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Manual de moléstias vasculares

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peritonites, doença inflamatória do cólon)
Cirrose, esplenomegalia, pós-esclereoterapia de varizes esofágicas
Pós-trauma abdominal ou cirurgia abdominal
O quadro clínico, os achados de exame físico e exames complementares são os mesmos da trombose 
arterial. Em geral a clínica é menos acentuada e a ocorrência de sinais de sangramento digestivo é mais fre-
quente. Nos casos de trombose venosa, o melhor exame é a tomografia, pois pode demonstrar a obstrução 
dos vasos venosos. O tratamento, quando não há necrose de alças, consiste na anticoagulação sistêmica, 
podendo-se realizar trombólise em casos selecionados. Quando ocorre a necrose de alças, a mortalidade é 
muito alta e o tratamento consiste na ressecção das alças afetadas e anticoagulação em seguida.
5. A colite isquêmica é na maioria das vezes de causa iatrogênica, pela ligadura dos vasos nutridores do cólon 
em cirurgias de ressecção tumoral, ou na correção de aneurismas de aorta onde é ligada a artéria mesentérica inferior 
em conjunto com os vasos hipogástricos. Pode ocorrer por embolia ou trombose arterial em pacientes com a circula-
ção colateral já comprometida pela aterosclerose. O quadro clínico, nos casos menos graves, consiste de alteração do 
hábito intestinal, com diarreia e perda de muco e sangue. Podem evoluir com a cura espontânea ou apresentar este-
nose do segmento acometido. Nos casos mais graves, ocorre a perfuração do intestino levando a peritonite e sepse.
O diagnóstico é realizado pela cólonoscopia quando a suspeita é inicial, e confirmado pela laparotomia se 
já houver quadro de irritação peritonial. O paciente operado precocemente pode apresentar boa evolução.
Isquemia Visceral Ana Terezinha Guillaumon, Eduardo Faccini Rocha e Fábio Hüsemann Menezes
Moléstias Vasculares 147
18 Malformações Vasculares José Luiz Cataldo
Considerações Gerais
As angiodisplasias são consideradas anomalias do tecido que forma os sis-
temas vascular sanguíneo e linfático, particularmente a célula endotelial.
Com grande frequência são manchas presentes desde o nascimento e al-
gumas, que formam o grupo das angiodisplasias com proliferação das células 
endoteliais, podem ter involução espontânea, que ocorre durante a infância. 
Aquelas que não apresentam proliferação celular são chamadas malformações 
vasculares. Estas podem ser capilares, arteriais, venosas, linfáticas e também uma 
associação desses elementos.
Baseado na cinética das células endoteliais pode-se subdividir as angiodis-
plasias em dois subgrupos:
Presença de proliferação celular – hemangiomas fragiformes e tuberosos.
Ausência de proliferação celular – hemangiomas planos, cavernosos e lin-
fangiomas.
Utilizamos a classificação de Curado81 baseada em aspectos clínicos, as-
pectos histopatológicos, lesões com comportamento semelhante e orientação da 
abordagem terapêutica:
1. Hemangiomas
• Hemangiomas planos
- Superficiais
- Profundos
• Hemangiomas tumorais
- Fragiformes
- Tuberosos
- Cavernosos
2. Linfangiomas
3. Síndromes hemangiomatosas
81José Hermílio Curado, 
cirurgião plástico, diretor do 
Departamento de Cirurgia Re-
paradora do Hospital do Câncer 
AC Camargo, São Paulo. Propôs 
uma simplificação da classificação 
das angiodisplasias em 1992.
Capítulo
Moléstias Vasculares148
1 – Hemangiomas
Hemangioma plano
Aspecto clínico
Mancha tipo “Vinho do Porto”, delimitadas e contornos irregulares.
Importante comprometimento estético.
Hemangiomas planos superficiais – coloração mais clara.
Hemangiomas planos profundos – coloração mais escura.
Localização
Pele e mucosas
Segmento cefálico (mais frequente), tronco, períneo e membros.
Diagnóstico
Clínico.
Evolução
Presentes desde o nascimento.
Nunca regridem.
Hipertrofia dos tecidos e desenvolvimento de nodulações.
Característica histológica:
Comprometimento dos capilares da derme.
