Análise do filme À Espera de um Milagre
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Análise do filme À Espera de um Milagre


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Instituto de Ciências Humanas, Comunicação e Artes \u2013 ICHCA
Curso de Comunicação Social \u2013 COS
Disciplina: Filosofia Contemporânea \u2013 Diurno
Professor: Virgínio Martins Gouveia
Discentes: Cicera Amanda, Cristiane Augusto e Dayana Fernandes
Análise do filme \u2018\u2019À Espera de um Milagre\u2019\u2019 com aspectos do pensamento de Kant
 
Trabalho de análise para obtenção da primeira nota na disciplina de Filosofia Contemporânea, sob a orientação do Professor Virgínio Gouveia. 
Maceió
 2016
Introdução
 Nós escolhemos o filme \u2018\u2019À Espera de um Milagre\u2019\u2019 porque notamos que o mesmo tem muita relação com alguns aspectos da filosofia de Kant, bem como o dever, o imperativo categórico e a boa vontade. O dever é o fundamento da filosofia moral de Kant, o imperativo categórico diz que devemos fazer aos outros aquilo que queremos que eles façam a nós, e a boa vontade é elogiada por Kant como aquilo de melhor que existe no mundo.
Análise
 A história se passa no ano de 1935, no corredor da morte de uma prisão sulista. Paul Edgecomb (Tom Hanks) é o chefe de guarda da prisão, que tem John Coffey (Michael Clarke Duncan) como um de seus prisioneiros. À medida que o tempo vai passando, desenvolve-se entre eles uma relação de amizade, baseada no fato de que o prisioneiro possui um dom mágico, que é ao mesmo tempo milagroso.
 O imperativo categórico aparece desde o começo do filme, e podemos perceber isso claramente, John fazia somente o bem para as pessoas. No entanto, ele é acusado de ter cometido um crime hediondo contra duas crianças, estupro seguido de morte. Ele foi encontrado no meio de uma floresta com as duas meninas mortas em seu colo e chorando muito. Aqui também podemos perceber a má vontade das pessoas, pois não se preocuparam de investigar os fatos, e simplesmente pelo fato dele ser negro, logo foi preso e condenado. 
 Ele tinha todos os motivos do mundo para odiar os policiais do pavilhão onde ele ficou. Mas ainda assim ele só fazia o bem, parece que ele seguia a risco aquela frase de Kant: \u201cAge apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal\u201d. E as ações dele têm muito a nos ensinar, principalmente nesses dias violentos em que estamos vivendo. Por qual motivo devemos fazer mal as pessoas, se podemos fazer o bem? 
 John fazia bem a todas as pessoas que estavam naquele pavilhão junto com ele, independentemente de serem agentes penitenciários ou os próprios condenados. Ele tinha o dom de fazer milagres, e o primeiro foi com o próprio agente, Paul Edgecomb, pois o mesmo estava com uma forte infecção urinária. John poderia ter deixado o agente ali, deitado no chão, se contorcendo de dor, mas não, ele o chamou para ir até a sua cela, e depois de muita insistência, o agente foi. E bastou que John colocasse a mão em seu órgão genital, que de imediato ele ficou curado. Ele sentia que tinha o dever de ajudar as pessoas, e ajudava qualquer pessoa que necessitava.
 Ele ajudava até animais, neste caso, um simples ratinho. Um dos prisioneiros que também já estava condenado, passou a criar um rato que ficava passeando nos corredores do pavilhão, e lhe deu o nome de Sr. Jingles. Certo dia, um agente mal pisou no pobre ratinho, fazendo assim que seu dono sofresse muito com sua perca. John não aguentou ver aquele homem sofrer, e logo pediu para que levassem o animalzinho até sua cela. Os agentes estão levaram o rato até ele, e todos viram o milagre que ele realizou, e ficaram impressionados. E disso então, decorre o terceiro, e mais importante milagre.
 O imperativo categórico então, nos apresenta uma ação como tendo nela o seu próprio valor. John não tinha em mente nenhum outro fim ao ajudar as pessoas, senão de se sentir bem ao fazer o bem aos outros. E, por conseguinte, é o que mais interessa a Kant por ser o imperativo próprio da moralidade. 
