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Tim e Beverly Lahye   O Ato Conjugal

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protetor cobriu o clitóris, e pode 
aplicar a fricção a ambas as áreas. É possível que a esposa 
deseje que ele introduza um dedo na vagina suavemente, 
fazendo movimentos lentos e rítmicos no interior dela, en-
quanto os outros dedos mantém o contato com a parte externa 
da vulva. A esposa deve então concentrar-se unicamente em 
relaxar-se e pensar apenas nessas áreas, deixando-se dominar 
completamente pelas sensações que lhe ocorrem, de maneira 
que, se desejar gemer, gritar, contorcer-se, girar-se ou impul-
sionar-se para a frente, que o faça. 
Para satisfazer-se plenamente após o primeiro orgasmo, a 
esposa deve pedir ao marido que espace seus movimentos mas 
não os interrompa. Quando suas sensações começarem nova 
ascensão, ela deve fazer-lhe um sinal para que intensifique os 
movimentos e os acelere até que ela se satisfaça e atinja novo 
orgasmo. Nesse início de seu relacionamento, dois orgasmos, 
provavelmente, serão suficientes. 
Após o clímax, ela deve deitar-se de lado, enquanto o 
marido se deita de costas. Então ela irá massagear levemente a 
região genital dele, passando os dedos pelo pênis, nos pêlos 
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púbicos, escroto e a face interna das coxas. Deve ter o cuidado 
de não comprimir a bolsa escrotal, pois pode ser desconfortá-
vel para ele. Pode rodear o pênis com a mão e massageá-lo 
levemente, para baixo e para cima. A medida que ela for 
acelerando os movimentos, o corpo do marido ficará mais 
rígido, e ela poderá observar a reação dele ao seu toque. Esses 
movimentos devem continuar até que ele venha a ejacular. 
Antes de iniciar o processo, a esposa deve ter à mão um lenço 
de papel para absorver a descarga do líquido seminal. 
O Dr. Herbert J. Miles, em seu excelente livro Sexual 
Happinees in Marriage (A felicidade sexual no casamento) 
narra o seguinte fato: 
Um casal, que foi entrevistado pela pesquisa, passou pela 
seguinte experiência. Tentaram o ato sexual na noite de 
núpcias, mas a esposa não atingiu o orgasmo, ao passo que o 
marido sim. Após o intercurso sexual, ele tentou conduzi-la ao 
clímax pelo estímulo manual, durante o qual ela foi-se tornan-
do cada vez mais tensa e nervosa, e simplesmente não conse-
guiu levar avante as tentativas, embora desejasse fazê-lo e se 
esforçasse para isso. Por fim, pediu ao marido que parasse. 
Permaneceram deitados, relaxados, e conversaram durante 
três horas, noite a dentro. Afinal, bem depois da meia-noite, 
ela disse: "Vamos tentar novamente." O casal repetiu o 
processo da estimulação direta, e cerca de dezessete minutos 
depois ela conseguiu chegar ao clímax, pela primeira vez. O 
que aconteceu, em seu caso, foi que aprendera muita coisa na 
primeira tentativa, e depois de relaxar e adquirir mais auto-
confiança, conseguiu entregar-se totalmente à excitação sexu-
al, obtendo afinal o sucesso desejado.2 
Alguns crentes talvez façam objeção a essa forma de 
experimentação. Nós a recomendamos para recém-casados, 
porque estão edificando um relacionamento para toda a vida, 
na qual o ato amoroso desempenhará um papel preponderan-
te durante muitos anos. Quanto mais conhecerem um ao outro 
pela prática, mais irão apreciar-se mutuamente, e provavel-
mente irão gozar daquilo que consideramos o objetivo supre-
mo na vida sexual: orgasmos simultâneos, na maior parte das 
vezes. Essa forma de aprendizado pela prática aumentará a 
possibilidade de que aprendam isso no início da vida de 
casados, e continuem a desfrutar dele por muitos anos. A 
terapia recomendada pelos Drs. Masters e Johnson, para os 
casos de pessoas que se queixam de deficiências sexuais, 
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consiste, em parte, dessa mesma experimentação. Casais 
unidos havia vários anos foram conduzidos a um melhor 
entendimento um do outro e a um relacionamento sexual mais 
satisfatório, por meio desse processo de aprendizado. 
