A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
195 pág.
Apostila de Clínica Cirúrgica

Pré-visualização | Página 22 de 50

Não significa que 
ele está obstruído, e sim que está em íleo paralítico secundário a uma inflamação generalizada. O íleo paralítico é uma reação á 
algo que não está bem dentro do organismo. Exemplo: Paciente chega com abdômen distendido e apresentando um quadro 
clássico de apendicite, ele não está obstruído, e sim fazendo um íleo paralítico, provavelmente o paciente esteja em peritonite 
difusa. Ou seja, íleo paralítico não é só de pós-operatório. Exemplo 2: Paciente sofre um trauma e começa a distender, ele está 
obstruído? Não. Ele está fazendo um íleo paralítico secundário a presença de sangue na cavidade abdominal. Sangue em cavidade 
não é um bom irritante, mas ele paralisa. 
Caso: Paciente está em pós-operatório de uma cirurgia que durou 8 horas, você chega e acha que o paciente está em uma oligúria. 
Vale ressaltar, paciente fez cirurgia às 19hs no dia seguinte 7 horas não tem uma gota de urina, isso é oligúria? Não, isso é anúria. 
Alguma coisa está errada. É diferente essa situação. Esperamos que o paciente tenha 30ml/h de diurese, tem que ter pelo menos 
0,5ml/kg, exemplo, paciente com 70kg deve ter 35ml/h de diurese. Mas, você fez o cálculo e acho 20ml/h, este paciente está? 
a) Entrou em insuficiência renal? 
b) A sonda está fechada? 
c) Está desidratado? 
O paciente está com um suporte de hidratação adequada (2500ml, exemplo) e não está com uma diurese boa, está em insuficiência 
renal? Não. Pode estar em uma resposta endócrino metabólica ao trauma. Qual diagnóstico diferencial? Desidratação e 
insuficiência renal. Tudo isso, menciono para você ampliar o raciocínio clínico de vocês. 
Laboratoriais: * não precisa saber 
 ↑ Ht 
 Hiperglicemia 
 Proteína C reativa 
 ↑ excreção urinária de N2 
 Alcalose mista 
 Como podemos Modificar da resposta inflamatória? 
 Videolaparoscopia: tem menor intensidade da Remit (↓ citocinas) * Pois a incisão é menor. Por isso, que o paciente tem 
uma recuperação mais rápida, pois a Remit é menor. 
 Peridural: bloqueio das vias aferentes 
o ↓ cortisol, aldosterona 
o ↓ lipólise 
Controle da dor: Sempre temos que controlar a dor do paciente. Dar analgesia ao paciente. 
 Estimula a fase catabólica; 
Controle da volemia 
Jejum: 
 Máximo 3-4 dias 
 O que aumentam a taxa metabólica? 
o Trauma ortopédico: 10-30% do metabolismo 
DRª VIVIANE TIEMI KENMOTI Clínica Cirúrgica 
 
Autora: Mayra Parente 
 Medicina 2015/1 Página 53 
 
o Sepse: 30-60% do metabolismo 
o Grande queimado: 100% do metabolismo * Cuidado com o grande queimado, pois entra numa fase catabólica 
muito rápida. 
 No jejum a proteólise menos intensa que no trauma (cirurgia). 
 Jejum > 5 dias: diminui a proteólise 
o ↑ glucagon: ácidos graxos liberados são oxidados no fígado e gera corpos cetônicos que são utilizados por tecidos 
que antes utilizavam a glicose (SNC); 
o Inicia após 2 dias de jejum; 
o Para evitar a proteólise (catabolismo) é necessário 400Kcal/dia; 
o Administração de 100 gramas de glicose (400 kcal) – 2000 ml de Sg 5% ao dia impede a formação de corpos 
cetônicos; 
Obs.>>Por isso, que o paciente de jejum não é para você ficar dando só soro fisiológico, Ringer lactato, porque não estar dando 
para o paciente a fonte energética dele e começa a gerar corpos cetônicos. 
FASE ANABÓLICA: 
Depois que tudo se resolveu, por exemplo, paciente estava com sepse, e foi resolvido, agora começa a fase anabólica. É uma fase 
de restauração, de alivio. 
 Começa a ↓ cortisol 
 Apetite volta 
 Diurese volta 
 Síntese protéica 
 Balanço nitrogenado positivo (ou seja, o indivíduo não está consumindo muita proteína) 
 Ganho de peso 
1- Fase anabólica precoce 
 ↓ excreção de N2, ADH (diurese) 
 Ação da IGF1 * Hormônio que faz a parte do GH 
 ↓ TNF alfa- volta do apetite 
 ↑ síntese proteica e ganho de peso. 
 
