo entre tijolos. 
 
Fig. 6 – Aspectos de juntas de argamassa irregulares ou mal preenchidas [14] 
A opção pelo preenchimento das juntas verticais tem sido motivo de alguma polémica nos 
meios técnicos ao longo dos últimos anos. Em defesa do não preenchimento, são usados 
argumentos relativos à economia e à má qualidade natural das juntas verticais, devido a 
dificuldades de execução. No entanto, em paredes sujeitas a solicitações horizontais e em 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
20 
paredes com cargas excêntricas aplicadas, considera-se vantajosa a opção pelo seu 
preenchimento, não obstante a reduzida contribuição para o aumento da resistência da parede 
à compressão. 
Nos cunhais e esquadrias das paredes deverá haver um cuidado especial de modo que os 
tijolos fiquem bem travados entre si. Nos cunhais das paredes de fachada, ombreiras e outras 
extremidades de parede em contacto com o exterior, é fundamentalque o tijolo não fique com 
os furos voltados para o exterior. Na ausência de tijolos de formato especial para estas 
situações, pode usar-se o tijolo furado corrente, ao alto (furação na vertical) cortado para as 
dimensões convenientes, mas sempre devidamente travado. 
 
Fig. 7 - Cunhal mal executado e esquema para correcta execução [14] 
Nos cunhais, como nos restantes cruzamentos de paredes é muito vantajoso que as fiadas das 
duas direcções estejam niveladas, para permitir um adequado travamento. Nos casos em que 
se pretenda uma maior rigidez da ligação, podem aplicar-se grampos metálicos na junta 
horizontal ligando as duas [14]. 
III.3 – Execução de paredes duplas 
A elevação dos dois panos da parede dupla pode ser feita em simultâneo ou de forma 
sequencial. A execução simultânea dos 2 panos facilita a aplicação dos grampos de ligação 
mas apresenta, em geral, maiores dificuldades de execução. 
Na execução de paredes duplas devem ser adoptadas as medidas e precauções descritas para 
as paredes simples com as seguintes particularidades [14]: 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
21 
• Execução da meia cana ou caleira que remata o fundo da caixa de ar, com aplicação de 
tubos de drenagem (em plástico) salientes para o exterior (espaçados de cerca de 2 
metros); 
• Os tubos de drenagem devem recolher as águas do fundo da caleira e conduzi-las ao 
exterior, através de inclinação dada a estes. Deverá igualmente providenciar-se uma 
saliência em relação ao revestimento final não inferior a 15 mm. Face a eventuais 
incertezas relativa à espessura final dos revestimentos, os tubos devem ficar mais 
compridos, para posterior alinhamento por corte. 
• A limpeza da caixa de ar e em particular a caleira é um dos aspectos mais importantes 
da execução de paredes duplas. 
 
Fig. 8 – Aspecto do tubo de drenagem da caixas de ar (solução correcta, esquerda, e incorrecta, direita) [14]. 
III.4 - Isolamento térmico em paredes duplas 
III.4.1 -Isolamento térmico pelo interior 
É pouco frequente a realização de isolamento térmico pelo interior, uma vez que reduz a 
inércia térmica, aumenta o risco de condensações no interior da parede e obriga a cuidados 
especiais de revestimento (reboco armado, forros de madeira, revestimento com gesso 
cartonado, etc.). A aplicação de isolamento térmico pelo interior é executada após a conclusão 
e secagem das alvenarias e deve ser encarada como uma actividade de revestimento especial 
[14]. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
22 
III.4.2 - Isolamento térmico pelo exterior 
Do ponto de vista do comportamento térmico das construções, o isolamento térmico pelo 
exterior constitui a solução mais eficaz, proporcionando uma elevada inércia térmica e 
reduzindo o risco de condensação no interior das paredes. Face às características dos isolantes 
disponíveis e às exigências funcionais dos revestimentos das paredes de fachada, incluindo a 
sua durabilidade e resistência às intempéries, este tipo de isolamento térmico é feito com 
recurso a técnicas mais complexas, das quais se destacam, entre outras, as seguintes soluções: 
• Revestimento sintético delgado armado sobre isolamento térmico; 
• Isolamento térmico pelo exterior sob placas rígidas de revestimento independente, 
com caixa de ar (“bardage”). 
A primeira solução exige um bom desempeno do suporte, uma vez que as placas rígidas de 
isolamento térmico (poliestireno expandido) são coladas directamente à parede e sobre elas é 
executado um reboco delgado armado, com rede de fibra de vidro ou polipropileno. Deste 
modo, as irregularidades da parede afectam de imediato a qualidade do assentamento das 
placas e o aspecto final do revestimento. 
 Nos sistemas com revestimento independente, este é constituído por placas rígidas assentes 
sobre uma estrutura secundária colocada sobre a parede e o seu aspecto e desempenho não 
dependem do isolamento térmico, uma vez que este fica encostado à parede e separado do 
revestimento exterior por um espaço de ar ventilado. 
Qualquer destes sistemas é utilizado sobretudo em acções de reabilitação, sendo aplicável 
com igual desempenho em construções novas. A sua aplicação não interfere com a construção 
das paredes de alvenaria, uma vez que só tem lugar algum tempo após a conclusão destas, 
sendo assumida como uma actividade de revestimento, embora com características especiais 
[14]. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
23 
III.4.3 - Isolamento térmico na caixa de ar 
III.4.3.1 - Materiais rígidos 
Os materiais destinados ao isolamento térmico das paredes podem apresentar-se sob a forma 
de placas rígidas com espessuras correntes de 3 a 5 cm. A colocação deste tipo de placas na 
caixa de ar de uma parede dupla deve obedecer às seguintes exigências: 
• O material deve ser imputrescível, indeformável e apresentar uma reduzida absorção 
de humidade (dado que resistência térmica da parede com o aumento do teor de 
humidade diminui, tendo por origem a não garantia de total estanquicidade da parede 
exterior); 
• As placas de isolamento térmico devem estar aprumadas, encostadas à face exterior da 
parede interior e fixas por grampos. Esta deverá estar desempenada de forma a 
facilitar a circulação de ar. 
As placas devem constituir uma barreira contínua sem juntas verticais ou horizontais abertas 
entre elas, de modo a impedir fenómenos de convecção entre as suas duas faces. 
 
Fig. 8 – Exemplos de colocação incorrecta de isolamento térmico na caixa de ar 
A colocação de placas rígidas do isolamento deve ser coordenada com a sequência de 
operações da execução das alvenarias, uma vez que inviabiliza, por exemplo, o levantamento 
simultâneo dos 2 panos de parede (exterior e interior). 
A colocação de placas rígidas do isolamento deve ser coordenada com a sequência de 
operações da execução das alvenarias, uma vez que inviabiliza, por exemplo, o levantamento 
simultâneo dos 2 panos de parede (exterior e interior). 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
24 
As placas de material isolante não hidrófilo podem ser aplicadas entre os dois panos de parede 
sem caixa de ar. Verifica-se todavia que a contribuição da caixa de ar remanescente (com 
largura mínima livre de 2 cm), trás significativas vantagens do ponto de vista da prevenção de 
problemas ligados à humidade, quer no que respeita às infiltrações exteriores, quer às 
eventuais condensações devidas à difusão do vapor de água proveniente do interior do edifício 
[14]. 
III.4.3.2 - Materiais flexíveis 
Os materiais de isolamento térmico flexíveis, apresentam-se em geral em rolos, com larguras 
variáveis entre 0,60 e1,20 m, o que permite que sejam cortados com a altura da parede a 
isolar. 
Estes materiais têm uma maior versatilidade na adaptação a zonas irregulares da construção 
mas apresentam diversas condicionantes de fixação em zona corrente. 
 Para uma correcta colocação e garantia, devem ser aplicados e fixos através de dispositivos 
adequados depois de construída a parede interior, o que obriga a inverter a ordem do processo 
de construção, isto é, obriga à construção da parede exterior em último lugar, a partir de 
andaimes exteriores e com maiores dificuldades na limpeza final da caleira da caixa de ar. 
 A utilização de materiais de isolamento térmico flexíveis sem caixa de ar, fixados ao pano 
exterior da parede, poderia permitir a construção posterior da parede interior, mas está 
limitada, em geral, pela elevada capacidade de absorção de água destas mantas e pela 
fragilização da parede exterior nos pontos de fixação, que poderão constituir zonas 
preferenciais para a entrada de água [14]. 
III.4.3.3- Materiais projectados 
Os materiais projectados são geralmente compostos sintéticos com grande capacidade de 
aderência, baixa porosidade e insensíveis à água. Têm como vantagem a facilidade de cobrir 
todas as zonas irregulares da construção, incluindo pequenos ressaltos e reentrâncias, 
garantindo a continuidade total da camada isolante. 
Apresentam no entanto duas importantes limitações [14]: 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
25 
• A primeira diz respeito à necessidade da construção da parede exterior só após a 
aplicação do isolante, como já sucedia nos materiais flexíveis; 
• A segunda à dificuldade de garantir uma espessura uniforme da camada isolante. 
III.4.3.4 - Materiais a granel 
A utilização de isolamentos térmicos a granel obriga ao preenchimento total da caixa de ar, o 
que poderá ser feito por etapas ou no fim da parede executada antes da execução da última 
fiada. O sistema é pouco corrente e apresenta as seguintes condicionantes [14]: 
• É necessário garantir o total preenchimento da caixa de ar, sem vazios ou zonas de 
diferente compacidade (o que é particularmente difícil em paredes com aberturas ou 
outros elementos singulares); 
• É necessário garantir que o material não sofre qualquer compactação ou adensamento 
natural com o tempo, que provoque a diminuição do volume que ocupa na caixa de ar; 
• O material deve ser imputrescível, não absorvente e insensível à água; 
• A face exterior do pano exterior deve ser impermeável à água mas permeável ao vapor 
de água; 
• Deve ser garantida a drenagem do fundo da caixa de ar, apesar de totalmente 
preenchida com material granular, mas impedindo que os grânulos de isolante saiam 
ou obstruam os tubos de drenagem. 
III.4.3.5 - Materiais injectados 
Os materiais injectados são constituídos por espumas, cujas misturas são normalmente 
efectuadas no local, recorrendo a equipamento próprio. Esta técnica está reservada em geral a 
situações de reabilitação em que não é viável a alteração das faces exterior e interior da 
parede. A execução deve ser feita por pessoal especializado que tenha meios para garantir e 
verificar o integral preenchimento da caixa de ar, o que, mais uma vez, se torna 
particularmente difícil nas paredes recortadas ou de geometria irregular e nas paredes com 
grampeamento entre os dois panos. Uma vez que este sistema implica o preenchimento total 
da caixa de ar, exige-se a sua total insensibilidade à acção da água. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
26 
A aprovação da injecção de espumas na caixa de ar implica a verificação prévia das 
características físicas e químicas da espuma no tempo, nomeadamente a sua estabilidade 
dimensional e a eventual libertação de gases nocivos resultantes de solventes. 
Ao aplicar-se em situações de reabilitação de paredes que não tenham tido qualquer correcção 
inicial das pontes térmicas, este sistema agravará, inevitavelmente, essa situação, pelo que 
deve ser utilizado com reserva [14]. 
III.5 – Correcção das pontes térmicas 
O projecto deve definir com exactidão o tipo de correcção da ponte térmica a executar assim 
como criar as condições necessárias de aplicação e compatibilização entre os diversos 
elementos estruturais. 
A correcção das pontes térmicas, consiste na protecção (interior ou exterior) da estrutura de 
betão armado e outros pontos singulares da construção que apresentam menor resistência 
térmica do que as paredes de alvenaria, com uma forra de tijolo furado, sendo utilizado com 
muita frequência, tijolo furado de 7 cm. 
Do ponto de vista da execução, as correcções interiores são mais fáceis de executar que as 
protecções exteriores. 
No caso das protecções exteriores, é frequente que a laje de piso tenha uma aba saliente 
(rebordo) em relação ao alinhamento exterior dos pilares e das vigas, que permite o apoio 
total ou parcial da referida forra da estrutura em alvenaria. Nestas situações é particularmente 
delicada a colocação de tijolo na face exterior da viga, abrangendo também o topo da laje. 
Este tijolo não pode naturalmente ser considerado como um apoio do pano superior. 
 
 
 
 
 
Fig. 9 – Exemplos de correcção de pontes térmicas [14]. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
27 
Na zona dos pilares, as dificuldades são menores, desde que se planeie correctamente o 
travamento da parede e a transição da dimensão corrente para a dimensão de protecção. As 
forras devem se concluídas antes das alvenarias, uma vez que poderiam constituir um factor 
de descontinuidade grave na parede com grande probabilidade de fissuração posterior. 
Existem várias técnicas de correcção das pontes térmicas, mas que não serão abordadas nesta 
monografia [3, 12, 14]. 
III.6 – Patologias das alvenarias 
III.6.1 – Origem e formas de manifestação 
Inúmeros factores intervêm na resistência final de uma alvenaria a esforços axiais de 
compressão, tais como: 
• Resistência mecânica dos componentes de alvenaria e da argamassa de assentamento; 
• Módulos de deformação (longitudinal e transversal) dos componentes da alvenaria e 
da argamassa; 
• Dimensões e rugosidade superficial dos componentes de alvenaria; 
• Poder de aderência da argamassa; 
• Espessura e tipo das juntas adoptadas; 
• Dimensões da parede. 
Diversos estudos já foram efectuados em várias partes do mundo, procurando-se correlacionar 
a resistência final de uma alvenaria com todos os factores mencionados, tendo-se tirado 
desses estudos algumas conclusões importantes) [1, 3, 6, 10, 12]: 
• A resistência da alvenaria é inversamente proporcional a quantidade de juntas de 
assentamento; 
• Componentes assentes com juntas travadas, produzem alvenarias com resistência 
significativamente superior àquelas, onde os componentes são assentes com juntas 
verticais aprumadas 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
28 
• A resistência da parede não varia linearmente com a resistência do componente de 
alvenaria, nem com a resistência da argamassa de assentamento 
• De forma geral, as fissuras em alvenarias carregadas axialmente começam a surgir 
muito antes de serem atingidas as cargas limite de ruptura. 
• As fissuras que se manifestam nas alvenarias, decorrentes de sobrecarregamentos, são 
geralmente verticais originando-se da deformação transversal da argamassa de 
assentamento e dos próprios componentes de alvenaria. Em casos muitos específicos, 
contudo, podem aparecer fissuras horizontais em ocorrência do esmagamento da 
argamassa de assentamento (caso bastante raro) ou em ocorrência da ruptura dos 
próprios componentes de alvenaria (tijolos maciços com pequena resistência a 
compressão ou blocos vazados horizontalmente, com paredes muitos delgadas. 
Um factor de primordial importância no fissuramento de alvenarias é a presença de aberturas 
de portas e janelas, em cujos vértices ocorrem acentuadas concentrações de tensões. Na 
prática, procura-se combater essa concentração de tensões através da construção de vergas 
sobre as aberturas, esquecendo-se na maioria das vezes que também na região dos vértices 
inferiores das janelas a concentração de tensões é bastante significativa. 
 
