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Manual de moléstias vasculares

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da Angiologia 
e Cirurgia Vascular.
Moléstias Vasculares 131
As meias apresentam como vantagem às ataduras, compressão graduada, sem-
pre maior distal em relação ao proximal, o que favorece o retorno venoso; além 
disso, como apresentam compressões, cores, modelos e texturas diferenciadas facili-
tam a aceitação do doente. É importante ainda ressaltar que a grande maioria dos 
pacientes necessita de compressão apenas até o nível das panturrilhas, sendo assim, 
as meias são suficientes até os joelhos.
Inelástica: Os suportes inelásticos são úteis ao paciente após a cicatrização 
de úlceras e no combate ao edema, não são estéticos e sim eficientes, além disso, 
em pacientes com restrições de movimento que necessitem de auxílio, podem 
ser colocados mais facilmente do que as meias de compressão. Exemplos são: a 
polaina de brim elaborada pelo Prof. Dr. George Carchedi Luccas70, e produtos 
comerciais como o Circaid®.
Tratamento Cirúrgico
O tratamento cirúrgico da HVC ainda não está completamente estabelecido, 
sabe-se que quando o paciente apresenta varizes do sistema superficial com incompe-
tência das veias perfurantes, levando a insuficiência do profundo sem lesão aparente, 
a cirurgia de varizes com a ligadura das perfurantes insuficientes pode ser benéfica; 
quando o doente apresenta qualquer sinal de lesão profunda, a cirurgia precisa ser 
muito mais pensada e nem sempre é realizada. O tratamento cirúrgico em indivíduos 
com insuficiência do sistema venoso profundo é reservado a pacientes graves que não 
tenham apresentado qualquer melhora com o tratamento clínico conservador, são pa-
cientes que têm a pressão venosa muito aumentada quando deambulam, o que acaba 
gerando intensa dor, chamada claudicação venosa. Para que esta restauração seja in-
dicada, além dos sintomas, são necessários estudos fisiológicos para provar que a lesão 
é hemodinamicamente significativa; isto se faz necessário porque a chance de sucesso 
dos procedimentos é pequena, principalmente a longo prazo. Dentre as principais 
técnicas para a correção cirúrgica, temos:
1. Pontes venosas – enxertos veno-venosos que ultrapassem a lesão.
2. Criação de novas válvulas competentes através de valvuloplastias e ou 
transplantes valvulares.
3. Recanalização endovascular e colocação de stents, especialmente no tra-
tamento da trombose da veia ilíaca. A utilização desta técnica tem mostrado, pelo 
menos a médio prazo, redução importante dos sintomas.
Úlcera Venosa
Devido ao fato de ser ela a pior complicação da HVC, vale a pena salientar 
algo a respeito do seu tratamento. Todas as úlceras necessitam de higiene local e, para 
que isso se torne possível, é necessário que algumas orientações sejam seguidas.
Existe uma infinidade de curativos que têm como objetivo a cicatrização 
das úlceras, sendo o mais antigo e, talvez, mais conhecido a Bota de Unna71, 
curativo feito a base de óxido de zinco, glicerina e gelatina, associado a banda-
gens inelásticas (atadura de gaze); desenvolvido no século XIX e útil até os dias 
atuais. É flexível, apesar de inelástico, o que permite ao paciente certa liberdade 
para deambular. Além dela, temos os curativos sintéticos, entre os quais po-
demos citar os hidrocoloides, os bioativos, alginato de cálcio e sódio, carvão 
ativado, sacarose, dentre outros. Nenhum deles é perfeito, mas para que possam 
existir bons resultados, devem ser capazes de isolar a área da úlcera conferindo 
70George Carchedi Luccas, 
1946- . Cirurgião vascular, Pro-
fessor Livre-docente da Disci-
plina de Moléstias Vasculares da 
Faculdade de Ciências Médicas 
da Universidade Estadual de 
Campinas.
71Paul Gerson Unna, 
1850-1929. Dermatologista 
alemão.
