MANUAL PRÁTICO DE HEMATOLOGIA CLÍNICA
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MANUAL PRÁTICO DE HEMATOLOGIA CLÍNICA


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MANUAL PRÁTICO 
DE 
HEMATOLOGIA CLÍNICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PROFESSOR MSc EDIBERTO NUNES 
 
BELÉM \u2013 PARÁ 
AGOSTO - 2017 
 
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ÍNDICE 
 
 
1 - COLETA DE SANGUE 03 
2- CONFECÇÃO DE ESFREGAÇO SANGUÍNEO 09 
3- COLORAÇÃO HEMATOLÓGICA 12 
4 - AUTOMAÇÃO EM HEMATOLOGIA 18 
5 - CONTAGEM DE ERITRÓCITOS 31 
6 - DOSAGEM DE HEMOGLOBINA 32 
7 - DETERMINAÇÃO DO HEMATÓCRITO 33 
8 - DETERMINAÇÃO DOS ÍNDICES HEMATIMÉTRICOS 35 
9 - ESTUDO MORFOLÓGICO DA SÉRIE VERMELHA 35 
10 - ESTUDO DA MORFOLOGIA ERITROCITÁRIA 37 
11 - CONTAGEM DE RETICULÓCITOS 43 
12 - FALCIZAÇÃO DOS ERITRÓCITOS 44 
13 - ELETROFORESE DE HEMOGLOBINA 45 
14 - VELOCIDADE DE HEMOSSEDIMENTAÇÃO (VHS) 48 
15 - CONTAGEM DE LEUCÓCITOS 49 
16 - ESTUDO MORFOLÓGICO DOS GRANULÓCITOS 51 
17 - ESTUDO MORFOLÓGICO DOS AGRANULÓCITOS 56 
18 - ESTUDO MORFOLÓGICO DA SÉRIE TROMBOCÍTICA 58 
19 - INTERPRETAÇÃO DO HEMOGRAMA 59 
20 - QUADRO LEUCÊMICO 75 
21 - TIPAGEM SANGUÍNEA 82 
22 - PROVA CRUZADA PRÉ-TRANFUSIONAL 83 
23 - DETERMINAÇÃO DO TESTE DE COOMBS DIRETO 84 
24 - DETERMINAÇÃO DO TESTE DE COOMBS INDIRETO 85 
25 - COAGULOGRAMA 86 
26 - CONTROLE DE QUALIDADE PRÁTICO EM HEMATOLOGIA 92 
 LITERATURA CONSULTADA E MATERIAL BIBLIOGRÁFICO UTILIZADO 93 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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1 - COLETA DE SANGUE 
\uf076 PUNÇÃO VENOSA 
O meio mais comum de obter-se uma amostra de sangue para exames de laboratório é por 
punção venosa. A punção venosa é uma forma rápida de obter um grande volume de sangue no 
qual podem ser feitas várias análises. Na punção venosa, também chamada de flebotomia, o 
sangue é retirado diretamente de uma veia superficial. A veia é puncionada com uma agulha 
hipodérmica e o sangue é coletado em uma seringa ou tubo de vacutainer. 
 A punção venosa é um procedimento seguro quando feito corretamente por um profissional 
treinado. O procedimento deve ser feito com cuidado. Todo o esforço deve ser feito para 
preservar a condição da veia. Muitas observações e práticas são necessárias para tornar-se 
capacitado e seguro na arte da punção venosa. 
\uf0d8 PUNÇÃO VENOSA USANDO SERINGA 
 Fazer uma punção venosa requer várias etapas importantes. É necessário que essas 
etapas sejam totalmente conhecidas antes que o procedimento seja tentado. As etapas são: 
\uf0a7 Selecionar o material adequado. 
\uf0a7 Preparar o paciente para a punção venosa. 
\uf0a7 Aplicar o torniquete. 
\uf0a7 Selecionar o local da punção venosa. 
\uf0a7 Preparar o local da punção. 
\uf0a7 Executar a punção venosa. 
\uf0a7 Cuidados após a punção. 
 Quando fizer uma punção venosa, o aluno deve ser supervisionado por um profissional 
qualificado. As luvas devem ser usadas pelo coletador para fazer todas as punções. É melhor 
usar uma luva sem talco, para evitar a contaminação dos tubos de coleta. 
 Roupas de proteção, tais como o jaleco, também devem ser usadas pelo coletador no 
laboratório. 
\uf0a7 SELECIONANDO O MATERIAL 
Os materiais requeridos para a punção venosa incluem uma seringa descartável estéril e 
agulha hipodérmica, álcool 70%, gaze estéril, torniquete e frasco para colocar o sangue. A seringa 
e a agulha devem ser montadas cuidadosamente para manter a esterilidade. As pontas da 
seringa ou da agulha não devem ser tocadas. 
 O comprimento e o diâmetro (calibre) da agulha usada para punção venosa são 
determinados pelo procedimento. As agulhas de calibre 27x7mm, 25x8mm ou 30x8mm são 
geralmente utilizadas para a punção venosa, quanto maior o calibre, menor é a agulha. 
 Agulhas de grande diâmetro são requeridas para doação de sangue. Vários dispositivos de 
segurança existem no mercado para o manuseio com agulhas a fim de se evitar possíveis picadas 
acidentais no operador. 
