Aula Nº 02  Matéria N3  Vias Biliares
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Aula Nº 02 Matéria N3 Vias Biliares


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de inflamação ao redor da vesícula 
\u2192Pode revelar alterações anatômicas com fístulas e mal-formações. 
Tratamento: 
Tipo I: somente a colecistectomia 
Tipo II: sutura da fístula ou coledocoplastia 
Tipo III: coledocoplastia 
Tipo IV: colecistectomia + derivação biliodigestica 
 
Colangite esclerosante primária 
É uma estenose fibrótica das vias biliares intra e extra-hepáticas sem nenhuma causa reconhecida. Se houver 
uma estenose devido a colangite aguda, coledocolitíase, trauma cirúrgico é considerado como colangite esclerosante 
secundária. Apresenta curso variável, podendo ser assintomática ou evoluir com cirrose e insuficiência hepática. A 
associação mais comum é com retocolite ulcerativa (RCU). Uma das manifestações extra-intestinas das doenças 
inflamatória é a colangite esclerosante primária. A presença de RCU em pacientes com colangite esclerosante varia de 
60-72%. É um fator de risco para colangiocarcinoma, por isso que pacientes que têm doença de Crohn ou RCU, 
devem ser rastreados para colangite esclerosante primária. 10-15% dos pacientes submetidos a transplante hepático 
possuem colangiocarcinoma não suspeito. 
Quadro Clínico: 
 Mais comum em homens, entre 40-45 anos. Não há um quadro clínico específico, havendo sinais e sintomas 
de colestase, entrando no diagnóstico diferencial de icterícia, ou com teste de função hepática anomais. Sintomas de 
colangite são raros, mas quando presente pode-se apresentar com sinais e sintomas de cirrose e hipertensão portal. 
Então, para se fazer o diagnóstico é muito difícil. A sobrevida a partir do diagnóstico é baixa, entre 10-12 anos. 
Diagnóstico: 
 CPRE evidencia-se estenose difusa envolvendo as vias biliares intra e extra-hepáticas. 
Tratamento: 
\u2192O tratamento clínico não tem bons resultados. 
\u2192 Ursacol: Não tem bom resultados. 
 
FIGURA- Tipos de tratamento 
Clínica Cirúrgica- Drª Viviane Tiemi Kenmoti 
 
Mayra Parente 
 
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-- diminui o nível de bilirrubina e transaminases; 
--não evita a progressão; 
--não melhora os sintomas; 
\u2192 Dilatação das estenoses: com a CPRE 
--também não tem bons resultados, indicado só se o paciente não for candidato ao tratamento cirúrgico. 
--melhora no sintoma e nos níveis de BT, mas por curto período de tempo 
--Paciente sintomático com icterícia persistente são candidatos a tratamento cirúrgico. 
\u2192Tratamento cirúrgico: 
-- Ressecção de vias biliares extra-hepáticas e fazer uma hepaticojejunoanastomose bilateral ** 
--Resultado razoável em curto prazo para paciente com estenose extra-hepática ou na bifurcação. 
--Só pode ser feita em paciente sem fibrose hepática significativa ou cirrose 
--Indicação de cirurgia se não conseguiu excluir colangiocarcinoma. 
\u2192Tratamento hepático: Excelente resultado em paciente com doença hepática avançada (insuficiência hepática). 
Pois, não é uma neoplasia, é uma doença benigna. 
 Cisto de Colédoco: 
Raras dilatações congênitas das vias biliares extra e intra-hepáticas. Surge na infância. Mais comumente 
diagnostica no adulto. E, mais comum em mulheres. A etiologia é desconhecida. Existe a teoria de que seja uma 
incapacidade da canalização da árvore biliar durante desenvolvimento fetal, resultando em obstrução e dilatação do 
colédoco. Junção anômala dos ductos biliares e pancreáticos tem sido relatada em 90-100% dos casos. 
1. Dilatação fusiforme do hepático comum e colédoco, com 
o canal cístico penetrando o cisto ( colédoco distal poderá estar 
estenosado); 
2. Dilatação cística sacular lateral; 
3. Coledocele representada por um cisto intra-duodenal; 
4. Dilatação ductal-extra e intra-hepática; 
5. Dilatação cística intra-hepática: doença de Caroti; 
Quadro clínico: 
Tríade clássica: dor + icterícia + massa abdominal palpável, po- 
rém só ocorre em 10% . Adulto, dor e icterícia são os mais comuns. 
Colangite, pancreatite, náusea e massa abdominal palpável podem ocorrer. 
Diagnóstico: Pode ser feito por USG e TC. E a colangiografia ( CPRE/transhepatica/RNM) é necessário para o 
planejamento cirúrgico. 
Tratamento Cirúrgico tipo I e II: 
\u2192 Colecistectomia + ressecção completa e hepatojejunostomia em Y de Roux. Então, tem que se tirar a vesícula e a 
região que está a dilatação, e depois se faz a anastomose com o intestino delgado. 
\u2192 Não se faz mais a derivação do cisto para o ID pelo risco de colangite e colangiocarcinoma dentro do cisto. 
\u2192 Colangiocarcinoma não é comum em crianças, mas pode acometer até 30% dos adultos, por isso a necessidade de 
retirada do cisto. 
Tratamento Cirúrgico tipo III e IV: 
\u2192Cisto tipo 3: controverso. Excisão com escfincteroplastia. 
\u2192Cisto tipo 4: excisão total ou hepatectomia parcial. 
--Excisão dos cistos extra-hepático isoladamente, com acompanhamento a longo prazo. 
--Cistos intra-hepáticos confinados a um lado: lobectomia 
 