Hipertensão Venosa Crônica Carla Aparecida Faccio Bosnardo
Moléstias Vasculares132
um ambiente livre de bactérias e com temperatura controlada, não apresentar partículas tóxicas e que, ao 
ser removido, não retire o tecido de granulação. Outra maneira são os enxertos de pele total e os enxertos 
de células. Têm como vantagem serem feitos do próprio paciente, o que elimina o risco de alergias e rejei-
ções. O ponto fundamental, no entanto, é o reconhecimento de que se não houver o controle do edema, 
não ocorrerá a cicatrização da úlcera. Para tanto, pode-se utilizar enfaixamentos inelásticos como a Bota 
de Unna, polainas de brim como a desenvolvida pelo Prof. Dr. Luccas e outros modelos comerciais, ou 
através de enfaixamentos elásticos. O mais utilizado atualmente é o curativo multicamadas, onde associa-se 
um curativo oclusivo do tipo hidrocoloide, um enfaixamento inelástico e por cima deste um enfaixamento 
elástico com a pressão graduada (ex.: Proguide®).
A úlcera de estase, além de ser a pior complicação da HVC, é uma doença de difícil tratamento porque 
apresenta muitas recidivas, principalmente no caso da insuficiência do sistema venoso profundo. É impor-
tante salientar que o simples fechamento da úlcera não significa a cura da doença, portanto cabe ao médico 
orientar seu paciente a respeito das causas que o levaram a ter a úlcera e dos riscos das recidivas, incentivan-
do-o, principalmente, na prevenção através da fisioterapia, repouso e compressão elástica ou inelástica 
ou cirurgia quando for o caso (o LASER endovenoso é uma boa indicação para o tratamento do refluxo 
superficial nestes pacientes), para que assim possa ter uma qualidade de vida melhor.
Hipertensão Venosa Crônica Carla Aparecida Faccio Bosnardo
Moléstias Vasculares 133
16
Capítulo
Considerações Gerais
O sistema linfático desempenha diversas ações na homeostase tecidual e 
uma disfunção em um determinado segmento corpóreo não só acarreta edema 
localizado, mas também alterações histológicas teciduais com proliferação fibró-
tica, aumento da lipogênese e diminuição da imunidade do local afetado.
O diagnóstico precoce possibilita a implantação de ações terapêuticas que 
retardam a evolução para as formas avançadas, com graves repercussões funcio-
nais e estéticas e que alteram a qualidade de vida dos portadores de linfedema.
Linfedema é uma doença crônica que se manifesta pelo acúmulo de líqui-
do intersticial e alterações teciduais ocasionados por insuficiência da circulação 
linfática. O edema resultante apresenta características próprias que o diferencia 
daqueles decorrentes de outras manifestações clínicas. As estruturas que com-
põem o sistema linfático estão apresentadas na Tabela 1.
Linfedema José Luiz Cataldo
Tabela 1: Estruturas anatômicas que compõem o sistema linfático:
Estrutura de absorção
Linfáticos iniciais
Estruturas de condução
Coletores linfáticos aferentes
Coletores linfáticos eferentes
Troncos linfáticos
Ductos linfáticos
Estruturas de filtração
Linfonodos
Moléstias Vasculares134
A linfa produzida no tecido intersticial é absorvida pelos linfáticos iniciais e 
conduzida aos linfonodos regionais pelos vasos coletores aferentes. Após a filtra-
ção e adição de células imunológicas nos linfonodos, os vasos coletores eferentes 
dirigem a linfa para estruturas de condução mais complexas, como os troncos 
linfáticos e cisterna do quilo. Os ductos linfáticos, compostos pelo ducto torácico 
e ducto linfático direito, conduzem a linfa em direção ao sistema venoso e respec-
tivamente terminam na junção venosa subclávia-axilar esquerda e direita.
O edema do membro pode ocorrer por um defeito no sistema linfático, 
resultando em um edema com as características do linfedema, ou por um ex-
cesso na produção de líquido isoladamente, estando o sistema linfático íntegro. 
Neste último caso as diferentes causas do edema (Tabela 2) constituem o diag-
nóstico diferencial do linfedema e o edema é classificado como uma insufici-
ência dinâmica da drenagem de líquido (o sistema linfático