Não há proliferação das células endoteliais.
Ciclo celular normal.
Tratamento
Fotocoagulação com laser de luz amarela/verde.
Hemangiomas tumorais
São tumores vasculares que apresentam volume, com proliferação de células endoteliais, mediada por 
fatores que estimulam a angiogênese.
São os hemangiomas fragiformes e tuberosos
Aspecto clínico
São os tumores mais comuns da infância.
Mais frequentes no sexo feminino (3:1).
Mancha vermelha e única na maioria dos casos.
Fragiformes – Até 5 cm de diâmetro.
Tuberosos – Atingem grande extensão e sangram com frequência.
Localização
Pele, tecido subcutâneo, mucosas, músculos, glândula parótida, cavidade
orbitária e vísceras como o fígado.
Fragiformes – 80% no segmento cefálico.
Tuberosos – Face, tronco e membros.
Malformações Vasculares José Luiz Cataldo
Moléstias Vasculares 149
Evolução
A maioria apresenta involução espontânea a partir do segundo ano de vida.
Podem apresentar ulcerações com hemorragias.
Complicações como obstrução de vias respiratórias e cavidade oral.
Plaquetopenia de consumo e outras coagulopatias (Síndrome de Kasabach-
Merritt82).
Característica histológica
Hiperplasia de células endoteliais.
Massas tumorais de células endoteliais.
Substituição por tecido fibrogorduroso na involução.
Diagnóstico
Clínico.
Exames complementares.
Ultrassonografia dúplex, tomografia e ressonância magnética para avaliação 
das estruturas profundas e órgãos.
Tratamento
Conduta expectante em 85% dos casos.
15% necessitam tratamento precoce com cirurgia, corticoterapia ou 
α-interferon.
Hemangiomas cavernosos
Aspecto clínico
Detectados na infância.
Trajetos venosos ectasiados formando lagos.
Na fase inicial têm aspecto de manchas arroxeadas.
Dimensões variadas.
Expansão da lesão à manobra de Valsalva83, choro e exercícios físicos.
Lesões extensas nos membros podem causar hipertrofia ou hipotrofia.
Localização
Pele, tecido subcutâneo, mucosas e estruturas profundas, como músculos,
ossos e vísceras.
Diagnóstico
Clínico nas lesões superficiais.
Depressíveis à pressão digital.
Exames complementares
Rx simples - presença de flebolitos.
Ultrassonografia dúplex, tomografia, ressonância magnética e cintilografia 
com hemácias marcadas.
82Haig Haigouni Kasabach, 
1898-1943. Pediatra americano. 
Katharine Krom Merritt, 
1886-1986. Pediatra americana.
83Antonio Maria Valsalva, 
1666-1723. Anatomista 
italiano. Descreveu a manobra 
de Valsalva para a insuflação do 
ouvido médio.
Malformações Vasculares José Luiz Cataldo
Moléstias Vasculares150
Característica histológica
Defeito na morfogênese do tecido vascular sanguíneo.
Tratamento
Compressão com malhas elásticas como medida paliativa.
Escleroterapia com álcool absoluto ou mais recentemente com espuma à 
base de polidocanol e gás carbônico, embolização e cirurgia.
2 - Linfangiomas
São tumores formados por alterações do tecido linfático.
Aspecto clínico
Formados por cistos pequenos ou grandes, únicos ou múltiplos.
Lesões superficiais ou profundas.
Nas lesões superficiais as vesículas são translúcidas.
Ferimentos causam perda de linfa.
Localização
Segmento cefálico, tronco, abdômen, retroperitônio e extremidades.
Os de localização cefálica são denominados higroma cístico.
Evolução
Presentes desde o nascimento ou surgem nos primeiros meses de vida.
A linfangite é a complicação mais frequente.
Metade das lesões podem ter involução espontânea após os cinco anos de 
idade.
Diagnóstico
Clínico nas lesões superficiais.
Exames complementares
Ecografia, tomografia e ressonância magnética.
Tratamento
Inicialmente expectante.
Cirúrgico e escleroterapia em casos selecionados.
Antibioticoterapia nas linfangites.
3 - Síndromes hemangiomatosas
Englobam principalmente a síndrome de Klippel-Trénaunay84 e Klippel-
Trénaunay-Weber85