Fig. 10 - Fissuração típica de alvenaria devida a excessiva sobrecarga [10] 
As fissuras nos contornos dos vãos, podem assumir diversas configurações em função da 
influência dos seguintes factores: 
• Dimensões do painel de alvenaria; 
• Anisotropia dos materiais constituintes; 
• Magnitude das tensões desenvolvidas; 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
29 
• Dimensões da abertura e localização da mesma na parede. 
 
Fig.11 - Padieira para porta maior que a necessária, resultando futuramentena fissuração ao longo da padieira 
inicial 
 
Fig. 12 - Fissuração de alvenaria no contorno de vão de janela devido à concentração de tensões [10]. 
 
Fig. 13 - Solução para o caso da fig. 12 [10] 
A actuação de cargas concentradas nas alvenarias, sem o emprego de dispositivos adequados 
para redistribuição das tensões, pode provocar o esmagamento localizado ou a manifestação 
de fissuras inclinadas a partir do ponto de aplicação da carga (caso típico de asnas ou vigas 
apoiadas directamente sobre a alvenaria ou sobre coxins excessivamente curtos) fig. 14 e 15. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
30 
 
Fig. 14 - Fissuração de paredes de alvenaria devida a apoio transversal de uma viga [10] 
Um último caso que se pode ainda citar, embora não muito frequente, é a manifestação de 
fissuras horizontais em alvenarias portantes da ocorrência da actuação de cargas verticais 
excêntricas ou cargas horizontais. Em função da intensidade dessas cargas podem surgir 
fissuras de tracção numa das faces da parede, já que a mesma é solicitada à flexão – 
compressão [3, 10, 12]. 
 
Fig, 15 - Fissuração de paredes de alvenaria devido a carga excêntrica [10] 
III.6.2 - Fissuras provocadas por deformabilidade das estruturas de betão armado 
As estruturas de betão armado deformam-se naturalmente sob acção das cargas permanentes e 
das cargas acidentais. Os componentes estruturais podem admitir flechas que não 
comprometem em nada a estabilidade da construção e mesmo estética do componente 
flectido. Essas flechas, entretanto, podem ser incompatíveis com o bom comportamento de 
paredes ou outros componentes que se apoiam sobre as peças flectidas. 
O “Centre Scientifique et Technique de la Construction” propôs num trabalho diversas 
limitações de flechas para vigas e lajes, levando em conta a natureza dos componentes 
apoiados sobre essas peças estruturais e a parcela da flecha desenvolvida após a instalação da 
carga transmitida pelo componente. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
31 
A previsão correcta das flechas que ocorrerão nos componentes estruturais é tarefa 
praticamente impossível de ser realizada, devido aos inúmeros factores intervenientes. Uma 
das primeiras dificuldades que se apresentam é a determinação da parcela da flecha que se 
desenvolve após a fissuração do betão, o que conduz a uma acentuada redução de inércia da 
peça flectida. 
Levando em conta a fissuração, a retracção e a deformação lenta do betão, considerando 
inclusive a influência de factores tais como a humidade do ambiente e a idade do betão por 
ocasião da colocação em serviço do componente estrutural, o C.E.B., propõe uma formulação 
bastante completa para a previsão da curvatura de componentes flectidos. 
Existem formas simplificadas de se considerar a influência da deformação lenta do betão, na 
curvatura final de um componente flectido. Uma outra forma simplificada, é aquela onde se 
considera, que a parcela da flecha oriunda da deformação lenta do betão, seja equivalente ao 
dobro da flecha instantânea, calculada para cargas permanentes e que, em ultima instância, 
provocam deformação lenta. 
A deformação (flecha) de componentes estruturais podem provocar avarias de diferentes 
ordens como o emperramento de caixilhos, ruptura de placa de vidro pela sobrecarga sobre os 
caixilhos, fissuramento de tectos e pisos, desprendimentos de ladrilhos cerâmicos etc. 
 Ao que tudo indica, os componentes das edificações mais sensíveis à deformabilidade das 
estruturas são as alvenarias. As deformações da estrutura, de forma geral, tendem a introduzir 
nesses componentes esforços de tracção e de cisilhamento (corte) provocando fissuras com 
diversas configurações. 
Nas figs. 16, 17, 18 e 19, ilustram-se configurações clássicas de fissuras em alvenarias, 
provocadas pela flexão da viga – suporte e/ou da viga superior 
No caso de vigas em consola, a flexão normalmente provoca o aparecimento de fissuras de 
cisalhamento no painel de alvenaria e o destacamento entre a alvenaria e a estrutura, conforme 
indicado na fig. 20. 
As flexões diferenciadas entre vigas em balanço, para dois pavimentos consecutivos, tendem 
a provocar a fissuração horizontal de paredes localizadas na extremidade da consola 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
32 
(geralmente na altura dos peitoris das janelas) ou ainda o esmagamento dessas paredes, 
conforme ilustrado na fig. 21 [3, 10, 12]. 
 
Fig.16 - Fissuração característica de divisórias de alvenaria devida a deformação excessiva do pavimento inferior 
[10] 
 
Fig. 17 - Fissuração característica devida a deformação do pavimento superior [10] 
 
Fig.18 - Fissuração característica devido a deformação semelhante dos pavimentos superior e inferior [10] 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
33 
 
Fig.19 - Fissuração característica em vãos de alvenaria devida a deformação excessiva do pavimento inferior 
[10] 
 
Fig.20-Fissuras na alvenaria e destacamentos no encontro com a estrutura em decorrência da deflexão das vigas 
em consola [10] 
 
Fig.21- Fissura provocada pela deformação da viga lintel de sustentação da parede 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
34 
III.6.3-Fissuras provocadas por recalques diferenciados das fundações 
Os solos são constituídos basicamente por partículas sólidas, água, ar e não raras vezes por 
materiais orgânico. 
Sob efeito de cargas externas, todos os solos, em maior ou menor proporção, se deformam. 
No caso destas deformações serem significativamente diferentes ao longo do plano das 
fundações de uma obra, origina que tensões de grande intensidade serão introduzidas na 
estrutura, provocando o aparecimento de fissuras. 
A determinação dos assentamentos absolutos que ocorrerão numa fundação é tarefa bastante 
difícil, constituindo-se ainda hoje um grande desafio para a Mecânica dos Solos. 
A rigor, estimativas razoavelmente precisas, só poderiam ser efectuadas através de provas de 
carga ou de ensaios de laboratório relativamente sofisticados, o que nem sempre é viável do 
ponto de vista económico. 
Como no caso das fissuras, o interesse recai quase que invariavelmente nos assentamentos 
diferenciais, pelo que se entende válido, na falta de indicações mais precisas, a tentativa de 
estima-los com base na previsão do módulo de deformabilidade (E) ou do coeficiente de 
reacção do solo (Ks) a partir de ensaios de penetração dinâmica (SPT) ou ensaios de 
penetração estática (Rpr - deepsounding). “Vítor Mello”, analisa diversas propostas de 
correlações entre esses parâmetros, julgando como muito promissor o emprego de Rpr para 
previsão de assentamentos, mas advertindo para o perigo de pseudo-correlações. 
Abstraindo-se da dificuldade de se estimarem valores precisos de E ou Ks, poder-se-á dizer 
que existem boas teorias para os cálculos de recalques de placas rasas ou profundas (Terzaghi, 
Schmertmann, Skempton, etc.). 
Para o caso de estacas, com particular interesse para estacas agrupadas, a teoria de (Davis e 
Poulos) parece ser uma das mais actualizadas e respeitadas. 
De uma maneira geral, as fissuras provocadas por assentamentos diferenciais manifestam-se 
de forma semelhante aquelas produzidas por excessiva deformabilidade da estrutura. A 
direcção em que ocorrer a maior movimentação da fundação normalmente é indicada pela 
inclinação da fissura ou mesmo pela variação de abertura verificada ao longo de sua extensão. 
Os casos mais frequentes de fissuras devidas a assentamentos, ocorrem em edificações 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
35 
assentes sobre secções mistas, conformeindicado na fig. 22, ou sobre aterros mal 
compactados, conforme ilustrado pela figs.23 e 24 [3, 10, 12]. 
 
Fig. 22 - Fissuras provocadas por assentamentos diferenciados de fundação assente sobre secção mista [10] 
 
Fig. 23 - Fissuras devidas a assentamentos diferenciais em edificação assente sobre aterro mal compactado 
 
Fig. 24 - Fissura provocada pelo abatimento da base do aterro mal compactada ou insuficiência da fundação. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
36 
A adopção de sistemas diferentes de fundação numa mesma obra., conduz geralmente a 
assentamentos diferenciais, o mesmo ocorrendo para obras dotadas de um corpo principal 
(mais carregado) e de um corpo secundário (menos carregado). Assentamentos diferenciais 
podem surgir mesmo ao longo de um componente com trechos diferentemente carregados, 
havendo a tendência de formação de fissuras com configuração indicada na fíg. 25. 
Os assentamentos diferenciais em fundações profundas podem ocorrer por diversos motivos, 
podendo-se citar [3, 10, 12]: 
• Estimativa incorrecta do atrito lateral mobilizado, 
• Não consideração do efeito de grupo de estacas, 
• Controle deficiente das negas de cravação, 
• Falhas de betonagem de estacas moldadas in situ 
• Atrito negativo desenvolvido pelo lançamento de aterros e pelo adensamento de 
camadas de argila. 
• Assentamentos diferenciais com distorção angular superior a 1/300, segundo diversas 
fontes, geralmente provocam a incidência de fissuras inclinadas nas paredes, conforme 
indicado na fig. 26, enquanto que distorções de ordem do 1/150 já são suficientes para 
provocar o surgimento de danos em componentes estruturais. 
 
Fig. 25 - Fundações contínuas, fissuras de flexão sobre as aberturas [10] 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
37 
 
Fig, 26 - Assentamento diferencial entre pilares provocando o aparecimento de fissuras inclinadas nas paredes 
[10] 
III.6.4 - Medidas correctivas 
Por falta de informação, excesso de arrojo ou negligência, parte das fissuras nasce 
conjuntamente com o projecto da obra. O reconhecimento de que as movimentações dos 
materiais de construção, e da obra como um todo é inevitável, poderiam de alguma forma 
minimizar o problema. A execução de obras a em prazos excessivamente curtos e as medidas 
pretensamente económicas tomadas por alguns construtores e agentes promotores contribuem 
de forma intensa para a má qualidade final do produto. 
As obras de reparação, são geralmente difíceis e dispendiosas, sendo que nem sempre 
resolvem os problemas em definitivo, pois todos os trabalhos de recuperação ou reforço por 
melhor que tenham sido executados não deixam de ser um remendo. 
Assim sendo, parece-nos prudente que os profissionais ligados à construção actuem 
directamente sobre as causas do problema, prevenindo a ocorrência de fissuras através de 
bons projectos, especificações correctas e exaustivas dos materiais a serem empregues, 
controle de recepção dos materiais e componentes, fiscalização eficiente da obra etc. Caso 
isso não ocorra, umas das melhores soluções que tivemos para o problema é aquela sugerida 
por Pfeffermann e que consiste em encobrir-se as fissuras com quadros, retratos, calendários 
ou qualquer outra camuflagem [3, 10, 12]. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
38 
CAPÍTULO IV – ARGAMASSA DE REVESTIMENTO 
IV.1 – Introdução 
Independentemente de sua idade, podem-se observar nas edificações os seguintes fenómenos, 
prejudiciais ao aspecto estético de paredes e tectos: 
• A pintura acha-se parcial ou totalmente fissurada, descolando da argamassa de 
revestimento; 
• Há formação de manchas de humidade com desenvolvimento de bolor; 
• Há formação de eflorescências na superfície da tinta ou entre a tinta e o revestimento; 
• A argamassa do revestimento descola inteiramente da alvenaria, em placas compactas 
ou por desagregação completa; 
• A superfície do revestimento apresenta fissuras de conformação variada; 
• A superfície do revestimento apresenta vesículas com descolamento da pintura; 
• O revestimento endurecido empola progressivamente, descolando do emboco. 
Estes fenómenos podem apresentar-se como resultados de uma ou mais causas actuando, 
sobre a argamassa de revestimento, de entre os quais se podem citar: 
• Factores externos ao revestimento; 
• Má aplicação do revestimento; 
• Má proporção dos componentes das argamassas; 
• Tipo e qualidade dos materiais utilizados no preparo da argamassa de revestimento. 
Estão excluídas desta análise as fissuras de revestimento, resultantes de causas como 
assentamento de fundação, movimentação de estrutura, dilatações térmicas diferenciadas, bem 
como os problemas apresentados pelas fissuras de per-si [3, 10, 12]. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
39 
IV.2 - Origem e formas de manifestação 
IV.2.1 - Causas decorrentes da qualidade dos materiais utilizados 
No estudo de qualquer produto, devem conhecer-se os desempenhos das matérias-primas. No 
caso das argamassas, falamos de agregados, ligantes, adições, adjuvantes e água potável. 
IV.2.1.1 - Agregados 
A areia é o constituinte em maior abundância na argamassa e as suas características 
influenciam fortemente as propriedades deste produto. 
No nosso meio é utilizada como agregado a areia natural, essencialmente de origem 
quartezítica, podendo este material ter as mais diversas origens (siliciosas, sílico-calcárias, ou 
calcárias) e características (roladas ou britadas). São particularmente prejudiciais as 
impurezas, tais como: aglomerados argilosos, pirite, mica, concreções ferruginosas e matéria 
orgânica. 
A presença de areias reactivas, e na presença de água, pode levar à alteração do ligante 
cimento (reacções silico-alcalinas), com formação de gel e degradação das argamassas e 
pinturas sobre rebocos. 
A expansão, pode ser resultante da formação de produtos de oxidação da pirite e das 
concreções ferruginosas-sulfatos e óxidos de ferro hidratados, respectivamente da hidratação 
de argilo-minerais ou de matéria orgânica. A matéria orgânica pode ser a causa de formação 
de vesículas de esporos, observando-se no interior de cada vesícula um ponto escuro. 
A desagregação do revestimento por sua vez, tem como causa a presença de torrões argilosos, 
com excesso de finos na areia ou de mica em quantidade apreciável. A mica pode também 
reduzir a aderência do revestimento à base de duas camadas entre si. 
IV.2.1.2 - Ligantes 
Como a designação sugere, estes constituintes têm a função de ligar os grãos de areia entre si. 
Não existe inconveniente quanto ao tipo de cimento, mas sim, quanto à finura que regulará os 
níveis de retracção por secagem. A retracção nas primeiras 24 horas é controlada pela 
retenção de água que, por sua vez é proporcional ao teor de finos. Mas, em idades maiores, a 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
40 
retracção aumenta como teor de finos. De modo a contornar o problema, costuma-se adicionar 
aditivo incorporador de ar às argamassas de cimento, excepção feita à de chapisco. Outra 
alternativa é a de adicionar-se cal hidratada que aumenta o teor de finos, melhorando a 
retenção de água e a trabalhabilidade do conjunto. 
Podem empregar-se um conjunto de produtos diferentes como cimentos compostos (tipo II), 
cimentos brancos, cimentos refractários, cais aéreas hidratadas e cais hidráulicas; mas todos 
têm em comum, um processamento de cozedura que lhe dá as características de produzirem 
com a água uma pasta que irá endurecendo progressivamente. 
IV.2.1.3 - Adições 
São produtos que em algumas situações se poderão adicionar durante a confecção das 
argamassas, em percentagenssuperiores a 5% da dosagem de ligante. São normalmente de 
natureza pulverulenta, destinados a melhorar desempenhos e poderão distinguir-se entre 
pozolânicas (cinzas, pozolanas naturais e sílicas de fumo), hidráulicas (escórias de alto-forno), 
corantes (diversos óxidos), polímeros (epoxis) e fibras (de vidro não reactivas, ou de 
polipropileno). 
IV.2.1.4 - Adjuvantes 
Tal como as adições, são igualmente produtos que se poderão adicionar às argamassas, mas 
em percentagens inferiores a 5% da dosagem de ligante, que servirão também para melhorar o 
desempenho destas, corrigindo situações menos boas, nos domínios da impermeabilização, da 
plasticidade, da resistência ao gelo, na alteração da velocidade de presa ou de endurecimento, 
ou na retenção da água [1, 3, 10, 12]. 
IV.2.2 - Causas decorrentes do traço da argamassa 
Observa-se fissuração e descolamento quando a argamassa é excessivamente rica em cimento 
(proporção), condição agravada quando aplicada em espessura maior do que 2 cm. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
41 
 
