Dispnéia
4 pág.

Dispnéia


DisciplinaPropedêutica720 materiais1.626 seguidores
Pré-visualização2 páginas
Dispnéia 
 
O que é a dispnéia? 
 
- Definição pela American Thoracic Society: \u201cExperiência subjetiva de desconforto ao 
respirar, que consiste em sensações qualitativamente diferentes com intensidade 
variável. Essa experiência é causada por interações de vários fatores fisiológicos, 
psicológicos, sociais e ambientais e pode desencadear respostas fisiológicas e 
comportamentais secundárias\u201d. 
-. É uma sensação de dificuldade de respirar desproporcional ao estímulo que a 
desencadeia. Origem: Respiratória, cardíaca, hematogênica (anemia), metabólica (ex: 
acidoses), psicogênica. 
 
Mecanismo da dispnéia 
 
- As sensações respiratórias são geradas pela integração dos estímulos motores 
eferentes (cérebro>músculo respiratório \u2013 feed-forward) e estímulos sensoriais 
aferentes (corpo>cérebro \u2013 feedback) e processamento desses pelo cérebro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Obs: Quimiorreceptores: corpos carotídeos e bulbo. 
 Mecanorreceptores: pulmões 
 Metaborreceptores: músculos esqueléticos 
Receptores estão presentes no trato respiratório superior, nos pulmões, nas vias aéreas, 
nos músculos respiratórios e na parede torácica. Os intratorácicos ascendem via Vago. 
 
- A discrepância entre estímulos feed-forward e estímulos feeback aumentam a 
intensidade da dispnéia. 
 
- Dispnéia ocorre sempre que o trabalho respiratório é excessivo. A força da 
musculatura próxima da força máxima gera dispnéia. 
Necessidade de maior trabalho: parede torácica e/ou pulmões menos complacentes ou 
aumento da resistência das vias aéreas. 
 
- A ansiedade aguda pode agravar a dispnéia por alterar a interpretação dos estímulos 
sensoriais ou gerar padrões respiratórios que acentuam a anormalidade do sistema 
respiratório. 
 
Padrões Específicos de Dispnéia 
 
 1) Episódios súbitos em repouso: 
Ex: pneumotórax, embolia pulmonar, ansiedade, pneumotórax, obstrução aguda de vias. 
 2) Episódios noturnos paroxísticos (dispnéia paroxística noturna): 
Ex: Insuficiência ventricular esquerda. 
3) Episódios associados à posição supina (ortopnéia): 
Ex: ICC, asma, DPOC, paralisia diafragmática bilateral. 
4) Episódios associados ao decúbito lateral (trepopnéia): 
Ex: doença cardíaca. 
5) Episódios associados à posição ereta (platipnéia): 
Ex: distúrbios de ventilação-perfusão, fraqueza da musculatura abdominal. 
 
Fisiopatologia da dispnéia 
 
Sistema Respiratório: 
a) Centro de controle: a hiperatividade do centro de controle leva a hiperventilação 
e dispnéia. Ex: atitudes elevadas, excesso de progesterona (gravidez), fármacos, 
hipoxemia e hipercapnia agudas. 
b) Bomba ventilatória: distúrbios das vias respiratórias levam ao aumento da 
resistência nas vias e do trabalho respiratório. A hiperinsuflação acentua o 
trabalho e gera uma sensação de incapacidade de obter respiração profunda. Ex: 
distúrbio que enrijecem a parede torácica (ex: cifoscoliose) ou que enfraquecem 
os músculos respiratórios (mistenia gravis e síndrome de Gillain-Barré). 
c) Permutador de gases: interfere na troca de gases. Pneumonia, edema pulmonar, 
aspiração, doença pulmonar vascular. 
Sistema Cardiovascular: 
a) Débito cardíaco elevado: ex: anemia branda ou moderada; shunts intracardíacos, 
obesidade. 
b) Débito cardíaco normal: ex: Descondicionamento cardiovascular (estimulação 
de metaborreceptores e quimiorreceptores); disfunção distólica (hipertensão, 
estenose aórtica, miocardiopatia hipertrófica); doença pericárdica. 
c) Débito cardíaco reduzido: as doenças miocárdicas resultantes da insuficiência 
coronariana e de miocardiopatias não-isquêmicas aumentam o volume 
ventricular esquerdo e elevam as pressões desse e de capilares pulmonares. Os 
receptores pulmonares são ativados pelo aumento da pressão vascular e pelo 
edema intersticial, levando à dispnéia. 
 
