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Manual de moléstias vasculares

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Ana Terezinha Guillaumon
Profa. Livre-Docente em Cirurgia Vascular pela FCM-Unicamp
Docente junto à Disciplina de Moléstias Vasculares FCM-Unicamp
Fábio Hüsemann Menezes
Doutorado em Cirurgia Vascular pela FCM-Unicamp
Docente junto à Disciplina de Moléstias Vasculares FCM-Unicamp
Eduardo Faccini Rocha
Mestrado em Cirurgia Vascular pela FCM-Unicamp
Médico contratado junto ao Hospital de Clínicas da Unicamp
Carla Aparecida Faccio Bosnardo
Mestrado em Cirurgia Vascular pela FCM-Unicamp
Médica contratada junto ao Hospital de Clínicas da Unicamp
José Luiz Cataldo
Doutorado em Cirurgia pela FCM-Unicamp
Médico Colaborador junto ao Hospital de Clínicas da Unicamp
Sandra Aparecida Ferreira Silveira
Doutora em Clínica Radiológica pela FCM-Unicamp
Eduardo Valença Barel
Doutorado em Cirurgia Vascular pela FCM-Unicamp
Charles Angotti Furtado de Medeiros
Mestrado em Cirurgia Vascular pela FCM-Unicamp
Moléstias Vasculares 9
As moléstias vasculares periféricas englobam a artérias, veias e linfáticos.
Existem poucas áreas da Medicina em que, pela anamnese e exame físico geral, 
pode-se obter um diagnóstico na maioria das vezes. De posse de um diagnóstico pre-
suntivo, pode-se orientar as medidas terapêuticas. Os exames adicionais de medida de 
pressão e imagem são úteis para um detalhamento anatômico e funcional do sistema.
No campo das moléstias arteriais, é mister levar em conta que a etiologia 
principal é a aterosclerose e, mais raramente, as arterites, que acometem com 
maior frequência as artérias menores e desafiam o médico quanto à sua causa e ao 
seu manejo terapêutico. Como a aterosclerose é uma doença generalizada, quando 
o paciente apresenta-se com uma queixa de insuficiência circulatória periférica, é 
importante não esquecer de averiguar se não há comprometimento simultâneo 
das artérias coronárias e dos vasos que nutrem o cérebro. Estes últimos poderão ser 
mais importantes do que a queixa que trouxe o paciente ao médico. 
O aparelho de ultrassom Doppler é útil para medir, de forma indireta, as 
pressões nas artérias distais, quantificando a perda de energia potencial pelas 
lesões obstrutivas proximais. No seguimento pós-operatório também é útil para 
avaliar a melhora da pressão, e por correspondência, da perfusão do membro.
Os exames de ultrassom, tomografia computadorizada e ressonância mag-
nética nuclear continuam a aperfeiçoar-se, trazendo imagens em terceira dimen-
são e competindo com a tradicional arteriografia contrastada.
No campo venoso o ultrassom Doppler contínuo serve bem para detectar 
trombose em vasos maiores, e a flebografia contrastada vem sendo substituída 
pelos exames de ultrassonografia dúplex e ressonância magnética nuclear, os quais 
revelam um mapa detalhado deste sistema, modificando as indicações cirúrgi-
cas para as varizes primárias e nas recanalizações das tromboses venosas antigas. 
Também nesta área a cirurgia endovascular tem ganhado espaço, através do uso 
do LASER e da escleroterapia monitorada por ultrassom no caso das varizes e das 
Visão Global John Cook Lane
Moléstias Vasculares10
trombólises e angioplastias com stents nas veias profundas. A cirurgia minimamente invasiva também tem atu-
ado na ligadura endoscópica subfascial de veias perfurantes. Os curativos para as úlceras venosas têm progresso 
constante, somando à consagrada Bota de Unna os curativos oclusivos e os enfaixamentos multicamada.
Quanto aos linfáticos, há progresso no estudo genético da doença primária e melhor entendimento 
do acometimento linfático nas doenças secundárias, promovendo diagnóstico mais precoce das alterações e 
melhor prevenção das complicações tardias.