 A agulha deve ser posicionada firmemente na seringa, de modo que o bisel da agulha e a 
graduação da seringa estejam para cima. O êmbolo da seringa deve ser empurrado para cima e 
para baixo para verificar se o movimento é suave. Ele deve então ser empurrado completamente 
no corpo da seringa para que não exista mais ar dentro da seringa. 
 Todos os materiais de colheita devem ser colocados ao alcance fácil do coletador de 
sangue. O coletador deve usar luvas ao realizar uma punção venosa. 
\uf0a7 MATERIAIS NECESSÁRIOS PARA COLETA DE SANGUE 
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\uf0a7 Seringa descartável (3 mL; 5 mL; 10 mL e outros), conforme volume de sangue a ser 
colhido. 
\uf0a7 Agulha (25x7 mm ou 25x8 mm ou 30x8 mm). 
\uf0a7 Algodão (bola). 
\uf0a7 Álcool a 70%. 
\uf0a7 Garrote de látex. 
\uf0a7 Anticoagulante, EDTA a 10%, Citrato de Sódio a 3,8% e outros (conforme o exame a ser 
realizado). 
\uf0a7 Tubos de ensaios de vidro ou polipropileno 10x75 (hemólise), 12x75 mm ou outros, com 
ou sem anticoagulante. 
\uf0a7 Estante para tubos de ensaio. 
PREPARAR O PACIENTE PARA A COLETA DE SANGUE 
 O coletador deve sempre identificar o paciente pelo nome e checar a requisição de 
exames. Se o paciente está hospitalizado, o bracelete de identificação deve ser conferido. Para 
alguns procedimentos, como coleta de sangue para tipagem sanguínea e provas cruzadas, o 
coletador deve colocar um bracelete adicional de identificação, o qual é codificado segundo os 
tubos de coleta de sangue. 
A punção venosa deve ser explicada para o paciente, para minimizar a apreensão. 
O paciente deve estar deitado ou sentado em uma cadeira com apoio para os braços. O 
braço do paciente deve estar totalmente esticado e firmemente apoiado durante a coleta. O 
coletador deve estar sempre preparado para o paciente que ocasionalmente desmaia e deve ser 
treinado para prestar os primeiros socorros. 
APLICANDO O TORNIQUETE 
 O torniquete é aplicado ao braço para diminuir o fluxo de sangue e fazer as veias ficarem 
mais proeminentes. Torniquetes descartáveis são feitos de látex chato (plano) e são os preferidos. 
 Para aplicar o torniquete (ou garrote) corretamente, coloca-se o torniquete debaixo do 
braço, acima da curva do cotovelo e as duas pontas são esticadas e amarradas. Enquanto a 
tensão é mantida nas duas pontas, numa delas faz-se uma alça e introduz-se debaixo da outra 
ponta, fazendo um nó corrediço, conforme figura abaixo. Se o torniquete é amarrado dessa forma, 
ele será desamarrado facilmente por um suave puxão da ponta livre. 
 O torniquete ou garrote deve ser aplicado enquanto o local da punção está sendo 
selecionado. Ele deve ser solto enquanto o local será desinfetado e será preso novamente antes 
da punção ser feita. O torniquete nunca deve ficar tão amarrado que vá restringir o fluxo de 
sangue na artéria. O torniquete não deve ser deixado no local por mais de dois minutos, para 
evitar hemoconcentração. Uma vez a veia penetrada e o sangue aparecer na seringa, pode-se 
soltar o torniquete enquanto se retira a quantidade de sangue desejada. O torniquete deve ser 
sempre solto antes de se retirar à agulha da veia. Uma vez terminada a coleta, faz-se hemostasia 
para estancar a hemorragia no local da punção. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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SELECIONADO O LOCAL DA PUNÇÃO 
 O local da punção deve ser cuidadosamente selecionado após examinar ambos os braços 
para localizar a melhor veia, As veias mais frequentemente usadas são a veia mediana cefálica 
ou a veia mediana basílica no antebraço. O coletador deve suavemente palpar a veia para 
determinar a direção e para estimar o tamanho e profundidade da veia. A veia será sentida como 
um tubo elástico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PREPARANDO O LOCAL DA PUNÇÃO 
 A área em torno do local da punção deve ser bem limpa com álcool a 70% e gaze estéril. O 
local deve ser deixado secar ao ar ou usando uma gaze