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Tim e Beverly Lahye   O Ato Conjugal

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soal. Conservemos sempre em mente como foi que isto se deu. 
O homem sentia-se irrealizado no Jardim do Éden. Embora 
vivesse no mais belo ambiente do mundo, cercado de animais 
mansos de toda sorte, ele não tinha uma companhia que fosse 
de sua espécie. Então, Deus retirou de Adão um pedaço de seu 
corpo, e realizou outro milagre da criação — a mulher — 
semelhante ao homem sob todos os aspectos, com exceção do 
aparelho reprodutor. Ao invés de serem opostos, eles se 
completavam mutuamente. Que Deus iria ter o trabalho de 
preparar suas criaturas, dando-lhes a capacidade de realizar 
determinada atividade, para depois proibi-los de realizá-la? 
Certamente, não seria o Deus de amor tão claramente descrito 
na Bíblia. O verso de Romanos 8.32 afiança-nos que 
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"Aquele que não poupou a seu próprio Filho, antes, por todos 
nós o entregou, porventura não nos dará graciosamente com 
ele todas as cousas?" Examinando os fatos objetivamente, 
temos que concluir que o sexo foi dado ao homem, pelo menos 
em parte, para sua satisfação conjugai. 
Para termos outras evidências de que Deus aprova o ato 
sexual entre casais, consideremos a bela narrativa que explica 
sua origem. De todas as criaturas de Deus, apenas o homem 
foi criado "à imagem de Deus" (Gn 1.27). Isso torna a 
humanidade uma criação singular dentre as criaturas da 
terra. O verso seguinte explica: "E Deus os abençoou, e lhes 
disse: Sede fecundos, multiplicai-vos." (Gn 1.28.) A seguir, ele 
faz um comentário pessoal acerca de sua criação. "Viu Deus 
tudo quanto fizera, e eis que era muito bom." (Gn 1.31.) 
O capítulo 2 de Gênesis apresenta uma descrição mais 
detalhada da criação de Adão e Eva, incluindo a informação 
de que o próprio Deus conduziu Eva até Adão (v. 22), e, 
evidentemente, apresentou-os um ao outro, e deu-lhes ordem 
para serem fecundos. Em seguida o texto descreve a inocência 
deles com as seguintes palavras: "Ora, um e outro, o homem e 
sua mulher, estavam nus e não se envergonhavam." (V. 25.) 
Adão e Eva não sentiram nenhum constrangimento, nem fi-
caram envergonhados nessa ocasião, por três razões: haviam 
sido apresentados um ao outro por um Deus santo e reto, que 
lhes ordenara que se amassem; sua mente não estava precon-
cebida quanto à culpa, pois ainda não havia sido feita 
nenhuma proibição relativa ao ato sexual; e não havia outras 
pessoas por ali, para observarem suas relações íntimas. 
ADÃO "COABITOU" COM SUA ESPOSA 
Outra prova da bênção de Deus para com esta experiência 
sagrada, nos é dada na expressão que descreve o ato sexual 
praticado por Adão e Eva, em Gênesis 4.1: "Coabitou o 
homem com Eva. Esta concebeu." (Algumas versões dizem: 
"Conheceu...") Que melhor maneira existe de se descrever 
este sublime e íntimo entrelaçamento de mentes, corações, 
corpos e emoções, até um clímax apaixonado que lança os 
participantes numa onda de inocente calma, e que expressa 
plenamente o seu amor? A experiência é um "conhecimento" 
mútuo, um conhecimento sagrado, pessoal e íntimo. Tais 
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encontros são determinados por Deus para bênção e satisfa-
ção mútua. 
Algumas pessoas abrigam a estranha noção de que tudo 
que for aceitável diante de Deus, nunca pode ser fonte de 
prazer para nós. Ultimamente, temos obtido grande sucesso, 
quando aconselhamos os casais a orarem juntos. No livro 
Casados, mas Felizes,3 descrevemos determinado método de 
oração conversacional, que consideramos extremamente va-
lioso, e que sugerimos com freqüência, devido à sua pratica-
bilidade e versatilidade. Durante esses anos todos, vários 
casais a têm experimentado e testemunhado resultados no-
táveis. 