Diagnósticos Diferenciais 
1) Doença Obstrutiva das Vias Aéreas: 
 
- Vias aéreas superiores: sintomas associados: estridor (sinal audível produzido 
pelo fluxo turbulento de ar) e retração supraclavicular com a inspiração (maior 
esforço para encher os pulmões). 
 
- Vias aéreas inferiores: 
\u2219 Aguda e intermitente; com sibilos (ruídos tipo assovio) \u2013 asma. 
\u2219 Tosse crônica com expectoração; roncos e prolongamento da expiração - bronquite 
crônica e bronquiectasia (dilatação irreversível de porções dos brônquios devida à 
lesão da parede brônquica). 
\u2219 Dispnéia prolongada e progressiva \u2013 enfisema (DPOC). 
 
2) Doença Difusa do Parênquima Pulmonar: 
 
- Taquipnéia (levando a hipóxia e hipocapnia); piora com o esforço físico; 
redução dos volumes pulmonares e redução da complacência. 
Ex: pneumoconioses (resulta da inalação do pó de carvão), pneumonias, sarcoidose 
(doença inflamatória granulomatosa). 
 
3) Doença Pulmonar Vascular Oclusiva: 
- Episódios repetidos de dispnéia em repouso, hipoxemia e hipocapnia, com 
volumes pulmonares normais. Sintomas associados: comprometimento venoso 
de mmii (membros inferiores). Ex: tromboembolismo pulmonar. 
 
4) Doença da Parede Torácica e Musculatura Respiratória: 
Ex1: Cifoescoliose severa 
Ex2: Fraqueza e paralisia da musculatura respiratória \u2013 manifestações sistêmicas de 
doenças neuro-musculares. 
 
5) Doença Cardíaca: 
 
\uf0d8 Elevação da pressão capilar pulmonar devido a IVE transudação de líquido 
no interstício complacência estimulação de receptores J (sensíveis ao 
edema \u2013 geram a sensação de falta de ar). 
Conseqüências da IVE: 
- Espessamento das paredes vasculares e deposição de tecido fibroso e células 
reduzindo complacência ; 
- Redução da luz das pequenas vias - aumento da resistência; 
- Hidrotórax. 
 
\uf0d8 Maior gravidade da insuficiência ventricular elevação das pressões venosa e 
capilar pulmonares Ortopnéia (dispnéia ao deitar-se) e dispnéia paroxística 
noturna Redução da capacidade vital. 
 
\uf0d8 Edema periférico: 
Durante a noite: reabsorção do edema periférico causando aumento do volume 
sangüíneo total Dispnéia Paroxística Noturna (\u201casma cardíaca\u201d). 
- Sufocação, sibilos. Diagnósticos diferenciais: asma brônquica e bronquite. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Obs: Diagnóstico diferencial: Ansiedade: hiperventilação; dor torácica; suspiros e 
padrão ventilatório irregular. 
ANAMNESE: 
Identificação; 
QP: \u201cfalta de ar, sufocação, fome de ar, incapacidade de respirar uma quantidade suficiente de ar\u201d; 
HDA: Quando começou? Como (início agudo ou gradual)? 
- Dispnéia de esforço, repouso, paroxística noturna, ortopnéia? Com ou sem chiado? 
- Fatores que melhoram? Repouso, decúbito, expectoração, medicamentos (quais?)? 
Anamnese dirigida: - Emagrecimento? 
- Tosse, dor torácica, hemoptise, chiado? 
- Expectoração: quantidade, cor e freqüência? 
- Palpitações? 
- Abdome: aumento de volume? 
- Nictúria? Diminuição do volume? 
- MMII: edema? 
HPP: - doenças comuns da infância; Imunizações; 
- Hipertensão arterial sistêmica; 
- Pneumopatia prévia; 
- Desordens psicogênicas; 
- Medicamentos? Cirurgias? Transfusões? 
- Alergias? 
História Fisiológica; 
História Familiar; 
História da pessoa: hábitos, tabagismo, alcoolismo, viagens, local de moradia, contato com animais; 
Exame Físico: - Lúcido? Orientado? Atitude? Ortopnéia? 
- Tolera decúbito à 0 grau? 30 graus? 45 graus? 
- Cianose? Mucosas coradas? Sudorese? 
- Extremidades bem perfundidas; 
- Sinais vitais: PA? FC? FR? Tax (temperatura axilar)? 
 
- Exames complementares: