Aula Nota 10 (Parte 1) - Doug Lemov
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os alunos finalmente dão a resposta completamente correta, muito com-
preensivelmente o professor é tentado a dizer "muito bem" ou "isso mesmo" ou
repetir a resposta certa - e pronto. Mas o aprendizado pode e deve continuar depois
de obtida a resposta certa. Muitos dos professores exemplares reagem a respostas
certas pedindo aos alunos que respondam uma pergunta diferente ou mais difícil,
ou os questionam para se assegurarem de que a resposta correta pode ser dita de
outra maneira e que os alunos de fato compreenderam o tema. A técnica de premiar
respostas certas com mais perguntas é chamada Puxe mais.
IDEIA-CHAVE
PUXE MAIS
A sequência do aprendizado não acaba com a resposta certa; premie respostas
certas com mais perguntas, que estendem o conhecimento e testam a
connabilidade das respostas. Esta técnica é especialmente importante para
trabalhar com alunos que têm ritmos diferentes de aprendizagem.
Esta técnica gera dois benefícios principais. Primeiro, ao usar Puxe mais
para verificar se o entendimento pode ser repetido, você evita a falsa conclusão
de que o aluno domina a matéria sem antes eliminar a possibilidade de que a
resposta certa tenha sido resultado de sorte, coincidência ou conhecimento
parcial. Em segundo lugar, quando os alunos de fato dominaram partes de
uma ideia, o uso de Puxe mais permite que você lhes ofereça maneiras estimu-
lantes de avançar, aplicando seu conhecimento em novos cenários, pensando
por si mesmos e raciocinando sobre questões mais difíceis. Isso os mantém
engajados e envia para a classe a seguinte mensagem: o prémio por bom de-
sempenho é mais conhecimento.
A propósito, isso também ajuda a resolver um dos desafios mais compli-
cados em classe: trabalhar com alunos que têm diferentes níveis de habilidade
ou ritmos de aprendizagem. Às vezes, achamos que é preciso dividir os alu-
nos em grupos diferentes para trabalhar os diferentes níveis de habilidade ou
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ritmos de aprendizagem, dando
Fazer perguntas frequentes, rigorosos a eles atividades diversificadas,
e dirigidas a diferentes OÍunos, à o que nos impõe gerenciar um
medida que vão demonstrando ambiente de grande complexi-
maior domínio da matéria, é uma dade- Neste cenário' os alunos
r acabam tendo liberdade tanto deferramenta poderosa e simples
comentar o ultimo episódio de Bigpara trabalhar com alunos que têm Brother como de discutir o conte_
diferentes níveis de habilidade e údo das aulas com profundidade.
r/f/TÍOS de aprendizagem. Fazer perguntas frequentes, foca-
das e rigorosas, à medida que os
alunos demonstram domínio da
matéria, é uma ferramenta poderosa e muito mais simples para ensinar alunos com
diferentes níveis de habilidade e ritmos de aprendizagem. Talhando as perguntas sob
medida para certos alunos, você pode encontrar onde está a dificuldade de cada um
e ajudá-lo a superá-la de maneira adequada ao nível que eleja dominou.
Há muitos tipos específicos de pergunta Puxe mais, que são especialmente
eficazes:
fr Pergunte como ou por quê, O melhor jeito de testar se os alunos conseguem
responder corretamente de forma consistente é saber se eles são capazes de expli-
car como chegaram à resposta. Cada vez mais, as provas padronizadas fazem essas
perguntas explicitamente - mais uma razão para você pedir aos seus alunos que
pratiquem a narrativa de seu processo de raciocínio.
Professor; Qual a distância de São Paulo a Blumenau?
Aluno: Seiscentos quilómetros.
Professor: Como você chegou a essa distância?
Aluno: Eu medi três centímetros no mapa e somei 200 mais 200 mais 200.
Professor: Como você sabe que deve usar 200 quilómetros para cada centímetro?
Aluno: Eu olhei na escala da legenda do mapa.
l Peça uma variante da resposta. Com frequência, há múltiplas maneiras de res-
ponder uma pergunta. Quando um aluno resolve o problema de um jeito, é uma gran-
de oportunidade para garantir que ele possa usar todas as estratégias disponíveis.