Fig.28 – Deslocamento do revestimento por eventual argamassa bastante rica em cimento 
IV.2.3 - Causas decorrentes do modo de aplicação do revestimento 
Independentemente do número de camadas de argamassas aplicadas, ou da qualidade dos 
materiais empregues, é essencial que existam condições de aderência do revestimento à base. 
A aderência dá-se pela penetração da nata do aglomerante nos poros da base e subsequente 
endurecimento. Consequentemente, vai depender da textura e da capacidade de absorção da 
base, bem como da homogeneidade dessas propriedades. Assim, pode apresentar problema de 
aderência, uma camada de revestimento aplicada sobre outra impregnada de um produto 
orgânico, o qual impede a penetração da nata do aglomerante. Cita-se como exemplo, uma 
superfície de betão impregnada por descofrante ou uma camada de chapisco contendo um 
produto hidrófogo. 
Outra causa a ser citada é a ausência de rugosidade da camada de base. O revestimento 
mantém-se aderente apenas nas regiões correspondentes às juntas de assentamento [1, 3, 10, 
12]. 
 
 
 
 
 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
42 
 
 
 
 
 
Fig. 29 – Destacamento por má qualidade das argamassas [4] 
 
Quadro 1 – Danos do revestimento – manifestações, aspectos, causas prováveis e reparações [10] 
Manifest
ação 
Aspectos observados Causas prováveis 
actuando com ou sem 
simultaneidade 
Reparações 
Eflorescê
ncias 
Manchas de humidade 
 
Humidade constante 
 
Eliminação da infiltração 
de humidade 
 Pó branco acumulado 
sobre a superfície 
Sais solúveis presentes no 
elemento da alvenaria 
Sais solúveis presentes na 
água de amassadura ou 
humidade infiltrada 
Escovamento da superfície 
Reparo do revestimento 
quando pulverulento 
Bolor Manchas esverdeadas 
ou escuras 
Humidade constante 
Área não exposta ao sol 
Eliminação da infiltração 
da humidade 
 Revestimento em 
desagregação 
 Reparo do revestimento 
quando pulverulento 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
43 
Vesículas Empolamento da 
pintura, apresentando-
se as partes internas 
das empolas na: 
Cor 
branca 
Cor 
preta 
Cor 
vermelho acastanhada 
Bolhas contendo 
humidade no interior 
 
 
Hidratação retardada de 
óxido de cálcio da cal 
Presença de pirite ou de 
matéria orgânica na areia 
Presença de 
concentrações 
ferruginosas na areia 
Aplicação prematura de 
tinta impermeável 
Renovação da camada de 
reboco 
 
 
 
 
 
 
Eliminação da infiltração 
da humidade 
Deslocam
ento com 
Empolam
ento 
A superfície do reboco 
descola do emboço 
formando bolhas, cujos 
diâmetros aumentam 
progressivamente 
0 reboco apresenta 
som oco sob percussão 
Infiltração de humidade 
 
 
Hidratação retardada do 
óxido de magnésio da cal 
Renovação da pintura 
 
 
Renovação da camada de 
reboco 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
44 
Descolam
ento em 
Placas 
A placa apresenta-se 
endurecida quebrando 
com dificuldade 
Sob percussão o 
revestimento apresenta 
som oco 
 
 
 
 
 
 
 
 
A superfície de contacto 
com a camada inferior 
apresenta placas 
frequentes de mica 
 
Argamassa muito rica 
 
Argamassa aplicada em 
camada muito espessa 
 
A superfície da base é 
muito lisa 
 
A superfície da base está 
impregnada com 
 
 
 
Renovação do 
revestimento, reparação 
mostra-se muito difícil 
 
 
 
Picar a base (textura) 
 
Eliminação da base 
hidrófuga 
 
 A placa apresenta-se 
endurecida mas 
quebradiça, 
desagregando-se com 
facilidade. 
Sob percussão o
Ausência da camada de 
chapisco 
Renovação do 
revestimento 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
45 
Descolam
ento com 
Pulverulê
ncia 
A película de tinta 
descola arrastando o 
reboco que se 
desagrega com 
facilidade 
 
0 reboco apresenta
Excesso de finos no 
agregado 
Traço pobre em 
aglomerantes 
Traço excessivamente 
rico em cal 
Renovação da camada de 
reboco 
Fissuras 
Horizonta
is 
Apresenta-se ao longo 
de toda a parede 
 
Deslocamento do 
revestimento em 
placas, com som oco 
sob percussão 
Expansão da argamassa 
de assentamento por 
hidratação da cal 
 
Expansão da argamassa 
de assentamento por 
reacção cimento sulfatos 
ou devido à presença de 
argilo-minerais 
i d
Renovação do 
revestimento após 
hidratação completa da cal 
da argamassa de 
assentamento 
 
A solução a adoptar é 
função da intensidade da 
reacção expansiva 
Fissuras 
Mapeada
s
As fissuras têm forma 
variada e distribuem-se 
por toda a superfície
Retracção da argamassa 
de base 
Renovação do 
revestimento Renovação da 
pintura
 
IV.2.4 - Medidas preventivas 
Para além das soluções de reparação propostas no quadro 1, à que ter atenção aos seguintes 
aspectos que, de seguida, se referem. 
Como medidas preventivas na fase de concepção / construção poder-se-ão destacar as 
seguintes [1, 3, 12]: 
• Limpeza eficiente do suporte, devendo os paramentos ser convenientemente lavados 
antes da aplicação; 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
46 
• Cura do revestimento, no caso da argamassa ser aplicada em tempo quente e seco, o 
processo de cura deverá consistir na humidificação homogénea das superfícies durante 
as 72 horas seguintes à execução, por forma a evitar – se a desidratação. 
A prevenção dos problemas de revestimento pode ser feita em duas frentes [1, 3, 12]: 
• Dos conceitos básicos sobre argamassa – preparação e aplicação e os seus materiais 
constituintes 
• Certificação de qualidade dos materiais, auxiliar no julgamento da responsabilidade do 
dano observado, isto é, se do fabricante, pela má qualidade do produto, se do 
construtor, pela utilização dos materiais escolhidos. 
IV.2.4 - Medidas Correctivas 
As apresentadas no quadro 1. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
47 
CAPÌTULO V – FISSURAÇÃO EM EDIFICAÇÕES 
V.1 - Introdução 
Dentre os inúmeros problemas patológicos que atingem as edificações, parece-nos 
particularmente importante o problema da fissuração, devido a três aspectos fundamentais: 
• O aviso de um eventual estado perigoso; 
• Ocomprometimento da durabilidade da obra; 
• O constrangimento psicológico a que são submetidos os utentes do edifício, por razões 
de medo ou simplesmente aborrecidos por terem de conviver com uma anomalia. 
"Aos olhos dos leigos em construção, a fissura constitui um defeito cujo responsável é o 
arquitecto, o engenheiro, o empreiteiro ou fabricante do material. Entretanto, desde as origens 
da construção, as fissuras sempre existiram, pois elas são consequências de fenómenos 
naturais". Essa tese do arquitecto francês “Charles Rambert”, procura explicar de maneira 
relativamente simples a origem do defeito: se considerarmos que os ditos fenómenos naturais 
são dados irrefutáveis do problema, a antítese nos parece mais verdadeira [3, 10, 12]. 
V.2 - Fissuração provocada por variação de temperatura dos materiais ou 
elementos de construção 
Os elementos e componentes de uma construção estão sujeitos a variações de temperatura, 
sazonais e diárias, que provocam a variação dimensional dos materiais de construção 
(dilatação ou contracção). Segundo a fórmula: 
∆ l = α * ∆t *l 
• ∆ l= variação de comprimento 
• α = coeficiente de dilatação térmica linear 
• ∆t = variação de temperatura 
• l = comprimento inicial. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
48 
Esses movimentos de dilatação e contracção são restringidos pelas diversas ligações que 
envolvem os elementos e componentes, desenvolvendo-se nos materiais, por este motivo, 
tensões que poderão provocar o aparecimento de fissuras. 
As dilatações térmicas de um material, estão relacionadas com as propriedades físicas do 
mesmo e com a intensidade da variação da temperatura. A magnitude das tensões 
desenvolvidas é função da intensidade da dilatação ou contracção do material, do grau de 
restrição imposto pelas ligações ao movimento e da capacidade de deformação do material. 
As fissuras de origem térmica, podem também surgir por dilatações diferenciais entre 
materiais distintos de um componente, entre componentes distintos e entre regiões distintas de 
um mesmo material. 
 
Fig. 30 - Empolamento resultante de dilatações térmicas por ausência de juntas [12] 
Considerando-se o caso mais comum das edificações residenciais e comerciais, a principal 
fonte de calor que actua sobre seus componentes é o sol. A amplitude e a taxa de variação de 
temperatura de um componente exposto ao sol irão depender, além da intensidade da radiação 
(directa e difusa), das seguintes propriedades do material e/ou da sua superfície: 
• Absorção; 
• Emissão; 
• Condutância térmica superficial; 
• Calor especifico; 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
49 
• Massa específica; 
• Coeficiente de condutibilidade térmica. 
De forma prática, a temperatura da superfície do componente exposta a radiação solar pode 
ser estimada a partir da temperatura do ar e da cor desta superfície, podendo se analisar a 
intensidade das movimentações em função dos limites extremos de temperatura a que estará 
submetido o componente e em função do coeficiente de dilatação térmica linear do seu 
material constituinte. As tensões desenvolvidas no material poderão ser estimadas com base 
no seu módulo de deformação e nas condições de contorno do componente, podendo-se, de 
maneira análoga, verificar o efeito de sua deformação sobre componentes vizinhos. 
As lesões verificadas em obras, sob efeitos das movimentações diferenciadas, assumem 
diversas configurações e diferentes intensidades: 
• Destacamentos e entre panos de alvenaria e estrutura, 
• Fissuras inclinadas em paredes devidas a movimentações diferentes entre pilares 
expostos e pilares protegidos; 
• Fissuras verticais regularmente espaçadas em muros longos; 
• Fissuras horizontais em alvenaria resistente devida a movimentações térmicas da placa 
de cobertura; 
Esse último caso, ocorre mesmo em placa protegida por telhado, no caso da protecção térmica 
fornecida a placa ser insuficiente e/ou onde não se tenha adoptado nenhum detalhe construtivo 
especial na região de contacto entre placa e alvenaria fig. 31 à 35 [3, 10, 12]. 
 
Fig.31 - Fissura em parede causada pela movimentação térmica de laje de cobertura [10] 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
50 
 
Fig.32 - Fissuração entre a estrutura e a alvenaria, por questões térmicas, devido à má concepção e 
pormenorização da cobertura [4] 
 
Fig, 33 - Fissuração de paredes inseridas em estrutura reticulada de betão armado, devido a variações térmicas da 
estrutura [10] 
 
Fig. 34 - Fissuração de paredes divisórias devida ao movimento da laje de cobertura em terraço por efeito da 
variação de temperatura [10] 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
51 
 
Fig. 35- Juntas móveis de apoio das lajes de cobertura na sua estrutura de suporte. Pormenores construtivos [10] 
Um último aspecto que se pode ainda comentar a respeito de problemas oriundos de 
dilatações térmicas é a fissuração ou mesmo ruptura de placas de vidro, com destaque especial 
para três tipos de problemas [3, 12]: 
• Colocação de placas com folga insuficiente – problema particularmente importante em 
vidros com absorção sensivelmente maior que aquela verificada para o vidro comum 
(é o caso, por exemplo, de alguns vidros translúcidos, dos vidros coloridos, dos vidros 
termo absorventes e dos vidros térmo - reflectores); 
• Alteração de absorção original do vidro – problema decorrente da diminuição de 
transparência do vidro, por efeito da aplicação de pinturas ou filmes plásticos sobre 
placas de vidro comum já instaladas (o vidro passa a absorver maior quantidade de 
calor, o que repercute em maior dilatação, e a folga inicialmente adequada toma-se 
insuficiente para acomodar as movimentações da placa); 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
52 
• Sombreamento diferenciado – a fissura ocorre porque o sombreamento origina uma 
diferença de temperatura entre as distintas regiões da placa, sendo esta diferença 
significativa por ser o vidro. De forma geral, num mau condutor de calor, a fissura 
origina-se a partir do bordo da placa de vidro, região particularmente susceptível à 
actuação de tensões de tracção devido à presença de irregularidades provenientes da 
operação de corte. 
V.3 – Fissuras Provocadas por Variações do Teor de Humidade dos 
Materiais de Construção 
As alterações de humidade dos materiais porosos provocam variações dimensionais nos 
elementos e componentes da construção. O aumento da humidade repercute-se numa 
expansão e a diminuição da humidade numa retracção do material. 
As fissuras de retracção são quase sempre verticais ou pouco inclinadas em relação à vertical, 
apresentando traçado descontínuo e sendo de largura reduzida (raramente ultrapassando os 0,2 
mm. ou 0,3 mm.). 
 