O Dr. Miles, acima citado, sugere o seguinte: "O bom 
ajustamento conjugai consiste em três fases que os casais 
precisam aprender. São as seguintes: primeiro, atingir o 
orgasmo; segundo, atingir o orgasmo pelo ato sexual; terceiro, 
atingir orgasmos simultâneos ou bem próximos, no ato se-
xual."3 
Ninguém deve desanimar-se, se não chegar à segunda e 
terceira fases imediatamente. Podem transcorrer várias sema-
nas ou mais, sem que experimentem orgasmos simultâneos, 
com freqüência regular. Entretanto, esse deve ser o alvo que 
todo casal esforçar-se-á para atingir. 
Outro aspecto no qual os dois podem realizar experiências 
é o do posicionamento, com o objetivo de obter uma excitação 
mais eficiente. Uma das melhores é aquela em que a esposa se 
deita de costas, joelhos flexionados, os pés junto aos quadris, 
com o marido deitado à sua direita. O Dr. Miles lembra o que 
a Bíblia ensina com relação à posição do casal para o ato 
sexual. 
Esta posição para o excitamento sexual é descrita no livro 
de Cantares de Salomão 2.6 e 8.3. Os dois versos são idênticos. 
São os seguintes os seus termos: "Á sua mão esquerda esteja 
debaixo da minha cabeça, e a direita me abrace." A palavra 
"abrace" pode ser traduzida também como "acaricie" ou 
"estimule". Na Bíblia, em um livro.que trata do puro amor 
conjugai, uma mulher casada expressa o desejo de que seu 
marido coloque o braço esquerdo sob sua cabeça, e use a 
direita para estimular seu clitóris. 
Esta posição parece ter sido a empregada por muitos 
povos, através dos séculos. Não hesitamos em afirmar que o 
processo geral de excitamento sexual aqui descrito era parte do 
plano divino, quando Deus criou o homem e a mulher. 
Portanto, a humanidade o tem praticado, por ser parte do 
plano de Deus para os casais e por ser eficiente.4 
O Dr. Miles apresenta outros conselhos proveitosos com 
relação à extensão da intimidade que deve haver entre marido 
e mulher. 
Nos relacionamentos humanos, no seio das comunidades e 
na sociedade, o recato é a rainha das virtudes, mas na 
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intimidade do quarto nupcial, a portas fechadas, e na presença 
do puro amor conjugai, não deve existir essa coisa chamada 
recato. O casal deve ter liberdade de praticar tudo que ambos 
desejarem fazer, que sirva para conduzi-los à plena expressão 
de seu amor mútuo e a uma boa experiência sexual. 
A essa altura, será bom darmos uma palavra de advertên-
cia. As experiências praticadas devem ser de consentimento 
mútuo, do marido e da esposa. Nenhum dos dois, em tempo 
algum, deve forçar o outro a participar de atos que este não 
deseje. O amor não coage a ninguém. 5 
Uma das características do Espírito Santo é o amor, e um 
traço predominante do amor é a bondade. A intimidade do 
ato amoroso sempre deve ser praticada com bondade. Por 
vezes, haverá necessidade de movimentos vigorosos, mas isso 
será sempre expresso com bondade em relação à outra pessoa 
— uma evidência vital de que o ato sexual é, em realidade, um 
ato de amor. 
O ESTÍMULO CLITORAL 
A relutância de muitos casais em praticar o estímulo 
clitoral durante a preparação para o ato sexual, e da qual ele, 
mais que qualquer outra coisa, é parte importante e necessá-
ria, tem privado as esposas da maravilhosa experiência da 
satisfação orgásmica. Muitas vezes, essa prática é associada à 
automasturbação, e por isso muitos homens desconhecem que 
ele é parte essencial de todo o processo do ato amoroso. 
A fim de salientar a importância do clitóris na satisfação 
sexual da mulher, muitos pesquisadores o comparam ao 
pênis. Ele tem sido descrito como "a parte mais sensível do 
corpo feminino na parte sexual", e ainda é por muitos 
considerado como "a base de toda a satisfação sexual".6 
R. M. Deutsch afirma que a "simples estimulação do 
clitóris já basta para conduzir ao orgasmo a maioria das 
mulheres".7 Ele indica que "a maioria dos pesquisadores 
concorda em que a única função do clitóris é processar o 
estímulo sexual — o que não encontra paralelo em nenhum 
órgão do corpo masculino,