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Manual de moléstias vasculares

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as pressões arteriais sistólica e diastóli-
ca). O pulso radial, bem superficial, é palpado lateralmente ao tendão do grande 
palmar. O pulso ulnar, mais profundo que o radial, é palpado medialmente ao 
tendão do flexor superficial dos dedos. Se houver dúvida quanto a este pulso, 
faça a manobra de Allen1. Para tal, o pulso radial é palpado pelo polegar do(a) 
examinador(a) que faz um sistema de pinça, comprimindo a artéria fortemente, 
o qual resulta em sua completa oclusão. Antes da compressão da artéria, pede-se 
que o(a) paciente feche a mão com força e, após a compressão, abra-a. Se a artéria 
ulnar estiver ocluída, a palidez da palma da mão permanecerá. Ao liberar a pressão 
sobre a radial, a cor rósea da palma da mão volta imediatamente.
A aorta abdominal inicia-se quando atravessa o diafragma. Ela diminui 
rapidamente de diâmetro ao distribuir sangue aos grandes vasos do abdômen 
(tronco celíaco, mesentérica superior e vasos renais). Ela deve ser auscultada en-
tre o apêndice xifoide e o umbigo. A presença de sopro é mais fácil de se detectar 
quando o(a) paciente expira forçadamente e o estetoscópio é comprimido sobre 
o vaso. Na maioria das vezes, a presença de sopro apenas significa que existe 
turbulência do fluxo sanguíneo causada por placas de arteroma. Não podemos 
nos esquecer de que em um(a) paciente hipertenso(a), principalmente jovem, 
poderá haver um estreitamento da artéria renal e a presença de sopro audível 
sobre a região renal ou abdômen anterior poderá sinalizar a doença.
A importância de palpar a aorta está na procura de um aneurisma. Usando 
as duas mãos, os dedos se aprofundam na linha média do abdômen e, com o(a) 
paciente em expiração forçada, mantendo a aorta entre os dedos, estima-se o 
calibre da artéria. Como regra grosseira, o diâmetro da aorta é igual ao diâmetro 
do polegar do(a) paciente. A presença de um aneurisma é detectada quando o 
seu diâmetro alcança duas vezes o normal. A palpação da aorta deve ser rotina 
no exame físico, principalmente após a idade dos 40 anos.
À altura do umbigo, a aorta se divide em artérias ilíacas comuns e, devido à sua 
localização mais profunda na pélvis, as artérias ilíacas não são sempre palpáveis, prin-
cipalmente no obeso. No entanto, deve-se tentar palpá-las já que, não raramente, 
podem estar aneurismáticas. As artérias ilíacas têm um comprimento de aproximada-
mente cinco centímetros quando se dividem em externas e internas. Os pulsos das ar-
térias ilíacas internas não são palpáveis. Todavia, no sexo masculino, pode-se ter uma 
ideia se pelo menos uma das artérias está pérvia quando o paciente consegue manter 
a função erétil. As duas artérias ilíacas internas são vasos curtos, de cerca de quatro 
centímetros de comprimento, que irrigam a musculatura e as vísceras da pelve.
A artéria ilíaca externa é de calibre maior que a interna e dirige-se inferiormen-
te pela borda interna do músculo psoas. Ao passar por baixo do ligamento inguinal 
(Poupart2), é então denominada artéria femoral comum. O pulso deste vaso pode 
ser palpado equidistante entre a espinha ilíaca ântero-superior e a sínfise púbica.
A artéria poplítea se inicia onde termina a artéria femoral superficial quan-
do esta passa pelo forâmen do músculo grande adutor (conhecido como canal 
de Hunter3). O pulso da poplítea pode ser palpado com o(a) paciente em 
1Edgar Van Nuys Allen, 
1900-1961. Clínico americano.
2François Poupart, 1661-1708. 
Anatomista francês.
3John Hunter, 1728-1793. 
Anatomista e cirurgião escocês.
Moléstias Vasculares 13
O Exame dos Pulsos John Cook Lane
decúbito dorsal, com o joelho um pouco fletido e os dedos das duas mãos, uma de cada lado, pressionando 
o centro do cavo poplíteo. Outra forma de palpar este mesmo pulso é colocando o(a) paciente em decú-
bito ventral com o joelho fletido e a perna apoiada e relaxada sobre o ombro do(a) examinador(a). Não é 
exatamente fácil conseguir que o(a) paciente relaxe enquanto o(a) examinador(a) usa os segundo, terceiro e 
quarto dedos para comprimir o vaso contra o fêmur.