Fig. 36 – Fissuração entre a alvenaria e estrutura, provocado pela contracção da alvenaria devido à variação da 
humidade dos materiais 
Aparecem em geral durante o primeiro verão que se segue à conclusão da execução das 
alvenarias. 
O mecanismo de formação das fissuras por variação do teor de humidade, é idêntico ao 
analisado para as movimentações provocadas por variações térmicas. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
53 
As variações no teor de humidade provocam movimentações de dois tipos: irreversíveis e 
reversíveis. 
As movimentações irreversíveis, são aquelas que ocorrem geralmente logo após a fabricação 
do material e originam-se da perda ou ganho de água até que se atinja a humidade 
higroscópica de equilíbrio. 
As movimentações reversíveis ocorrem por variações do teor de humidade do material ao 
longo do tempo, ficando delimitadas aum certo intervalo, mesmo no caso de se secar ou se 
saturar completamente o material. 
Materiais cerâmicos normalmente apresentam pequenas movimentações reversíveis com as 
variações de humidade e de temperatura. Em 1950, entretanto, pesquisas efectuadas na 
Austrália e nos EUA mostraram que expansões irreversíveis de grande intensidade podem 
ocorrer em tijolo cerâmico, por efeito do ganho de humidade. 
Essas expansões começam a ocorrer imediatamente após a queima do produto e tendem a 
estabilizar-se após longos períodos de tempo, dependendo fundamentalmente da natureza dos 
argilo – minerais presentes na matéria-prima e das condições de queima do tijolo. 
Para os materiais de construção que apresentam contracção inicial por secagem, de forma 
geral, os movimentos irreversíveis são superiores aos reversíveis. Nos produtos à base de 
cimento, uma relação água – cimento de aproximadamente 0,40 é suficiente para que ocorra a 
hidratação completa do cimento, considerando-se que cerca de 22% a 32% de água seria 
necessária para que se processasse a reacção química completa (estequeométrica) e que uma 
quantidade adicional em torno de 15% a 25% seria necessária para formação do gel. 
A reacção química entre o cimento e a água ocorrem com redução de volume, devido a 
grandes forças interiores de coesão, a água combinada quimicamente sofre uma contracção de 
cerca 25% do seu volume (esta é a chamada retracção química). Quantidades de água 
adicionais aos produtos à base de cimento, e que excedam os 40% mencionados, permanecem 
livres no interior da massa, evaporando-se posteriormente provocando o fenómeno conhecido 
da retracção fig. 37 [3, 12]. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
54 
 
 
Fig, 37-Fissuraçâo de paredes de alvenaria devido a variação de humidade [10]. 
 
V.4 – Fissuras provocadas pela actuação da sobrecarga 
A actuação de sobrecargas, previstas ou não em projecto, pode produzir a fissuração de 
componentes de betão armado sem que isto implique, necessariamente, ruptura ou 
instabilidade do componente. 
A ocorrência de fissuras num determinado componente de betão armado provoca uma 
redistribuição de tensões ao longo do componente fissurado e mesmo nos componentes 
vizinhos, de maneira que a solicitação acaba sendo absorvida de forma globalizada pela 
estrutura ou parte dela. Obviamente que este raciocínio não pode ser estendido 
indiscriminadamente, já que existem casos em que é limitada a possibilidade de redistribuição 
das tensões, seja pelo critério de dimensionamento da peça, seja pela magnitude das tensões 
desenvolvidas ou mesmo pelo próprio comportamento, conjunto do sistema estrutural 
adoptado. 
Para os casos comuns de estrutura de betão armado, os componentes flectidos são em geral 
dimensionados prevendo-se a fissuração do betão em regiões tracionadas, procurando-se 
somente limitar esta fissuração em função de requisitos estéticos e/ou em função da 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
55 
deformabilidade e da durabilidade da estrutura, principalmente no que se refere ao perigo de 
ocorrência de corrosão das armaduras. 
Levando em conta as tensões de serviço, os módulos de deformação longitudinal do aço e do 
betão, o coeficiente de deformação superficial da armadura e diversas outras características 
geométricas (diâmetro das barras tracionadas, recobrimento da armadura, taxa geométrica da 
armadura, etc.), foram desenvolvidas diversas teorias com a finalidade de prever-se o 
espaçamento médio entre fissuras e suas aberturas mais prováveis em componentes de betão 
armado submetido a flexão ou tracção pura. 
Essas formulações teóricas, associadas a coeficientes empiricamente determinados e factores 
probabilísticos, conduzem a estimativa bastante precisas do nível de fissuração das peças. 
As fissuras que ocorrem numa viga flectida são praticamente verticais no terço médio do vão, 
e apresentam aberturas gradativamente maiores em direcção a face inferior da viga, onde se 
encontram as fibras mais tracionadas. Junto aos apoios, as fissuras inclinam-se 
aproximadamente a 45 graus, conforme representado na fig. 38, devido à influência dos 
esforços cortantes. Nas vigas altas esta inclinação tende a ser da ordem de 60 graus. Nas vigas 
deficientemente armadas contra o esforço de corte, manifestam-se fissuras inclinadas junto 
aos apoios, conforme ilustrado pela fig. 39, podendo ou não ocorrer as fissuras de flexão no 
meio do vão. 
 
Fig. 38 - Fissuração típica de viga isostática sub-armada, solicitada à flexão [10] 
Um tipo característico de fissuramento de vigas em betão armado, é aquele resultante da 
torção da viga, provocada por excessiva deformabilidade de lajes ou vigas que lhes são 
transversais, por recalques diferenciados das fundações ou mesmo pela acção de sobrecargas 
como aquelas transmitidas por marquises. Neste caso, as fissuras inclinam-se a 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
56 
aproximadamente 45 graus e aparecem nas duas superfícies laterais da viga segundo rectas 
reversas; conforme indicado na fig. 40. 
 
Fig. 39 - Fissura de esforço de corte em viga alta de betão armado, com provável entrada de água de chuva para 
o interior da edificação [1] 
 
Fig, 40-Fissuração típica em viga de betão armado devido a esforços de torção [10] 
A manifestação de fissuras em pilares de betão armado é um facto bastante raro, já que as 
tensões instaladas nesses componentes são, em geral, bastante inferiores às tensões últimas. 
Em função de eventual sub-dimensionamento da armadura, falhas de betonagem, desaprumos 
excessivos ou mesmo por movimentações acentuadas do vigamento (deflexões e/ou 
dilatações), podem surgir nos pilares algumas fissuras características, conforme indicados na 
fig. 11 [3, 10, 12]. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
57 
 
Fig. 41 - Fissuras típicas em pilares de betão armado [10] 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
58 
CAP VI - HUMIDADES 
VI.1 - Introdução 
Os problemas de humidade que tantos afectam os edifícios, nas suas variadas formas de 
manifestação, constituem umas das acções mais gravosas e correntes nos nossos dias. 
Estes problemas originam condições de insalubridade significativas para os residentes, 
contribuindo também para uma acelerada deterioração dos materiais. 
O conhecimento das formas de manifestação destas patologias, é um dado importante para a 
elaborações de diagnósticos, que permitam identificar as respectivas causas no sentido de 
propor soluções para a sua reparação. 
No sentido de facilitar a exposição dividimos os vários tipos de manifestações da humidade 
em cinco grupos: 
• Humidade de construção; 
• Humidade do solo; 
• Humidade devida a fenómenos de higroscopicidade; 
• Humidade de condensação; 
• Humidade de precipitação; 
• Humidade devido a causas fortuitas. 
VI.2 - Formas de manifestação da humidade 
VI.2.1 - Humidade de construção 
VI.2.1.1 - Origem e formas de manifestação 
A maioria dos materiais empregues na construção de edifícios ou em acções de reparação 
necessitam de água para a sua confecção, como por exemplo as argamassas e os betões, ou 
para a sua colocação, como é o caso dos tijolos na execução de alvenarias. As quantidades de 
água introduzidas por essa via são, duma forma geral, importantes e muitas vezes 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
59 
menosprezadas. Por outro lado, os materiais e os edifícios ainda em fase de construção estão 
sujeitos à acção directa da chuva, o que aumenta ainda mais o respectivo teor de água. Assim 
um edifício pode no curso da construção vir a acumular um númerosignificativo de litros de 
água em excesso. 
Alguma desta água evapora rapidamente, mas uma quantidade substancial demora bastante 
tempo a fazê-lo. O processo de secagem de materiais porosos, tais como os tijolos ou o betão, 
decorre normalmente em três fases distintas. 
A primeira consiste na evaporação da água superficial dos materiais, ocorrendo normalmente 
de uma forma bastante rápida 
A segunda dá-se pela evaporação da água existente nos poros de maiores dimensões dos 
materiais, sendo este um processo mais demorado na medida em que a água que está contida 
no interior dos materiais tem de atravessar os poros sob a forma líquida ou de vapor até atingir 
a superfície. 
A terceira dá-se pela evaporação da água existente nos poros de menores dimensões, sendo 
este processo extremamente lento, decorrendo muitas vezes ao longo de vários anos. 
A humidade de construção pode dar origem à ocorrência de anomalias generalizadas ou 
localizadas, devidas quer à evaporação da água existente, quer ao simples facto de os 
materiais terem um teor de água superior ao normal. No primeiro caso água ao evaporar-se 
pode provocar expansões ou destaques de alguns materiais ou em virtude de fazer diminuir a 
temperatura superficial dos materiais, dar origem à ocorrência de condensações. No segundo 
caso podem ocorrer manchas de humidade ou condensações, estas últimas motivadas pelo 
facto da condutibilidade térmica dos materiais variar em função do respectivo teor de água. 
 Duma forma geral as anomalias devidas a este tipo de humidades cessam ao fim dum período 
mais ou menos curto, o qual é função das características e do tipo de utilização do edifício em 
causa e da região climática em que se insere [3, 5, 9, 12]. 
VI.2.1.2 - Medidas preventivas 
O dado essencial para um diagnóstico de humidade de construção é o conhecimento da data 
em que as obras de construção ou de reparação tiveram lugar. Intervalos de tempo inferiores a 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
60 
l ou 2 anos indicam que se pode estar em face de uma manifestação deste tipo de humidades, 
o que por si só não significa que não possam ocorrer outras anomalias provocadas ou não por 
aquela causa. 
As zonas de humedecimento atingem, em geral, toda a superfície das paredes, quer exteriores 
quer interiores, decrescendo ao longo do tempo mais rapidamente nas primeiras do que nas 
segundas. 
Torna-se difícil fixar um padrão de variação dos teores de água das paredes para este tipo de 
manifestações, na medida em que ele vai variando ao longo do tempo. 
Em países com um clima ameno, como é o caso de Portugal, as anomalias devidas a 
humidade de construção não são muito frequentes, se tiverem sido tomadas as precauções 
mínimas que é corrente serem observadas na construção de qualquer edificação [3, 5, 9, 12]. 
VI.2.1.3 – Medidas correctivas 
A humidade de construção é, por definição, um fenómeno limitado no tempo. As soluções de 
reparação a utilizar em casos deste tipo devem ser orientadas no sentido de criar de condições 
ambientes que favoreçam a secagem das paredes, na tentativa de remover a água em excesso 
que ocorreu durante o processo construtivo. 
As reparações a efectuar nos elementos afectados pelas manifestações de humidade de 
construção, só devem ser executadas após se ter procedido à secagem completa das paredes. 
Assim, as medidas a tomar para facilitar a evaporação da água em excesso dos materiais 
devem ter sempre como objectivo garantir que a humidade relativa do ar em contacto com a 
parede seja o mais baixa possível. Este objectivo pode ser alcançado através das seguintes 
medidas: 
• Reforço da ventilação dos ambientes – este é o método mais eficaz e mais económico 
de secagem de paredes. A simples abertura de janelas, de forma a criar correntes de ar, 
permite que ar relativamente seco esteja permanentemente em contacto com as 
paredes humedecidas, favorecendo-se desta forma o processo de secagem. 
Naturalmente, este tipo de procedimento só é exequível em condições climáticas 
favoráveis, designadamente no que se refere ao binómio humidade 
relativa/temperatura do ar exterior; 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
61 
• Aumento da temperatura do ar – Como é sabido, o aumento de temperatura do ar 
provoca a diminuição da respectiva humidade relativa. Este facto pode ser aproveitado 
para, em conjunto com o reforço de ventilação referido anteriormente, melhorar as 
condições de secagem de paredes húmidas. 
• Assim poder-se-ão utilizar aquecedores destinados a aumentarem a temperatura do ar 
ambiente, em especial quando o diferencial das temperaturas interior e exterior for 
baixo; 
• É importante, no entanto, ter em conta que o aquecimento dos locais só deve ser 
efectuado em conjugação com uma ventilação eficiente. Por outro lado, a utilização de 
aparelhos de gás butano para aquecimento ambiente é totalmente contra-indicada, na 
medida em que a combustão daquele gás, provoca a libertação de quantidades 
apreciáveis de vapor de água, as quais conduzem a um acréscimo da humidade relativa 
do ar, contribuindo de uma forma negativa para os objectivos cm causa; 
• Diminuição da humidade relativa do ar – A diminuição da humidade relativa do ar 
pode ser forçada através da utilização de desumidificadores que retiram água do ar. A 
utilização destes equipamentos só tem sentido se se mantiverem todas as janelas 
fechadas, sendo a sua eficácia aumentada em termos de secagem das paredes se forem 
aplicados em conjunto com aquecedores. 
A abertura das portas de comunicação entre os vários compartimentos que se pretendam 
secar, mantendo todas as outras fechadas, permite que se estabeleça um equilíbrio que torna 
desnecessário mover os equipamentos para os vários locais afectados [3, 5, 9, 12]. 
 
