Capítulo 1 - O Organismo Humano
26 pág.

Capítulo 1 - O Organismo Humano

Pré-visualização11 páginas
O Organismo
Humano

Imagem a cores de microscopia electrónica de
varrimento (SEM [Scanning electron micrograph]) do

peritoneu que recobre o fígado. Estas células achatadas
têm muitas microvilosidades curtas, de aparência

pilosa, e segregam um fluido lubrificante que protege o
fígado da fricção à medida que este se move na

cavidade abdominal.

Está prestes a iniciar uma experiên-
cia fantástica: o estudo da estrutura

e funcionamento do corpo humano e
o modo como estes são regulados por

intrincados sistemas de controlo e
equilíbrio. Por exemplo, pequenos aglo-

merados de células implantadas no pân-
creas afectam a captação e a utilização do

açúcar do sangue pelo corpo. Comer um choco-
late conduz a um aumento da glicemia, o que actua como

um estímulo. Aqueles pequenos aglomerados de células respondem ao estí-
mulo segregando insulina. A insulina é transportada na corrente sanguínea até
às células onde intensifica a passagem do açúcar para o interior destas, forne-
cendo-lhes uma fonte de energia e o teor de açúcar no sangue diminui.

O conhecimento da estrutura e do funcionamento do corpo humano per-
mite também compreender os estados de doença. Por exemplo, num dos tipos
de diabetes mellitus as células do pâncreas não segregam quantidades ade-
quadas de insulina. A entrada insuficiente de açúcar nas células priva-as da
sua fonte de energia e interfere com o seu funcionamento.

O conhecimento da estrutura e da função do corpo humano é essencial
para todos aqueles que pretendem construir um percurso profissional no domí-
nio das ciências da saúde. Também é importante para os todos os outros por-
que os ajuda a compreender melhor a saúde e a doença, a avaliar os tratamen-
tos recomendados e a adquirir um juízo crítico sobre artigos e produtos/trata-
mentos publicitados.

Este capítulo define anatomia e fisiologia (2). Também explica a organi-
zação e estrutura funcional (5) do corpo e faz uma abordagem geral do organis-
mo humano (5) e da homeostase (11). Finalmente neste capítulo é ainda
apresentada a terminologia e planos do corpo humano (13).

1
C A P Í T U L O

Pa
rt

e
1

O
rg

an
iz

aç
ão

 d
o

Co
rp

o
H

um
an

o

Parte 1 Organização do Corpo Humano2

Anatomia e Fisiologia
Objectivo
■ Definir os termos anatomia e fisiologia e identificar as

diferentes formas como podem ser estudados.

Anatomia é a ciência que estuda a estrutura do corpo. Descreve,
por exemplo, a forma e o tamanho dos ossos do corpo, bem como
a relação entre a estrutura de uma parte do corpo e a sua função.
Da mesma forma que um martelo apresenta a estrutura adequa-
da para martelar pregos, a estrutura apresentada pelas diferentes
partes do corpo permite-lhes desempenhar eficazmente funções
específicas. Os ossos, por exemplo, proporcionam resistência e
suporte, uma vez que as suas células estão rodeadas por uma
substância dura e mineralizada. Compreender a relação entre a
estrutura e a função facilita a compreensão e o apreço pela ana-
tomia.

A anatomia pode ser abordada a diferentes níveis. A ana-
tomia do desenvolvimento estuda as alterações estruturais
que ocorrem entre a concepção e a idade adulta. A embriologia,
uma subespecialidade da anatomia do desenvolvimento, consi-
dera as alterações desde a concepção até ao final da oitava sema-
na de desenvolvimento. Muitas das malformações congénitas
ocorrem durante o desenvolvimento embrionário.

Algumas estruturas, tais como as células, são tão pequenas
que o seu estudo requer a utilização de um microscópio. A
citologia examina as características estruturais das células e a
histologia estuda os tecidos (p. ex., células e material circun-
dante).