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Professor: Qual a distância de São Paulo a Blumenau?
Aluno; Seiscentos quilómetros.
Professor: Como você chegou a essa distância?
Aluno: Eu medi três centímetros no mapa e somei 200 mais 200 mais 200.
Professor: Como você sabe que deve usar 200 quilómetros para cada centímetro?
Aluno: Eu olhei na escala da legenda do mapa.
Professor: Tem algum jeito mais fácil do que somar três vezes?
Aluno: Eu podia ter multiplicado 200 por 3.
Professor: Se você fizesse isso, qual seria o resultado?
Aluno: Seiscentos.
Professor: Muito bem. Esse é um jeito melhor.
> Peça uma palavra melhor. Em geral, os alunos começam a entender um con-
ceito usando a linguagem mais simples possível. Para reforçar o desenvolvimento
do vocabulário, um objetivo crucial do letramento, é preciso oferecer aos alunos
oportunidades para usar palavras mais específicas e também novas palavras, com as
quais estão adquirindo familiaridade.
Professor: Por que a Sofia gritou, Janice?
Aluna: Gritou porque a água estava fria quando ela mergulhou.
Professor: Dá para usar uma palavra diferente de fria, uma palavra que mostre
quão fria a água estava?
Aluna: A Sofia gritou porque a água estava gelada.
Professor: Está bem, mas que tal usar uma das palavras do vocabulário que es-
tamos aprendendo? -
Aluna: A Sofia gritou porque a água estava gélida.
Professor: Muito bem.
t Peça provas. À medida que os alunos amadurecem, eles são cada vez mais
solicitados a construir e defender suas estratégias e a sustentar opiniões entre
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múltiplas respostas possíveis. Isso acontece principalmente na área de huma-
nas. Quem garante qual é o tema do romance ou o que o autor queria mostrar
em uma certa cena? Ao pedir aos alunos que descrevam trechos que sustentem
suas conclusões, você reforça o processo de construção e sustentação de sóli-
dos argumentos na vida real, onde as respostas certas não são tão fáceis. Com
isso, você evita reforçar argumentos frágeis e subjetivos. Você não precisa dizer
que não concorda - simplesmente peça provas.
»
Professor: Como você descreveria a personalidade do Dr. Jones? Quais são as ca-
racterísticas dele?
Aluno: Ele é rancoroso.
Professor: E o que significa rancoroso?
Aluno: Rancoroso quer dizer que ele é amargo e quer deixar todo mundo infeliz.
Professor: Muito bem. Então leia para mim duas sentenças da história que mos-
tram que o Dr. Jones é rancoroso.
l Peça aos alunos que integrem competências diferentes. No mundo real, rara-
mente as perguntas se referem a um único tipo de conteúdo. Para preparar os alunos
para isso, tente avançar a partir de uma resposta certa, pedindo que integrem a ela
conhecimentos novos, aprendidos recentemente.
Professor: Quem pode usar o verbo caminhar em uma sentença?
Aluno: "Caminhei pela rua".
Professor: Dá para usar algum detalhe, de forma a mostrar mais sobre o significa-
do de caminhar?
Aluno: "Caminhei pela rua para comprar balas em uma loja".
Professor: Dá para colocar um adjetivo que qualifique rua?
Aluno: "Caminhei pela rua larga para comprar balas em uma loja".
Professor: Muito bem. Você pode colocar um sujeito composto na sua sentença?
Aluno: "Meu irmão e eu caminhamos pela rua larga para comprar balas em uma
loja".
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Professor: E você consegue colocar isso no pretérito imperfeito?
Aluno: "Meu irmão e eu caminhávamos pela rua larga para comprar balas em
uma loja".
Professor: Fiz perguntas muito difíceis, Bruno, e veja só como você respondeu bem!
l Peça aos alunos que apliquem o mesmo conhecimento a um caso diferente. Quan-
do os alunos aprenderem algo novo, pense em pedir a eles que apliquem o novo
conhecimento a um caso mais difícil.
Professor: Então, qual é o protagonista da história que acabamos de ler, Bolsa
Amarela?
Aluno: É uma menina chamada Raquel.
Professor: Muito bom. Vejo que você sabe o