Fig.42 - Descolamento da pintura do pavimento em armazém – pintura executada antes da secagem total do 
betão (higróscopicidade do betão). 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
62 
 
Fig.43 - Efeito da humidade da floreira sobre a pintura -tanto a película como a argamassa acham-se 
pulverulentas e em desagregação. 
VI.2.2 – Humidade do solo 
VI.2.2.1 – Origem e formas de manifestação 
Nas paredes dos pisos térreos e paredes de caves não protegidas, a humidade existente no solo 
tende a penetrar pela parte inferior das fundações e pelos paramentos em contacto com o solo, 
quer horizontalmente, quer ascendendo por capilaridade, vindo posteriormente a manifestar-se 
na parte não enterrada da alvenaria fig. 44. 
Assim na ausência de barreiras de protecção, as migrações de humidade verificam-se nas 
seguintes condições: 
• Existência de zonas de parede em contacto com a água do solo; 
• Constituição das paredes com materiais de elevada capilaridade; 
• Inexistência ou deficiente posicionamento de barreiras estanques nas paredes. 
A ascensão da água nas paredes é função da porometria dos materiais, da quantidade de água 
em contacto com a parede e das condições de evaporação de água nos materiais. 
A espessura das paredes é directamente proporcional à altura de água atingida pela humidade 
Os sais existentes no terreno e nos materiais de construção, após terem sido dissolvidos pela 
água são transportados através da parede através do fenómeno de capilaridade. Quando a água 
que atingiu as superfícies das paredes se evapora, os sais cristalizam e ficam aí depositados, 
provocando a colmatação dos poros e consequentemente uma redução da permeabilidade dos 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
63 
materiais ao vapor de água, dando origem a que o nível atingido pela ascensão capilar possa 
ainda aumentar. Os sais depositados nas superfícies propiciam,por outro lado, a ocorrência de 
fenómenos de higroscopicidade, fenómenos estes que perduram mesmo após terem sido 
resolvidos os problemas devidos à ascensão de água nas paredes. 
 
Fig.44 – Camadas de impermeabilização [10] 
Quando a cristalização dos sais ocorre sobre a superfície da parede, este fenómeno dá origem 
à formação de eflorescências, quando a deposição dos sais e respectiva cristalização ocorre 
sob os revestimentos de parede, dá origem a criptoflorescências. 
A água pode existir no solo em zonas bem localizadas, variando, de acordo com a origem, as 
manifestações de humidade nas paredes, constatando-se que existem basicamente dois tipos 
de fontes de alimentação de água às paredes, as quais correspondem diferentes 
sintomatologias e reparações: águas superficiais e águas freáticas. 
 A água superficial é frequentemente devida a uma recolha defeituosa da água das chuvas e a 
ruptura de canalizações de águas e esgotos. 
Na água freática, a humidade do solo aparece em paredes inferiores dos edifícios, não subindo 
normalmente a mais de 2m acima do solo, em geral, mas podendo atingir valores 
significativamente superiores. 
No quadro 2 apresenta-se um resumo que permite diagnosticar a origem da humidade do solo, 
conhecidos os seus principais efeitos [3, 5, 9, 12]. 
 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
64 
 
Fig. 45 - Mecanismo de formação de eflorescências e criptoflorescências [5]. 
 
Fig. 46 - Humidade ascendente de águas freáticas em paredes interiores [4] 
 
Fig. 47 - Humidade ascendente de águas superficiais numa parede exterior. A “linha” é aqui perfeitamente 
visível [4] 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
65 
Quadro 2 – Características da humidade nas paredes devida à água superficial e à água freática 
Água Superficial Água Freática 
1) As manifestações são importantes e, 
em geral, muito localizadas. 
 
2) As construções afectadas são em 
número restrito. 
 
l)As manifestações aparecem 
uniformemente em todas as paredes em 
contacto com o solo, a menos que sejam 
constituídas por materiais diferentes. 
2) 0 Nível máximo é atingido para 
orientações isoladas (norte). 
3) As construções afectadas são em largo 
 
VI.2.2.2 - Medidas preventivas 
As grandes dificuldades de ordem técnica e económica, que se põem na reparação de 
construções afectadas por humidades do solo, justificam plenamente que se tomem nas fases 
de projecto e execução, as medidas preventivas necessárias para suprimir ou minimizar essas 
anomalias. 
Sem a preocupação de ser exaustivo, indicam-se os princípios gerais a seguir: 
• Procurar não construir em terrenos alagados; 
• Drenar as águas afastando-as das fundações; 
• Interposição de revestimentos estanques horizontais e verticais; 
• Utilização de materiais densos e poucos permeáveis nos elementos de construção em 
contacto com o solo; 
• Execução de valas em caves situadas abaixo do nível freático; 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
66 
A medida preventiva mais eficaz consiste em realizar e manter uma drenagem conveniente no 
solo de fundação, técnica que nem sempre se revela satisfatória ou viável, tornando-se então 
necessário recorrer a outras soluções fig.48. 
 
Fig. 48 - Sistema de drenagem com seixo rolado ou brita [10]. 
A realização de juntas de construção ou dilatação deve ser muito cuidada, pois verifica-se 
frequentemente pontos de má vedação nas zonas enterradas. 
Quando se apliquem revestimentos estanques, é essencial a sua ligação mútua de forma a 
eliminar quaisquer pontos de infiltração de humidade [3, 5, 9, 12]. 
VI.2.2.3 – Medidas correctivas 
Se a origem da humidade é acidental, como acontece na maioria das manifestações devidas a 
águas superficiais, a solução mais eficiente será reparar a avaria, tratando-se em geral de 
reparações elementares exigindo, alguma atenção. 
Para o tratamento das paredes em elevação afectadas por água freática, além da drenagem do 
terreno, podem empregar-se varias técnicas, umas realizando ou favorecendo a secagem, e 
outras impedindo o acesso de humidades as paredes. 
Entre as primeiras destacam-se as seguintes: 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
67 
• Execução de simples furos de arejamento dispostos em quincôncio e inclinados de 20 
a 30 graus com horizontal. O ar seco que entra no orifício carrega-se de humidade, 
torna-se mais denso e escoa-se para o exterior ao longo da face inferior do furo. Este 
sistema, inventado por Knapen e largamente difundido, é apesar disso muito criticado 
por alguns estudiosos. 
• Electro-osmose, método este que por meio duma diferença de potencial criada entre 
eléctrodos inseridos na parede húmida e outros enterrados no solo, dá origem a uma 
descida de água na parede. Este processo, baseia-se na inversão da tensão, que é 
naturalmente criada entre o terreno e a parede quando da humidificação desta. 
 
 
Fig. 49 – Princípio de funcionamento dos drenos atmosféricos (ou de Knapen) e dreno em material plástico 
utilizado actualmente (dreno Speedy) [5]. 
 
Fig. 50 – Esquema geral do funcionamento do processo electro – osmótico [5] 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
68 
O acesso de humidade do solo pode ser contrariado por várias técnicas, entre as quais: 
• Inserção de membranas impermeabilizantes em fendas horizontais abertas na parte 
inferior das paredes. Os materiais usados são diversos: feltros betuminosos, chumbo, 
cobre, polietileno, resinas de poliéster, etc. 
• Injecção de produtos impermeabilizantes numa fiada de orifícios abertos na parede. 
Além das técnicas acabadas de enumerar existem outras, não sendo ainda de excluir 
combinações de diferentes processos. 
Quadro 3 – Soluções para correcção de anomalias [4]. 
 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
69 
• ++ eficiente 
• + eficiência variável 
• ± eficiência duvidosa 
• - ineficiente 
Tendo em conta o grande número de soluções, apresenta-se o quadro 3, onde é possível 
visualizar de uma forma sucinta a eficiência das várias soluções, na correcção das anomalias 
devido á ascensão da água nas paredes provenientes do lençol freático ou das águas 
superficiais [3, 5, 9, 12]. 
VI.2.3 - Humidade devida a fenómenos de higroscopicidade 
VI.2.3.1 - Origem e formas de manifestação 
Um grande número de materiais de construção apresenta na sua constituição sais solúveis em 
água, assim como nos solos, especialmente em locais ricos em matérias orgânicas. 
A existência de sais no interior das paredes não é, em circunstâncias correntes, 
particularmente gravosa, no entanto, se as paredes forem humedecidas os sais dissolvidos 
acompanharão as migrações da água até às superfícies onde cristalizarão designadamente sob 
a forma de eflorescências e criptoflorescências. 
Alguns destes sais são higroscópicos, isto é, têm a propriedade de absorverem humidade do ar 
dissolvendo-se, quando a humidade relativa está acima de 65-75%, voltando a cristalizar 
proporcionando um aumento significativo de volume quando a humidade relativa baixa 
daqueles valores. Como se sabe as condições ambientes dum determinado espaço podem 
variar bastante e várias vezes ao longo do dia, propiciando a ocorrência de diversos ciclos de 
dissolução-cristalização dos sais. 
Por vexes pode-se ser levado a pensar que as degradações devidas aos sais solúveis são 
consequência de elevados da humidade relativa. Esta ideia não é de forma alguma válida, na 
medida em que não é a humidade relativa baixa ou elevada que provoca os danos, mas sim a 
sequência de ciclos de variação acimae abaixo dum valor crítico da ordem dos 65-75% que 
provoca as destrutivas sequências dissolução/cristalização. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
70 
Estes sais são susceptíveis de provocarem não só o humedecimento das superfícies sobre as 
quais se encontrem mas também darem origem anomalias de grande significado, resultantes 
dos aumentos de volume que acompanham a sua cristalização, em consequência da sucessão 
de ciclos dissolução – cristalização. 
Os sais solúveis que normalmente se encontram associados à ocorrência deste tipo de 
manifestações patológicas são os sulfatos, os carbonatos, os cloretos, os nitritos e os nitratos, 
dos quais os dois primeiros não são higroscópicos. 
As anomalias devidas a fenómenos de higroscopicidade são caracterizadas pelo aparecimento 
de manchas de humidade em locais com fortes concentrações de sais, encontrando-se 
associadas a degradação do revestimento das paredes. 
Estas manifestações podem ocorrer durante lodo o ano, mesmo no Verão, em períodos em que 
se verifica uma elevada humidade relativa do ar, e implicam em geral a existência de um 
outro tipo de anomalia, que pode eventualmente já ter cessado, mas que no entanto tenha 
criado as condições propicias para a realização do fenómeno. 
È o caso por exemplo de um edifício em Lisboa que sofreu um incêndio, tendo sido extinto 
com recurso a água salgada. Verificou-se que determinados paramentos de paredes e de tetos 
duma dada zona se desagregavam continuamente, ao ponto de dificultarem uma utilização 
normal dos espaços. O diagnóstico efectuado mostrou que a causa das anomalias era a 
ocorrência de fenómenos de higroscopicidade, em virtude de os materiais apresentarem 
elevadas concentrações de cloreto de sódio, proveniente da água utilizada no combate ao 
incêndio. 
Importa realçar a semelhança existente ao nível visual, entre este tipo de anomalias e as 
resultantes de fenómenos de condensação superficial, o que é susceptível de criar algumas 
dificuldades no processo de diagnóstico [3, 5, 9, 12]. 
VI.2.3.2 - Medidas preventivas 
Neste caso as soluções passam por em manter a humidade relativa em valores elevados ou 
baixos (fora do intervalo 65-75%), conforme for mais razoável e as condições o permitam. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
71 
O controlo da humidade relativa do ar pode ser realizado através de dispositivos mecânicos de 
humidificação ou desumidificação (conforme os casos), actuando quer sobre todo o espaço 
disponível, quer apenas nas zonas junto às paredes afectadas [3, 5, 9, 12]. 
VI.2.3.3 – Medidas correctivas 
As anomalias provocadas por humidade devida a fenómenos de higroscopicidade são de uma 
forma geral as de mais difícil resolução, sempre que se pretenda preservar o aspecto das 
superfícies em que elas ocorrem [3, 5, 9, 12]. 
Em termos gerais são quatro os tipos de soluções destinados a corrigir estas patologias, 
passando-se a sua apresentação sumária. 
VI.2.3.3.1 - Remoção dos sais higroscópicos 
A remoção dos sais higroscópicos é um tipo de operação extremamente delicado, que se 
efectua, em geral, apenas em paredes que apresentem um valor artístico. 
Este tipo de operação, é efectuado utilizando compressas de algodão ou de papel absorvente, 
embebido em água destilada colocado sobre as zonas afectadas. Por acção da humidade, os 
sais vão sendo transferidos para as compressas, diminuindo dessa forma a sua concentração 
nas zonas superficiais das paredes. 
VI.2.3.3.2 - Substituição dos elementos afectados 
Sempre que seja viável a substituição dos elementos afectados por outros novos, essa 
operação constitui um tipo de intervenção bastante eficaz, desde que haja preocupação em 
assegurar que os novos materiais, sejam impermeáveis ou de muito baixa permeabilidade ao 
vapor de água e que não fiquem em contacto com as zonas afectadas das paredes existentes 
VI.2.3.3.3 - Ocultação das anomalias 
Trata-se de uma forma prática e económica de resolver este tipo de problemas. 
A solução consiste quer na execução duma nova parede pelo interior, afastada alguns 
centímetros da existente, quer na aplicação de revestimentos de parede especiais. 
VI.2.3.3.4 - Controlo da humidade relativa do ar 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
72 
Procede-se ao controlo da humidade relativa do ar em contacto com as zonas afectadas de 
forma a que esta seja sempre inferior ou superior a 65-75%.Desta forma os sais higroscópicos 
permanecerão respectivamente sempre cristalizados ou dissolvidos, não exercendo a sua 
acção destrutiva devida à sucessão de fenómenos de dissolução/cristalização. 
VI.2.4 - Humidade de condensação 
VI.2.4.1 - Origem e formas de manifestação 
O ar é constituído por uma mistura de gases e por vapor de água. A quantidade máxima de 
vapor de água que o ar pode conter, designada limite de saturação, é limitada, variando na 
razão directa da temperatura, isto é, aumentando ou diminuindo consoante a temperatura do ar 
aumenta ou diminui, respectivamente. 
Nas edificações em geral, as superfícies interiores dos componentes tendem a apresentar 
temperaturas mais baixas que a temperatura do ambiente, especialmente nos períodos de 
Inverno. Nessas condições, considerando a produção intensa de vapor nos ambientes (casa de 
banho, cozinha, etc. fig. 51), facilmente são geradas situações em que ocorre o fenómeno de 
condensação superficial nos componentes. Esse fenómeno, decorre do facto de existir no ar 
uma quantidade de vapor de água igual ou superior, aquela que o ar poderia conter na 
temperatura a qual se encontra. Tal quantidade de vapor é tanto mais alta quanto mais elevada 
a temperatura do ar ambiente. 
 
