Futurismo no Brasil
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Futurismo no Brasil

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Futurismo no Brasil
 
O futurismo teve grande influência na produção artística de artistas ligados ao movimento modernista como Anita Malfatti e Oswald de Andrade.
Acreditando que a arte tem a missão de construir um novo homem, um novo mundo e uma nova ordem social. O futurismo propagou suas ideias rapidamente por toda a Europa, ligando-se aos acontecimentos políticos e sociais, chegando também ao Brasil, tendo em vista que alguns artistas brasileiros iam para a Europa a fim de aprimorar seus estudos, sendo um desses artistas Oswald de Andrade. Porém, o futurismo no Brasil não foi uma cópia do futurismo europeu, pois tomou uma feição própria e diversa, sendo esse o objeto de análise do presente ensaio, além de uma breve análise do futurismo Europeu.
Com a revolução industrial, o houve o surgimento das grandes metrópoles, além das inúmeras modificações sociais geradas pela implantação de grandes indústrias, da modernização das comunicações e transporte, sendo a arte alcançada por algumas destas transformações.
Nesse período, a arte teve de rever seus próprios conceitos, o que não agradou todos os indivíduos envolvidos. Enquanto alguns artistas incorporavam novos procedimentos técnicos e industriais na produção de suas obras, outros negavam essas atitudes. Nesse contexto de grandes modificações sociais, surgem as vanguardas artísticas, sendo elas responsáveis por quebrar fronteiras e paradigmas tradicionais de forma incisiva e irreconciliável. O futurismo fez parte do conjunto de vanguardas que no início do século XX renovaram os valores artísticos e alteraram os rumos das artes e da literatura.
O futurismo exaltou a vida moderna, procurou estabelecer o culto da máquina e da velocidade, pregando ao mesmo tempo a destruição do passado e dos meios tradicionais da expressão literária, no caso a sintaxe: usando as palavras em liberdade, rompia a cadeia sintática e as relações passavam a se fazer através de analogia.
O futurismo abria caminho a uma nova reconstrução artística da vida, a uma destruição e a uma reconstrução sobre novos eixos.
A introdução do Futurismo na renovação das artes brasileiras não apenas fomentou um debate pela mudança artística, como também impulsionou uma reflexão sobre a dependência cultural brasileira em relação à Europa. O Modernismo brasileiro tomou uma feição própria e diversa do Futurismo.
O Futurismo que penetrava no Brasil interagia com um país de tradição colonialista, que aos poucos se modernizava através de uma incipiente industrialização, acompanhada por um processo de urbanização e, ao mesmo tempo, um profundo hibridismo cultural.
Alguns intelectuais brasileiros relacionavam o futurismo à loucura, doença, extravagância, aberração, sendo na maioria das vezes palavras de carga negativa.
Um dos principais importadores do futurismo no Brasil foi Oswald de Andrade, tendo tido contato com o futurismo em Paris, trazendo suas ideias de renovação das letras nacionais que não foram bem recepcionadas no ambiente literário da época. Oswald não desejava perder as raízes culturais brasileiras, mas afirmava serem fecundas para a nossa literatura estagnada uma atualização que corresponda aos anseios de novos tempos prometidos pela indústria nacional.
No Brasil vivia-se um momento particular, pois estávamos experimentando o fim de um regime imperial e o início da República. Novas relações sociais surgiam, experimentava-se a industrialização e a formação de centros urbanos, sendo esse momento propício para a introdução e o desenvolvimento de uma ideologia futurista, que pregava a ruptura com o passado e exaltava a máquina, buscando a consonância da arte com a nova realidade que se impunha.
       Segundo Susana Ploeg, na década de 20 a palavra “futurismo” torna-se constante nos jornais e revistas da época. É nessa década que se começa a agitar-se e a movimentar-se um grupo de jovens literatos e artistas contra a estética consagrada. A palavra futurista adquire no Brasil uma carga depreciativa, mas não demora muito para que os modernistas brasileiros tomem o rótulo pra si e se digam futuristas, possibilitando aos artistas e escritores uma repercussão de maior alcance na mídia.
Esse movimento que almejava a ruptura e destruição do passado em pouco tempo foi desatualizado e desacreditado no Brasil, mas nos deixou um legado de muitas influências. O futurismo no Brasil foi fomentador de um debate cultural que acabou por formar dois grupos distintos: os passadistas e os futuristas, que posteriormente ficaram conhecidos como modernistas.
No ano de 1926 Marinetti realiza uma turnê pelo Brasil, fazendo com que o Futurismo volte a aparecer na imprensa. Sua visita reavivou os ânimos dos artistas e escritores brasileiros, seu intuito era propagar o movimento que no Brasil já se encontrava ultrapassado, já havia sido reformulado. Marinetti também se preocupa com a divulgação do fascismo o que torna o ambiente e suas conferências tumultuosas.
No Brasil o futurismo teve grande influência na produção artística de artistas ligados ao movimento modernista. Seus conceitos de desprezo ao passado foram de grande interesse dos artistas brasileiros que desejavam parar de copiar os modelos europeus e criar uma arte brasileira, em que foi o caso o surgimento do Movimento Antropofágico, do qual Oswald de Andrade escreveu um Manifesto — sendo uma das principais obras do Movimento Antropofágico a pintura Abapuru de Tarsila do Amaral — que tinha como intuito remodelar a cultura nacional. Ou seja, o Futurismo foi de grande importância para o modernismo no Brasil, suas ideologias fizeram despertar o interesse pelo desenvolvimento de uma cultura não tão dependente da Europa, sendo o Movimento Antropofágico muito influenciado por Marinetti e o Futurismo.
 
Referências:
ANDRADE, Oswald de. O manifesto antropófago. In: TELES, Gilberto Mendonça. Vanguarda europeia e modernismo brasileiro: apresentação e crítica dos principais manifestos vanguardistas. 3ª ed. Petrópolis: Vozes; Brasília: INL, 1976.
BORTOLUCCE, Vanessa Beatriz. O centenário do futurismo: uma estética do tempo. In: ENCONTRO DE HISTÓRIA DA ARTE, 5., 2009, Campinas. Anais.
https://www.suapesquisa.com/artesliteratura/futurismo.htm
http://cafiluffs.wixsite.com/culturapensante/single-post/futurismonobrasil
https://www.trabalhosgratuitos.com/Sociais-Aplicadas/Arte/O-Futurismo-no-Brasil-resumo-1192598.html