A anatomia geral ocupa-se do estudo das estruturas que
podem ser observadas sem o auxílio do microscópio e pode ser
abordada numa perspectiva descritiva ou topográfica. Na ana-
tomia descritiva o corpo é estudado por sistemas e aparelhos e
é esta a abordagem usada pela maior parte dos textos básicos.
Um sistema ou aparelho é constituído por um grupo de estrutu-
ras que tem uma ou mais funções em comum. São exemplos: o
sistema cardiovascular, o sistema nervoso, o aparelho respirató-
rio, o sistema ósseo e o sistema músculo-esquelético. Na anato-
mia topográfica o corpo é estudado por áreas e é esta a aborda-
gem mais habitual nas escolas de medicina. Em cada uma das
regiões, tais como a cabeça, o abdómen ou o braço todos os sis-
temas e aparelhos são estudados simultaneamente.

A anatomia de superfície ocupa-se do estudo da forma
externa do corpo e da sua relação com as estruturas internas. O
esterno e porções das costelas podem ser vistos e palpados no
tórax; estas estruturas podem ser usadas como referências para
identificar as regiões do coração e os pontos do tórax em que se
podem ouvir melhor os sons cardíacos. O uso de técnicas
imagiológicas envolve a utilização de raios X, ultrassons, res-
sonância magnética (RM), e outras tecnologias que fornecem
imagens das estruturas internas. Quer a anatomia de superfície
quer o uso de técnicas imagiológicas reúnem informação im-
portante para o diagnóstico de uma doença.

Anomalias Anatómicas
Não existem dois seres humanos estruturalmente idênticos. Um
indivíduo pode ter dedos mais compridos do que outro. Apesar desta
variabilidade, a maior parte dos seres humanos exibe um padrão
básico. Normalmente, os seres humanos possuem dez dedos da mão.
As anomalias anatómicas são estruturas invulgares que diferem do
padrão normal. Alguns indivíduos possuem doze dedos, por exemplo.

Estas anomalias variam em gravidade, desde situações inócuas a
situações em que existe perigo de vida, comprometendo a função
normal. Por exemplo, cada rim é normalmente irrigado por um vaso
sanguíneo, mas nalguns indivíduos o pode ser irrigado por dois. Em
qualquer dos casos o rim recebe a quantidade de sangue adequada. Já
quando certos vasos sanguíneos, originários do coração, não se
encontram posicionados correctamente, o sangue não é bombeado
eficientemente para os pulmões. Nestes casos, nasce uma “criança
azul” (blue baby syndrome) uma vez que os seus tecidos não são
oxigenados adequadamente.

A Fisiologia é a ciência que estuda os processos ou fun-
ções dos organismos vivos. Embora muitas vezes não seja óbvio,
os seres vivos são estruturas dinâmicas em permanente alteração,
nunca estáticas e imutáveis. Os principais objectivos da fisiolo-
gia são compreender e prever as respostas do organismo aos di-
ferentes estímulos e perceber de que forma o organismo man-
tém certas condições, dentro de uma estreita amplitude de valo-
res, num ambiente permanentemente em mudança.

À semelhança da anatomia, a fisiologia pode ser abordada
a diferentes níveis. A fisiologia celular, por exemplo, estuda os
processos celulares e a fisiologia sistémica estuda as funções dos
sistemas de órgãos. A neurofisiologia ocupa-se do sistema ner-
voso e a fisiologia cardiovascular trata do estudo do coração e
dos vasos sanguíneos. Frequentemente, a fisiologia estuda os sis-
temas e não as suas regiões porque as diferentes partes de um
sistema podem estar relacionadas com mais de uma região numa
dada função.

O estudo do corpo humano deve englobar a anatomia e
fisiologia porque as estruturas, funções e processos estão inter-
relacionados. A patologia é a ciência que se dedica ao estudo de
todos os aspectos da doença, com ênfase na causa e desenvolvi-
mento das condições anómalas, bem como das alterações estru-
turais e funcionais resultantes da doença. A fisiologia do exer-
cício tem por objecto o estudo das alterações na função e na
estrutura provocadas pelo exercício.

1. Defina anatomia e fisiologia. Descreva os diferentes níveis
em que cada uma pode ser estudada.

2. Defina fisiologia e fisiologia do exercício.

3Capítulo 1 O Organismo Humano

Perspectiva Clínica Técnicas Imagiológicas em Anatomia
A ciência médica foi revolucionada