Fig. 51 - Causas do bolor em forro de casa de banho: excesso de vapor de água, material empregado no 
revestimento, ventilação precária [10] 
Toma-se portanto essencial proceder a uma correcta ventilação dos espaços de forma a 
conduzir para o exterior o excesso de vapor de água, em particular naqueles em que não 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
73 
existam dispositivos que executem essa função duma forma automática. A ventilação das 
edificações é uma necessidade muitas vezes mal compreendida, em especial nas condições em 
que é mais necessária, ou seja no período de Inverno. 
Com efeito, causa alguma preocupação aos utentes dos espaços o permitir que o ar frio e por 
vezes muito húmido do exterior, nalguns casos mesmo em condições de saturação, possa 
penetrar nos espaços ocupados, por troca com o ar interior. Este receio é completamente 
infundado. Na realidade, o ar frio e húmido do exterior é aquecido em contacto com o ar 
interior, provocando esse acréscimo de temperatura uma consequente diminuição da sua 
humidade relativa e, por extensão, da humidade relativa da massa de ar que preenche as 
edificações. 
Os sintomas associados aos fenómenos de condensação superficial manifestam-se através do 
aparecimento de manchas de humidade e de bolores, generalizadas ou localizadas, nos 
paramentos interiores das paredes. Se bem que na maioria dos casos as paredes afectadas 
sejam as exteriores, designadamente em zonas de pontes térmicas, (paredes heterogéneas a 
elementos estruturais, parapeitos, etc), estes fenómenos podem também ocorrer em paredes 
interiores, como é o caso das situações muito correntes de anomalias nas paredes de 
instalações sanitárias. 
 
Fig. 52 - Formação de bolor, devido à condensação da humidade resultante da utilização de compartimento. 
Provavelmente por razões de ventilação precária [4]. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
74 
 Em resumo e em termos genéricos, a ocorrência de condensações superficiais emparedes 
depende dos seguintes factores [3, 5, 9, 12]: 
• Condições de ocupação, das quais depende a produção de vapor nas edificações; 
• Ventilação dos locais; 
• Isolamento térmico das paredes (que contactem com espaços mais frios); 
• Temperatura ambiente interior. 
VI.4.2.2 - Medidas preventivas 
Como medida preventiva à não ocorrência de condensações é da maior importância 
verificarem-se as seguintes condições: 
• Melhoria do isolamento térmico 
• Acréscimo da temperatura ambiente 
• Melhoria da ventilação 
Nota-se que a ventilação nestes casos tem dupla função: 
• Remover total ou parcialmente o vapor de água gerado no ambiente (reduzindo assim 
o risco da condensação superficial nas paredes, coberturas, etc.); 
• Secar as superfícies molhadas devido à condensação do vapor de água não removido 
para o exterior. 
Nos casos em que a ventilação dos ambientes é precária, a película de água que se deposita na 
superfície dos componentes pode gerar condições ao aparecimento de bolor. Paralelamente à 
precariedade da ventilação, outras variáveis contribuem para que tal situação se agrave, como 
por exemplo a apresentação de superfícies frias. 
O resfriamento das paredes externas e coberturas se deve, particularmente, à baixa resistência 
térmica das mesmas. Deve-se ressaltar, no entanto, que apesar de devidamente dimensionados 
alguns componentes (principalmente paredes) podem apresentar um desempenho térmico 
inadequado (temperaturas superficiais baixas) devido à presença de água no interior dos 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
75 
mesmos. A resistência térmica dos componentes reduz-se consideravelmente em função de 
água no mesmo. Essa água pode ser decorrente de infiltração e ou humidade remanescente da 
fase de construção, quadro 4 [5, 10] 
Quadro 4 – Variação da resistência térmica de parede em alvenaria de tijolo maciço em função da 
humidade existente na parede [10] 
Quantidade de humidade (% em peso seco 
do componente)
Resistência térmica (m K/W) 
0 0,35
9 0,22 
10 0,21 
11 0,21 
12 0,20 
13 0,20 
14 0 19
16 0,18 
 
Nestes casos, tem-se observado que a precariedade na ventilação é uma das responsáveis mais 
significativas; especialmente se a edificação é ocupada por um grande número de pessoas. 
Nessas situações, o volume de ar por pessoa é reduzido e a quantidade de vapor de água é 
aumentada. Essa situação torna-se crítica nos períodos de frio, quando os usuários mantêm as 
janelas totalmente fechadas. 
O aumento da incidência dos problemas de humidade devido a condensação em apartamentos, 
explica-se pela maior estanquicidade à água necessária para as janelas e, consequentemente 
maior estanquicidade ao ar. Isto faz com que a ventilação dos ambientes seja precária pois, 
geralmente, não é planeada. Para resolver o problema da infiltração de água da chuva cria-se 
outro, o da condensação figs. 53 e 54. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
76 
 
Fig. 53 -Algumas soluções de projectos dificultam a remoção imediata do vapor para o exterior, fazendo com 
que as superfícies das paredes e tecto fiquem humedecidas, particularmente nos períodos de chuva, quando as 
janelas são mantidas totalmente fechadas [10] 
 
Fig. 54 - 0 alinhamento de portas e janelas pode dificultar circulação de ar pêlos ambientes facilitando o 
aparecimento e proliferação de bolor [10] 
 
VI.2.4.3 – Medidas correctivas 
A ventilação dos ambientes, evacuando o ar interior húmido e substituindo-o por ar exterior 
mais seco, constitui a medida mais importante no combate às condensações. 
Nesse sentido as medidas a tomar para conseguir essa ventilação são [3, 5, 9, 12]: 
• Execução de orifícios de ventilação nas fachadas, devidamente protegidas no interior 
de modo a evitarem-se as correntes de ar incomodas; 
• Montagem de janelas especiais providas de aberturas de ventilação; 
• Montagem de sistemas de ventilação mecânica; 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
77 
• Aumento de isolamento térmico da parede por aplicação; no interior, de um 
revestimento de agregados leves, placas isolantes, etc. 
• Aplicação de revestimentos porosos que absorvem a humidade quando o ambiente está 
saturado, perdendo-a posteriormente quando o ambiente se torna mais seco; 
• Aplicação de revestimentos impermeáveis que, embora não impedindo as 
condensações, põe o interior da parede ao abrigo da humidade; 
• Desumidificadores, aparelhos que obrigam o ar a contactar com materiais que 
absorvem parte da sua humidade. 
VI.2.5 – Humidade de precipitação 
VI.2.5.1 - Origem e formas de manifestação 
A chuva, por si só, não constitui uma acção especialmente gravosa para as paredes de 
edifícios, desde que a componente vento não lhe esteja associada. 
No entanto no caso do vento lhe estar associado, origina que seja a principal fonte de 
humidades de infiltração nas paredes exteriores dos edifícios. 
 A penetração da água da chuva nas paredes é um fenómeno normal que não apresenta 
problemas se aqueles elementos tiverem sido concebidos para resistirem a este tipo de acções, 
no entanto as situações de ocorrência de anomalias devidas a este tipo de fenómenos são 
muito frequentes, em consequência de vários factores designadamente deficiências de 
concepção, existência de fissuração, etc. 
As anomalias, provocadas por esse tipo humidade, manifestam-se com particular interesse a 
seguir a períodos de chuvas intensas, acompanhadas de vento forte fig. 55. 
A humidade que se infiltra através das paredes exteriores de um edifício, pode causar os mais 
sérios danos nos materiais e na sua eficiência construtiva. São características deste tipo de 
humidade as eflorescências, criptoflorescências, ocorrência de bolores, manchas de humidade 
e água visível, acompanhadas por vezes de difusão de humidade em círculos concêntricos, 
que aparecem em paredes exteriores muito batidas pelas chuvas e pelo vento. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
78 
Essas manchas tendem a desaparecer quando cessam os períodos de chuva, acabando por 
desaparecerem quando o tempo se apresenta seco. 
Os pontos de maior vulnerabilidade em que essas infiltrações são mais frequentes, são [3, 5, 9, 
12]: 
• As juntas de argamassa de assentamento das alvenarias de tijolo; 
• As partes inferiores de paredes com revestimentos impermeáveis; 
• As áreas desagregadas de rebocos exteriores fissurados ou fendidos; 
• As ligações dos panos de alvenaria com elementos da estrutura e com caixilharia dos 
vãos. 
 
 
 7mm DE PROJEÇÃO 13mm DE PROJEÇÃO 
 
 26mm DE PROJEÇÃO 39mm DE PROJEÇÃO 
 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
79 
 
 39mm DE PROJEÇÃO 39mm DE PROJEÇÃO 
Fig. 55 - A geometria e dimensões das saliências introduzidas sobre as superfícies das fachadas vão determinar o 
maior ou menor grau da dissipação dos fluxos de água da chuva que se forma na superfície [10] 
A desagregação das alvenarias devida à congelação da água contida nos seus poros, pode 
ainda agravar a infiltração da água da chuva através da mesma. 
 
Fig. 56 - Desenvolvimento de bolor na região do contorno da janela devido a infiltração de água pela junção 
caixilho/parede [4] 
 
Fig.57 - Formação de bolor, película de pintura destruída - parede com infiltração de água da chuva pela 
ausência de impermeabilização pelo lado exterior [4] 
Identificaçãoe Tratamento de Patologias em Edifícios 
80 
VI.2.5.3 - Medidas preventivas 
A protecção eficiente do paramento exterior das paredes e a pormenorização cuidadosa de 
pontos especiais remates superiores e ligações às coberturas, ligações das alvenarias às 
caixilharias, portas, juntas de dilatação, etc. são algumas das medidas preventivas para evitar 
as infiltrações nas paredes, além da escolha de materiais adequados e a boa execução dos 
trabalhos. 
A impermeabilização é obtida normalmente por aplicação de materiais com componentes 
betuminosos, que constitui uma barreira mecânica que se opõe à passagem da água através da 
parede. Na hidrofugação, é evitada a infiltração da água por capilaridade, já que os produtos 
aplicados recobrem as paredes dos poros dos materiais tomando-os não molháveis. Esta 
técnica tem sobre a impermeabilização a vantagem de os produtos aplicados (principalmente 
compostos à base de silicones) permitirem que a parede continue a respirar, visto que não se 
tornam impermeável ao vapor. 
As palas em betão ou metálicas que formam uma primeira protecção à incidência directa da 
chuva nas paredes, são correntes no Norte do País onde as empenas são protegidas com 
chapas onduladas de fibrocimento ou metálicas. 
O uso de paredes duplas, desde que executadas com os cuidados indispensáveis, constitui a 
solução mais eficiente para evitar a penetração da água da chuva no interior das construções 
[3, 5, 9, 10]. 
VI.2.5.3 – Medidas correctivas 
As deficiências de estanquicidade das paredes são devidas, em geral, a problemas 
construtivos, motivados por erros de projecto ou de execução, à inexistência de operações 
regulares de manutenção atingido o limite do seu tempo de vida útil, ou à inadequação entre a 
sua constituição e o respectivo grau de exposição à acção da chuva incidente. 
A correcção destas anomalias pode ser efectuadas através da implementação das seguintes 
medidas correctivas: 
• Aplicação de revestimentos de parede novos, após remoção dos existentes; 
• Aplicação dum hidrófugo de superfície nos paramentos exteriores; 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
81 
• Aplicação dum revestimento exterior curativo com base em ligantes sintéticos; 
• Aplicação dum revestimento exterior de elementos descontínuos. 
Tratando-se de anomalias da superfície corrente da parede, as soluções a aplicarem não 
deferirão muito das medidas preventivas indicadas anteriormente [3, 5, 9, 10]. 
VI.2.6 – Humidade devida a causas fortuitas 
VI.2.6.1 - Origem e formas de manifestação 
São diversas as situações de ocorrência de humidades devidas a causas fortuitas e torna-se 
devido a este facto a sistematização de todas as causas possíveis. Duma forma geral 
caracterizam-se pela sua natureza pontual, em termos espaciais, e decorrem de defeitos de 
construção, falhas de equipamentos ou de erros humanos, quer activos como por exemplo os 
acidentes, quer passivos como no caso de falta de manutenção. 
De entre as causas mais frequentes deste tipo de anomalias, destacam-se as que decorrem de 
roturas de canalizações, nomeadamente redes de distribuição de águas, águas pluviais e 
esgotos ou devidas a infiltrações nas paredes de águas provenientes da cobertura, devidas a 
entupimentos de caleiras, algerozes ou tubos de queda, a deficiências dos remates da 
cobertura com as paredes emergentes ou, a deficiência no capeamento destas. 
 
Fig. 58 - Infiltração de água da chuva devido a problemas na cobertura, danificando o revestimento e pondo risco 
à instalação eléctrica 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
82 
 
Fig. 59 - A drenagem de um tubo de queda feita directamente no solo é um dos motivos mais frequentes da 
patologia [10]. 
Os sintomas associados aos fenómenos de humidade devida a causas fortuitas são, 
naturalmente, muito variáveis, apresentando, contudo, em bom número de casos algumas 
características típicas, das quais se destacam as seguintes [3, 5, 9, 10] 
• Natureza localizada das anomalias; 
• Associação com os períodos de precipitação em situações relacionadas com 
infiltrações de água das chuvas e maior gravidade dos fenómenos em relação aos que 
resultariam normalmente daquelas infiltrações; 
• Carácter permanente e de grande gravidade em situações de rotura de canalizações, 
eventualmente sazonal se estas forem de águas pluviais; 
• Migração da humidade para locais afastados da origem das anomalias em situações em 
que o débito de água propicie a actuação dos mecanismos da capilaridade. 
VI.2.6.2 – Medidas preventivas 
 Como medidas preventivas poder-se-ão enumerar: 
• Limpeza de algerozes e caleiras no início do Outono; 
• Verificação do bom estado geral das redes de água, águas pluviais e saneamento; 
• Trabalhos de manutenção periódicos; 
• Verificação periódica de pontos singulares, susceptíveis de ocorrência de humidades. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
83 
VI.2.6.3 – Medidas correctivas 
O tipo de reparação a efectuar depende da causa que a origina, podendo esta ser bastante 
variada. Assim, há que detectar primeiramente a causa para posteriormente sanar o problema. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
84 
CAP VII - EFLORESCÊNCIAS 
VII.1 - Introdução 
Na ciência das edificações, o termo eflorescência significa a formação de depósitos salinos na 
superfície de alvenarias como resultado da exposição a intempéries. O fenómeno, no entanto, 
pode ocorrer em qualquer elemento da edificação. Normalmente, ela é considerada como um 
dano, por alterar a aparência do elemento onde se deposita, assim como causar degradação 
profunda no caso dos sais constituintes serem bastante agressivos. 
A alteração do aspecto visual pode ser exuberante, principalmente em casos onde se verifica 
contraste de cor entre o sal e a base sobre a qual se deposita, como por exemplo, a formação 
de eflorescência branca sobre tijolo vermelho. 
 