O pulso poplíteo é um dos pulsos mais difíceis de palpar. Não é raro que o(a) examinador(a) sinta o 
seu próprio pulso nas pontas dos dedos. Quando na dúvida, um(a) segundo(a) examinador(a) deve palpar 
o pulso radial do(a) paciente enquanto o(a) primeiro(a) conta em voz alta: “um, dois, três...”. Se as dúvidas 
permanecerem, o(a) primeiro(a) examinador(a) deve exercitar-se, para fazer com que o seu próprio pulso 
acelere e se torne não coincidente com o pulso do(a) paciente.
A artéria poplítea divide-se em tibial anterior e tronco tíbio-fibular, que após alguns centímetros se 
divide em artéria tibial posterior e fibular. A artéria tibial anterior pode ser palpada no terço distal da perna 
na loja tibial anterior. Quando chega ao dorso do pé, a tibial anterior passa a ser chamada de artéria pediosa 
e pode ser palpada lateralmente ao tendão do extensor longo do hálux. O pulso tibial posterior pode ser 
encontrado equidistante entre o maléolo interno e o tendão de Aquiles.
Moléstias Vasculares 15
No laboratório vascular são realizados testes não invasivos essenciais para 
complementação propedêutica do exame clínico, possibilitando ao médico assis-
tente a definição da doença, bem como a sua localização, extensão e gravidade. Os 
testes mais utilizados são os fisiológicos, que incluem a pletismografia, o Doppler 
contínuo e a ultrassonografia dúplex.
Denomina-se pletismografia o procedimento destinado a registrar as varia-
ções de volume de segmentos orgânicos, parâmetros que estão diretamente rela-
cionados ao enchimento vascular produzido pelo ciclo cardíaco. Em linhas gerais, 
o pletismógrafo é constituído por uma unidade sensorial, a qual percebe a varia-
ção do volume do órgão estudado, um transdutor capaz de transformar a variação 
de volume em energia elétrica e um registrador que, recebendo as ondas elétricas, 
mostra de forma gráfica as variações do volume. Há vários tipos de pletismógrafo 
que diferem entre si quanto ao mecanismo que caracteriza a unidade sensorial, a 
saber: pletismógrafo que utiliza bolsas de água ou de ar (pneumopletismógrafo), 
através do uso da reflexão da luz (fotopletismógrafo), através da resistência da 
corrente elétrica em um tubo elástico preenchido com mercúrio (pletismógrafo de 
impedância) e outros. Na prática clínica, os pletismógrafos são mais utilizados em 
pesquisa, para estudos hemodinâmicos da circulação arterial e venosa.
Para a determinação do fluxo sanguíneo, utiliza-se o efeito Doppler4, cujo 
alvo é representado pelas hemácias. Um transdutor é aplicado sobre a pele e emite 
ondas sonoras com frequência conhecida. Quando esta onda bate em um obje-
to em movimento, é refletida com uma variação no comprimento de onda (ou 
inverso da frequência). Se o fluxo segue em direção ao transdutor, a frequência 
refletida pelos eritrócitos é maior que a emitida, e quando segue em direção con-
trária ao transdutor, a frequência é menor. A variação da frequência é diretamente 
proporcional à velocidade de fuga ou aproximação do eritrócito em relação ao 
transdutor.
O Doppler contínuo utiliza dois tipos de cristais no transdutor, um dos quais 
emite continuamente feixes de ondas sonoras e o outro recebe as ondas refletidas 
Laboratório Vascular Sandra Aparecida Ferreira Silveira2
Capítulo
4Johann Christian Andreas 
Doppler, 1803-1853. Físico 
austríaco.
Moléstias Vasculares16
Laboratório Vascular Sandra Aparecida Ferreira Silveira
também de forma contínua, o que impossibilita a determinação da profundidade do vaso (Figura 1). O Doppler 
pulsado utiliza sinal elétrico intermitente e um tipo de cristal que ora emite, ora recebe ondas sonoras, o que permite 
identificar a profundidade do vaso através do