As tradicionais cirurgias arteriais abertas de enxertos, para fazer pontes vasculares com o objetivo de ultra-
passar locais obstruídos, passam hoje por uma rápida transformação, tratando lesões por via endovascular, di-
latando vasos e colocando endopróteses metálicas (stents) para mantê-los abertos. Também os aneurismas vêm 
sendo tratados colocando-se endopróteses por acessos distantes, diminuindo o trauma cirúrgico. Além disso a 
cirurgia laparoscópica abre novas perspectivas ao arsenal terapêutico do tratamento de moléstias vasculares.
É importante ressaltar que na área de atuação da cirurgia vascular periférica os medicamentos são muito 
pouco utilizados. Com exceção dos anticoagulantes e trombolíticos, as demais drogas (vasodilatadores e flebo-
tônicos) têm efeito limitado e uso bem específico. O controle da aterosclerose depende mais da educação do 
paciente quanto ao controle dos fatores de risco, os quais são normalmente tratados pelo clínico nas unidades 
básicas de saúde. Não é, portanto, do escopo deste manual apresentar o detalhamento do tratamento clínico 
das doenças vasculares, mas sim oferecer uma ideia das possibilidades do tratamento cirúrgico.
Os horizontes da especialidade continuam a oferecer, cada vez mais, novas opções aos pacientes necessi-
tados. Cumpre a todos continuarem atentos ao progresso nesta área.
Visão Global John Cook Lane
Moléstias Vasculares 11
O Exame dos Pulsos John Cook Lane1
Capítulo
Quando o ventrículo esquerdo ejeta sangue na aorta, cria-se uma onda de 
pressão que é transmitida por todas as artérias. O exame dos pulsos arteriais resulta 
em informações cruciais sobre o sistema cardiovascular. Os pulsos devem ser palpa-
dos não só por sua intensidade, mas também avaliados quanto à sua elasticidade; ou 
seja, se normal ou endurecida pela aterosclerose, bem como auscultados com o uso 
do estetoscópio. O fluxo normal nas artérias procede em forma laminar e silenciosa. 
Quando existe turbulência no fluxo, resulta em frêmito palpável e sopro à ausculta; 
sinais estes de que talvez haja uma placa de ateroma nas imediações. 
O pulso carotídeo pode ser facilmente localizado palpando-se inicialmente 
a cartilagem tireoide e deslizando os dedos até a sua borda posterior. Este pulso 
corresponde ao da artéria carótida comum. Ela deve ser auscultada desde o ângulo 
da mandíbula até o nível da clavícula à procura de sopros audíveis. Lembrar que 
o local mais comum de estenose por placa de ateroma é a origem da carótida 
interna, sendo, portanto, o local mais comum de sopro o ponto logo abaixo do 
ângulo da mandíbula.
O volume do pulso carotídeo é tipicamente reduzido na insuficiência car-
díaca e em estenose das válvulas aórtica e mitral. A amplitude deste pulso é 
aumentada em condições que redundam no aumento do débito cardíaco, tais 
como: febre, anemia, hipertireoidismo e fístulas arteriovenosas. O pulso da ca-
rótida comum é o mais indicado também para o diagnóstico da parada cardíaca. 
A artéria carótida comum usualmente não tem ramos e se divide em carótidas 
externa e interna. A carótida externa supre as estruturas da face e couro cabeludo 
e sua continuação pode ser palpada um centímetro à frente do trago da orelha. 
Já a carótida interna só é palpável na fossa amigdaliana, o que exige a aplicação, 
na mucosa da orofaringe, de um spray anestésico.
É importante lembrar que os pulsos, bem como a pressão arterial, devem ser 
pesquisados de ambos os lados do corpo para uma comparação. Em relação aos 
pulsos do membro superior, deve-se palpar o subclávio na fossa supraclavicular (e 
auscultá-lo), axilar no sulco delto-peitoral e no cavo axilar, braquial, radial e ulnar. 
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O Exame dos Pulsos John Cook Lane
Para sentir o pulso axilar, comprimem-se os dedos da mão direita profundamente 
no cavo axilar. O pulso braquial é sentido na borda medial do músculo bíceps, 
comprimindo o vaso contra o úmero. O pulso braquial também pode ser sentido 
na face anterior da dobra do cotovelo, medial ao tendão do bíceps (mesmo local 
onde colocamos o estetoscópio para medir