Fig. 60 - Escorrimentos de ao longo da parede [4]. 
Quimicamente, a eflorescência é constituída principalmente de sais de materiais alcalinos 
(sódio e potássio) e alcalino-terrosos (cálcio e magnésio) solúveis ou parcialmente solúveis 
em água. Pela acção da água da chuva ou da proveniente do solo, o elemento fica saturado e 
estes sais são dissolvidos. A solução migra para a superfície e, por evaporação resulta na 
formação de um depósito salino. No presente trabalho, a eflorescência é classificada de 
acordo com o aspecto e forma de manifestação conforme quadro 5 [3, 10, 12]. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
85 
Quadro 5 – Tipos e Caratcerísticas das Eflurescências [10] 
Aspectos e 
características das 
eflorescências 
Locais de formação Causas prováveis 
actuando com ou 
sem simultaneidade
Reparações 
 
Tipo 1 
Pó branco 
pulverulento, solúvel 
em água 
 
- em superfície de 
alvenaria aparente 
 
- em superfície de 
alvenaria de 
argamassa revestida 
- em regiões 
próximas a caixilhos 
mal vedados 
- em superfícies de 
l d ilh â i
 
- sais solúveis 
presentes nos 
materiais : água de 
amassadura, 
agregados ou 
aglomerados 
- sais solúveis 
presentes nos 
materiais cerâmicos ( 
tijolos, ladrilhos , 
etc) 
sais solúveis
 
- eliminação da fonte 
de humidade 
- aguardar a 
eliminação dos sais 
pela acção da chuva 
em casos de 
eflorescência em 
superfície externa 
- lavagem com água 
 
d
Tipo 2 
Depósito branco com 
aspecto de 
escorrimento, muito 
aderente e pouco 
solúvel em água, em 
presença de ácido 
apresentam 
efervescência 
 
-em superfície de 
componentes 
próximos aelementos em 
alvenaria e concreto 
 
- em superfície de 
argamassa ou 
 
- carbonatação da cal 
libertada na 
hidratação do 
cimento 
 
- carbonatação da cal 
não carbonatada 
proveniente de 
 
- eliminação da 
percolação de água 
- lavagem com 
solução clorídrica 
conforme indicado 
anteriormente 
- em caso de 
depósito abundante, 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
86 
TIPO 3 
 Deposito branco, 
solúvel em água, 
com efeito de 
expansão 
 
- entre fissuras de 
juntas de alvenaria 
- entre juntas de 
argamassa e tijolos 
- locais da alvenaria 
 
- expansão devido à 
hidratação do sulfato 
de cálcio existente 
no tijolo ou da 
reacção tijolo -
cimento 
 
- não realizar 
reparos, esperar a 
estabilização do 
fenómeno 
- reparo usando 
cimento isento de
 
VII.2 - Factores que contribuem para a formação de eflorescências 
A eflorescência é causada por três factores igualmente importantes: 
• O teor de sais solúveis presentes nos materiais ou componentes; 
• A presença de água; 
• A pressão hidrostática para propiciar a migração da solução para a superfície. 
Todas estas três condições devem existir e, se uma delas for eliminada, não ocorrerá o 
fenómeno. 
Além disso, existem factores externos que favorecem o fenómeno, tais como: 
• A quantidade de solução que aflora, para os sais pouco solúveis, implicando que 
quanto maior a quantidade de água, maior é a fracção solubilizada 
• O aumento do tempo de contacto, o qual favorece a solubilização de maior teor de sais 
• A elevação da temperatura, além de favorecer a solubilização dos sais, aumenta a 
velocidade de evaporação da humidade absorvida pelo elemento de alvenaria. Os sais 
dissolvidos podem tanto permanecer nos poros capilares como migrar para a sua 
superfície; 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
87 
• A porosidade dos componentes (tijolos, blocos, ladrilhos, argamassas e betão), 
permitindo a percolação da solução. Nem sempre a eflorescência é formada sobre o 
componente que possui maior teor de sais solubilizáveis. 
Por vezes devido a uma melhor capilaridade do componente vizinho, os sais tendem, 
preferencialmente, a depositar-se sobre este último [3, 10, 12]. 
VII.3 - Tipos e características das eflorescências 
 VII.3.1 - Tipo 1 
O tipo mais comum de eflorescências caracteriza-se por um depósito de sal branco, 
pulverulento, muito solúvel em água. Pode apresentar-se bastante abundante, na forma de um 
véu, aparecer em superfície de alvenaria aparente (tijolos cerâmicos) ou revestida com 
argamassa, em juntas de assentamento, em regiões próximas a caixilhos mal vedados, em 
ladrilhos cerâmicos e em juntas de ladrilhos cerâmicos esmaltados e azulejos. 
Em geral, este tipo de eflorescência somente modifica o aspecto estético, não sendo 
prejudicial à alvenaria. No entanto, se esta se acumular na interface alvenaria/pintura a 
película de pintura poder-se-á descolar. 
 
Fig. 61– Manifestação de eflorescências na base de uma parede [5] 
Os sais neste caso são frequentemente sulfatos de sódio e de potássio e, com menor 
incidência, sulfato de cálcio e de magnésio, carbonato de sódio e de potássio. 
Esses sais podem ser provenientes de tijolos, de cimentos, da reacção química entre os 
compostos do tijolo com o cimento, da água utilizada na amassadura dos agregados, das 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
88 
substâncias contidas em solos contaminados por produtos químicos e da poluição atmosférica 
[10]. 
 VII.3.1.1 - Soluções de reparação 
Se o problema da eflorescência aparecer em alvenaria externa de edificação recentes, a 
maneira mais fácil é deixar que esta desapareça por si mesmo. Em primeiro lugar porque as 
reacções ainda não se encontram terminadas, por outro lado, sendo os sais solúveis em água, a 
eflorescência desaparece após um período mais ou menos prolongado, pela acção da chuva. A 
eliminação mais rápida é realizada por remoção dos sais depositados na superfície da 
alvenaria com uma escova de aço, seguida de lavagem com água abundante 
A água deve penetrar na alvenaria dissolvendo os sais existentes. Deve-se repetir a operação 
até eliminação total, podendo ser utilizado um sabão com poder tensoactivo que facilite a 
penetração de água. No entanto, há casos de sabões à base de esteorato e oleastos de sódio que 
podem até aumentar o teor de sais. 
Como um último recurso, pode-se realizar a limpeza, com uma solução de ácido muriático 
(ácido clorídrico técnico) a 10%. Inicialmente, deve-se saturar a alvenaria com água, a fim de 
evitar uma penetração profunda do ácido; a seguir, lavar com água abundante. No caso de 
penetração profunda pode haver aumento de eflorescência, pois o ácido clorídrico em 
contacto com os álcalis dos componentes podem formar cloretos alcalinos, muito solúveis em 
água. Este procedimento implica precauções quanto a protecção de elementos em áreas 
próximas, executadas com pedra calcária, bem como a protecção das mãos e dos olhos [10] 
 VII.3.2 - Tipo.2 
Um tipo menos comum de eflorescência, caracteriza-se por um depósito de cor branca com 
aspecto de escorrimento, muito aderente e pouco solúvel em água que em contacto com ácido 
clorídrico apresenta efervescência. Estes sais geralmente formam-se em regiões próximas a 
elementos de betão ou sobre as suas superfícies e por vezes sobre superfícies de alvenaria. 
Este sal é basicamente carbonato de cálcio. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
89 
 
Fig. 62 – Eflorescências do “ tipo 2” [4] 
 
Fig. 63 - Eflorescências “tipo 2”-por falta de tomada da junta entre as pedras, a água atinge o cimento cola, 
reagindo com a cal criando um depósito de sal 
Na hidratação do cimento há liberação de cal, esta, em presença da água proveniente de 
chuvas ou de infiltração de humidade, dissolve-se e deposita-se na superfície das fachadas. Na 
evaporação da água, em presença do anidrido carbónico do ar, esta cal transforma-se em 
carbonato de cálcio, um composto pouco solúvel em água, sendo esta a reacção responsável 
pela formação deste tipo de eflorescências. 
Entretanto, há casos de utilização de argamassas mistas, isto é, de cimento e cal, onde existe 
um elevado teor de cal não hidratada. Esta cal em contacto com água, também será dissolvida, 
vindo a depositar-se sobre a superfície, carbonatando-se. 
Estes casos, de modo geral, não produzem qualquer perigo à estabilidade da alvenaria. Os 
depósitos brancos formados, apenas apresentam um efeito estético negativo e são difíceis de 
serem eliminados [10] 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
90 
VII.3.2.1 - Soluções de reparação 
Em caso de depósito abundante, o problema pode ser solucionado escovando-se a superfície 
por processo mecânico, eliminando-se parte dos sais, de forma a facilitar-se a acção do 
tratamento químico. Segue-se lavagem com solução de ácido muriático, conforme descrito 
anteriormente. 
Ás vezes é difícil eliminar totalmente o fenómeno, pelo que se deverá ter cuidados nas 
aplicações frequentes de solução ácida com concentração muito elevada, podendo ser 
prejudicial à durabilidade do componente [10]. 
VII.3.3 - Tipo 3 
A eflorescência também pode -se manifestar com um depósito de sal branco entre juntas de 
alvenaria aparente, que se apresentem fissuradas por efeito de expansão da argamassa de 
assentamento. O fenómeno ocorre tanto em fachadas expostas à acção de chuva como nas não 
expostas. A ocorrência deste tipo de eflorescência não é frequente entretanto, encontra-se 
citada em literatura. 
Este fenómeno ocorre em zonas abrigadasda chuva por efeito de fissuração e expansão 
causadas pela hidratação do sulfato de cálcio que transforma -se em gesso. 
Em zonas húmidas da alvenaria ocorrem fissuração e expansão devido a formação de um 
produto expansivo conhecido como sal de “candlot”, resultado da reacção entre o sulfato de 
cálcio e um aluminato de cálcio hidratado do cimento, neste caso, estão também presentes os 
sulfato de sódio de potássio. 
O sulfato de cálcio responsável pelo fenómeno descrito pode ser originário ou do tijolo ou do 
resultado da reacção entre os sulfatos de sódio de potássio existentes, com a cal do cimento 
[10] 
VII.3.3.1 - Soluções de reparação 
Nestes casos, não se devem realizar reparações até que o fenómeno estabilize.Logo que o 
fenómeno tenda a estabilizar, poderá efectuar-se a reparação e o fecho das fissuras, usando 
um cimento isento de sulfatos [10] 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
91 
VII.4 - Medidas preventivas 
O fenómeno da eflorescência pode ser evitado, observando-se os seguintes cuidados [3, 10, 
12]: 
• Não utilizar materiais e componentes com elevado teor de sais solúveis. A presença 
dos sais pode ser verificada através da realização de ensaios em laboratório 
• Prolongamento da cosedura, que não só leva a uma redução do conteúdo dos sais 
solúveis como, por outro lado, promove um aumento de capacidade do material 
dificultando a circulação de humidade e as possíveis reacções tijolo - argamassa 
• Neutralização de determinados sais solúveis, sulfatos alcalino-terrosos, de cálcio, de 
magnésio e, ainda, sais de vanádio e molibdénio por prévia adição de produtos 
químicos à pasta cerâmica 
• Tratamento dos tijolos, após a cozedura com soluções muito diluídas de siliconatos 
solúveis na água que diminuam a penetração da água por capilaridade 
• Em caso de parede em alvenaria aparente, a absorção de água de chuva por 
capilaridade, pode ser diminuída utilizando-se uma pintura impermeável resistente à 
exposição em solução alcalina 
• Em caso de execução de alvenaria em período seco, saturar os tijolos com água a fim 
de diminuir absorção de água de amassadura da argamassa pelo tijolo, por 
capilaridade, reduzindo o risco de reacção tijolo/cimento 
• Reduzir ao máximo a penetração de água na alvenaria; 
• Evitar infiltração de humidades provenientes do terreno ou da chuva executando-se 
boa vedação e impermeabilização; 
• A reacção tijolo-cimento pode ser evitada utilizando-se argamassa mista/bastarda 
(cimento: cal: areia); 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
92 
• A lixiviação da cal e do cimento pode ser reduzida, utilizando-se cimentos que 
libertem menor teor de cal na sua hidratação, tais como: cimento pozolâmico ou de 
alto-forno. 
VII.5 - Medidas correctivas 
De uma maneira geral, o fenómeno de eflorescência causa apenas danos de ordem estética, no 
entanto é importante, na medida que é o resultado de um problema mais grave e frequente em 
patologia das edificações: a humidade. 
A ausência de precauções contra a humidade, durante as várias fases do projecto e execução 
dos edifícios pode provocar condições favoráveis não só para a formação de eflorescência 
como para a deterioração dos materiais utilizados. Assim sendo, na execução do edifício 
devem ser observados os seguintes factores [3, 10, 12]: 
• Humidade do solo; 
• Água da chuva acumulada antes da cobertura da obra ou infiltrada através de paredes e 
fissuras; 
• Estado das canalizações de água, esgoto e águas pluviais; 
• Água utilizada na limpezA. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
93 
CAPÍTULO VIII - PINTURAS 
Sendo esta a ultima actividade numa construção, em geral não se dá a devida importância à 
qualidade dos serviços de pintura por motivo de economia, procuram-se firmas de pintura de 
segunda linha ou simplesmente pintores que oferecem serviços mais baratos. 
VIII.1 – Origem e Formas de manifestação 
A experiência mostra que as falhas existentes com a pintura normalmente manifestam-se de 
duas maneiras: 
• Na interface da película com o substrato de aplicação 
• Na própria película de pintura. 
De maneira geral, estes problemas são ocasionados por uma combinação de factores e não 
somente devido ao produto em si, isto é, à tinta. 
As principais razões para a ocorrência dos problemas são os seguintes [7, 10, 11]: 
• Selecção inadequada da tinta – exposição a condições muito agressivas em relação à 
qualidade normal do produto, ou por incompatibilidade com o substrato; 
• Condições meteorológicas inadequadas – aplicação de pintura em ambiente de 
temperatura e humidade relativa muito baixa ou elevada ou ocorrência de vento forte; 
• Ausência de preparação da superfície ou preparação de modo inadequado – aplicação 
da pintura sobre base que apresenta deposição de materiais pulverulentos, 
contaminados de sujeira, óleo, bolor e materiais soltos, base muito porosa; 
• Substrato que não apresenta estabilidade – aplicação sobre alvenaria e betão 
insuficientemente curado, superfície deteriorada; 
• Humidade excessiva no substrato – remanescente da execução do edifício, de 
infiltração ou de condensação; 
• Diluição excessiva da tinta na aplicação; 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
94 
• Formulação inadequada da tinta. 
 
