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Apostila de Clínica Cirúrgica

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intra-abdominal. 
Apendicite não perfurada: infecção de pele <5%, abscesso intra-abdominal <1%. 
Tratamento do abscesso intra-abdominal: 
- Drenagem percutânea e antibiótico; 
DRª VIVIANE TIEMI KENMOTI Clínica Cirúrgica 
 
Autora: Mayra Parente 
 Medicina 2015/1 Página 32 
 
- Se piora clínica com antibiótico, indicar LE. 
*infecção de ferida operatória. 
2) Obstrução intestinal 
Maioria nos 6 primeiros meses pós operatório (1-1.3%). 
3) Infertilidade 
Incidência de infertilidade tubária em mulheres é desconhecida; 
Incidência maior em apendicite perfurada. 
4) Fistulas 
Maioria fecha espontaneamente. 
 
APENDICITE CRÔNICA OU RECORRENTE (não sabe se existe) 
 Surtos de dor em fossa ilíaca direita, recorrentes sem sinais de irritação peritoneal; 
 Controverso; 
 Critérios de cólica apendicular 1/3: 
3 ou mais episódios de dor recorrente em fossa ilíaca direita há mais de um mês; 
Dor localizada em fossa ilíaca direita, sem sinais de peritonite ou inflamação; 
Achados de exame contrastado: preenchimento irregular da luz, não preenchimento ou preenchimento parcial, não esvaziamento 
após 72 horas. 
 
DOENÇAS ORIFICIAIS 
Anatomia: 
 Reto: 
 Reto: mede aproximadamente de 12-15cm; 
 O reto começa em nível de S3 até linha pectínea; 
 Não é um órgão revestido totalmente por peritônio, revestido pelo peritônio apenas anterior e lateral nos 2cm iniciais. Por 
esse motivo, não é um órgão móvel. Ele é um órgão totalmente retroperitoneal. 
 Canal Anal: 
 De dentro para fora, o canal anal é formado de: Mucosa>> submucosa (onde se localiza os vasos)>> Músculo 
interno/Esfíncter interno do anus (que vem lá da musculatura circular do reto)>> Musculatura do esfíncter externo do anus, 
que se juta mais em cima com os músculos elevadores do anus. 
Obs.>> Não temos a musculatura circular e nem a longitudinal. 
Linha Pectínea: divide anatomicamente em reto e canal anal. Ou seja, anatomicamente consideramos o canal anal até a linha 
pectínea. Mas, cirurgicamente, o canal anal é um pouco maior, indo até os elevadores do ânus. Com isso, ganhamos uns 
centímetros a mais de canal anal, quando se vai fazer a cirurgia de reto por exemplo. 
Esfíncter interno: é responsável pela sua continência agora. Então, se você não está tendo perda de flatus ou de fezes é porque o 
seu esfíncter interno está contraído. Então, ele é de contração involuntária. 
Obs.>>Agora quando você está com diarréia, que irá segurar é o esfíncter externo. 
Esfíncter externo: é de contração voluntária. Mas, ele tem um limite. Você não consegue contrair ele 30 segundos seguidos. Tanto 
é, que quando você tem diarréia, você não consegue segurar por muito tempo e acaba fazendo na calça. 
 QUAIS AS PRINCIPAIS QUEIXAS PROCTOLÓGICAS? 
 - Sangue, dor, nodulação, “pelezinha”, prurido, incontinência e secreção (não muito comum) 
 QUAIS PRINCIPAIS PATOLOGIAS PROCTOLÓGICAS? 
1) Hemorróidas internas; 
2) Hemorróidas externas; 
3) Plicoma; 
4) Fissura anal; 
5) Abscesso anoretal; 
6) Fístula anorretal; 
7) Fistula pilonidal; 
8) Tumores de canal anal e reto baixo; 
9) Condiloma. 
Atenção!!! Todo paciente que vai para uma avaliação hemorroidária, temos que ter algumas coisas em mente: 
DRª VIVIANE TIEMI KENMOTI Clínica Cirúrgica 
 