 Quando então os agentes perceberam o poder de John, sentiram que tinham o dever de levar ele para ajudar outra pessoa, a esposa do supervisor da prisão. Esta mulher estava com um câncer no cérebro, onde não era possível operar, estava morrendo aos poucos, e os agentes não mediram esforços em ajudar. Nessa parte entra a questão da boa vontade, que é uma vontade que age livremente independente das consequências da ação e pode ser vista como o fio condutor da moral Kantiana. 
 Os agentes então bolam todo um plano para tirar John da cadeia e leva-lo até a casa do supervisor da prisão, para que ele pudesse curar sua mulher. Eles colocaram as vidas e o emprego em jogo, poderiam perdê-los a qualquer momento, mas não desistiram e seguiram adiante com o plano. Aqui, novamente é imprescindível falar de Kant, pois segundo ele, na esfera da boa vontade o indivíduo se mostra preocupado com o seu semelhante, fugindo ao egoísmo e ao individualismo exacerbado, ou seja, nessa esfera o homem só quer ajudar ao seu próximo, de qualquer forma. A boa vontade também é a porta de entrada para que a moralidade chegue ao seu acabamento, que é o cumprimento do dever.
 Os agentes, com muito cuidado, tiram o prisioneiro da sua cela e o levam até a mulher, e John suga toda doença que tinha dentro dela, fazendo assim com que ela ficasse curada. A ação praticada pelos agentes foi puramente por dever, a vontade agiu livremente independente de qualquer inclinação, tendo tão somente em vista o cumprimento da lei moral. A boa vontade é tão importante, que sem ela pouco adianta as qualidades positivas que uma pessoa venha a ter, e ela não tem valor por força dos resultados práticos que possa apresentar, mas vale muito mais do que as coisas que pretendemos alcançar tendo em vista alguma recompensa. Ela tem muito mais mérito do que aquilo que alguém possa fazer por força de uma inclinação natural. 
 Após o terceiro milagre, a execução de John se aproxima o que leva ele a revelar toda a verdade para o agente Paul. Depois de descobrir toda a verdade, que John não era o verdadeiro culpado pelo crime que o acusaram de ter cometido, o agente se debate em um conflito moral, entre o cumprimento do dever e a consciência de que o prisioneiro morreria sem ser o verdadeiro culpado pelo crime. E ele também se encontra num conflito entre a razão e a vontade. A razão dizia que ele não poderia fazer nada mais por John, porque a pena de morte é irreversível, e o próprio prisioneiro rejeitou qualquer foram de ajuda. E a vontade dizia totalmente o contrário, ele queria muito ajudá-lo, mas preferiu ouvir os outros agentes, não seguiu a razão, e viu John morrer injustiçado em sua frente. 
 No filme também é possível levantar questionamentos acerca da pena de morte, e mostra exatamente seu pior lado: o inocente morrer no lugar do culpado. O filme retrata que ninguém se importou em procurar o verdadeiro culpado pela morte das crianças, simplesmente prenderam John e logo o deram uma sentença de morte. Pouco tempo depois o verdadeiro culpado foi preso, mas por outros crimes que cometeu. E por isso, pena de morte é algo que não deveria existir em nenhum lugar do mundo.
Conclusão
 Por fim, depois de fazer uma análise geral relacionando o filme com a filosofia de Kant, nós notamos que não é nada fácil fazer o que Kant diz. Fazer o bem deveria ser sim uma lei universal, mas e quando as pessoas não querem a nossa ajuda, o que devemos fazer? Nesse caso não existe muita coisa a se fazer, a não ser esperar os próximos acontecimentos. John possuía um coração tão bom, que aceitou ficar preso no lugar do verdadeiro culpado, porque não conseguiu ajudar as crianças, e assim carregou o peso dessa culpa até sua morte. 
Referências
https://www.youtube.com/watch?v=dBCWa0-aq1M
QUEIROZ, Carmen Lucia Carlos de. O dever como fundamentação da moral Kantiana. Disponível em: <http://www.uece.br/cmaf/dmdocuments/dissertacao2009_dever_fundamentacao_moral_kantiana.pdf>.