FIGURA- Classificação (Alonzo-Lej) 
*Cai em prova!!! 
Clínica Cirúrgica- Drª Viviane Tiemi Kenmoti 
 
Mayra Parente 
 
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Melhor tratamento é a exerese do cisto com anastomose biliodigestiva. Pois, os cistos são fatores de risco para 
neoplasia. # Prova 
Colangiocarcinoma 
São raros. A grande maioria está localizado na bifurcação dos ductos (60-80%). Dificilmente, irá aparecer no 
colédoco distal e intra-hepático, mas entra no diagnóstico diferencial das icterícias obstrutivas. A maioria se apresenta 
com icterícia. Quando possível a cirurgia, a sobrevida a longo prazo é boa. Aumenta o risco com a idade, sendo mais 
comum acima dos 60 anos de idade, em homens em 60% dos casos. 
Fatores de risco: 
1. Colangite esclerosante primária 
2. Cisto de colédoco * por isso, não pode deixar o cisto e fazer uma simples derivação. 
3. Hepatolitiase 
4. Anastomose biliodigestiva 
5. Parasitas hepáticos 
6. Exposição a dioxina 
7. Nitrosaminas dietéticas 
8. Hepatite crônica 
Classificação anatômica: 
 Os mais comuns são os perihilar (67%), na confluência com os ductos hepáticos direito e esquerdo, que são 
chamados de Tumor de Klatskin. Intra-hepático (5%) e distal (27%). 
Quadro clínico: 
90% dos pacientes apresentam tumores hilares ou distais. Então, se estiverem fora do fígado geralmente vão 
se apresentar com icterícia, entrando no diagnóstico diferencia de icterícia. O problema é quando estão dentro do 
fígado, pois raramente irão se apresentar com icterícia. Além, disso apresentam prurido (66%), febre (20%), dor 
abdominal (30-50%), anorexia, perda ponderal (30 a 50%). 
Exame Físico: Icterícia, hepatomegalia (25 a 40%) e massa em quadrante superior direito (10%). 
*Mas, pode ser neoplasia de vesícula, colangiocarcinoma ou metástase hepática. O que irá fazer o diagnóstico é o 
exame de imagem. 
Exames Laboratoriais: 
Colangiocarcinoma distal: 
\uf0b7 Bilirrubinas totais maiores que 10 
\uf0b7 Aumento da fosfatase alcalina e gama-GT 
\uf0b7 85% dos casos têm elevação do CA-19-9 * Não é especifico por que a elevação CA-19-9 há no Ca de 
pâncreas; 
\uf0b7 30% dos casos têm elevação do CEA 
\uf0b7 40-50% dos casos tem elevação do CA-125 
\uf0b7 Podem ter vesícula de courvoisier terrier se forem neoplasias distais. Se forem tumores lá da placa hilar irá ter 
vesícula de courvoisier terrier? Não. Quem tem vesícula de courvoisier terrier são pacientes que tem obstrução 
distal. 
 Exames de Imagem: 
\uf0b7 Exames iniciais: USG e TC de abdômen 
\uf0b7 Colangiocarcinoma intra-hepáticos são mais facilmente visualizados pela TC 
\uf0b7 Os tumores perihilares e distais são difíceis de ver pela USG e TC. No colangiocarcinoma hilar vai ser visto 
alterações inespecíficas indiretas: 
\uf0fc Dilatação de vias biliares intra-hepáticas; 
\uf0fc Vesícula biliar colabada ou normal; 
\uf0fc Vias biliares hepáticas sem alterações; 
Clínica Cirúrgica- Drª Viviane Tiemi Kenmoti 
 
Mayra Parente 
 
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Diagnóstico diferencial: 
\uf0a7 Câncer de vesícula