Autora: Mayra Parente 
 Medicina 2015/1 Página 33 
 
*Primeiro, você tem que examinar o Paciente!! 
1. Pesquisar sinais e sintomas de doença neoplásica; 
2. Realizar o toque retal. (Sempre realizar, exceto em alguns casos) 
 Sinais e sintomas de alarme em pacientes com queixa proctológicas: 
1) Perda ponderal; * Apesar de pacientes com tumores de cólon não serem paciente consumidos. “Se o paciente é 
gordinho, ele irá continuar gordinho”. Muito difícil o paciente ter um emagrecimento como pacientes com câncer de 
esôfago e estômago. 
2) Dor abdominal de início recente; * O paciente vinha bem, no entanto, há 6 meses começou com uma dor 
abdominal que o incomoda. 
3) Alterações do hábito intestinal; * O intestino do senhor mudou? Ficou mais preso ou mais solto? Está indo mais 
vezes ao banheiro ou menos? Suas fezes estão finas? 
4) Sangramento anal. 
 Outros 2 fatores de risco para câncer de cólon retal que devem ser avaliados: 
1) Idade: acima de 50 anos; * É um fator de risco isolado para câncer de colon retal. 
2) História familiar. 
 SITUAÇÃO 1: “CAROÇO NO ÂNUS” 
 Quando apareceu? 
 Em crises (vai e volta)? Ou constante? 
 Evolução: Desde que começou melhorou? Ou Piorou? 
 Aparece com a evacuação? Ou não tem nada a ver com a evacuação? 
 Se for durante a evacuação, a redução é espontânea ou manual? 
Além disso, sobre o “Caroço”, tem: 
 Sintomas associados 
1) Dor local? 
2) Sangramento? 
3) Prurido? 
4) Secreção? 
 Quais hipóteses diagnósticas para caroço no ânus? 
1) Doença Hemorroidária interna; 
2) Hemorróida externa simples trombosada; 
3) Abscesso perianal; 
4) Condiloma; 
5) Plicomas; 
6) Tumores; 
7) Procidência retal. 
 Como que é o caroço da doença hemorroidária interna? 
Nodulação ao esforço evacuatório associado a sangramento, indolor: Quando o paciente faz esforço evacuatório a hemorroida se 
exterioriza, associada a sangramento, no entanto é indolor. 
 Como que é o caroço da doença hemorroidária externa trombosada? 
Nodulação constante, com crescimento progressivo associado a dor intensa: O caroço é constate. Por exemplo, o caroço aparece 
há cinco dias e ainda está lá. E dói muito. Quando chegar um paciente andado todo torto e que não consegue nem sentar, você 
levantará 2 hipótese: hemorroida externa trombosada ou abscesso perianal. 
 Hemorroida externa simples (HES): 
Episódios intermitentes de nodulação devido ao edema. Na verdade, a HES não é um caroço. O que acontece, é que quando o 
paciente evacua a hemorroida incha, parecendo um caroço, mas que na verdade quando ele coloca o “caroço” para dentro ele está 
esvaziando a hemorroida. Ou seja, a hemorroida não sai, e sim incha e quando ele está colocando a para dentro na verdade está 
esvaziando-a. 
Obs.>> Na hemorroida externa simples o paciente não apresenta uma dor intensa, a não ser que ela esteja trombosada. Na HES, o 
paciente apresenta um incomodo quando vai evacuar. 
 Abscesso perianal: 
Abaulamento constante, dor pulsátil e pode estar associado à febre. 
 SITUAÇÃO 2: “SANGRAMENTO” 
DRª VIVIANE TIEMI KENMOTI Clínica Cirúrgica 
 
Autora: Mayra Parente 
 Medicina 2015/1 Página 34 
 
 Características do sangramento: 
1) Sangramento vivo? 
2) Coágulos? 
3) Melena? 
4) Raias de sangue? 
5) Pinga no vaso? Ou 
6) Visto no papel higiênico 
Lembrar que é um Sinal de alarme!!! 
 Neste caso pesquisar sinais e sintomas de alarme, se tem história familiar e idade > 50 anos. 
 Sintomas associados ao sangramento: 
 Associado a evacuação: Esse sangramento é só quando evacua? 
 Sem a presença de fezes: Mesmo sem evacuar está sangrando? 
 Dor: Tem dor quando sangra? 
 Diarréia: Tem diarréia quando sangra? * Geralmente, quando tem diarréia, o paciente vem pela diarréia e não pelo 
sangramento. 
 Hipóteses diagnósticas para sangramento: 
 Hemorróida interna; 
 Pólipo retal; * Muito comum em crianças. Crianças que apresentam sangramento, principalmente vivo, a primeira 
hipótese que devemos pesar é em pólipos. Criança dificilmente terá hemorróidas. Criança que tem sangramento é 
pólipo ou fissura. 
 Tumor de canal anal; 
 Tumor de reto; 
 Fissura anal; 
 Doença inflamatória intestinal; * Geralmente é diarreia com sangramento, não é sangramento vivo. 
 Doença diverticular com sangramento; * É um sangramento diferente. Normalmente, o paciente chega ao OS em 
choque, pois sangra muito. É um paciente que tem coágulo, um sangramento volumoso mesmo. 
 Angiodisplasia; * veremos em hemorragias digestivas baixas. É um sangramento também volumoso. 
 Tumor de ceco.