Uma senhora muito extrovertida e emotiva declarou que 
essa prática mudara toda a sua vida, e confidenciou-nos: 
"A principal razão por que eu relutava em orar com meu 
marido antes de deitar-me, era o receio de que isso viesse a 
prejudicar nosso ato sexual. Mas, para minha surpresa, desco-
bri que ficávamos tão unidos emocionalmente depois da ora-
ção, que isso estabelecia um clima próprio para o amor." E 
essa senhora não é a única pessoa a experimentar isso. Na 
verdade, não vemos nenhuma razão para que um casal não 
ore antes ou depois de um ardoroso ato sexual. Entretanto, 
alguns casais se encontram tão relaxados depois, que só 
desejam dormir — o sono da satisfação. 
UM AMOR ARREBATADO 
Correndo o risco de chocar algumas pessoas, desejamos 
afirmar que a Bíblia não mede palavras ao falar deste tema. O 
livro de Cantares de Salomão é notavelmente franco neste 
aspecto. (Considerem-se, por exemplo, os trechos de 2.3-17 e 
4.1-7.) 
O livro de Provérbios faz advertência contra a "mulher 
adúltera" (prostituta), mas em contraste, diz ao marido: 
"Alegra-te com a mulher da tua mocidade." Como? Deixando 
que "Saciem-te os seus seios em todo o tempo; embriaga-te 
sempre com as suas carícias." Está claro que este arrebata-
mento no amor deve fazer o homem alegrar-se, dando-lhe um 
prazer que chega ao êxtase. O contexto expressa claramente a 
idéia de que a experiência é para o prazer mútuo. Esta 
passagem indica também que o ato sexual não foi estabelecido 
apenas para o objetivo único da propagação da raça, mas para 
o prazer total dos dois. Se entendemos corretamente — e 
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cremos que entendemos — não deve ser um ato a ser 
praticado apressadamente, e nem deve ser suportado por um 
dos cônjuges e desfrutado pelo outro. Os especialistas moder-
nos ensinam que a estimulação mútua, precedendo ao ato 
propriamente dito, é necessária para que ambos gozem de 
uma experiência satisfatória. Não vemos erro nisso, mas 
queremos mencionar que Salomão fez a mesma sugestão há 
três mil anos. 
Todas as passagens bíblicas devem ser estudadas à luz de 
seu objetivo, a fim de se evitar a deturpação ou distorção do 
significado. O conceito apresentado no parágrafo anterior 
já é bastante forte em si, mas torna-se ainda mais poderoso se 
compreendermos seu contexto. As inspiradas palavras dos 
capítulos 1 a 9 de Provérbios contêm instruções de Salomão, o 
homem mais sábio do mundo, a seu filho, ensinando-o a 
controlar o tremendo instinto sexual que operava em seu 
corpo, a fim de evitar ser tentado a satisfazê-lo de maneira 
imprópria. Salomão queria que seu filho tivesse toda uma vida 
de uso correto daquele instinto, limitando-o ao ato conjugai. E 
como toda esta passagem aborda a questão da sabedoria, está 
claro que um amor matrimonial deleitável é conseqüência de 
sabedoria. O amor extraconjugal é apresentado como "o 
caminho do insensato", oferecendo prazeres a curto prazo, e 
trazendo "destruição" (mágoas, culpas, tristezas) no fim. 
Seríamos remissos se deixássemos de mencionar Provér-
bios 5.21: "Porque os caminhos do homem estão perante os 
olhos do Senhor, e ele considera todas as suas veredas." Isto 
diz respeito também ao ato sexual. Deus vê a intimidade que é 
praticada pelos casais, e a aprova. Seu castigo é reservado 
apenas àqueles que praticam o sexo extraconjugal. 
AS "CARÍCIAS" NO VELHO TESTAMENTO 
Pode ser difícil para nós pensarmos nos grandes santos do 
Velho Testamento como grandes parceiros no amor, mas eles 
o foram. Aliás, é possível até que nunca escutemos um sermão 
sobre o relacionamento de Isaque e sua esposa Rebeca, 
registrado em Gênesis 26.6-11. Mas a verdade é que esse 
homem, que foi incluído no "Quem é quem" da fé, em 
Hebreus 11, foi visto pelo Rei Abimeleque "acariciando" sua 
esposa. Não sabemos até que ponto foram essas carícias, mas 
sabemos que o rei viu o suficiente para deduzir que ela era 
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esposa dele, e não sua irmã, como ele havia declarado a prin-
cípio. Isaque errou, não por afagar sua esposa, mas em não 
limitar-se à intimidade do seu quarto. Mas o fato de que foi 
visto fazendo isto, sugere que era comum e permitido, naquela 
época, marido e mulher se acariciarem. Deus determinou que 
as coisas fossem