2- Fase anabólica tardia * Pode durar de meses a anos. 
 Ganho ponderal mais lento as custas do tecido adiposo 
REVISANDO CONCEITOS 2 
 
1) Qual das seguintes condições NÃO está associada a fistula perianal? 
a) Trauma; 
b) Infecção criptoglandular; 
c) Fissura anal; 
d) Trombose hemorroidária; 
e) Doença de Crohn. 
Comentários: a teoria da fistula perianal é de um abscesso causado por alguma infecção. Quando tem uma 
fistula que é muito complexa, p.ex. cinco orifícios externos, o ânus está todo destruído pensamos em doença de 
Crohn. A fissura quando ela cicatriza, ela pode cicatrizar só a pele e não cicatriza a parte de fora e se torna uma 
fistula superficial. A trombose hemorroidária não vai levar ao quadro de fistula, o trauma sim, o paciente pode 
ter um trauma na região e acontecer de cicatrizar só por cima (se for um trauma do bumbum até a região 
perianal, pode formar uma fistula). 
 
2) A doença hemorroidária baseado no plexo hemorroidário acometido pode ser classificada em interna, mista e 
externa. Quando os sintomas são decorrentes de dilatações vasculares localizadas acima da linha pectínea, no plexo 
hemorroidário superior, são denominadas hemorroidas internas. Quando apresentam prolapso durante o esforço 
evacuatório, com ou sem sangramento, mas requerem redução manual, são classificadas como: 
a) Hemorróidas de 1° grau; 
b) Hemorróidas de 2° grau; 
c) Hemorróidas de 3° grau; 
DRª VIVIANE TIEMI KENMOTI Clínica Cirúrgica 
 
Autora: Mayra Parente 
 Medicina 2015/1 Página 54 
 
d) Hemorróidas de 4° grau; 
e) Hemorróidas mistas. 
Comentários: o grau 1 só tem sangramento, a 4 se expõe por completo, temos então a 2 ou a 3. A 2 sai e volta 
espontâneo, e a 3 sai mas não volta espontâneo. 
 
3) Das alternativas abaixo, assinale qual o melhor tratamento para um paciente que apresenta hemorroidas grau II. 
a) Hemorroidectomia a Milligan e Morgan; 
b) Crioterapia; 
c) Injeção esclerosante; 
d) Ligadura elástica; 
e) Tratamento clínico. 
Comentários: o tratamento clínico será realizado em todos os graus de hemorroidas, o grau 4 tem indicação de 
cirurgia absoluta, o grau 1 não necessita desses tratamentos acima só utiliza a medida dietética, o melhor 
método para tratar o grau 2 é a ligadura elástica possui melhor resultado em termos ambulatoriais. 
 
4) A regra de Goodsall é importante para determinar o local do (a): 
a) Orifício externo de fistula perianal; 
b) Fissura anal; 
c) Orifício interno de fistula perianal; 
d) Secção do esfíncter anal interno; 
e) Secção do esfíncter anal externo. 
 
5) A pomada de diltiazem a 2% pode ser usada na seguinte condição clínica: 
a) Abscesso perianal; 
b) Hemorróidas de segundo grau; 
c) Hemorróidas de terceiro grau; 
d) Fissura anal crônica; 
e) Fistula anal. 
Comentários: o tratamento do abscesso perianal é cirúrgico, das hemorroidas de segundo grau é a ligadura 
elástica, da hemorroida de terceiro grau pode ser ligadura, mas vai precisar de cirurgia. O diltiazem possui qual 
propriedade farmacológica, bloqueador do canal de cálcio, vai fazer um relaxamento no esfíncter anal, a fissura 
que precisa de relaxamento, pois o ânus esta contraído. 
 
6) Em relação ao tratamento cirúrgico das hemorroidas, podemos afirmar: 
a) A técnica Milligan e Morgan (1937) é a menos utilizada pelos cirurgiões; 
b) Na técnica aberta, é importante a dissecção e a ligadura dos três mamilos hemorroidários, acompanhando 
sua disposição anatômica e preservando pontes cutâneo-mucosas, manterão a sensibilidade e a 
elasticidade do canal anal; 
c) A técnica fechada (Ferguson, 1959) é a melhor, devido à cicatrização mais rápida e à ausência de dor (todos os 
procedimentos nessa região são dolorosos); 
d) A técnica semifechada propicia baixa morbidade, rapidez na cicatrização e uso de bisturi diatérmico (elétrico); 
e) A utilização do grampeamento permite a excisão de uma faixa transversal de mucosa, acima da linha pectínea, 
podendo ser indicada na trombose hemorroidária. 
 
7) Em relação à doença hemorroidária,