VIII.1.1 – Defeitos na película de pintura 
Os principais tipos de defeitos são [7, 10, 11]: 
• Película apresentando fissuras e trincas em alguns casos, com perda de brilho e 
pulverulência; 
• Película pegajosa, com sinais de bolha de água e de oleosidade, de cor amarela e 
castanha, alguns casos apresentando sinais de descoloramento; 
• Desagregação pulverulenta (empolamento ou calcinação), com deterioração da 
película; 
• Formação de bolhas e vesículas; 
• Enrugamento com aspecto de “pele de jacaré”; 
• Manchas de cor castanha, cinza, preta, vermelho ou verde sobre a película; 
• Manchas suaves de cor castanha clara e amarela. 
VIII.1.2 - Problemas com a natureza da tinta. 
Os principais problemas com a natureza da tinta surgem [7, 10, 11]: 
• Aplicação de tinta com baixa resistência à radiação solar em ambientes externos, 
verifica-se a destruição da película por fissuração ou por deterioração com 
pulverulência. Em geral perde brilho ou apresenta descoloramento; 
• Aplicação de tinta com baixa flexibilidade sobre substrato de variação dimensional 
elevada, a película apresenta fissuração, fig 66; 
• Aplicação de tinta com baixa resistência a alcalis, sendo exemplo as tintas a óleo ou 
alquídicas aplicadas sobre base húmida e com elevada alcalinidade. A película fica 
pegajosa com sinais de bolha de água e óleo; 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
95 
• Aplicação prematura de tinta, que forme película impermeável, sobre substrato de 
argamassa (de cimento, cal ou gesso) ou betão mal curado. A película apresenta-se 
deteriorada, em alguns casos com pulverulência; 
• Aplicação de tinta com baixa resistência ao ataque por agentes biológicos, tais como 
bolor, fungos e algas, em substrato que apresenta elevado grau de humidade A película 
deteriora-se, apresentando manchas escuras sobre a superfície fig. 67; 
• Incompatibilidade das várias camadas do sistema de pintura, secagem muito rápida ou 
espessura elevada. A película mostra-se enrugada fig.68. 
 
Fig. 66 - Fissuração e descolamento da película de pintura, provocada pela variação dimensional da madeira 
 
 
 
 
 
 
Fig. 67 - Efeito da humidade do substrato em pintura com baixa resistência ao ataque por agentes biológicos [4]. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
96 
 
Fig.68 - Enrugamento da película de pintura, devido a incompatibilidade das varias camadasdo sistema de 
pintura, secagem muito rápida ou espessura muito elevada [4]. 
VIII.1.3 - Problema com a natureza do substrato 
Os principais problemas com a natureza do substrato são [7, 10, 11]: 
• Aplicação de tinta sobre argamassa de revestimento contendo partículas expansivas. O 
fenómeno geralmente é favorecido pela temperatura e humidade e a película 
apresenta-se com bolhas e vesículas; 
• Aplicação de tinta sobre argamassa de revestimento com partículas contendo 
substâncias solúveis em água. A película apresenta-se com manchas; 
• Aplicação de tinta que forme película de elevada porosidade em substâncias que 
contêm elevado teor de sais solúveis em água. Há deterioração da película, 
manifestando-se pulverulência; 
• Aplicação de tinta sobre substrato muito poroso. O veículo da tinta é absorvido pela 
base, ficando na superfície apenas os pigmentos e cargas na forma de uma camada 
pulverulenta, facilmente removível. 
VIII.1.4 - Aplicação em condições inadequadas 
Secagem muito rápida da superfície pintada, devido a temperatura e humidade relativa 
inadequadas e ocorrência de ventos fortes. A película mostra-se enrugada. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
97 
VIII.2 – Medidas preventivas 
VIII.2.1 - Preparo inadequado do substrato ou ausência de preparação 
Os principais problemas com preparo inadequado ou ausência de preparação [7, 10, 11]: 
• Aplicação de tinta em superfície contaminada por sujeira, poeira, óleo, eflorescências, 
partículas soltas, óleos descofrantes (betão); 
• Aplicação sobre substrato muito poroso o veículo da tinta é absorvida pelo substrato, 
ficando apenas os pigmentos e cargas na forma de uma camada pulverulenta, 
facilmente removível; 
• Aplicação de tinta em substrato muito liso, tais como pintura em betão com 
descofrante ou cerâmica. 
 VIII.2.2 - Aplicação em substrato instável 
Os principais problemas com substrato instável [7, 10, 11]: 
• Aplicação prematura de tinta, que forme película impermeável sobre a argamassa (de 
cal, cimento ou gesso) ou betão mal curado Há perda de aderência e sinais de 
pulverulência e humidade na interface da película com a superfície de aplicação. 
• Aplicação de tinta, que forme película impermeável, em substratos que contêm 
elevado teor de sais solúveis em água. A presença de humidade solubiliza estas 
substâncias que, por acção da evaporação e capilaridade, depositam-se na interface da 
película com a superfície, com posterior descolamento da mesma. 
• Aplicação de tinta em substratos que estejam sujeitos à deterioração, isto é, expansão 
ou desagregação. O fenómeno geralmente é favorecido pela humidade ou temperatura 
fig.65. 
 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
98 
 
Fig. 64 - Efeito dos sais solubilizados do substrato sobre a pintura por efeito de humidade de infiltração [10] 
VIII.2.3 - Aplicação em base húmida 
Os principais problemas com aplicação em base húmida [7, 10, 11]: 
• Aplicação de tinta com baixa resistência a alcalis, sendo exemplo as tintas a óleo ou 
alquídicas, aplicadas sobre o substrato húmido a alcalino. Há perda de aderência e 
sinais de pulverulência, humidade, oleosidade na interface da película com a superfície 
de aplicação. 
• Aplicação de tinta que forme película impermeável, em base muito húmida. A 
humidade condensa na interface da película com a superfície de aplicação provocando 
o descolamento da pintura. 
 
Fig.65 - Efeito da humidade do solo sobre a pintura. Tanto a película como a argamassa acham-se pulverulentas 
e em desagregação [5]. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
99 
VIII.5 – Medidas correctivas 
De um modo geral, as falhas em pinturas são ocasionadas pela selecção inadequada da tinta, 
aplicação em condições meteorológicas inadequadas, aplicação sobre superfícies inadequadas 
ou excesso de diluição da tinta na aplicação. Muitas vezes, a má qualidade da tinta é a razão 
para a falha da pintura, entretanto é difícil separar esta razão da outra, isto é, a selecção 
inadequada da tinta. 
 Uma mesma tinta aplicada sobre superfície exposta a um ambiente agressivo (ex.: parede 
externa de zona industrial) apresenta deterioração, no entanto pode mostrar bom desempenho 
quando aplicada em ambiente não agressivo (parede interna de uma sala ou quarto). 
A selecção inadequada da tinta para uma aplicação específica é um erro comum nos dias de 
hoje A introdução de uma grande variedade de matérias-primas na indústria de tinta 
ocasionou o aparecimento de ampla gama de produtos no mercado. Desta forma, o 
consumidor vê-se à frente de uma grande variedade de tintas, com nomes comerciais que 
podem levar a enganos, pois determinadas características da tinta podem ser modificadas na 
formulação. 
Muitas vezes os problemas de pintura podem ser atenuados por: 
• Consideração do aspecto da pintura na edificação na fase de projecto; 
• Conhecimento sobre a tinta e procedimentos para aplicação; 
• Supervisão adequada na obra durante a aplicação; 
• Especificar tintas para uma determinada aplicação em obra, envolve um conhecimento 
dos tipos de tinta, das propriedades físicas e químicas, do substrato na qual será 
aplicada a tinta e dos efeitos da macro e micro condições climáticas. 
Tanto no substrato, como na tinta, alguns dos problemas apresentados, se ocorrerem logo após 
à aplicação, são considerados como falha da pintura. Entretanto, se ocorrerem após a 
aplicação, são considerados como ausência de manutenção, já que as pinturas não são 
permanentes e se deterioram rapidamente [7, 10, 11]. 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
100 
CAP IX – PRINCÍPIOS DE DIAGNÓSTICO 
Dada a vastidão da matéria que está associada à resolução dos problemas da patologia em 
edifícios, deverá haver o maior cuidado na análise do diagnóstico devendo o mesmo passar 
pelas seguintes quatro fases fundamentais: 
• Percepção das anomalias; 
• Recolha de informação; 
• Exame mais detalhado da situação; 
• Restabelecimento do diagnóstico das causas; 
• Definição da actuação correctiva. 
A complexidade do comportamento das construções, envolvendo mecanismos cuja verdadeira 
essência não está ainda em muitos casos suficientemente estabelecida, leva a que a 
experiência profissional tenha um papel preponderante. Essa experiência, não está 
normalmente "estruturada", dificultando a sua transmissão. 
Assim, haverá a necessidade de procurar a sistematização dos processos de diagnóstico, pelo 
que se acha oportuno a elaboração de um conjunto de fichas vocacionadas para a reparação de 
anomalias. Essas fichas, deverão ser individualizadas por anomalias e organizadas, todas do 
mesmo modo” sintomas, exame, diagnóstico de causas e reparação”, tendo por objectivo 
contribuir para uma mais fácil resolução dos casos concretos, que se colocam na resolução de 
identificação e reparação de patologias. 
Face à tarefa de grande complexidade, apresentam-se no anexo I, a título de exemplo um 
conjunto de fichas “tipo” que se poderiam considerar. 
Perante a ocorrência de anomalias, um diagnóstico correcto proporcionando uma identificação 
precisa das causas e a avaliação rigorosa da situação real é condição indispensável para a 
resolução dos problemas tendentes à sua correcção. 
 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
101 
 
Fig. 66 - Diagnóstico de intervenção diagrama de fluxo [10] 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
102 
CONCLUSÃO 
Retomando o início desta monografia, foi objectivo da mesma estabelecer uma abordagem à 
panorâmica das patologias mais correntes que afectam os nossos em edifícios. Retrataram-se 
nesse sentido a caracterização e classificaçãodas várias patologias, sua formas de 
manifestação e causas associadas, passando finalmente à análise das medidas preventivas e 
correctivas, de forma dar cumprimento às exigências funcionais que lhes estão associadas. 
À medida que a investigação sobre o tema foi decorrendo, ficou perfeitamente claro o que à 
partida era já um dado adquirido, isto é, um tema amplamente vasto para se tratar numa só 
monografia. Por outro lado, tratar estes assuntos de uma forma aprofundada, ultrapassa 
significativamente a dimensão razoável para um trabalho deste âmbito. 
No início foi falado num documento de referência, dentro do assunto tratado, 
fundamentalmente dirigido para pequenas e médias empresas, técnicos de arquitectura e de 
engenharia, construtores, fiscalizações, alunos de engenharia, proprietários e investidores, que 
ainda não se encontram devidamente despertos para estas questões. Pois bem, acha-se 
demasiada pretensão tratá-lo como “documento de referência”, no entanto ele poderá de 
algum modo ser assim entendido, se analisado globalmente como o despertar das consciências 
para tamanha responsabilidade que cada vez mais se nos depara – Evitar erros passados! 
De facto, os edifícios são dos bens produzidos pelo Homem, aqueles com quem mais 
partilhamos a vida, estando presentes em todas as fases importantes, desde a nascença, 
passando pela formação escolar, trabalho, saúde, lazer, e fundamentalmente, pela protecção e 
privacidade dadas pela habitação. 
Importa interrogar-nos sobre o tipo de construções que estamos actualmente a construir e se a 
experiência adquirida e as medidas preventivas que estão a ser utilizadas podem também 
assegurar maior longevidade às actuais construções. 
Assim a prevenção, será normalmente a forma mais económica de minimizar as 
consequências das patologias construtivas, equacionando meios de monitorização para a 
através da realização de inspecções periódicas, no intuito de avaliar o desempenho dos 
elementos em condições em serviço. 
 
Identificação e Tratamento de Patologias em Edifícios 
103 
Não quero colocar ponto final, sem que antes deixar algumas reflexões neste domínio: 
• Como foi visto ao longo do tema tratado, as anomalias mais correntes foram, a 
existência de fissuras, o destacamento de elementos de revestimento, originando 
desconforto interior, infiltrações e problemas térmico-higrométricos (ou 
higrométricos) nas habitações. Muitas destas anomalias ocorrem de forma prematura, 
poucos anos após a construção, agravando-se ao longo do tempo, até atingir níveis de 
degradação preocupantes que, afectam, em muitos casos, as condições de segurança 
dos utentes e transeuntes (queda de elementos pétreos ou cerâmicos), nada condizentes 
com os padrões de vida actuais; 
• Para a minimização destes problemas, é necessária a realização de inspecções 
periódicas, no intuito de avaliar o desempenho dos elementos em condições em 
serviço, e a realização de reparações / substituições localizadas (manutenção 
periódica) que permitam limitar a propagação das anomalias ou solucioná-las. Neste 
sentido, a elaboração de um plano de inspecção e manutenção, logo na fase de 
projecto, permitirá optimizar recursos, controlar prazos e minimizar custos; 
• Construir é um acto excepcional que implica compromissos delicados, devendo ser 
feito com todo o saber e dentro das regras de bem construir. 
Urge terminar este trabalho, pelo que o tempo a ele dedicado foi relevante, para mais uma 
etapa passada na vida., reforçando a consciência do elevado grau de competência que a 
profissão requer nos mais diversos domínios. 
 “O êxito e a qualidade do produto final, bem como o custo do mesmo, dependem 
grandemente da qualidade do projecto que se tem” 
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BIBLIOGRAFIA 
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